SBM em destaque na Revista Azul

Neste Outubro Rosa, a Sociedade Brasileira de Mastologia também ganha espaço a bordo dos voos da Azul. A edição de outubro da Revista Azul, disponibilizada aos clientes que viajam pela companhia aérea, traz uma reportagem especial sobre o câncer de mama, com a participação da SBM e destaque para o Projeto Reflorescer.

A presença na publicação amplia a visibilidade das ações da Sociedade justamente no mês de maior mobilização pela conscientização sobre o câncer de mama, levando informação e iniciativas da SBM a milhares de passageiros em todo o país.

Compartilhamos a matéria para que nossos sócios também possam acompanhar esse importante espaço conquistado pela SBM neste Outubro Rosa.

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CBF e Sociedade Brasileira de Mastologia se unem em prol do Outubro Rosa

Brasileirão receberá ações sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e incentivo ao autocuidado

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) se uniram em prol do Outubro Rosa, mês dedicado a ações de prevenção e conscientização sobre o câncer de mama.

No Brasileirão, campeonato que reúne as 20 principais equipes do futebol brasileiro e conta com ampla visibilidade em todo o país, a CBF irá aderir à campanha com ativações nas placas de LED ao longo de todo o mês.

Além disso, todos os itens do protocolo inicial (pórtico de entrada, totem de bola, placa de foto e placa central) terão designs específicos para o Outubro Rosa. Vídeos institucionais produzidos pela SBM serão exibidos nos telões dos estádios com mensagens que associam prevenção, saúde e prática esportiva.

Exclusivamente na 29ª rodada, que se inicia nesta quarta-feira (7), clubes mandantes e visitantes entrarão em campo com mulheres em tratamento ou em remissão do câncer de mama.

“Usar a força do Brasileirão no Outubro Rosa para levar a mensagem do diagnóstico precoce e conscientização sobre o câncer de mama a milhões de torcedoras é um compromisso da CBF com a saúde e o cuidado com a mulher”, salienta o presidente da CBF, Samir Xaud.

“Neste Outubro Rosa, destacamos a importância de efetivar políticas públicas e aprimorar o atendimento também na rede suplementar de saúde com ações para expandir o rastreamento, agilizar diagnósticos e tratamentos, especialmente quando se consideram as desigualdades regionais no país”, afirma o mastologista Guilherme Novita, presidente da SBM, cujo lema da campanha deste ano é “‘A vida nos une. O cuidado nos move”.

Sobre o câncer de mama
O câncer de mama é responsável por 30% das neoplasias malignas diagnosticadas em mulheres brasileiras e deve registrar 78.610 novos casos a cada ano do triênio 2026-2028. A estimativa apresentada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) contrasta com o levantamento anterior e indica aumento de ocorrência da doença.

Em comparação ao período 2023-2025, o crescimento no número de casos deve chegar a cinco mil novas ocorrências anuais, segundo projeção do INCA. A estimativa para 2026 chama a atenção para variações significativas entre as regiões do Brasil. O maior risco estimado é observado na região Sudeste, com 40.560 novos casos. No Sul, são 12.550. O Centro-Oeste aparece com 5.420, o Nordeste, com 17.130, e o Norte, 2.950 novos casos.

O Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir dos 40 anos de idade para ampliar o rastreamento do câncer de mama. Para a faixa de 50 a 74 anos, o rastreamento na rede pública de saúde é bienal. Acima dos 74 anos, a decisão é individualizada, de acordo com comorbidades e expectativa de vida.


SobreViver Bem - Estratégias para Mastologistas em Survivorship no Câncer de Mama

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O Departamento de Survivorship da Sociedade Brasileira de Mastologia apresenta SobreViver Bem, uma nova publicação desenvolvida para apoiar mastologistas e equipes multidisciplinares no cuidado às pacientes após o câncer de mama.

Com uma abordagem prática e baseada em evidências, a obra reúne diferentes aspectos do survivorship, contribuindo para um acompanhamento que vai além da vigilância oncológica e considera também qualidade de vida, funcionalidade e bem-estar.


Manifesto da Associação Médica Brasileira por uma medicina de qualidade e uma saúde melhor para o Brasil

Aos candidatos à Presidência da República e à sociedade brasileira

A Associação Médica Brasileira (AMB) é uma instituição que há 75 anos representa a Medicina brasileira, reúne 27 Federadas e 54 Sociedades de Especialidades e tem como missão defender a dignidade profissional do médico, promover uma Medicina de qualidade, comprometida com o cuidado de cada paciente e com a saúde da população brasileira.

Neste momento em que o Brasil se prepara para escolher seu próximo presidente, a AMB apresenta uma agenda de 12 PRIORIDADES para a saúde brasileira. O propósito é contribuir para que cada pessoa, em todas as regiões do país, tenha acesso a uma assistência digna, segura e de qualidade.

A saúde não pode ser apenas uma política de governo. Deve ser uma política permanente de Estado, baseada em evidências, planejamento, avaliação de resultados e continuidade das políticas que funcionam.

AMB reforça que esta não é uma agenda partidária. É uma agenda de Estado.

O Brasil da saúde em números

(Fontes: Ministério da Saúde, MEC/Inep, IBGE e Demografia Médica 2025/FMUSP/AMB/MS).

