
Quais as vantagens nutritivas do leite materno para o bebê?
Qual o período e em que momento o bebê deve ser alimentado?
Como a lactação protege os bebês contra infecções?
Como deve ser a alimentação da mulher que está amamentando?
Quais os alimentos e substâncias que devem ser evitados durante a lactação?
Quais os efeitos contraceptivos da lactação materna?
Quais os cuidados com as mamas durante a gravidez e após o parto?
Quais as principais intercorrências na lactação?
O aleitamento materno, hoje é considerado uma questão de saúde pública e todos os sistemas sanitários do mundo reconhecem as vantagens da lactação. Inúmeras ações vem sendo desenvolvidas para estimular cada vez mais a amamentação.
O leite materno é uma alimento que possui de forma equilibrada todas as substâncias que o bebê necessita para seu crescimento e desenvolvimento, durante os seis primeiros meses de vida.
Os componentes do leite materno variam ao longo da amamentação e estas modificações são necessárias para satisfazer as necessidades do bebê de acordo com a fase de vida em que o mesmo se encontra.
O leite humano é benéfico durante mais de um ano, porém a partir do quarto - quinto mês é necessário complementá-lo com outros alimentos.
A lactação materna não só proporciona ao bebê o melhor alimento, como também contribui de maneira decisiva para o desenvolvimeno físico e emocional do bebê.
Trabalhos recentes demonstram um melhor desenvolvimento intelectual nas crianças amamentadas.
O leite materno é o mais completo alimento para o bebê, é econômico, não custa nada e sempre está limpo e pronto. Além disso, ele nunca é fraco e todas as mulheres podem produzí-lo em quantidade suficiente para alimentar o seu filho.
O bebê deve ser alimentado sempre que tiver fome. Não existe horário fixo e portanto ele deve mamar sempre que quiser.
É importante que a primeira mamada seja o mais precoce possível, de preferência ainda na sala do parto.
Quanto mais o bebê mama, mais leite a mama produz. A sucção é o estímulo que irá liberar os hormõnios responsáveis pela produção e ejeção do leite.
Durante as primeiras mamadas a mãe poderá sentir cólica no baixo ventre. Este episódio reflete que está havendo contrações do útero, fazendo com que o mesmo volte ao tamanho normal.
Não é necessário complementar a amamentação com água, chá ou outro tipo de alimento até o quarto ou quinto mês de vida.
Cada mamada é uma vacina. A lactação materna protege o bebê das infecções ao tranferir através do leite anticorpos e imunoglobulinas da mãe par o bebê. Além destas substâncias de defesa, o leite materno contém muitos fatores antibacterianos e antiviróticos.
O aleitamento materno é a primeira imunização do bebê. O colostro (substância precursora do leite) também contém todas estas substâncias além de todos os fatores nutritivos necessários ao bebê nos primeiros dias de vida.
A proteção da lactação contra as infeções é tão eficaz, que com aleitamento materno exclusivo se poderia evitar milhares de mortes de bebês a cada ano. Vale ressaltar que o leite humano apresenta fatores específicos anti-cólera e anti-dengue.
Inicialmente é importante saber que a mulher que amamenta não necessita comer em maior quantidade. O hábito alimentar durante a amamentação deve ser dirigido para o fator qualidade e não quantidade.
O metabolismo materno se adapta a aproveitar o máximo de sua alimentação. O organismo materno é um processador de alimentos muito eficaz. Por outro lado a ingestão de líquidos deve aumentar. Preferência deve ser dada a água ou suco natural de frutas.
Toda a alimentação de difícil digestão, bem como os alimentos temperados (condimentados) devem ser evitados.
A ingestão excessiva de álcool, café e chocolate, bem como o hábito de fumar devem ser evitados.
O uso de remédios durante a lactação depende de orientação médica. Toda medicação é também eliminada pelo leite, sendo portanto absorvida pelo bebê. No caso de necessitar de algum medicamento consulte seu médico.
