Mary-Claire King; Sam Wieand; Kathryn Hale, BS; Ming Lee; Tom Walsh; Kelly Owens; Jonathan Tait; Leslie Ford; Barbara K. Dunn; Joseph Costantino, DrPH; Lawrence Wickerham; Norman Wolmark; Bernard Fisher. Tamoxifen and Breast Cancer Incidence Among Women With Inherited Mutations in BRCA1 and BRCA2 JAMA. 2001;286:2251-2256. (National Surgical Adjuvant Breast and Bowel Project (NSABP-P1) Breast Cancer Prevention Trial).
Entre mulheres sem câncer, acima de 35 anos de idade, o tamoxifeno reduziu a incidência de câncer de mama receptor de estrogênio positivo (RE+) mas não daqueles receptor de estrogênio negativo (RE-). O efeito do tamoxifeno na incidência de câncer de mama entre mulheres com elevado risco de desenvolver a doença em decorrência de mutações BRCA1 ou BRCA2 é desconhecido. Desta forma este estudo procura avaliar o efeito do tamoxifeno nesta circunstância.
Realizou-se a análise genômica de BRCA1 e BRCA2 em 288 mulheres que desenvolveram câncer de mama após entrada no estudo randomizado, duplo-cego de prevenção de câncer de mama National Surgical Adjuvant Breast and Bowel Project - NSABP (entre abril de 1992 e setembro de 1999).
Observar a incidência de câncer de mama entre mulheres com mutações BRCA1 ou BRCA2, comparando o uso de tamoxifeno e placebo.
Dentre os 288 casos de câncer de mama, detectaram-se 19 (6,6%) mulheres com mutaç‹o BRCA1 ou BRCA2 predisponente à doença. Dentre 8 pacientes com mutaç‹o BRCA1, 5 receberam tamoxifeno e 3 receberam placebo (relação e risco = 1,67; intervalo de confiança 95% = 0,32-10,70). Dentre as 11 pacientes com mutaç‹o BRCA2, 3 receberam tamoxifeno e 8 receberam placebo (relaç‹o de risco = 0,38; intervalo de confiança 95% = 0,06-1,56). Considerando 10 estudos, e incluindo este, 83% dos tumores mamários associados a BRCA1 eram receptor de estrogênio negativo (RE-), enquanto 76% dos tumores associados a BRCA2 se apresentavam como receptor de estrogênio positivo (RE+).
O tamoxifeno reduziu a incidência de câncer de mama em 62% entre portadoras saudáveis da mutação BRCA2, de maneira semelhante à redução na incidência de tumores receptor de estrogênio positivo (RE+) entre todas as mulheres do estudo de prevenção de câncer de mama. Por outro lado, o uso do tamoxifeno a partir de 35 anos n‹o reduziu a incidência de câncer de mama entre mulheres saudáveis com mutaç‹o BRCA1. Não se sabe se a utilização do tamoxifeno a partir de idades mais jovens poderia ter algum efeito protetor nas mulheres saudáveis com mutação BRCA1.
A redução no risco de câncer de mama utilizando-se tamoxifeno em mulheres de alto risco para a doença foi demonstrado em 19981. No entanto, a diferença de express‹o de receptor de estrogênio associada às mutações de BRCA1 e BRCA2 traz um aspecto importante a ser considerado, tendo em vista que o tamoxifeno é agente anti-estrogênico com atuaç‹o em receptor. As evidências genéticas e biológicas favorecem a utilizaç‹o de tamoxifeno na prevenç‹o do câncer de mama em mulheres saudáveis com mutaç‹o BRCA2, mas n‹o para aquelas com mutaç‹o BRCA1 quando se inicia o medicamento a partir de 35 anos.
é importante lembrar que no tratamento de tumores receptor de estrogênio positivo, independentemente da presença de mutações BRCA2 ou BRCA1, o tamoxifeno demonstrou eficácia na reduç‹o do risco de doença contralateral e de recorrência.
Este artigo vem se juntar ao citado em setembro (mastectomia profilática) salientando a importância que a genética vem apresentando no acompanhamento das pacientes.
1. Fisher B, et al. Tamoxifen for prevention of breast cancer: report of the National Surgical Adjuvant Breast and Bowel Project PI Study. J Natl Cancer Inst. 1998;90:1371-1388.
Eduardo Vieira da Motta
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