  • Há mais de 600 mil médicos. O Brasil ultrapassou a marca de 600 mil médicos e vive uma rápida expansão, com muitos profissionais sem formação adequada. Há necessidade de avaliação dessa formação e das particularidades de cada região.
  • 40,9% dos médicos são generalistas. Dos cerca de 597 mil médicos em atividade em 2024, mais de 40% eram generalistas, reforçando a importância da formação de especialistas e da residência médica. Há urgência em supervisionar e qualificar melhor os cursos, além de aumentar e qualificar as vagas da residência.
  • No Sudeste estão 55,4% dos especialistas. Mais da metade dos especialistas está concentrada na região, evidenciando a necessidade de políticas de melhor distribuição e fixação de médicos, assim como melhores condições de trabalho.
  • Há hoje no Brasil 494 cursos de Medicina e 351 cursos foram avaliados pelo Enamed em 2025. Na primeira edição do exame, 107 cursos (30,5%) receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios, o que demonstra a necessidade urgente de avaliação aprofundada e de medidas corretoras.
  • Já há mais de 50% de mulheres entre os médicos atuando no Brasil, com tendência de aumento deste número, sobretudo em algumas especialidades. É um fato que requer várias reflexões e políticas específicas.
  • Há 53,1 milhões de beneficiários de planos de saúde. Em julho de 2026, a saúde suplementar registrava mais de 53 milhões de vínculos em planos de assistência médica, o que reforça a necessidade de uma atenção e avaliação mais críticas.
  • Há 2,8 bilhões de atendimentos anuais do SUS. O SUS realiza bilhões de procedimentos por ano, da atenção ambulatorial à alta complexidade, e atende cerca de 180 milhões de brasileiros, demonstrando a necessidade de aperfeiçoamento constante, atenção e ampliação.
  • Há 22,2 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais. Segundo o Censo 2022, essa população cresceu 57,4% em 12 anos e já representa 10,9% da população brasileira.

Esses números oficiais mostram que o desafio do Brasil não é apenas ampliar o número de profissionais e serviços, mas assegurar qualificação, distribuição adequada, valorização profissional e segurança para os pacientes. A saúde da população representa um dos pilares de uma sociedade justa, desenvolvida e comprometida com a dignidade humana.

Propostas AMB

1. Formação médica de qualidade

O Brasil precisa formar médicos em quantidade adequada às suas necessidades, mas, sobretudo, com qualidade. A expansão de cursos e vagas deve ser acompanhada de avaliação rigorosa, infraestrutura adequada, corpo docente qualificado e campos de prática estruturados. A residência médica deve ser fortalecida e ampliada como instrumento estratégico para a formação de especialistas, considerando as necessidades regionais e epidemiológicas do país.

2. Exame de Proficiência Médica

A AMB defende, há anos, a criação de um Exame Nacional de Proficiência Médica como requisito para o exercício profissional, a exemplo do que ocorre em outras profissões regulamentadas. A proposta ganha ainda mais relevância diante dos resultados do Enamed 2025, que evidenciaram desafios na qualidade da formação médica.

O exame DEVE SER REALIZADO pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e demais entidades médicas, assegurando que o médico recém-formado possua os conhecimentos, habilidades e competências necessários para exercer a profissão com segurança e responsabilidade. Esta avaliação busca oferecer uma garantia aos pacientes.

3. Especialização e segurança do paciente

A especialização médica é garantia de qualificação profissional e proteção da sociedade. A AMB defende critérios rigorosos e transparentes para o reconhecimento das especialidades e a preservação da certificação realizada em conjunto com as Sociedades de Especialidades. Qualificação médica é segurança para o paciente.

4. Políticas públicas voltadas para as mulheres médicas

É fundamental desenvolver políticas que apoiem as mulheres médicas na assistência, ensino, pesquisa e posições de liderança, em programas de apoio à gestação, amamentação e identificação de desigualdade de gênero.

5. Fortalecimento do SUS

O Sistema Único de Saúde é patrimônio da sociedade brasileira e deve ser fortalecido como política de Estado. É necessário garantir financiamento adequado, gestão eficiente, redução das desigualdades regionais, fortalecimento da atenção primária, ampliação do acesso à média e alta complexidade e redução das filas.

6. Valorização e distribuição dos médicos

O Brasil não enfrenta apenas um problema quantitativo de médicos. Não precisamos de MAIS MÉDICOS, precisamos, sim, de distribuição adequada, qualificação, formação, especialização e fixação profissional. E isto só será possível com o fortalecimento das residências médicas e com uma política nacional da carreira médica. A valorização deve alcançar os médicos que atuam no SUS, na saúde suplementar, na assistência privada, na pesquisa e na docência. A AMB defende a criação de uma Política Nacional de Carreira Médica, especialmente para o SUS, com critérios de ingresso, progressão, remuneração, educação continuada, condições adequadas de trabalho e mecanismos de fixação em regiões de maior necessidade.

7. Autonomia médica e defesa da Medicina

O exercício da Medicina deve estar fundamentado em ciência, ética, responsabilidade e autonomia técnica. A atuação multiprofissional é essencial, mas deve respeitar as competências e os limites legais de cada profissão. Defender o Ato Médico significa organizar o cuidado de forma responsável, colocando a segurança e o bem-estar do paciente no centro da assistência.

8. Saúde suplementar e remuneração

A saúde suplementar atende mais de 53 milhões de beneficiários de planos de assistência médica e constitui parte relevante da assistência à saúde no país. A AMB defende relações equilibradas e transparentes entre pacientes, médicos, prestadores e operadoras, além da valorização do trabalho médico e de referências técnicas que considerem a complexidade, o tempo, a responsabilidade e a qualificação envolvidos em cada procedimento.

9. Uma política de Estado para a saúde

A saúde brasileira não pode ser planejada apenas a cada quatro anos. O país precisa de uma política nacional de longo prazo, com metas claras, registros confiáveis e indicadores públicos para subsidiar o planejamento, a avaliação permanente e a ampliação e continuidade das políticas que demonstram resultados para todas as faixas etárias da população.

10. Trabalho médico digno e combate à precarização

A qualidade da assistência está diretamente relacionada às condições em que o médico exerce sua profissão. A AMB defende relações de trabalho transparentes, estáveis e compatíveis com a responsabilidade profissional, combatendo formas de contratação que resultem em precarização, ausência de proteção trabalhista, remuneração incompatível com as responsabilidades assumidas ou transferência indevida de riscos e obrigações administrativas ao médico.

11. Participação da Medicina na formulação das políticas públicas

As políticas de saúde precisam ser desenvolvidas ouvindo quem conhece a realidade da assistência. A AMB defende a participação institucional e técnica das entidades médicas, das Sociedades de Especialidades, das universidades, dos profissionais de saúde e da sociedade civil na formulação, avaliação e aperfeiçoamento das políticas públicas.

Decisões que afetam diretamente a qualidade da assistência e o exercício profissional devem considerar conhecimento técnico, evidências científicas e a experiência de quem está na linha de frente do cuidado.

