Survey Nacional – Atendimento em Saúde Mamária da População Trans no Brasil
O Departamento de Apoio à Comunidade LGBTQIA+ da Sociedade Brasileira de Mastologia convida você a impactar diretamente o futuro da nossa prática clínica. Elaboramos um survey abrangente que mapeia os desafios legais, cirúrgicos, de rastreamento e acolhimento — tanto no SUS quanto no setor privado. Sabemos que o questionário exige alguns minutos da sua atenção, mas cada resposta é fundamental: esses dados fundamentarão a criação de um guia prático nacional e de materiais de orientação para apoiar os mastologistas no dia a dia. Ao responder, você ajuda a SBM a construir diretrizes sólidas, promover a inclusão com rigor técnico e capacitar nossa especialidade.
Contamos com a sua colaboração para transformarmos essa experiência em conhecimento para todos!
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Consulta Pública – Ribociclibe no Tratamento Adjuvante do Câncer de Mama
Prezado(a) colega Mastologista,
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) tem participado ativamente das discussões sobre a incorporação de novas tecnologias tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Uma de nossas principais missões é promover o diálogo com os órgãos responsáveis pelas decisões em saúde, para que a experiência dos mastologistas seja considerada e para que nossas pacientes tenham acesso às melhores opções terapêuticas disponíveis.
Neste momento, está em discussão a incorporação do ribociclibe no SUS para o tratamento adjuvante do câncer de mama RH+/HER2− de alto risco, em associação a um inibidor da aromatase, durante os três primeiros anos da terapia endócrina adjuvante.
Os resultados atualizados do estudo NATALEE demonstraram redução de 25% no risco de recorrência de doença invasiva (iDFS) (HR 0,75; IC95% 0,62–0,89). Em três anos, 90,7% das pacientes tratadas com ribociclibe associado à terapia endócrina permaneceram livres de recorrência, em comparação com 87,6% das pacientes que receberam apenas terapia endócrina. Também foi observada redução de 25% no risco de recorrência à distância, um desfecho fortemente associado à sobrevida global (Hortobagyi GN et al. Annals of Oncology. 2025).
A SBM foi a sociedade médica convidada pela AMB para participar das reuniões da Conitec, contribuindo com embasamento técnico-científico para subsidiar as discussões e apoiar uma decisão baseada nas melhores evidências disponíveis.
Agora é a sua vez!
A proposta está na fase de Consulta Pública nº 61/2026, aberta para contribuições até 17/08/2026.
É fundamental que médicos, demais profissionais de saúde, pacientes, familiares e associações participem, compartilhando suas opiniões fundamentadas em evidências científicas e em suas experiências profissionais ou pessoais. Todas as contribuições são analisadas e podem influenciar a decisão final.
Participe da Consulta Pública! Compartilhe esta iniciativa com colegas, pacientes e suas associações.
Juntos, podemos contribuir para um sistema de saúde mais justo, que amplie o acesso das pacientes com câncer de mama a tratamentos eficazes e inovadores no menor tempo possível.
Sociedade Brasileira de Mastologia organiza Semanas Temáticas e consolida em seus canais de comunicação um guia de buscas sobre saúde
Além de informações sobre câncer de mama, SBM destaca no novo conteúdo assuntos relacionados à prevenção e aos cuidados que mais interessam à população brasileira
Assuntos relacionados ao câncer de mama e diversas questões importantes sobre saúde que dialogam com os interesses da população passam a ser oferecidos nas Semanas Temáticas da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Segundo o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da SBM, o conteúdo vem para consolidar as plataformas e o site de uma das mais respeitadas entidades médicas do País como um guia de buscas que reúne abordagens corretas sobre temas de grande relevância para a saúde do brasileiro.
Com a perspectiva de entregar informações cada vez mais diretas para impactar as mulheres brasileiras sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento do câncer de mama, o projeto de comunicação da SBM amplia seu alcance com as Semanas Temáticas. “Alinhamos a proposta, focada inicialmente no câncer de mama, a um esforço de educação continuada para falar de diversos assuntos sobre saúde que são igualmente relevantes e merecem uma abordagem clara, acessível, repleta de detalhes que fazem a diferença para o conhecimento da população”, afirma Daniel Buttros.
