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É muito comum que uma mulher se assuste ao receber o resultado de BIRADS 4 no exame de imagem da mama. A primeira reação, quase sempre, é correr para a internet em busca de respostas. Se este é o seu caso, respire fundo. Neste artigo, vou explicar tudo sobre essa classificação com informações médicas de qualidade, para que você entenda exatamente o que está acontecendo e quais são os próximos passos.
O que é a classificação BIRADS?
Para começar, é importante entender que o BIRADS é uma classificação numérica internacional. Ele funciona como uma linguagem universal entre os médicos. Quando o radiologista avalia o seu exame de imagem — seja uma mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética —, ele descreve o que encontrou e conclui o laudo com um número que vai de zero a seis.
Essa nota final serve para indicar a qualquer outro especialista, como o seu mastologista, o grau de suspeita dos achados e qual deve ser a conduta médica a partir dali.
Por que o meu exame deu BIRADS 4?
Quando o laudo traz a conclusão de BIRADS 4, isso traduz que os achados daquele exame da mama possuem características que necessitam de mais investigação. O médico que laudou o exame está indicando que a imagem não é claramente benigna e, portanto, merece uma atenção especial para que se tenha certeza do que se trata.
Essa investigação adicional normalmente requer a análise de pequenos fragmentos de tecido do local alterado. É exatamente por isso que, na grande maioria das vezes, o próximo passo recomendado é a realização de uma biópsia.
O papel fundamental da biópsia
A biópsia é o procedimento que informará qual é o tipo exato de lesão que causou a alteração na imagem. A biópsia permite identificar se a alteração é:
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- Benigna (não cancerosa)
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- Pré-maligna
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- Maligna (câncer de mama)
A partir dessa informação detalhada (o resultado anatomopatológico), o mastologista conseguirá definir a conduta mais segura e o tratamento adequado, se for necessário.
Portanto, se há uma classificação de BIRADS 4 no seu exame da mama, é extremamente necessário que você procure um especialista para avaliar a imagem e solicitar a investigação complementar.
BIRADS 4 significa câncer de mama?
Antes que você fique apavorada, é fundamental esclarecer um ponto: ler uma classificação de BIRADS 4 não necessariamente quer dizer que se trata de um câncer de mama.
Calma. Neste momento, o exame está apenas sinalizando que aquela imagem específica precisa ser investigada mais a fundo. Existem diversas alterações benignas que podem gerar imagens suspeitas e receber essa mesma classificação.
Entendendo as subcategorias: 4A, 4B e 4C
Para refinar ainda mais a comunicação médica, existem três subclassificações dentro da categoria 4. Elas ajudam a estimar o risco de malignidade:
| Subcategoria | Nível de Suspeita | Chance estimada de câncer de mama |
|---|---|---|
| BIRADS 4A | Baixa suspeita de malignidade | Varia entre 2% e 10% |
| BIRADS 4B | Moderada suspeita de malignidade | Varia entre 10% e 50% |
| BIRADS 4C | Alta suspeita de malignidade | Varia entre 50% e 95% |
Independentemente da subcategoria, a conduta padrão continua sendo a investigação com biópsia para confirmar o diagnóstico com segurança.
Meu exame era BIRADS 2 e evoluiu para BIRADS 4. O que houve?
Outra dúvida muito comum nos consultórios é sobre a mudança de nota entre exames. Normalmente, a classificação BIRADS 4 não traduz uma “evolução numérica” direta (como se a doença tivesse piorado do nível 2 para o 4). Na verdade, trata-se de uma reclassificação do exame atual, de acordo com novos achados que não estavam presentes ou não eram suspeitos anteriormente.
Em alguns casos, uma lesão previamente acompanhada como BIRADS 3 pode mudar de categoria se:
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- Aumentar de tamanho
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- Mudar o formato
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- Apresentar novas características suspeitas
Nessas situações, pode haver reclassificação da mesma lesão.
De qualquer forma, independente do motivo que levou à classificação de BIRADS 4, a necessidade de evoluir a investigação com biópsia se mantém.
O mastologista não pediu biópsia. O que devo fazer?
Já recebi a seguinte pergunta de uma paciente: “O mastologista não pediu biópsia diante de um exame com classificação BIRADS 4. O que devo fazer?”
Lembre-se de que a classificação é baseada na análise de um conjunto de características da imagem. Diante disso, o médico radiologista que lauda o exame pode, por precaução, superestimar determinado achado.
Quando o colega mastologista reavalia essa mesma imagem no consultório, ele pode classificá-la de forma diferente com base em sua experiência clínica. Neste caso, ele tomará a conduta baseada na sua própria análise crítica da imagem.
Isso acontece porque o radiologista descreve o exame, enquanto o mastologista analisa:
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- As imagens completas
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- O exame físico da paciente
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- O histórico clínico
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- Exames anteriores
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- O contexto individual de cada mulher
Por isso, sempre leve ao consultório:
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- O laudo escrito
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- As imagens do exame
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- Exames anteriores, se houver
Essa avaliação conjunta permite uma decisão mais precisa e personalizada.
O que fazer ao receber um resultado BIRADS 4
Se o seu exame mostrou BIRADS 4, siga estes passos:
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- Mantenha a calma
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- Agende consulta com mastologista
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- Leve exames anteriores e imagens atuais
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- Tire todas as suas dúvidas
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- Siga a investigação recomendada
Agir com rapidez é importante. Entrar em pânico, não.
Conclusão
Receber um resultado BIRADS 4 assusta, mas é fundamental lembrar: isso não significa necessariamente câncer de mama.
Essa classificação indica apenas que existe uma alteração que precisa ser investigada, geralmente com biópsia. Em muitos casos, o resultado final mostra lesões benignas.
O melhor caminho é buscar avaliação especializada o quanto antes. Quanto mais cedo a investigação acontece, mais segurança e tranquilidade você terá.
Não adie o seu cuidado. Agende uma consulta com um mastologista de sua confiança para avaliar os seus exames e definir os próximos passos com segurança e acolhimento.
Bio do Autor
Dra. Lorena Mendonça é médica mastologista, especialista na saúde da mulher, com atuação clínica no diagnóstico e tratamento das doenças da mama, associada à Sociedade Brasileira de Mastologia. Atua orientando pacientes com base em evidências científicas, experiência clínica e cuidado humanizado.