12. Fortalecimento da ciência e da pesquisa médica

Um país que pretende melhorar sua saúde precisa investir em ciência. É necessário ampliar o financiamento à pesquisa médica e científica, fortalecer universidades, hospitais de ensino e instituições de pesquisa e estimular a produção nacional de conhecimento, tecnologias, medicamentos e soluções para os principais problemas de saúde da população.

A AMB coloca esta agenda à disposição dos candidatos à Presidência da República e da sociedade brasileira e reafirma sua disposição para o diálogo institucional, técnico e independente. Esperamos compromissos concretos com a qualidade da formação médica, o fortalecimento do SUS, a valorização dos profissionais, a adequada distribuição de médicos e especialistas, a ciência, a inovação e, acima de tudo, a segurança e a dignidade dos pacientes.

Valorizar o médico é valorizar quem cuida.
Defender a Medicina é defender a qualidade da assistência à população.
Cuidar da saúde é cuidar do futuro do Brasil.

São Paulo, 28 de setembro de 2026.

ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA (AMB)


Campanha da SBM para o Outubro Rosa traz como tema "A vida nos une. O cuidado nos move"

Com diversas ações, incluindo uma parceria com a CBF, a Sociedade Brasileira de Mastologia tem o propósito de conscientizar a população sobre o câncer de mama e ampliar o acesso a diagnóstico, tratamento e informação

Com o tema “A vida nos une. O cuidado nos move”, escolhido para a campanha Outubro Rosa, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) reforça seu posicionamento para a ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento, à pesquisa científica e informação sobre o câncer de mama. A neoplasia maligna mais incidente, responsável por 30% dos cânceres diagnosticados em mulheres brasileiras, deve registrar 78.610 novos casos a cada ano do triênio 2026-2028. A estimativa apresentada pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer) contrasta com o levantamento anterior e indica aumento de ocorrência da doença. “Neste Outubro Rosa, destacamos a importância de efetivar políticas públicas e aprimorar o atendimento também na rede suplementar de saúde com ações para expandir o rastreamento, agilizar diagnósticos e tratamentos, especialmente quando se consideram as desigualdades regionais no País”, afirma o mastologista Guilherme Novita, presidente da SBM.

Como parte das iniciativas do Outubro Rosa 2026, a Sociedade Brasileira de Mastologia se une à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em uma causa para engajar as torcidas: a conscientização da população sobre o câncer de mama. “Assim como o futebol, queremos mobilizar milhões de mulheres pela saúde da mama. E com enorme orgulho anunciamos Milene Domingues, ex-jogadora da Seleção Brasileira e recordista mundial de embaixadinhas, como embaixadora da campanha da SBM”, destaca Novita.

Nos estádios da primeira rodada do Brasileirão, em outubro, o tema “A vida nos une. O cuidado nos move” vai ganhar destaque em vídeos institucionais produzidos pela SBM. Nos telões, as mensagens vão associar prevenção, saúde e prática esportiva. Selecionadas pela entidade médica, 220 mulheres que venceram o câncer de mama entrarão em campo. Também simbólica é a bola rosa que vai rolar no gramado durante as partidas.

Aumento de casos

Em comparação ao período 2023-2025, o crescimento no número de casos de câncer de mama no novo triênio deve chegar a 5 mil novas ocorrências anuais, segundo projeção do INCA. A estimativa para 2026 chama a atenção para variações significativas entre as regiões do Brasil. O maior risco estimado é observado na região Sudeste, com 40.560 novos casos. No Sul, são 12.550. O Centro-Oeste aparece com 5.420, o Nordeste, com 17.130, e o Norte, 2.950 novos casos.

Há um ano, o Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia no SUS (Sistema Único de Saúde) a partir do 40 anos de idade para ampliar o rastreamento do câncer de mama. Esta indicação se alia aos esforços das principais associações médicas brasileiras, incluindo a SBM, na definição de diretrizes para o enfrentamento efetivo do câncer de mama no Brasil.

Para a faixa de 50 a 74 anos, o rastreamento na rede pública de saúde é bienal. Acima dos 74 anos, a decisão é individualizada, de acordo com comorbidades e expectativa de vida. Antes restrito a mulheres de 69 anos, a expansão da faixa até 74 anos sinaliza, segundo Novita, mais oportunidade de acesso ao exame.

Recentemente, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), responsável pela regulação dos planos de saúde no Brasil, determinou a exclusão de uma diretriz de utilização que desde 2016 restringia a cobertura de mamografia digital a mulheres entre 40 e 69 anos de idade. Após a finalização de uma Consulta Pública e discussões com a participação das mais respeitadas entidades médicas do País, entre elas a SBM, os planos particulares aguardam agora a formalização da ANS para a realização do exame sem restrição de faixa etária ou gênero sempre que houver indicação médica.

De acordo com levantamento do DATASUS, entre 2015 e 2024 foram registrados 162.471 casos de câncer de mama em mulheres idosas no Brasil. Do total, 93.852 resultaram em morte. “Por falta de cobertura do convênio, as pacientes acabavam pagando para fazer o exame. Em alguns casos, o serviço e os médicos realizavam a mamografia digital, assumindo o ônus”, ressalta Novita.

Reconstrução mamária

Etapa fundamental não apenas como procedimento estético, mas também no tratamento integral do câncer de mama, a reconstrução mamária pautou de forma prioritária as reivindicações da SBM ao Ministério da Saúde.

Segundo levantamento recente, somente 20,5% das pacientes atendidas na rede pública passam pela cirurgia reconstrutiva com implante de prótese. Com a estimativa de investimento de R$ 27,4 milhões por ano anunciado pelo governo federal, um aumento de aproximadamente 13% em comparação a 2025, Guilherme Novita destaca que o aporte não é o ideal, mas representa um grande avanço.

O acesso ao procedimento é garantido pela Lei nº 15.171/2025, que ampliou o direito das mulheres de recorrerem ao SUS para a realização da cirurgia de reconstrução em casos oncológicos e também em situações de malformações, mamas tuberosas, grandes assimetrias, gigantismo, entre outras ocorrências. A legislação também ganhou importância por permitir a simetrização da mama contralateral.

