ANS amplia a cobertura de mamografia digital nos planos de saúde com a inclusão de pacientes acima de 70 anos

ANS amplia a cobertura de mamografia digital nos planos de saúde com a inclusão de pacientes acima de 70 anos

Resultado de discussões que envolveram a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e outras entidades médicas importantes, a exclusão da Diretriz de Utilização nº 52 do rol da ANS, permite a realização do exame antes restrito a mulheres de 40 a 69 anos

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), responsável pela regulação dos planos de saúde no Brasil, determinou a exclusão de uma diretriz de utilização que desde 2016 restringia a cobertura de mamografia digital a mulheres entre 40 e 69 anos de idade. Após a finalização de uma Consulta Pública e discussões com a participação das mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), os planos particulares aguardam agora a formalização da ANS para a realização do exame sem restrição de faixa etária ou gênero sempre que houver indicação médica.

A Diretriz de Utilização nº 52 (DUT 52), com a determinação de cobertura obrigatória da mamografia digital exclusivamente a mulheres na faixa de 40 a 69 anos de idade, foi incorporada ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS pela Resolução Normativa nº 387/2015, que entrou em vigor no início de 2016.

Uma década depois, a Agência Nacional de Saúde Suplementar realizou a Consulta Pública nº 173 entre junho e julho deste ano para que a população pudesse opinar e enviar contribuições sobre a DUT 52, com o objetivo de ampliar a cobertura obrigatória da mamografia digital nos planos de saúde. A proposta de revisão das regras partiu da própria ANS após debates realizados na Cosaúde (Comissão de Atualização o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar).

No dia 25 de agosto, em reunião realizada com as principais entidades médicas do Brasil, a ANS decidiu pela exclusão da DUT 52. A SBM foi representada pela mastologista Thais Paiva Moraes, coordenadora da Comissão de Imagenologia Mamária da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e membro da Comissão Nacional de Mamografia.

“A proposta da SBM foi pela exclusão da DUT 52 do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. A retirada desta diretriz de utilização vem para alinhar a prática clínica atual com a obrigatoriedade de cobertura de um exame tão importante e minimizar as negativas de atendimento para pacientes fora da faixa de 40 a 69 anos e também com alguma necessidade clínica específica”, afirma Thais Paiva Moraes.

A mastologista destaca que a restrição da cobertura de mamografia digital pelos planos de saúde a pacientes com mais de 70 anos é um indicativo de problema de saúde no País. De acordo com levantamento do DATASUS, entre 2015 e 2024 foram registrados 162.471 casos de câncer de mama em mulheres idosas no Brasil. Do total, 93.852 resultaram em morte.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), 99,75% dos mamógrafos avaliados no Brasil são digitais, contra apenas 0,25% analógicos. “Por falta de cobertura do convênio, as pacientes acabavam pagando para fazer o exame. Em alguns casos, o serviço e os médicos realizavam a mamografia digital, assumindo o ônus”, ressalta a especialista.

Na visão de Thais Paiva Moraes, a possibilidade de realização da mamografia digital sem a restrição de idade prevista na DUT 52 pelos planos de saúde é uma contribuição importante para a detecção precoce do câncer de mama. “A exclusão desta diretriz de utilização minimiza os ruídos que antes existiam e as negativas de realização do exame que poderiam gerar um atraso em diagnóstico”, conclui.


Ministério da Educação aprimora a residência médica em Mastologia

Ministério da Educação aprimora a residência médica em Mastologia

Articulação que envolveu a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) junto ao órgão do governo moderniza um modelo de formação de especialistas que é reconhecido mundialmente

O Ministério da Educação aprovou atualizações na matriz de competências para formação de mastologistas em residência médica. Com contribuições da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e de outras importantes entidades médicas do País, o documento vem para aprimorar ainda mais um modelo de instrução reconhecido mundialmente.

