Terapias integrativas e alternativas

Os pacientes com câncer frequentemente experimentam estresse físico e emocional. Após o diagnóstico e durante o tratamento do câncer, a ansiedade, distúrbios de humor e alguns sintomas como náusea, vômito, depressão e dor necessitam ser alvos de atenção da equipe multiprofissional.

A dor no câncer é conhecida como dor total, terminologia criada por Cicely Saunders, na década de 60 na Inglaterra. A dor total significa muito mais que dor física, e vai além das questões psicológicas, uma vez que considera aspectos psíquicos, sociais e espirituais, priorizando as causas relacionadas ao sofrimento do paciente. Neste sentido, outras abordagens terapêuticas precisam ser introduzidas com o objetivo de prevenir, minimizar e tratar a dor total.

O uso das Terapias Complementares e Integrativas como intervenção contra a dor e outros sintomas é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo utilizado cada vez mais nos pacientes com câncer como tratamento complementar. No mundo inteiro, diversos centros de tratamento de doenças crônicas, agregam estas terapias em suas rotinas, com destaque para o Serviço de Medicina Integrativa do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (Nova York, EUA), fundado em 1999.

 

Terapias Complementares e Integrativas

 

Entre algumasTerapias Complementares e Integrativas, utilizadas no tratamento da dor em pacientes com câncer, podemos citar:

 

  • Massagem: Existem vários tipos de massagem, entre os quais podemos citar: Massoterapia, Reflexologia, Massagem Sueca, Shiatsu, Tui Na e Acupressão. A utilização das técnicas pode ser isoladamente ou em conjunto, dependendo também da escolha pessoal do profissional que executa a massagem.

    Massoterapia reúne diversos procedimentos que estimulam e manipulam os tecidos moles (musculatura), aliviando o estresse, proporcionando o relaxamento e sendo eficaz no tratamento da dor.

    Massagem Sueca utiliza técnicas que exercem pressão nos músculos promovendo relaxamento e contribuindo com a melhora da circulação. Aplicada de forma profunda, tem a finalidade de diminuir o estresse e melhorar a mobilidade da pessoa, deixando-a mais disposta.

    Acupressão utiliza os princípios da medicina chinesa, pressionando com os dedos os pontos de acupuntura. Alongar e massagear também faz parte desta técnica com a finalidade de restabelecer a energia do corpo. A diferença com a acupuntura, é que as agulhas não são utilizadas.

    Shiatsu é uma técnica japonesa que utiliza os princípios da acupressão, visando equilíbrio do Qi ou energia, pressionando os pontos dos caminhos de energia conhecidos como meridianos, com a finalidade de fazer a energia fluir, e para proporcionar bem-estar.

    Do-In que tem os princípios do Shiatsu,só que é feito pela própria pessoa, e não pelo terapeuta.

    Tui Na é um método da medicina chinesa, mais antiga que a acupuntura, que utiliza técnicas de massagem de empurrar, puxar, pressionar e rolar da pele e tecidos moles, utilizando os caminhos energéticos.

    Reflexologia é uma forma de massagem, utilizada na China por volta de três mil anos, baseada em áreas mapeadas em determinadas partes do corpo, correspondentes às glândulas, órgãos e tecidos, onde existem milhares de terminações nervosas. A técnica vem sendo utilizada para promover relaxamento, alívio do estresse e melhora do aporte sangüíneo.

    Terapia Miofascial e Neuromuscular: tem o objetivo de localizar e diminuir pontos gatilhos (trigger points), pontos muito sensíveis, como "nós musculares", que causam dor e limitam o movimento. Visa diminuir a dor por meio da pressão profunda nos pontos identificados.

  • Acupuntura: É uma técnica milenar que integra a Terapia Tradicional Chinesa, que utiliza agulhas para promover o bem estar físico e emocional. Muito utilizada para a dor e náuseas. Ao contrário do que muitos pensam, é uma terapia praticamente indolor.
  • Meditação: É uma forma de concentração em algo ou simplesmente desligar-se de tudo naquele momento. Auxilia os processos difíceis e superação, promovendo serenidade.
  • Yoga: Praticada na Índia e Tibet há mais de 3.000 anos e introduzida no Ocidente no século 20. Utiliza alongamentos corporais e técnicas de exercícios respiratórios, e dessa forma trabalha o condicionamento físico e mental do paciente.
  • Tai Chi Chuan: É atualmente conhecido como uma série de exercícios, mas originalmente é uma arte marcial, e tem sua origem China. São utilizadas posturas para trabalhar o corpo e a mente, através de exercícios que promovem o equilíbrio e combatem o estresse. Assim como a Yoga, o Tai Chi Chuan oferece exercícios de baixo impacto, ou seja, com pequena possibilidade de provocar lesões.
  • Técnicas de relaxamento mental: Aqui o terapeuta utiliza palavras para induzir o relaxamento. É uma forma de Meditação, onde utiliza-se também técnicas de respiração e uso de imagens mentais.
  • Musicoterapia: Promove relaxamento, utilizando basicamente o sentido da audição. É realizada por meio de instrumentos musicais e uso de diversos sons promovidos por outros equipamentos, que reproduzem também sons da natureza.
  • Aromaterapia: Também promove relaxamento, mas pelo sentido do olfato. Trabalha zonas de prazer no sistema límbico. Os aromas mais utilizados são os de alecrim e alfazema, sendo o primeiro para alegrar e estimular e o segundo para acalmar.
  • Fitoterapia: Utilização de ervas para auxiliar o alívio de alguns sintomas, na forma de chá, cápsulas e tintura-mãe.

 

Precauções

 

Antes de iniciar qualquer terapia, é necessário conhecer os procedimentos oncológicos pelo qual o paciente foi submetido, assim como, realizar um minucioso exame clínico.

 

Em pacientes submetidos a esvaziamento ganglionar (linfadenectomia) axilar não é indicado o uso de terapias que provoquem calor no braço, axila ou tórax do mesmo lado da cirurgia. Isso também se aplica a massagens vigorosas e acupuntura nestas regiões. Esses cuidados visam a prevenção do inchaço no braço (linfedema).

 

Massagens vigorosas também devem ser feitas com cautela em possíveis áreas de comprometimento ósseo (seja por perda de massa óssea ou por metástase), uma vez que poderiam facilitar a ocorrência de fraturas.

 

Em algumas situações clinicas como infecção e trombose venosa profunda, a introdução de terapias complementares e integrativas deve ser avaliada com muito cuidado, uma vez algumas condutas poderiam agravar o quadro. Muitas vezes é necessário suspender o tratamento da dor até melhora da fase aguda destas complicações.

 

Considerações Finais

 

A idéia que essas terapias são naturais não quer dizer que elas não oferecem riscos à saúde. É fundamental que o profissional de saúde tenha treinamento e formação adequados tanto da realização das terapias, quanto nos processos fisiopatológicos do câncer, minimizando assim os riscos e maximizando os benefícios.

 

Como o próprio nome diz, essas terapias são complementares e não devem substituir os recursos usualmente utilizados no tratamento da dor, como os tratamentos medicamentosos, fisioterapêuticos, psicológicos e etc.

 

Referências

 

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