Para a SBM, os recursos destinados a partir de agora à reconstrução mamária na rede pública de saúde também contribuem para diminuir desigualdades no acesso à cirurgia no País. Levantamento dos últimos anos revela que a região Norte, com 5,13%, é a que menos realiza cirurgias reconstrutivas pelo SUS. Em seguida vêm as regiões Sul (15,12%), Sudeste (16,17%), Centro-Oeste (17,17%) e Nordeste (17,73%).

Formação de especialistas

Tão importante quanto a ampliação do direito das mulheres à reconstrução mamária, é o aprimoramento de especialistas para realizar o procedimento. No propósito de formar profissionais, a SBM mantém três cursos para reconstrução de mama e oncoplastia. Com um corpo docente renomado e reconhecido nacional e internacionalmente, as formações apresentam conteúdos teóricos e práticas direcionadas a mastologistas e cirurgiões de mamas de todos os estados brasileiros e também do Exterior.

Desde 2015, quando foi instituído o primeiro curso, mais de 2 mil mulheres foram beneficiadas diretamente com as cirurgias e 250 mastologistas capacitados a realizar os procedimentos. Somente no Estado de São Paulo, o curso formou 100 mastologistas e realizou 800 cirurgias.

Com contribuições da Sociedade Brasileira de Mastologia e de outras importantes entidades médicas do País, o Ministério da Educação aprovou recentemente atualizações na matriz de competências para formação de mastologistas em residência médica.

No Brasil, além de ser reconhecida como especialidade responsável pelo tratamento de doenças da mama, a Mastologia tem um programa de residência médica específico para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia, com duração de dois anos e formação que engloba competências clínicas, diagnósticos por imagem, realização de cirurgias em todos os níveis de complexidade para o tratamento de doenças benignas, mas especialmente de doenças malignas da mama. “Isso inclui não somente o tratamento do câncer de mama, mas também as cirurgias reconstrutivas e oncoplásticas”, diz Novita.

Entre os pontos mais importantes das atualizações da matriz de competências, destaca-se a consolidação do tratamento cirúrgico da mama em todas as dimensões, com abordagem em doenças benignas, câncer de mama, cirurgias de afirmação de gênero, intervenções reparadoras, reconstrutivas e estéticas, ampliação da atuação do mastologista nos procedimentos radioguiados e aumento da competência em terapias sistêmicas do câncer de mama.

Teste genético

Por solicitação da SBM, a Conitec, comissão responsável por avaliar a incorporação de novos medicamentos, equipamentos, protocolos de diagnósticos e de tratamentos no SUS, aprovou a inclusão do Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês) para os genes BRCA1 e BRCA2. A tecnologia permite identificar mutações (variantes patogênicas) em genes selecionados associados ao risco hereditário de câncer de mama. Hoje, o exame não é ofertado regularmente pelo SUS. Alguns estados brasileiros possuem leis locais e já incorporaram no sistema público o teste genético e a linha de cuidado para mulheres com câncer de mama hereditário, como é o caso de Goiás com o projeto Goiás Todo Rosa. “Como entidade, reconhecemos o cumprimento do papel de representar as pacientes, produzir conhecimento e participar ativamente da formulação de políticas na rede pública de saúde, que assiste atualmente cerca de 80% da população brasileira”, afirma Guilherme Novita.

As mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama. Estudos populacionais recentes indicam que os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam cerca de 5-10% do total dos cânceres, e aproximadamente metade desses casos hereditários de mama são causados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avaliou, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. Novita observa que em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas.

Disponibilidade de medicamentos

Com a participação da SBM, um estudo revela diferenças no tratamento do câncer de mama oferecido no SUS e pela saúde suplementar. A pesquisa mostra nos dois sistemas de saúde o impacto do acesso ao trastuzumabe, medicamento essencial para pacientes com câncer de mama HER2+, subtipo particularmente agressivo associado a altas taxas de mortalidade. O levantamento indica a importância e a urgência de equiparar a acessibilidade a esta droga, que combinada com a quimioterapia no tratamento neoadjuvante aumenta a taxa de resposta patológica completa, ou seja, a eliminação total do tumor.

No Brasil, aproximadamente 75% da população depende de tratamento no SUS. O trastuzumabe passou a fazer parte do rol de medicamentos para tratar o câncer de mama HER2+ em julho de 2012 e começou a ser distribuídos em hospitais públicos em janeiro de 2013.

Além do trastuzumabe combinado com a quimioterapia, outro medicamento, chamado pertuzumabe, também aprovado para tratamento de câncer de mama HER2+, continua amplamente indisponível no SUS. Neste sentido, o Outubro Rosa é uma oportunidade, segundo o presidente da SBM, para a ampliação do acesso aos medicamentos, especialmente na rede pública de saúde.

Obesidade

Práticas regulares de atividade física, combinada com alimentação equilibrada, qualidade do sono, entre outros fatores, contribuem para a boa saúde. Por outro lado, a obesidade tem uma relação “íntima e catastrófica” com o câncer de mama. Neste contexto, o uso de canetas emagrecedoras como estratégia para perda de peso entre mulheres que tratam câncer de mama desponta como uma nova fronteira terapêutica na oncologia.

A perspectiva de que mulheres obesas têm maior possibilidade de desenvolver câncer de mama tanto na pré quanto na pós-menopausa levam a SBM a considerar que muitas mulheres talvez estejam mais ameaçadas biologicamente pela obesidade do que pelo próprio tumor inicial que apresentam.

Os possíveis impactos oncológicos das canetas emagrecedoras já despertam enorme atenção da comunidade científica internacional. Estudos demonstram que pessoas obesas tratadas com essas medicações apresentaram redução global no risco de desenvolvimento de 13 tipos de câncer. No cenário do câncer de mama, embora ainda existam poucas publicações, os resultados iniciais se mostram extremamente promissores, apontando diminuição do risco de recidiva local, redução do risco de recidiva a distância, menor mortalidade específica relacionada ao câncer de mama e impacto positivo na mortalidade global.