Como primeiro tema, a “Semana do Amigo” organiza entre os dias 20 e 24 de julho conteúdos que destacam a importância da atuação do especialista, do apoio da família e do círculo de amizade durante o tratamento de câncer de mama.
“Tanto a abordagem do mastologista quanto a presença de uma rede de apoio, seja ela formada por parentes, amigos e colegas de trabalho, fazem a diferença na vida da mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama e toma conhecimento dos desafios que virão pela frente durante o tratamento”, destaca o representante da SBM.
A falta de suporte no dia a dia das pacientes com câncer de mama afeta as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos, configurando em muitos casos abandono emocional. Levantamento realizado pela Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) indica que uma em cada dez mulheres diagnosticadas com a doença é deixada pelo parceiro. A pesquisa mostra também que 40% das pacientes enfrentam demissões durante o tratamento.
De acordo com Daniel Buttros, o apoio de pessoas próximas e a noção de que não está sozinha ajuda a mulher a se sentir mais segura e disposta, física, mental e emocionalmente, a seguir com o tratamento de câncer de mama. “Da mesma forma, o acolhimento do especialista e da equipe médica que vão acompanhá-la é fundamental. Precisamos investir de forma sistemática em um atendimento mais humanizado, seja na rede pública ou privada de saúde”, diz.
As próximas Semanas Temáticas da Sociedade Brasileira de Mastologia já estão programadas. De 27 a 31 de julho, a entidade realiza a Semana do Diagnóstico. Em agosto, o calendário segue com a Semana da Amamentação (3 a 7), Semana do Sono (10 a 14) e Semana dos Pais (17 a 21).
Edital abre vagas para médicos especialistas em Mastologia atuarem no SUS
Estão abertas, de 3 a 16 de julho de 2026, as inscrições para o Edital de Provimento de Médicos Especialistas, iniciativa do Ministério da Saúde destinada ao fortalecimento da atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as especialidades contempladas está a Mastologia, oferecendo aos especialistas a oportunidade de atuar na assistência à população por meio da rede pública de saúde.
Os médicos interessados podem consultar o edital completo, verificar os requisitos para participação e realizar a inscrição diretamente pelo Portal UNA-SUS.
A Sociedade Brasileira de Mastologia incentiva seus associados a conhecerem a iniciativa e, caso atendam aos critérios estabelecidos, participarem do processo seletivo.
Período de inscrições: de 3 a 16 de julho de 2026.
Clique aqui e acesse o Portal UNA-SUS para consultar o edital e realizar sua inscrição.
Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. Segundo o mastologista João Bosco Ramos Borges, coordenador do Departamento de Ginecologia Endócrina da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.
O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.
Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal, como explica João Bosco Ramos Borges, tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.
As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.
De acordo com o mastologista da SBM, a aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. Os resultados apontam que em doses diárias de 45 mg, a medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.
A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.
Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.
“O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios”, conclui João Bosco Ramos Borges.
Estudo demonstra melhores resultados na biópsia de linfonodos com agulha grossa em casos de câncer de mama
Com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pesquisa avalia efetividade em diagnósticos e custos do método no âmbito do SUS
A biópsia de linfonodo, seja na presença de um tumor ou mesmo diante da suspeita de recidiva de câncer de mama, contribui para definir o estadiamento da doença, estabelecer linhas de tratamento e avaliar prognósticos. Mas a depender do tipo de agulha utilizada no método percutâneo, fina ou grossa, os resultados podem ser diferentes. Se forem inconclusivos, em geral demandam investigações complementares que expõem as pacientes a desconforto e estresse, atrasam a condução dos tratamentos e representam aumento de custos. Com a proposta de comparar a adequação diagnóstica da agulha fina e da agulha grossa em biópsias, um estudo realizado no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), buscou evidências para orientar protocolos nacionais.
