Notícias - Ano 2016

Câncer de mama também pode atingir homens

O câncer de mama atinge, principalmente, mulheres, porém contrariando o que muitos pensam a doença também acomete os homens. Isso porque as glândulas mamárias estão presentes tanto em pessoas do sexo feminino quanto masculino (em menor quantidade). Há muita falta de informação e preconceito em relação ao câncer de mama masculino, e por isso geralmente a  detecção é feita em estágio avançado, o que pode dificultar o tratamento e haver metástase. Acompanhe abaixo as principais dúvidas sobre a doença:

1 - Por que o câncer de mama também atinge os homens?

O câncer de mama masculino não é uma doença frequente. Para se ter uma ideia, em cada 100 casos em mulheres existe pelo menos 1 caso em homens com o diagnóstico da doença. A susceptibilidade do homem ao câncer de mama provém do período embriológico, quando homens e mulheres recebem as mesmas estruturas que formam as mamas, que permanecem rudimentares em ambos os sexos até a puberdade, quando por ação dos hormônios ovarianos, sobretudo o estrogênio, inicia o desenvolvimento glandular mamário nas mulheres. No homem, fatores que promovem aumento do estrogênio, como alcoolismo, obesidade, doenças hepáticas, medicações, entre outros, iniciam o desenvolvimento glandular e podem também dar início à formação do câncer de mama.

2 - Quais são os principais sintomas provocados pela doença?

O homem percebe a presença de nódulo na mama e em alguns casos pode-se observar retração do mamilo. Assim como nas mulheres, a dor não associa-se aos sintomas iniciais do câncer de mama, podendo aparecer em fases mais avançadas.

3 - Ultimamente, existe ainda muito preconceito em relação à doença?

Naturalmente, os homens têm menor propensão a procurar médicos quando comparados às mulheres. Com relação ao câncer de mama, observa-se dificuldade de acesso, além da falta de informação de qual profissional procurar. Poucos ainda conhecem a figura do mastologista como responsável pelo tratamento do câncer de mama. Além disso, existe deficiência de mastologistas, tanto na rede pública quanto na rede pública e o acesso a esses profissionais costuma ser dificultado.

4 - Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é basicamente clínico, através do relato do paciente sobre a presença de nódulo ou alteração nas mamas. A partir daí é feito o exame clínico das mamas, região supra clavicular e axilar e a extensão inicial da doença pode ser avaliada.

5 - Quais são os fatores de risco?

Existem fatores de risco genético, como história de câncer de mama e/ou ovário em familiares de primeiro grau (mãe/ irmã), que apontam para a mutação de genes envolvidos no controle do câncer de mama, como BRCA 1 e 2. Estes representam ínfima fração dos casos acometidos, mas é importante salientar o risco em famílias com estes casos. De maneira geral, os riscos relacionados ao câncer de mama devem-se à presença de maior quantidade de estrogênio circulante. O estrogênio é um hormônio feminino, responsável pelo desenvolvimento glandular mamário e fortemente implicado no processo de desenvolvimento do câncer. Existe uma conversão periférica no tecido adiposo, que transforma a testosterona produzida nos testículos em estrogênio, mecanismo conhecido como aromatização. Além do tecido adiposo, o fígado também contribui para este processo. Desta forma, identifica-se maior risco para câncer de mama nos obesos, alcoólatras, usuários de esteroides anabolizantes e também em idosos, pois ocorre maior aromatização no tecido periférico do idoso. De acordo com a literatura, a incidência do câncer de mama masculino ocorre por volta dos 65/70 anos.

6 - Como os homens devem se prevenir e quais são os métodos de autoexame?

Não há prevenção específica para o câncer de mama masculino. De toda forma, valem os conselhos gerais para prevenção de câncer de mama. Hábitos saudáveis de vida, como alimentação balanceada, atividade física regular, redução do consumo de álcool, abolição do tabagismo, controles do diabetes e peso, além de procurar o médico regularmente. Não existe indicação de campanhas de autoexame masculino. O que se recomenda é que, na presença de qualquer anormalidade percebida nas mamas, o homem procure imediatamente o mastologista.

7 - Qual é a reação mais comum quando um homem descobre que tem câncer de mama?

Assim como as mulheres, a detecção de qualquer caso de câncer, inicialmente, acontece a negação. Logo após a confirmação, observa-se o medo da morte, associado aos temores que envolvem qualquer tratamento cirúrgico. Observa-se que, na maioria das vezes, os homens não têm maior resistência a realizar o tratamento.

8 - Dos casos diagnosticados, qual é a porcentagem de cura?

Assim como nas mulheres, as possibilidades de cura relacionam-se diretamente com o diagnóstico precoce. Estudos apontam que 57 % dos casos apresentaram-se nos estágios III e IV, dos quais as chances de cura já são menores. Curiosamente, os dados equiparam-se aos dados encontrados nas mulheres, o que reflete a falta de estrutura pública no Brasil para diagnosticar precocemente os casos. Desta forma, observou-se que em cinco anos, 65% dos pacientes estavam vivos após o diagnóstico de câncer de mama.

9 - Os homens demoram muito para procurar um especialista? Por que?

As razões para que os homens demorem a procurar um especialista vão desde a ausência do hábito de procurar médicos até a dificuldade de acesso aos especialistas, sobretudo na rede pública.

10 - Quais são os tratamentos indicados?

O tratamento do câncer de mama masculino assemelha-se ao feminino. A cirurgia está indicada para praticamente todos os casos. No homem, devido ao pequeno volume mamário, a cirurgia consiste na retirada da mama e na realização de biópsia de um gânglio axilar para avaliar a extensão da doença. Na presença de comprometimento axilar , realiza-se também a retirada de linfonodos axilares. O tratamento pode ser associado à quimioterapia, radioterapia e também é freqüente o uso de medicação hormonioterápica, que bloqueia os efeitos do estrogênio nos homens. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, menor a extensão da cirurgia e menor a necessidade de receber quimioterapia e radioterapia.

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AVISO IMPORTANTE
O conteúdo deste site tem o intuito de apenas informar aqueles que têm dúvidas genéricas sobre o câncer de mama. Para a análise de um caso clínico particular, como tratamento, prognóstico e outras dúvidas deve ser consultado um médico especialista.