Conhecimento científico

Em um ano altamente produtivo em pesquisas científicas globais sobre câncer de mama, com destaque para os estudos apresentados na ASCO 2026, congresso realizado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica, a Sociedade Brasileira de Mastologia apresenta importantes investigações a respeito da doença.

Entre os estudos, “Sacituzumabe govitecana mais pembrolizumabe para câncer de mama triplo-negativo avançado”, publicado na prestigiada The New England Journal of Medicine, assinado por pesquisadores dos Estados Unidos, Canadá, México, França, Espanha, Londres, Bruxelas, África do Sul, Austrália, Coreia do Sul e Japão, com a participação da SBM, demonstra que a associação de dois medicamentos pode dobrar a sobrevida de pacientes com câncer de mama triplo-negativo, forma agressiva da doença que responde por alto índice de mortalidade no Brasil e atinge principalmente mulheres jovens.

Também com a participação da SBM, um estudo publicado no JCO Global Oncology, jornal da conceituada Sociedade Americana de Oncologia Clínica, lança luz sobre o câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos de idade no País. Com a participação de 29 pesquisadores brasileiros, a investigação “Estágio avançado ao diagnóstico e piores características clinicopatológicas em mulheres jovens com câncer de mama no Brasil: Uma subanálise do estudo AMAZONA III (GBECAM 0115)” contribui para delinear um panorama sobre a doença entre jovens, com a perspectiva de estimular ações e políticas públicas de prevenção, rastreamento e tratamento de forma mais eficiente.

A segurança no tratamento do câncer de mama, com redução de hospitalizações, maior controle de reações adversas a medicamentos e melhores resultados terapêuticos, pode ser otimizada com a incorporação de testes farmacogenéticos em protocolos do SUS. Esta constatação está no estudo “Prevalência de variantes farmacogenômicas acionáveis em pacientes brasileiros com câncer”. Publicada pela Frontiers in Pharmacology, a investigação ampla foi realizada em todas as regiões do Brasil, e se destaca nos meios científicos por mostrar uma realidade pouco conhecida de populações latino-americanas. Os achados permitem aos especialistas ajustar doses de um medicamento, mudar o fármaco ou mesmo evitar determinados tipos de tratamentos com base em informações de fenótipos farmacogenéticos acionáveis.

O estudo “Resultados de sobrevida após cirurgia conservadora da mama padrão versus cirurgia conservadora da mama oncoplástica em pacientes com câncer de mama: um estudo de coorte multicêntrico com evidências do mundo real” foi publicado pela Surgical Oncology Insight conceituada revista internacional da Sociedade de Cirurgia Oncológica dos Estados Unidos e envolveu a SBM. A investigação estuda a cirurgia conservadora, combinada com radioterapia adjuvante, estratégia amplamente difundida no tratamento de câncer de mama em estágio inicial. No entanto, essa abordagem pode resultar em desfechos estéticos desfavoráveis, especialmente em mulheres com mamas pequenas ou quando tumores maiores exigem ressecções mais extensas. Com o objetivo de minimizar deformidades mamárias, técnicas oncoplásticas foram desenvolvidas para ampliar as possibilidades da cirurgia conservadora, permitindo ressecções mais extensas com melhor preservação da forma e simetria mamárias.

CFM e ANS

A interlocução da SBM com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável pela regulação dos planos de saúde no País, tem resultado em propostas de grande relevância.

Um dos documentos analisados e aprovados pelo CFM propõe um pacto nacional para redução da mortalidade por câncer de mama no Brasil. A proposta conta com a parceria da Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público).

Como medidas que visam ações conjuntas com o Ministério da Saúde, o documento sugere diversas ações prioritárias. A primeira é o cumprimento efetivo a fiscalização da Lei 14.335/2022, que versa sobre rastreamento mamográfico universal para pacientes de 40 a 75 anos. A legislação 12.732/2012, que prevê o início do tratamento do câncer de mama em 60 dias, a norma 13.896/2019, para exames complementares em 30 dias, e a Lei 9.797/1999, que rege a reconstrução mamária, também estão elencadas.

O documento prevê ainda aproximação entre as decisões da Conitec e o Rol da ANS para garantir a pacientes do SUS acesso aos mesmos métodos diagnósticos e tratamentos aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e já disponíveis no setor privado.

No documento destinado à ANS, a SBM desenvolve uma linha de cuidado do câncer de mama com uma proposta técnica para a saúde suplementar no Brasil. De forma detalhada, a pesquisa indica um tempo médio de 14 dias para liberação de exames anatomopatológicos, 17,5 dias para resultados imunoistoquímicos e aproximadamente 19,6 dias para realização de exames complementares necessários ao estadiamento da doença. Considerando a sequência dessas etapas diagnósticas, o tempo necessário para que todos os exames estejam disponíveis pode ultrapassar 45 dias.

Outro ponto importante trazido pelo documento faz referência à reconstrução mamária após a mastectomia.

Comunicação e inclusão

No propósito de informar sobre o câncer de mama, com base em conhecimento médico e comprovações científicas, a SBM mudou a forma de se comunicar e investe em estratégias para engajar a população. Seja pelas mídias digitais ou por canais oficiais da entidade, a proposta entrega informações cada vez mais diretas para impactar as mulheres brasileiras sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento da doença.

Na nova linha de comunicação, a SBM traz não somente médicos e especialistas influenciadores para as principais discussões da atualidade sobre câncer de mama, mas também pacientes, também influenciadoras, que têm a oportunidade conversar sobre suas dúvidas, experiências e demandas do dia a dia.

No site e nos outros canais oficiais da SBM, o empenho é por uma comunicação clara, genuína, de um jeito plural que contemple mulheres de todas as idades, classes sociais, necessidades e regionalidades para levar uma mensagem extremamente confiável sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de uma doença de alta incidência não só no Brasil, mas em outros países.

“Neste Outubro Rosa, a campanha ‘A vida nos une. O cuidado nos move’ traz o esforço da SBM para incentivar cada vez mais mulheres a realizar exames regulares e priorizar hábitos saudáveis no dia a dia, como alimentação balanceada e prática de atividade física. Também destacamos nosso compromisso para ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama no País nas redes pública e privada de saúde. Não menos importante, consideramos o investimento que estamos fazendo para que a população encontre informações corretas e baseadas em comprovações científicas sobre uma doença que afeta a paciente, as famílias e a sociedade como um todo”, conclui Guilherme Novita.