“Na Comissão Nacional de Residência Médica, que é o principal órgão deliberativo e normativo responsável por debater, votar e definir as regras dos programas de residência médica no Brasil, tivemos a oportunidade de apresentar sugestões que visam modernizar os parâmetros de formação em uma especialidade que demanda conhecimentos, abordagens e tratamentos cada vez mais diversificados e complexos”, afirma o mastologista José Pereira Guará, coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM.

De acordo com Guará, encaminhamentos para aprimorar a matriz de competências para residência médica em Mastologia vêm sendo feitos desde 2022. “Mas somente após articulações realizadas pessoalmente no Ministério da Educação no primeiro semestre deste ano, de fato conseguimos avançar e discutir em atualizações necessárias e importantes que aguardam agora a publicação da resolução oficial”, destaca.

No Brasil, além de ser reconhecida como especialidade responsável pelo tratamento de doenças da mama, a Mastologia tem um programa de residência médica específico para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia, com duração de dois anos e formação que inclui competências clínicas, diagnósticos por imagem, realização de cirurgias em todos os níveis de complexidade para o tratamento de doenças benignas, mas especialmente de doenças malignas da mama. “Isso inclui não somente o tratamento do câncer de mama, mas também as cirurgias reconstrutivas e oncoplásticas”, diz Guará.

O modelo de formação brasileiro constitui um diferencial quando comparado a países da Europa e também os Estados Unidos, onde essas cirurgias, em geral, são realizadas por ginecologistas, cirurgiões oncológicos e cirurgiões gerais que integram equipes de múltiplas especialidades. “Como os programas de residência médica no País são regulamentados pelo Ministério da Educação, hospitais com programas de residência médica geralmente também oferecem condições de saúde superiores, que refletem melhores prognósticos para diversas doenças.”

Entre os pontos mais importantes das atualizações da matriz de competências, o mastologista destaca a consolidação do tratamento cirúrgico da mama em todas as dimensões, “desde tratamento de doenças benignas, câncer de mama, cirurgias de afirmação de gênero, intervenções reparadoras, reconstrutivas e estéticas, ampliação da atuação do mastologista nos procedimentos radioguiados e aumento da competência em terapias sistêmicas do câncer de mama”.

Para José Pereira Guará, a articulação entre SBM e Ministério da Educação tem importância inestimável. “Temos agora a chancela do órgão oficial com um norteador dos processos de formação de especialistas no Brasil inteiro”, conclui.


Survey Nacional – Atendimento em Saúde Mamária da População Trans no Brasil

Survey Nacional – Atendimento em Saúde Mamária da População Trans no Brasil

O Departamento de Apoio à Comunidade LGBTQIA+ da Sociedade Brasileira de Mastologia convida você a impactar diretamente o futuro da nossa prática clínica. Elaboramos um survey abrangente que mapeia os desafios legais, cirúrgicos, de rastreamento e acolhimento — tanto no SUS quanto no setor privado. Sabemos que o questionário exige alguns minutos da sua atenção, mas cada resposta é fundamental: esses dados fundamentarão a criação de um guia prático nacional e de materiais de orientação para apoiar os mastologistas no dia a dia. Ao responder, você ajuda a SBM a construir diretrizes sólidas, promover a inclusão com rigor técnico e capacitar nossa especialidade.

Contamos com a sua colaboração para transformarmos essa experiência em conhecimento para todos!

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Tempo estimado: 10 minutos.


Consulta Pública – Ribociclibe no Tratamento Adjuvante do Câncer de Mama

Consulta Pública – Ribociclibe no Tratamento Adjuvante do Câncer de Mama

Prezado(a) colega Mastologista,

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) tem participado ativamente das discussões sobre a incorporação de novas tecnologias tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Uma de nossas principais missões é promover o diálogo com os órgãos responsáveis pelas decisões em saúde, para que a experiência dos mastologistas seja considerada e para que nossas pacientes tenham acesso às melhores opções terapêuticas disponíveis.