O estudo “Biópsia por Agulha Grossa versus Punção Aspirativa por Agulha fina para avaliação de linfonodos no câncer de mama: precisão diagnóstica e análise de custos em um sistema de saúde público” foi publicado pela Value in Health, revista internacional que reúne pesquisas sobre políticas de saúde para auxiliar a tomada de decisões baseadas em evidências. Coordenada pela mastologista Marina Diógenes Teixeira, a investigação conta com contribuições da SBM e de importantes centros de tratamento do câncer de mama no Brasil.
Como objetivo principal, o estudo compara a adequação diagnóstica da Punção Aspirativa com Agulha Fina (PAAF) e da CORE biopsy, com agulha grossa, na avaliação de linfonodos em pacientes com câncer de mama. “Buscamos contrastar as taxas de resultados inconclusivos entre os dois métodos de biópsia, que economicamente geram informações importantes sobre custo-efetividade”, afirma. A pesquisa, segundo a mastologista, também se propõe a indicar, por meio de dados baseados em situações reais, evidências para orientar protocolos nacionais e expandir acesso equitativo ao tratamento de câncer de mama no Brasil.
A investigação envolveu 300 mulheres submetidas à biópsia de linfonodos axilares, supraclaviculares ou cervicais no Hospital da Mulher (antigo Hospital Pérola Byington), unidade pública estadual, 100% SUS, entre 2015 e 2023. Dados clínicos, radiológicos e patológicos foram extraídos retrospectivamente de prontuários eletrônicos, utilizando-se uma ferramenta de abstração padronizada.
Em 79 participantes (26,3%), a biópsia foi feita com agulha fina. Em 221 (73,7%), o procedimento foi realizado com agulha grossa. “A principal descoberta foi a taxa marcadamente maior de resultados inconclusivos com a PAAF (agulha fina), de 50,7%, em contraste com a CORE biopsy (agulha grossa), de 2,7%”, destaca Marina Diógenes.
O mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante do estudo, observa que a punção por agulha fina, conforme a pesquisa, compromete a avaliação imunohistoquímica, que permite identificar os “sobrenomes” dos tumores, entre eles o triplo-negativo.
A título de comparação, o especialista traz um dado importante a partir dos exames realizados com CORE biopsy. “Na análise imunohistoquímica, observamos uma discrepância de até 23% em um tumor considerado primário e que depois recidivou na axila”, diz. “Isso, definitivamente, muda nossa conduta de tratamento.”
O estudo indica que os custos das biópsias iniciais feitas com agulha fina atingiram US$ 7.805, enquanto a estratégia com agulha grossa totalizou US$ 9.930. “As agulhas têm custos diferentes e durante muito tempo, principalmente no SUS, utilizamos a punção por agulha fina (PAAF) porque é mais barata”, destaca Mattar.
No entanto, nas biópsias por PAAF com resultados inconclusivos, houve a necessidade de novos procedimentos, que totalizaram US$ 5.124, sendo que a maioria dos casos foi benigna. Em contrapartida, como revela o estudo, as biópsias de segunda linha após resultado de agulha grossa inconclusivo trouxeram custos significativamente menores (US$ 1.745,15) e muitas vezes evitaram a necessidade de cirurgia.
Na análise econômica, o estudo mostra que a abordagem inicial com biópsia por agulha grossa reduziu os custos de diagnóstico em até 50%. “Considerando o atendimento do SUS, a busca por eficiência e otimização de recursos, a pesquisa demonstra que como método de biópsia de primeira linha, preferencialmente para linfonodos suspeitos, a punção por agulha grossa traz resultados mais confiáveis, muitas vezes sem a necessidade de novos exames, o que representa assertividade e ganho de tempo para orientar os tratamentos, com maior conforto para as pacientes”, conclui André Mattar.
Consulta Pública nº 170 da ANS recebe contribuições sobre contratualização na saúde suplementar
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu a Consulta Pública nº 170 para receber contribuições da sociedade sobre a proposta de uma nova Resolução Normativa que trata da contratualização entre operadoras de planos privados de assistência à saúde e prestadores de serviços de atenção à saúde.
A proposta tem como objetivo atualizar e consolidar regras relacionadas ao relacionamento contratual entre operadoras e prestadores, abordando aspectos como celebração de contratos, critérios de reajuste, mecanismos de negociação e demais disposições que impactam a organização da assistência na saúde suplementar.
