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Câncer de Mama: Entendendo Cura e Sobrevida
Com os avanços no diagnóstico e no tratamento, tornou-se cada vez mais comum que pacientes com câncer de mama vivam por muitos anos com qualidade de vida e sem sinais de doença ativa.
Atualmente, a maioria das mulheres diagnosticadas com câncer de mama permanece viva 5 anos após o diagnóstico, especialmente quando a doença é identificada precocemente.
Ainda assim, a pergunta “câncer de mama tem cura?” continua sendo mais complexa do que parece.
No câncer de mama, a palavra “cura” pode ter significados diferentes e nem sempre é utilizada da mesma forma pelos médicos. Atualmente, a oncologia frequentemente trabalha com conceitos como remissão, controle da doença e sobrevida de longo prazo.
Em geral, o objetivo do tratamento é alcançar ausência de doença detectável, reduzir o risco de recorrência e proporcionar sobrevida longa, com boa qualidade de vida.
O que significa “ausência de doença detectável”?
Após o tratamento, quando exames de imagem, laboratoriais e o exame físico não mostram sinais de câncer, dizemos que a paciente está em remissão completa — ou seja, sem evidência de doença ativa naquele momento.
Isso não significa necessariamente que o risco de recorrência — ou seja, de a doença voltar — seja zero, mas sim que o tratamento alcançou excelente controle da doença. Alguns tipos de câncer de mama podem apresentar retorno da doença anos ou até décadas após o tratamento inicial. Por isso, o acompanhamento a longo prazo continua sendo parte importante do cuidado oncológico.
As perspectivas de controle da doença e sobrevida variam de acordo com características do tumor, estágio ao diagnóstico, resposta aos tratamentos realizados e fatores individuais de cada paciente. A avaliação desses fatores compõe o que chamamos de prognóstico.
Dados de sobrevida
Nas últimas décadas, os avanços no diagnóstico e no tratamento contribuíram para aumento significativo da sobrevida no câncer de mama.
A sobrevida em 5 anos é uma medida estatística utilizada para acompanhar os resultados do tratamento. Isso não significa que a paciente viverá apenas 5 anos, mas sim que permanece viva pelo menos 5 anos após o diagnóstico — muitas vivem por décadas, especialmente quando a doença é diagnosticada precocemente.
Segundo dados do SEER (Surveillance, Epidemiology, and End Results Program), utilizado pela American Cancer Society, a sobrevida global em 5 anos para câncer de mama é superior a 90%.
Quando analisamos a extensão da doença no momento do diagnóstico:
• Doença localizada (confinada à mama): sobrevida em 5 anos superior a 99%
• Doença regional (com comprometimento de linfonodos regionais — gânglios próximos à mama — ou extensão local para pele e parede torácica): sobrevida em 5 anos de aproximadamente 87%
• Doença metastática (quando há disseminação para outros órgãos): sobrevida em 5 anos de 31–32%
Mesmo na doença metastática, o cenário mudou significativamente nas últimas décadas. Hoje, muitas pacientes conseguem viver por anos com controle da doença, qualidade de vida e acesso a tratamentos cada vez mais individualizados.
Contexto brasileiro
Os dados brasileiros de sobrevida ainda apresentam limitações relacionadas à disponibilidade e padronização dos registros nacionais, o que pode dificultar comparações diretas com dados internacionais.
Além disso, os resultados podem variar de acordo com fatores como região, tempo até início do tratamento e acesso aos cuidados oncológicos.
Mensagem final
O câncer de mama passou por avanços importantes nas últimas décadas, tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Hoje, é cada vez mais comum que pacientes vivam por muitos anos após o tratamento, retomando sua rotina, seus planos e projetos de vida.
Mais do que falar apenas em cura absoluta, a oncologia atual trabalha com conceitos como controle prolongado da doença, sobrevida de longo prazo e cuidado contínuo.
O acompanhamento médico e multidisciplinar permanece parte fundamental desse processo — não apenas para vigilância da doença, mas também para promoção de saúde, qualidade de vida e bem-estar ao longo do tempo.
Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. A avaliação individualizada é fundamental para interpretar cada caso e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
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