Estudo brasileiro mostra que biópsia de mama menos invasiva representa recuperação mais rápida para pacientes e redução de custos hospitalares em 45%

Estudo brasileiro mostra que biópsia de mama menos invasiva representa recuperação mais rápida para pacientes e redução de custos hospitalares em 45%

Com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pesquisa considera que embora a biópsia a vácuo tenha custo maior que a biópsia cirúrgica, o retorno ao longo dos anos é compensador no sistema público de saúde

A biópsia mamária é uma estratégia consagrada para o diagnóstico de câncer de mama. Embora a biópsia assistida a vácuo seja um método menos invasivo e ofereça o benefício de uma recuperação mais rápida, a biópsia cirúrgica, que requer anestesia geral e exige mais tempo para que a paciente retome suas atividades, é realizada com maior frequência por representar custos menos elevados. Diante de dados insuficientes sobre o impacto econômico dos dois procedimentos, um estudo com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), realizado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), avalia o custo-benefício da biópsia a vácuo, de forma a nortear políticas públicas nacionais.

O estudo “Análise de minimização de custos da biópsia assistida a vácuo versus biópsia cirúrgica para o diagnóstico de lesões mamárias suspeitas no sistema público de saúde brasileiro” foi publicado pela Clinical Breast Cancer (Elsevier), conceituada revista científica internacional. Sob a coordenação da mastologista Andressa Gonçalves Amorim, a investigação conta com contribuições da SBM e de importantes centros de tratamento de câncer de mama no Brasil.

Como método de biópsia diagnóstica, a mamotomia, ou excisão assistida a vácuo, vem sendo realizada desde 1996. Em uma explicação simplificada, a técnica que utiliza aparelho de ultrassom consiste em retirar através de uma agulha fragmentos da lesão por meio de aspiração. Esses fragmentos são submetidos à análise criteriosa de um patologista para identificar a ocorrência de células cancerígenas ou não. Neste método, a anestesia é local.

A biópsia cirúrgica é uma estratégia usada quando os métodos percutâneos não são suficientes para o diagnóstico. Realizada em centro cirúrgico, com anestesia, a estratégia permite a remoção completa da lesão para análise.

Quando considerado o tempo para a recuperação das pacientes que passam pelos procedimentos, a biópsia assistida a vácuo permite o retorno às atividades em aproximadamente 2 dias. Com a biópsia cirúrgica são 14 dias.

No estudo que envolveu 1.833 pacientes do Hospital da Mulher (antigo Hospital Pérola Byington), unidade pública estadual, 100% SUS, entre 2020 e 2023, a população-alvo incluiu mulheres submetidas à biópsia diagnóstica, devido a anormalidades mamográficas.

Em 1.248 pacientes (68,1%) a opção foi pela biópsia assistida a vácuo; 585 (31,9%) foram submetidas à biópsia cirúrgica. “Os resultados histopatológicos foram semelhantes entre os grupos, ou seja, lesões benignas em 66,4% por biópsia a vácuo, e 66,7% por biópsia cirúrgica, seguidas por lesões precursoras, carcinoma ductal in situ (CDIS) e carcinoma invasivo”, destaca Andressa Amorim.

Na biópsia assistida a vácuo, realizada em regime ambulatorial, foram utilizadas agulhas de calibre 11 ou 8 sob anestesia local, com auxílio de ultrassom ou estereotaxia. A biópsia cirúrgica, como explica a mastologista, caracteriza-se por biópsia excisional aberta, sob anestesia geral, que geralmente requer recursos de centro cirúrgico e internação hospitalar de curta duração.

No contexto de saúde pública, a biópsia assistida a vácuo, segundo Andressa Amorim, representa uma opção mais eficiente do que a biópsia cirúrgica. “Isso tanto do ponto de vista institucional quanto social, apesar dos custos iniciais de reembolso mais elevados”, afirma. Por essa razão, na condução da pesquisa os custos foram avaliados a partir de três perspectivas: do prestador de serviço de saúde (institucional), do financiador público (SUS) e da sociedade.

O custo médio ponderado da estratégia com mamotomia foi de US$ 268,41 por paciente, contra US$ 491,89 na estratégia com biópsia cirúrgica, sob a perspectiva do hospital.

De acordo com o mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante do estudo, a biópsia assistida a vácuo gerou uma economia hospitalar média de US$ 223,48 por paciente quando comparada à biópsia cirúrgica, o que representa redução estimada em 45,4%. “A economia social foi maior: US$ 352,93 por procedimento”, destaca. Na atual estrutura de reembolso do SUS, os custos foram mais elevados para o procedimento a vácuo, correspondendo a US$ 146,16 por paciente.

Para André Mattar, o resultado mais importante da pesquisa considera uma projeção da adoção da biópsia assistida a vácuo ao longo do tempo. O estudo conduziu uma análise simplificada de impacto orçamentário para estimar as potenciais implicações em nível nacional do procedimento no SUS.

Considerando aproximadamente 77 mil novos diagnósticos de câncer de mama anualmente, com 10% das pacientes necessitando de biópsia, três cenários de adoção da biópsia a vácuo foram modelados (25%, 50% e 75%). Nesses contextos, a economia projetada para os hospitais chegou a US$ 1,29 milhão por ano, enquanto os custos incrementais para o SUS atingiram US$ 845.148. Da perspectiva da sociedade, a economia foi estimada em até US$ 2,03 milhões anualmente. Os custos relacionados à implementação, incluindo aquisição de equipamentos e treinamento de pessoal, foram incorporados para fornecer uma avaliação mais realista da adoção em larga escala.

Na visão de André Mattar, esses achados são relevantes para o cenário da saúde no Brasil, onde atrasos no diagnóstico e limitações na capacidade cirúrgica impactam significativamente os desfechos do câncer de mama. “Quando não se tem a opção pela biópsia a vácuo, e o resultado se apresenta como benigno, tem-se a percepção que a operação da paciente na biópsia cirúrgica para se chegar a um diagnóstico acaba sendo um procedimento desnecessário”, pontua.