De acordo com a ANS, a revisão normativa busca aprimorar a transparência, a previsibilidade e a segurança jurídica nas relações entre as partes envolvidas, contribuindo para o fortalecimento do setor.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) incentiva seus associados a conhecerem a proposta e participarem da consulta pública, contribuindo com sugestões e considerações sobre o tema.
Prazo para participação
📅 A Consulta Pública nº 170 permanecerá aberta até 03 de julho de 2026.
Como participar
Os interessados podem acessar a plataforma da ANS, consultar os documentos disponibilizados e registrar suas contribuições eletronicamente.
Material de referência
Segue material de referência para auxiliar na elaboração de sugestões e contribuições sobre a proposta em consulta.
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Especialização em reconstrução mamária visa ampliar acesso à cirurgia para pacientes do SUS
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) propõe ao Ministério da Saúde cursos de formação de mastologistas para realizar o procedimento no programa federal Agora Tem Especialistas
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) encaminhou ao Ministério da Saúde uma proposta para aprimoramento na formação de médicos mastologistas, especialidade responsável pelo tratamento de doenças de mama. De acordo com José Pereira Guará, coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM, a proposição passa pela formalização de um termo de cooperação técnica para cursos de especialização em reconstrução mamária. A perspectiva, segundo o mastologista, é ampliar a atuação de especialistas dentro do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa federal voltada à diminuição das filas no Sistema Único de Saúde (SUS) por consultas, exames e cirurgias especializadas.
Em Brasília, representada por José Pereira Guará, a SBM reuniu-se com membros da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e com Rodrigo Cariri Chalegre, secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Saúde.
De acordo com Guará, no conjunto de intenções apresentado ao Ministério da Saúde destaca-se a atualização de um documento que oriente a formação de médicos residentes em Mastologia no Brasil. Também visa à assinatura de um termo de cooperação técnica entre SBM, SGTES e Ministério da Educação para cursos de aprimoramento em reconstrução mamária. “O intuito nesse processo é contar com médicos especializados em reconstrução mamária para atuar no programa Agora Tem Especialistas”, afirma o representante da SBM.
Na área da saúde da mulher, o programa federal criado para agilizar consultas, exames e cirurgias no SUS já atua na prevenção e diagnóstico de câncer de mama, disponibilizando mamografia e ultrassonografia mamária bilateral, punção por agulha grossa, biópsia/exérese de nódulo de mama e exame anatomopatológico de mama.
Modelo brasileiro
No cenário mundial, o Brasil desponta como um modelo de formação que difere dos Estados Unidos e de países europeus. “Os mastologistas brasileiros passam por um programa específico de residência médica com duração de dois anos, projetado para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia”, afirma José Pereira Guará.
Para a residência em Mastologia, o currículo é abrangente e engloba habilidades clínicas, diagnóstico por imagem e, especialmente, habilidades cirúrgicas em vários níveis de complexidade. Isso inclui desde procedimentos oncológicos clássicos até cirurgias oncoplásticas com utilização de pedículos variados de mamoplastia, retalhos fásciocutâneos locais, retalhos miocutâneos, lipoenxertia, emprego de implantes etc.
Além do treinamento cirúrgico em reconstrução oferecido nos programas de residência em Mastologia, o Brasil investe em cursos especializados em cirurgia oncoplástica que expandiram significativamente as técnicas reconstrutivas em todo o território nacional. Muitos instrutores desses cursos são afiliados a programas de residência em Mastologia, o que contribui diretamente para o aumento do número de reconstruções mamárias.
“Na proposta de oferecer aprimoramento em reconstrução mamária no contexto do Agora Tem Especialistas, acreditamos ser possível oferecer um tratamento muito mais complexo e com melhores resultados do ponto de vista estético e funcional para a paciente com câncer de mama atendida pela rede pública de saúde”, conclui coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM.
Doença de Paget na mama: o que você precisa saber
Você notou alguma alteração no mamilo, como uma descamação persistente ou uma ferida que não cicatriza? Embora muitas vezes confundida com alergias simples da pele, essa alteração pode ser um sinal da doença de Paget na mama.
