Notícias - Ano 2014

Reconstrução mamária aumenta autoestima de mulheres mastectomizadas

 Mastologistas realizam cirurgia de reconstrução mamária imediata e mudam as histórias de mulheres que passaram anos mutiladas por conta do câncer de mama

Mesmo um ano após ter sido sancionada a Lei nº 12.802, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a realizar cirurgia reparadora em mulheres que retiraram a mama devido ao câncer, menos de 10% das pacientes brasileiras submetidas à mastectomia têm acesso à cirurgia de reconstrução mamária imediata. Em sua maioria, são mulheres que vivem mutiladas há anos, com vergonha e autoestima baixa, aguardando na fila pela cirurgia ou com medo da cirurgia por falta de informação.

Mirian Pereira da Costa, de 59 anos, é uma delas. Há 11 anos, ela descobriu um câncer na mama esquerda, retirou o tumor, mas não realizou a reconstrução imediata. E viveu sem uma mama até julho do ano passado, quando descobriu outro nódulo na mama direita. “Desta vez tive a chance de reconstruir as duas mamas. Tudo que tenho a dizer é que hoje, com quase 60 anos, sou uma mulher muito mais feliz do que fui nesses últimos anos vivendo com medo e próteses artesanais”, diz ela, que conseguiu fazer a reconstrução graças ao convênio firmado entre a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para treinamento de mastologistas em reconstrução mamária. A primeira turma desses profissionais acaba de se formar e outras secretarias deverão participar em demais estados brasileiros.

A indicação para reconstruir as mamas na mesma cirurgia implica na necessidade de um número maior de profissionais disponíveis e treinados para o caso, e a falta deles acaba sendo um dos grandes motivos do pouco acesso às cirurgias. Por conta disso, a SBM busca parcerias com instituições públicas de todo o país para melhorar esta realidade e ampliar o número de mastologistas dedicados à reconstrução mamária, atendendo a necessidade de mulheres que não podem pagar.

“A retirada das mamas pode provocar baixa autoestima e problemas psicológicos importantes. Por isso, a maioria das pacientes com câncer tem indicação para reconstruir suas mamas na mesma cirurgia. Assim, podemos reduzir o trauma associado e melhorar a qualidade de vida das mulheres tratadas”, afirma Fernanda Salum, diretora da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Ainda há muitas mulheres que sofrem o drama de retirar as mamas e ter que conviver sem elas por anos. Maria da Conceição Soria, de 62 anos, por exemplo, fez a mastectomia há 22 anos e conseguiu pagar os tratamentos e a cirurgia com o apoio da família. Tudo correu bem, porém Maria ainda não fez a reconstrução. “Não tive instrução do médico na época, e até hoje tenho problemas com autoestima.. Vejo o tempo passar e penso que quero namorar, viver e usar roupas mais decotadas, mas tenho muita vergonha. Não vou à praia, à piscina, não uso roupas de alça e não consigo mostrar meu corpo a qualquer homem. Se eu tivesse feito a reconstrução imediata naquela época tudo seria diferente”, diz Maria.

Essa situação constrangedora começa a se tornar passado para as mulheres que estão inscritas neste convênio. É o caso de Fabiana Rodrigues, de 40 anos, que foi chamada para fazer a reconstrução mamária três anos e quatro meses após sua mastectomia. “Não tenho mais preocupação com a prótese de silicone saindo do lugar e minha autoestima está nas alturas. A iniciativa de formar mastologistas que façam a reconstrução é maravilhosa e faz aumentar as esperanças de nós, mulheres”, comenta Fabiana.

A reconstrução mamária pode ser realizada com tecido da própria paciente ou pela utilização de próteses de silicone. Preferencialmente, quando não houver contra indicação médica, a reconstrução deve ser realizada no mesmo momento em que se retira o tumor. Até o momento, nove mastologistas (seis da SES-DF, um da SES-AC, um da SES-TO e um da Procuradoria Geral da República) foram treinados no Hospital de Base do Distrito Federal para executar e serem multiplicadores das técnicas de reconstrução em residências de mastologia.

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O conteúdo deste site tem o intuito de apenas informar aqueles que têm dúvidas genéricas sobre o câncer de mama. Para a análise de um caso clínico particular, como tratamento, prognóstico e outras dúvidas deve ser consultado um médico especialista.