Com base no estudo, os pesquisadores apontam que os ganhos de eficiência demonstrados com a adoção da biópsia assistida a vácuo podem ajudar a reduzir o substancial acúmulo de diagnósticos de câncer de mama. Do ponto de vista da implementação, o investimento inicial de capital necessário para o equipamento de biópsia a vácuo (US$ 80 mil a US$ 120 mil por unidade) poderia ser compensado por ganhos de eficiência em 12 a 18 meses em centros de alto volume, apoiando a viabilidade econômica da adoção da tecnologia em hospitais de referência em toda a rede do SUS. A análise demonstra a recuperação do custo do equipamento em 2,2 anos com base em investimento inicial de US$ 100 mil para centros que realizam 200 biópsias a vácuo anualmente.

Como conclusão, os autores do estudo consideram que embora a biópsia assistida a vácuo esteja associada a custos diretos de reembolso mais elevados no modelo atual do SUS, o procedimento oferece economias substanciais tanto em nível institucional quanto social, por meio da redução da demanda cirúrgica, tempos de recuperação mais curtos e menores perdas de produtividade. “Os resultados validam a biópsia a vácuo como uma abordagem diagnóstica estrategicamente valiosa e reforçam a necessidade de políticas de reembolso que reflitam melhor o cuidado baseado em valor e a eficiência sistêmica no diagnóstico do câncer de mama na rede pública de saúde”, conclui Andressa Amorim.


Melhoria no atendimento de pessoas com deficiência depende de treinamento e formação continuada de mastologistas

Melhoria no atendimento de pessoas com deficiência depende de treinamento e formação continuada de mastologistas

No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) divulga uma pesquisa inédita que indica os maiores desafios apontados pelos especialistas para atender esta população

O principal obstáculo apontado por médicos no atendimento de pacientes com deficiência, segundo pesquisa inédita realizada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), é a falta de treinamento específico dos profissionais. “No contexto da mastologia, este é um ponto crítico. Mas há outros achados igualmente importantes no levantamento que revelam dificuldades”, afirma Mônica Travassos Jourdan, responsável pelo Departamento de Saúde Inclusiva da SBM. Para a mastologista, tão preocupante quanto a falta de treinamento é a percepção dos especialistas a respeito da acessibilidade de informação do paciente sobre doenças mamárias. Estes e outros entraves, que segundo ela demandam investimentos em capacitação técnica, merecem visibilidade nas ações de 21 de setembro, data dedicada ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

De 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, 8,3 milhões são mulheres. Com base em dados de 2019, o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) destaca ainda que 4,9 milhões são surdas, o que exemplifica uma condição importante para o atendimento dessa população nos serviços público e privado de saúde.

A Sociedade Brasileira de Mastologia é a primeira entidade médica do País a contar com um departamento dedicado à inclusão. Criado em 21 de setembro de 2025, reflete o compromisso da entidade em ampliar a atenção ao rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de mama para toda a população, incluindo pessoas com deficiência. Uma das ações do Departamento de Saúde Inclusiva já permite o acesso às informações no site da SBM em Libras e audiodescrição.

Este ano, por ocasião do Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, a iniciativa pioneira recebe o apoio de duas personalidades do mundo artístico. Uma delas, a apresentadora e cantora Xuxa Meneghel, conclama em um vídeo gravado para o Departamento de Saúde Inclusiva da SBM a “construir um mundo mais inclusivo, onde ninguém fique de fora desse movimento de amor pela vida”. Em Libras, Xuxa diz: “Cuidar da saúde é um gesto de amor. Juntos somos mais fortes.”

Ao qualificar em vídeo o trabalho do Departamento de Saúde Inclusiva como “de extrema importância e de extremo valor social”, Pedro Neschling, ator, escritor, diretor e pessoa com deficiência auditiva, destaca: “Durante muito tempo o mundo como um todo olhou com muito pouco carinho para as pessoas com deficiência. Felizmente isso está mudando, no sentido de entender que a deficiência não é uma carta condenatória.”

Uma das propostas do Departamento de Saúde Inclusiva da SBM anunciadas em sua criação foi a realização de pesquisas sobre o impacto do câncer de mama em pessoas com deficiência. “Este objetivo começa a se cumprir com nosso primeiro levantamento”, destaca Mônica Jourdan.

A pesquisa “Realidade do atendimento às pessoas com deficiência no contexto da mastologia”, feita entre julho e setembro de 2026, recebeu 180 respostas de especialistas, a maioria mastologistas (87,8%). O maior número de participantes é do Sudeste (60%), seguido de Nordeste (17,8%) e Sul (13,9%).

Dos respondentes, 95,6% afirmam já ter atendido pacientes com deficiência física. Sobre o item “Treinamento”, a mastologista da SBM observa “um hiato crítico na formação”, com 97,2% dos profissionais declarando não receber ou ter recebido treinamento específico para o atendimento desses pacientes.

Embora 71,7% considerem suas clínicas e hospitais acessíveis fisicamente, a avaliação da acessibilidade da informação sobre patologias mamárias pelos pacientes é negativa: 43,9% avaliam como “Ruim” e 39,4%, “Regular”.

O levantamento revela que o uso de recursos de comunicação alternativa para pacientes com deficiência auditiva ainda é incipiente, com apenas 19,4% dos médicos utilizando-os frequentemente; 58,3%, por sua vez, nunca utilizam.

Como síntese, o principal obstáculo relatado pelos respondentes é a falta de treinamento (73,9%), seguido por barreiras físicas (49,4%) e falta de recursos (37,8%). Em uma escala de 1 a 5, a maioria dos profissionais (43,9%) classifica sua capacidade de atendimento como “3”, o que indica uma percepção de competência mediana, mas com espaço significativo para melhoria.

Os dados do levantamento evidenciam que apesar da experiência clínica acumulada dos especialistas, há uma demanda reprimida por educação continuada e diretrizes de acessibilidade. “O fato de a falta de treinamento ser o desafio mais citado reforça a necessidade de o Departamento de Saúde Inclusiva da SBM focar em programas de capacitação técnica e na criação de materiais informativos acessíveis, visto que a barreira informacional é vista como uma das maiores fragilidades atuais”, conclui Mônica Jourdan.