Esta é uma outra vantagem. Durante a lactação existem modificações hormonais no organismo materno trazendo como consequência a falta de ovulação (anovulação fisiológica).
Enquanto a mulher amamenta plenamente em regime de livre demanda e a alimentação do bebê é exclusivamente o leite materno, o efeito contraceptivo da amamentação é muito eficaz. No entanto, se a mulher volta a menstruar durante o período da amamentação este efeito contraceptivo é reduzido.
Se a alimentação do bebê se faz de forma artificial (mamadeira) a ovulação geralmente volta existir aproximadamente 3 meses após o parto.
As mamas devem ser preparadas para a lactação durante a gravidez e alguns cuidados básicos devem ser tomados.
Usar sempre sutiã. Este deve sustentar as mamas por inteiras e de forma confortável. O sutiã não deve apertar as mamas.
Hábito de massagem. Massagear as mamas durante o banho fazendo movimentos circulares e suaves. Da mesma forma pode ser realizada após o banho com uma toalha macia. Não utilizar óleos, cremes, etc., pois além das substâncias serem absorvidas há o risco de alergia cutânea. Evitar o uso excessivo de sabão na região da aréola.
Realizar exercícios para fortalecer a aréola e papila. Estes podem ser realizados puxando levemente a aréola para os lados de forma retilínea e circular. Puxar a papila levemente, fazendo movimentos para frente e circulares.
Exposição ao sol. Expor ao sol a região areolar durante aproximadamente 15 minutos por dia, antes das 10 horas da manhã ou após as 16 horas.
Após o parto, durante o período de amamentação, alguns cuidados também devem ser tomados para facilitar o aleitamento e para evitar complicações que podem levar a suspensão do mesmo.
Escolha uma posição confortável para dar de mamar.
Verifique se a aréola está macia. Passe o próprio leite na aréola e na papila.
Ofereça sempre as duas mamas. Começar sempre pela mama na qual terminou a última mamada.
Ofereça a mama ao bebê com o cuidado para que ele abocanhe parte da aréola e não só a papila (bico do seio).
Após cada mamada a mãe deve verificar se as mamas ainda estão cheias. Nestes casos deve massageá-las com movimentos circulares, começando pela aréola e se estendendo por toda a mama. O leite residual pode e deve ser retirado através de expressão manual ou alguma bomba tira-leite.
Ingurgitamento Mamário: Caracteriza-se pelo aumento do volume mamário, acompanhado de turgência e distensão das mamas. Para que a amamentação transcorra de forma satisfatória tem que haver pleno equilíbrio entre a produção de leite e a drenagem: oferta-procura-tensão intra mamária normal. Portanto nestas situações o tratamento é promover o esvaziamento das mamas.
Rachaduras e Fissuras na Papila: São lesões superficiais da papila que quando atingem uma camada mais profunda (derme) são chamadas de fissura. As fissuras são geralmente precedidas de um quadro de ingurgitamento mamário, que leva distensão da região areolar e consequentemente a um erro no local de aplicação de força pela boca do bebê, que ao invés de aplicá-la na região areolar a faz sobre a papila, provocando traumatismo, tornando a pele mais tênue e friável. Portanto a causa determinante é a pega (abocanhamento ) inadequada. Nestas situações use como medicação o próprio leite, exponha os mamilos ao sol pela manhã por 10 minutos ou faça banho de luz (abajur com lâmpada de 40 watts a 1 palmo de distância das mamas). Não suspenda a amamentação. Comece a amamentar seu bebê pelo lado menos ferido.
Mastite: É um processo inflamatório agudo de origem infecciosa. Geralmente se desenvolve entre a 2º e 4º semana de puerpério. Acompanha-se de febre alta, calafrios e vermelhidão nas mamas. Geralmente acomete somente uma mama. Esta situação tem que ser obrigatoriamente acompanhada por médico.