mamografiaEm outubro, o Ministério da Saúde tornou pública a Portaria nº 61/2015, que reduziu ainda mais o acesso à mamografia

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A Comissão de Financaças e Tributações da Câmara dos Deputados aprovou no dia 28/11, o projeto de Lei (PL) 3595/12, de autoria do Senado, que assegura às mulheres com deficiência, condições para a prevenção, detecção e o tratamento dos cânceres de mama e de colo de útero no Sistema Único de Saúde (SUS).

A audiência pública promovida pela Procuradoria da Mulher, que acontece uma vez por mês, debateu um assunto de amplo interesse das mulheres. A pauta discutida, no dia 15/10 (quinta-feira), foi o rastreamento mamário e contou com a presença do presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Dr. Ruffo de Freitas Júnior. Ele defendeu que as mulheres com idade entre 40 a 49 anos - que representam 25% das mulheres com risco de desenvolver a doença - não fiquem desamparadas e possam realizar a mamografia neste período.

Com base nos estudos com populações de países europeus e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que desaconselham o rastreamento nas mulheres mais jovens, o coordenador-geral de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, apontou o elevado risco de falsos positivos ou de detecção de tumores que não se tornariam câncer nesse grupo, o que gera tratamentos desnecessários, para justificar o exame mamográfico aos 50 anos. "É a partir desta idade que se concentra a maioria dos casos da doença. Caso contrário não supera os riscos, como a exposição à radiação", observou.

O presidente da SBM, por sua vez, lembrou que a incidência de câncer de mama tem se elevado em todas as faixas etárias no Brasil e no mundo, mas especialmente entre 40 e 59 anos, numa taxa de 5,5% ao ano. "Excluir as mulheres até 49 anos da realização de exames preventivos, prática que tem sido adotada pelo Ministério da Saúde ao fazer campanhas somente para as mulheres mais velhas, é restringir direitos", afirmou o mastologista.

Dr. Ruffo também citou estudos que detectaram a redução da mortalidade de mulheres que fizeram com regularidade o rastreamento antes dos 50. No Canadá, a redução chegou a 44% e, no Reino Unido, a 25%. Por isso, a SBM recomenda o exame a partir dos 40 anualmente. “Isso faz a diferença, e pode salvar a vida de mulheres", defendeu.

Ele também lembrou que, ao detectar o tumor inicialmente, já é possível realizar a mastectomia sem que a mulher precise enfrentar quimioterapia para reduzir o câncer. Isso significa mais economia para o governo, já que uma mamografia é bem mais barata do que o procedimento cirúrgico.

A senadora Lucia Vania (PSB-GO), que presidiu a reunião, e a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) defenderam o direito à realização do rastreamento para as mulheres a partir de 40 anos. Proposta nesse sentido foi aprovada pela CAS esta semana. A deputada é a autora da lei que obriga o Ministério da Saúde a disponibilizar o exame de mamografia a partir dos 40 anos de idade.

Fonte: Agência Senado