Se você tem prótese de silicone (implante mamário), é muito importante saber que você pode e deve continuar fazendo mamografia normalmente, seguindo as mesmas recomendações de rastreamento do câncer de mama que as mulheres sem implantes. A presença do implante não impede a realização do exame.

A mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento para o câncer de mama, mesmo em mulheres com implantes. As diretrizes médicas são claras: mulheres com próteses mamárias devem seguir os mesmos protocolos de rastreamento do câncer de mama recomendados para sua idade e fatores de risco.

Como é feita a mamografia em quem tem implante?

Quando você tem implante mamário, a mamografia é realizada com uma técnica especial para garantir que o máximo possível de tecido mamário seja visualizado. O exame inclui:

  1. Imagens padrão (com o implante)

São feitas as imagens tradicionais da mama, nas posições craniocaudal (de cima para baixo) e médio-lateral oblíqua (diagonal). Nessas imagens, o implante aparece como uma área muito branca e densa, pois o silicone bloqueia os raios-X.

  1. Imagens com deslocamento do implante (Manobra de Eklund)

Esta é a parte mais importante do exame para quem tem implante. O técnico em radiologia empurra suavemente o implante para trás, em direção à parede torácica, e puxa o tecido mamário para frente. Isso permite visualizar melhor o tecido da mama que ficaria escondido atrás do implante nas imagens padrão.

Essa técnica é chamada de “manobra de Eklund” ou “imagens com deslocamento do implante”, é o padrão de cuidado para mamografia em mulheres com implantes mamários.

No total, são feitas 8 imagens (em vez das 4 tradicionais): 4 imagens padrão e 4 imagens com deslocamento do implante, sendo 2 de cada mama em cada tipo.

O implante atrapalha a detecção do câncer de mama?

É verdade que o implante mamário pode reduzir um pouco a sensibilidade da mamografia, ou seja, a capacidade do exame de detectar um câncer quando ele está presente. Isso acontece porque o silicone é muito denso e pode obscurecer parte do tecido mamário, especialmente o tecido mais próximo da parede torácica.

Estudos mostram que:

– A sensibilidade da mamografia de rastreamento em mulheres sem implantes é de cerca de 67%.

– A sensibilidade da mamografia de rastreamento em mulheres com implantes é de cerca de 45%.

Isso significa que a mamografia pode deixar de detectar alguns cânceres em mulheres com implantes. No entanto, é importante destacar que:

– As imagens com deslocamento do implante melhoram significativamente a visualização do tecido mamário e a capacidade de detectar câncer.

– Estudos recentes mostram que as imagens com deslocamento do implante sozinhas podem ser suficientes para o rastreamento, com maior taxa de detecção de câncer do que as imagens padrão.

– Apesar da menor sensibilidade da mamografia, as características dos tumores detectados (tamanho, estágio, comprometimento de linfonodos) são semelhantes entre mulheres com e sem implantes. Isso significa que o implante não parece atrasar o diagnóstico de forma significativa quando a mamografia é feita regularmente.

– Mulheres com implantes podem detectar nódulos palpáveis em tamanhos menores do que mulheres sem implantes, possivelmente porque o implante facilita a percepção de alterações no tecido mamário.

A mamografia pode romper o implante?

Embora existam relatos raros de ruptura de implante durante a mamografia, isso é extremamente incomum. A compressão da mama durante a mamografia é necessária para obter imagens de boa qualidade e reduzir a dose de radiação.

Os técnicos em radiologia são treinados para realizar o exame com cuidado em mulheres com implantes. Se você sentir desconforto ou dor durante o exame, avise imediatamente o profissional para que a compressão seja ajustada.

É importante lembrar que os benefícios da mamografia de rastreamento superam em muito o risco mínimo de complicações com o implante.

Quando devo fazer a mamografia se tenho implante?

As recomendações de rastreamento do câncer de mama são as mesmas para mulheres com e sem implantes:

– A partir dos 40 anos: Mamografia anual ou bienal, conforme orientação médica e diretrizes locais.

– Antes dos 40 anos: Apenas se houver fatores de risco elevados para câncer de mama (histórico familiar, mutações genéticas como BRCA1 ou BRCA2, etc.).

Essas mamografias de rastreamento são diferentes dos exames de acompanhamento do implante (que geralmente são feitos com ressonância magnética ou ultrassom para avaliar a integridade da prótese). A mamografia para rastreamento do câncer de mama deve ser feita independentemente dos exames de acompanhamento do implante.

Preciso fazer outros exames além da mamografia?

Em algumas situações, outros exames podem ser recomendados como complemento à mamografia:

Ultrassonografia (ultrassom) das mamas:

– Pode ser útil para avaliar nódulos ou áreas suspeitas identificadas na mamografia ou no exame clínico.

– É especialmente útil em mulheres com mamas densas.

– Também é usado para avaliar a integridade do implante (detectar rupturas).

Ressonância magnética (RM) das mamas:

– É o exame mais sensível para detectar câncer de mama e também para avaliar a integridade do implante.

– Pode ser recomendada para mulheres com alto risco de câncer de mama (por exemplo, com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2).

– A FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) recomenda ressonância magnética para avaliar a integridade de implantes de silicone 5 a 6 anos após a colocação e depois a cada 2 a 3 anos.

Importante: A ressonância magnética para avaliar o implante não substitui a mamografia de rastreamento do câncer de mama. São exames com finalidades diferentes e complementares.

Devo informar que tenho implante ao agendar a mamografia?

Sim, sempre informe que você tem implante mamário ao agendar o exame. Isso é importante para que:

– O serviço de radiologia reserve tempo adequado para o exame (que leva um pouco mais de tempo devido às imagens adicionais).

– O técnico em radiologia esteja preparado para realizar as imagens com deslocamento do implante.

– O radiologista que vai interpretar o exame saiba que você tem implante e possa avaliar adequadamente as imagens.

Também é útil informar:

– O tipo de implante (silicone ou solução salina).

– A localização do implante (subglandular, ou seja, acima do músculo peitoral, ou submuscular, ou seja, abaixo do músculo).

– Quando o implante foi colocado.

– Se houve alguma complicação ou cirurgia de revisão.

Mensagem importante

Ter implante mamário não é motivo para deixar de fazer mamografia. O rastreamento regular do câncer de mama continua sendo fundamental para a detecção precoce, que é a melhor forma de garantir um tratamento bem-sucedido.

Se você tem implantes mamários:

✓ Continue fazendo mamografia conforme as recomendações para sua idade e fatores de risco.

✓ Informe sempre que tem implante ao agendar o exame.

✓ Faça o autoexame das mamas mensalmente e relate qualquer alteração ao seu médico.

✓ Mantenha consultas regulares com seu médico para exame clínico das mamas.

✓ Siga as recomendações de acompanhamento do implante (geralmente com ressonância magnética ou ultrassom).

Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Ele poderá orientá-la sobre o melhor protocolo de rastreamento para o seu caso específico.

Este material tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para orientações individualizadas.

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