2º Edital de Convocação Assembleia Geral Extraordinária da AMB

A Diretoria Executiva da Associação Médica Brasileira – AMB, no uso de suas atribuições e prerrogativas estatutárias, convoca seus associados com direito a voto para participar da Assembleia Geral Extraordinária, a realizar-se no dia 09 de outubro de 2026 (sexta-feira), em formato online, por meio da plataforma telemática contratada pela AMB, com início às 14h em primeira convocação e, às 14h30 em segunda convocação, para deliberar sobre as propostas de alteração do Estatuto Social da AMB, nos termos do inciso II, do artigo 27.

  1. As sugestões para reforma estatutária realizadas nos moldes dos incisos I, II e III, do § 3º do art. 27 do Estatuto Social da AMB e recebidas durante os prazos previstos no art. 27, § 2º do Estatuto Social da AMB estão publicadas no site da AMB (www.amb.org.br);
  2. Somente poderão participar da Assembleia Geral Extraordinária os associados efetivos ou a eles equiparados que estejam em dia com suas obrigações estatutárias;
  3. Para viabilizar a organização da Assembleia, os associados ora convocados deverão, obrigatoriamente, realizar sua inscrição até às 18h do dia 02 de outubro de 2026, diretamente no site da AMB (www.amb.org.br), informando o nome completo, número do CPF e e-mail.

Clique aqui para fazer o download das propostas


AMB esclarece informações sobre Títulos de Especialista

A Associação Médica Brasileira (AMB), diante de informações divulgadas nas redes sociais pela denominada “Ordem Médica Brasileira (OMB)”, esclarece que não houve nenhuma decisão judicial afastando a exclusividade da AMB na concessão de Títulos de Especialista pelas Sociedades de Especialidade.

A sentença da Justiça Federal de São Paulo não reconheceu à OMB o direito de conceder Títulos de Especialista, não conferiu validade oficial aos seus certificados e não alterou as regras para obtenção do Registro de Qualificação de Especialista (RQE).

A decisão reconheceu apenas que associações privadas podem realizar atividades de ensino, avaliações e emitir certificados de natureza privada. Esses documentos, contudo, não são Títulos de Especialista, não têm validade no sistema oficial e não permitem a obtenção de RQE.

Também é importante destacar que a sentença não é definitiva. A AMB apresentou Recurso de Apelação em 10 de agosto de 2026, que ainda será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Assim, a “OMB” não está autorizada a conceder Títulos de Especialista com validade oficial, e permanecem vigentes as regras do sistema oficial de titulação médica.

A AMB seguirá atuando para preservar a qualidade da formação médica, a segurança dos pacientes e a credibilidade do sistema de especialidades no Brasil.


ANS amplia a cobertura de mamografia digital nos planos de saúde com a inclusão de pacientes acima de 70 anos

ANS amplia a cobertura de mamografia digital nos planos de saúde com a inclusão de pacientes acima de 70 anos

Resultado de discussões que envolveram a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e outras entidades médicas importantes, a exclusão da Diretriz de Utilização nº 52 do rol da ANS, permite a realização do exame antes restrito a mulheres de 40 a 69 anos

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), responsável pela regulação dos planos de saúde no Brasil, determinou a exclusão de uma diretriz de utilização que desde 2016 restringia a cobertura de mamografia digital a mulheres entre 40 e 69 anos de idade. Após a finalização de uma Consulta Pública e discussões com a participação das mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), os planos particulares aguardam agora a formalização da ANS para a realização do exame sem restrição de faixa etária ou gênero sempre que houver indicação médica.

A Diretriz de Utilização nº 52 (DUT 52), com a determinação de cobertura obrigatória da mamografia digital exclusivamente a mulheres na faixa de 40 a 69 anos de idade, foi incorporada ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS pela Resolução Normativa nº 387/2015, que entrou em vigor no início de 2016.

Uma década depois, a Agência Nacional de Saúde Suplementar realizou a Consulta Pública nº 173 entre junho e julho deste ano para que a população pudesse opinar e enviar contribuições sobre a DUT 52, com o objetivo de ampliar a cobertura obrigatória da mamografia digital nos planos de saúde. A proposta de revisão das regras partiu da própria ANS após debates realizados na Cosaúde (Comissão de Atualização o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar).

No dia 25 de agosto, em reunião realizada com as principais entidades médicas do Brasil, a ANS decidiu pela exclusão da DUT 52. A SBM foi representada pela mastologista Thais Paiva Moraes, coordenadora da Comissão de Imagenologia Mamária da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e membro da Comissão Nacional de Mamografia.

“A proposta da SBM foi pela exclusão da DUT 52 do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. A retirada desta diretriz de utilização vem para alinhar a prática clínica atual com a obrigatoriedade de cobertura de um exame tão importante e minimizar as negativas de atendimento para pacientes fora da faixa de 40 a 69 anos e também com alguma necessidade clínica específica”, afirma Thais Paiva Moraes.

A mastologista destaca que a restrição da cobertura de mamografia digital pelos planos de saúde a pacientes com mais de 70 anos é um indicativo de problema de saúde no País. De acordo com levantamento do DATASUS, entre 2015 e 2024 foram registrados 162.471 casos de câncer de mama em mulheres idosas no Brasil. Do total, 93.852 resultaram em morte.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), 99,75% dos mamógrafos avaliados no Brasil são digitais, contra apenas 0,25% analógicos. “Por falta de cobertura do convênio, as pacientes acabavam pagando para fazer o exame. Em alguns casos, o serviço e os médicos realizavam a mamografia digital, assumindo o ônus”, ressalta a especialista.

Na visão de Thais Paiva Moraes, a possibilidade de realização da mamografia digital sem a restrição de idade prevista na DUT 52 pelos planos de saúde é uma contribuição importante para a detecção precoce do câncer de mama. “A exclusão desta diretriz de utilização minimiza os ruídos que antes existiam e as negativas de realização do exame que poderiam gerar um atraso em diagnóstico”, conclui.