Apesar de ser uma condição rara - responsável por 1% a 3% de todos os casos de câncer de mama, o reconhecimento precoce é essencial para o sucesso do tratamento. Na prática clínica, é comum que essas pacientes sejam inicialmente tratadas como dermatite, o que pode atrasar o diagnóstico correto.
Entender essa condição ajuda a diminuir a ansiedade e reforça a importância do autocuidado e do acompanhamento médico regular.
O que é a Doença de Paget na mama?
A doença de Paget é uma forma específica de apresentação do câncer de mama. Geralmente a doença se manifesta inicialmente com alterações na pele do mamilo e da aréola. De forma simples, ela ocorre quando células malignas se infiltram na epiderme (a camada mais externa) do mamilo. Hoje, sabemos que a maioria dos casos está associada a um tumor maligno subjacente na mama, que pode ser in situ ou invasivo. O tratamento e o prognóstico dependem do estágio desse câncer primário.
Quais são os sinais de alerta?
Muitas pacientes chegam ao consultório após tentarem tratar o problema como uma dermatite ou alergia comum, acreditando tratar-se apenas de um ressecamento. Quando a melhora não acontece, o sinal de alerta deve ser ligado.
Os sinais mais comuns incluem:
● Vermelhidão no mamilo (eritema)
● Crostas ou “casquinhas” persistentes
● Descamação semelhante a eczema
● Ferida que não cicatriza
● Saída de líquido (exsudação)
● Presença de nódulo na mama (em até 50% dos casos)
Atenção: Se você notar qualquer um desses sinais, não tente automedicação. Procure um mastologista para uma avaliação clínica especializada.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é um processo cuidadoso que combina o exame clínico com exames de imagem e biópsia. O objetivo é identificar a doença de Paget e avaliar se existe um câncer subjacente.
Os métodos utilizados são:
● Exame físico: Avaliação detalhada das alterações na pele do mamilo.
● Exames de imagem: Mamografia e ultrassonografia são essenciais para mapear a mama. Ajuda a identificar alterações subjacentes, como microcalcificações ou distorções.
● Biópsia: É o padrão-ouro. Pode ser realizada através de uma "biópsia em cunha" (retirada de um pequeno fragmento da pele alterada) para análise em laboratório.
● Imuno-histoquímica: Exames de laboratório realizados no tecido biopsiado que confirmam a natureza das células de Paget.
Em alguns casos, os exames de imagem podem não identificar alterações, o que reforça a importância da biópsia para o diagnóstico.
Tratamento e perspectivas
O tratamento da doença de Paget é principalmente cirúrgico e individualizado, tendo como foco o manejo do câncer subjacente. Na maioria dos casos, é necessária a remoção do complexo aréolo-mamilar (CAP). A decisão entre cirurgia conservadora ou mastectomia depende da extensão da doença no parênquima mamário.
Em pacientes selecionadas, é possível realizar cirurgia conservadora da mama associada à radioterapia, com bons resultados oncológicos e cosméticos.
Com os avanços da medicina, as técnicas de reconstrução mamária permitem alcançar ótima aparência das mamas, mesmo quando a mastectomia é necessária.
BI-RADS 0: o que significa esse resultado na mamografia?
BI-RADS 0 significa exame inconclusivo e necessidade de avaliação complementar. Entenda quando se preocupar e o que fazer.
O que é BI-RADS 0?
Receber um resultado de mamografia com a expressão “BI-RADS 0” costuma gerar ansiedade. Muitas mulheres associam imediatamente o termo a câncer de mama. Porém, na maioria das vezes, esse resultado não significa diagnóstico de câncer.
O BI-RADS 0 indica apenas que o exame ainda está inconclusivo e que são necessárias imagens complementares para uma avaliação mais precisa.
O sistema BI-RADS foi criado pelo Colégio Americano de Radiologia para padronizar os laudos dos exames das mamas, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética. Ele ajuda médicos e pacientes a entenderem melhor o grau de suspeição dos achados.
O que significa um exame inconclusivo?
Quando o laudo vem como BI-RADS 0, isso quer dizer que o radiologista não conseguiu concluir a análise apenas com as imagens disponíveis naquele momento.
