O grau histológico é uma avaliação feita pelo patologista ao examinar as células do câncer de mama no microscópio. Ele indica o quanto essas células estão alteradas em relação às células normais da mama — e ajuda a entender como aquele tumor tende a se comportar.

Como o Grau Histológico é Determinado: o Sistema de Nottingham
O patologista avalia três características das células do tumor, cada uma com pontuação de 1 a 3:
• Formação de túbulos: o tumor ainda se parece com a glândula normal da mama?
• Aparência dos núcleos celulares: as células estão alteradas em tamanho e forma?
• Número de células em divisão: as células estão se multiplicando rapidamente?

A soma das três pontuações define o grau final, pelo sistema de Nottingham — um dos mais utilizados no mundo para o câncer de mama.

Os Três Graus
• Grau 1 — Baixo grau: Células ainda parecidas com as normais da mama. Tumor com comportamento menos agressivo e crescimento mais lento.
• Grau 2 — Grau moderado: As células apresentam características intermediárias entre os tumores de baixo e alto grau.
• Grau 3 — Alto grau: As células apresentam alterações mais acentuadas em relação às células normais da mama e costumam ter divisão celular mais rápida, com tendência a crescimento mais acelerado.

Como o Grau Histológico Impacta o Tratamento?
O grau histológico não é analisado isoladamente. Ele faz parte de um conjunto de informações que orienta as decisões médicas, como tamanho do tumor, acometimento dos linfonodos, receptores hormonais, HER2, Ki-67, entre outros fatores clínicos individuais.
Tumores de grau 3 podem estar associados a maior risco de recorrência e evolução mais rápida, frequentemente indicando necessidade de tratamento mais intensivo.

E no Carcinoma Ductal In Situ (CDIS)?
No carcinoma ductal in situ, as células ainda não invadiram o tecido ao redor. Por isso, o grau histológico tradicional não se aplica. Nesses casos, o patologista avalia o grau nuclear — que analisa apenas as características dos núcleos das células, classificando-os como baixo, intermediário ou alto grau. Essa informação também orienta as decisões de tratamento no CDIS.

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Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:
-Elston CW, Ellis IO. Pathological prognostic factors in breast cancer. Histopathology. 1991;19(5):403-410.
-Harbeck N, et al. Breast cancer. Nat Rev Dis Primers. 2019;5(1):66.