Você notou alguma alteração no mamilo, como uma descamação persistente ou uma ferida que não cicatriza? Embora muitas vezes confundida com alergias simples da pele, essa alteração pode ser um sinal da doença de Paget na mama.
Apesar de ser uma condição rara – responsável por 1% a 3% de todos os casos de câncer de mama, o reconhecimento precoce é essencial para o sucesso do tratamento. Na prática clínica, é comum que essas pacientes sejam inicialmente tratadas como dermatite, o que pode atrasar o diagnóstico correto.
Entender essa condição ajuda a diminuir a ansiedade e reforça a importância do autocuidado e do acompanhamento médico regular.

O que é a Doença de Paget na mama?
A doença de Paget é uma forma específica de apresentação do câncer de mama. Geralmente a doença se manifesta inicialmente com alterações na pele do mamilo e da aréola. De forma simples, ela ocorre quando células malignas se infiltram na epiderme (a camada mais externa) do mamilo. Hoje, sabemos que a maioria dos casos está associada a um tumor maligno subjacente na mama, que pode ser in situ ou invasivo. O tratamento e o prognóstico dependem do estágio desse câncer primário.

Quais são os sinais de alerta?
Muitas pacientes chegam ao consultório após tentarem tratar o problema como uma dermatite ou alergia comum, acreditando tratar-se apenas de um ressecamento. Quando a melhora não acontece, o sinal de alerta deve ser ligado.

Os sinais mais comuns incluem:
● Vermelhidão no mamilo (eritema)
● Crostas ou “casquinhas” persistentes
● Descamação semelhante a eczema
● Ferida que não cicatriza
● Saída de líquido (exsudação)
● Presença de nódulo na mama (em até 50% dos casos)
Atenção: Se você notar qualquer um desses sinais, não tente automedicação. Procure um mastologista para uma avaliação clínica especializada.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é um processo cuidadoso que combina o exame clínico com exames de imagem e biópsia. O objetivo é identificar a doença de Paget e avaliar se existe um câncer subjacente.

Os métodos utilizados são:
● Exame físico: Avaliação detalhada das alterações na pele do mamilo.
● Exames de imagem: Mamografia e ultrassonografia são essenciais para mapear a mama. Ajuda a identificar alterações subjacentes, como microcalcificações ou distorções.
● Biópsia: É o padrão-ouro. Pode ser realizada através de uma “biópsia em cunha” (retirada de um pequeno fragmento da pele alterada) para análise em laboratório.
● Imuno-histoquímica: Exames de laboratório realizados no tecido biopsiado que confirmam a natureza das células de Paget.
Em alguns casos, os exames de imagem podem não identificar alterações, o que reforça a importância da biópsia para o diagnóstico.

Tratamento e perspectivas
O tratamento da doença de Paget é principalmente cirúrgico e individualizado, tendo como foco o manejo do câncer subjacente. Na maioria dos casos, é necessária a remoção do complexo aréolo-mamilar (CAP). A decisão entre cirurgia conservadora ou mastectomia depende da extensão da doença no parênquima mamário.
Em pacientes selecionadas, é possível realizar cirurgia conservadora da mama associada à radioterapia, com bons resultados oncológicos e cosméticos.
Com os avanços da medicina, as técnicas de reconstrução mamária permitem alcançar ótima aparência das mamas, mesmo quando a mastectomia é necessária.