Isso pode acontecer por diversos motivos, como:
• necessidade de imagens adicionais
• comparação com exames antigos
• mama muito densa
• achados parcialmente visualizados
• pequenas assimetrias que precisam ser estudadas melhor
• dúvidas técnicas relacionadas à imagem
Na prática, o BI-RADS 0 significa “precisamos investigar um pouco mais antes de definir o resultado.”
BI-RADS 0 significa câncer?
Não. E isso é muito importante.
A grande maioria das mulheres com BI-RADS 0 não terá câncer de mama após a investigação complementar.
Na rotina clínica, muitas alterações inicialmente classificadas como BI-RADS 0 acabam sendo consideradas benignas após exames adicionais.
Por isso, o resultado não deve ser interpretado de forma alarmista.
Ao mesmo tempo, também não deve ser ignorado. O ideal é realizar a complementação solicitada pelo médico ou pelo serviço de imagem.
Quais exames podem ser solicitados depois do BI-RADS 0?
Os exames complementares dependem do tipo de achado encontrado na mamografia.
Os mais comuns são:
Ultrassonografia das mamas: muito utilizada para avaliar nódulos, cistos e áreas de dúvida, especialmente em mulheres com mamas densas.
Novas incidências mamográficas: são imagens adicionais feitas com outros ângulos ou técnicas de compressão localizada.
Comparação com exames anteriores: às vezes, um achado já existia há anos e permanece estável. Por isso, levar exames antigos pode evitar preocupações desnecessárias.
Ressonância magnética: em casos específicos, o mastologista pode solicitar uma ressonância para complementar a investigação.
Mama densa aumenta a chance de BI-RADS 0?
Sim, mulheres com mamas densas têm maior chance de receber um resultado BI-RADS 0 porque o tecido mamário mais denso pode dificultar a visualização completa da mamografia.
É como tentar enxergar um detalhe através de uma imagem mais “branca” e menos transparente.
Isso não significa necessariamente doença. Apenas pode tornar a análise mais desafiadora.
Quanto tempo demora para esclarecer um BI-RADS 0?
Na maioria dos casos, a investigação é rápida.
Após os exames complementares, o radiologista costuma redefinir a classificação do exame, que pode variar desde categorias benignas até categorias que necessitem investigação adicional.
Por isso, o mais importante é não abandonar o seguimento.
Quando procurar um mastologista?
O ideal é procurar um mastologista sempre que houver:
• dúvidas sobre o resultado do exame
• necessidade de interpretar o laudo
• histórico familiar importante
• alterações nas mamas
• necessidade de acompanhamento especializado
O mastologista é o médico especializado nas doenças da mama e poderá orientar quais são os próximos passos mais adequados para cada caso.
O que fazer ao receber um BI-RADS 0?
Algumas orientações importantes:
• mantenha a calma
• leve exames antigos na consulta
• realize os exames complementares solicitados
• evite buscar conclusões precipitadas na internet
• converse com um mastologista de confiança
Informação correta reduz ansiedade e ajuda na tomada de decisões com mais segurança.
Conclusão
Receber um resultado BI-RADS 0 pode assustar inicialmente, mas esse termo não representa um diagnóstico de câncer de mama.
Na verdade, ele indica apenas que a avaliação ainda precisa ser complementada.
Hoje, com os avanços dos exames de imagem e o acompanhamento especializado, é possível esclarecer a maioria desses casos de forma segura e precisa.
Se você recebeu um BI-RADS 0, procure avaliação com um mastologista para entender melhor o seu caso e definir os próximos passos com tranquilidade e segurança.
Referência
AMERICAN COLLEGE OF RADIOLOGY. Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS® Atlas). 5. ed. Reston, VA: American College of Radiology, 2013.
Autora
Dra. Jéssica Mendes é mastologista em São Luís - Maranhão. Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, membro do Núcleo Jovem da SBM, presidente da Regional Maranhão (2026–2028) e membro do Departamento de Políticas Públicas da SBM. Mestra e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão, com pós-graduação em Imagem da Mama. No Instagram, compartilha conteúdos sobre saúde mamária no perfil @jessicamasto.