Neste momento, está em discussão a incorporação do ribociclibe no SUS para o tratamento adjuvante do câncer de mama RH+/HER2− de alto risco, em associação a um inibidor da aromatase, durante os três primeiros anos da terapia endócrina adjuvante.

Os resultados atualizados do estudo NATALEE demonstraram redução de 25% no risco de recorrência de doença invasiva (iDFS) (HR 0,75; IC95% 0,62–0,89). Em três anos, 90,7% das pacientes tratadas com ribociclibe associado à terapia endócrina permaneceram livres de recorrência, em comparação com 87,6% das pacientes que receberam apenas terapia endócrina. Também foi observada redução de 25% no risco de recorrência à distância, um desfecho fortemente associado à sobrevida global (Hortobagyi GN et al. Annals of Oncology. 2025).

A SBM foi a sociedade médica convidada pela AMB para participar das reuniões da Conitec, contribuindo com embasamento técnico-científico para subsidiar as discussões e apoiar uma decisão baseada nas melhores evidências disponíveis.

Agora é a sua vez!

A proposta está na fase de Consulta Pública nº 61/2026, aberta para contribuições até 17/08/2026.

É fundamental que médicos, demais profissionais de saúde, pacientes, familiares e associações participem, compartilhando suas opiniões fundamentadas em evidências científicas e em suas experiências profissionais ou pessoais. Todas as contribuições são analisadas e podem influenciar a decisão final.

Participe da Consulta Pública! Compartilhe esta iniciativa com colegas, pacientes e suas associações.

Juntos, podemos contribuir para um sistema de saúde mais justo, que amplie o acesso das pacientes com câncer de mama a tratamentos eficazes e inovadores no menor tempo possível.


Eleições AMB 2026 - AMB e Federadas (Triênio 2027/2029)

Você, médico associado à AMB, participe das eleições!
Garanta o seu voto para eleger a nova diretoria da Associação Médica Brasileira – triênio 2027/2029.

Votação: 10 a 17 de agosto de 2026.

Seu voto faz toda diferença.

Clique aqui para votar.


Sociedade Brasileira de Mastologia organiza Semanas Temáticas e consolida em seus canais de comunicação um guia de buscas sobre saúde

Sociedade Brasileira de Mastologia organiza Semanas Temáticas e consolida em seus canais de comunicação um guia de buscas sobre saúde

Além de informações sobre câncer de mama, SBM destaca no novo conteúdo assuntos relacionados à prevenção e aos cuidados que mais interessam à população brasileira

Assuntos relacionados ao câncer de mama e diversas questões importantes sobre saúde que dialogam com os interesses da população passam a ser oferecidos nas Semanas Temáticas da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Segundo o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da SBM, o conteúdo vem para consolidar as plataformas e o site de uma das mais respeitadas entidades médicas do País como um guia de buscas que reúne abordagens corretas sobre temas de grande relevância para a saúde do brasileiro.

Com a perspectiva de entregar informações cada vez mais diretas para impactar as mulheres brasileiras sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento do câncer de mama, o projeto de comunicação da SBM amplia seu alcance com as Semanas Temáticas. “Alinhamos a proposta, focada inicialmente no câncer de mama, a um esforço de educação continuada para falar de diversos assuntos sobre saúde que são igualmente relevantes e merecem uma abordagem clara, acessível, repleta de detalhes que fazem a diferença para o conhecimento da população”, afirma Daniel Buttros.

Como primeiro tema, a “Semana do Amigo” organiza entre os dias 20 e 24 de julho conteúdos que destacam a importância da atuação do especialista, do apoio da família e do círculo de amizade durante o tratamento de câncer de mama.

“Tanto a abordagem do mastologista quanto a presença de uma rede de apoio, seja ela formada por parentes, amigos e colegas de trabalho, fazem a diferença na vida da mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama e toma conhecimento dos desafios que virão pela frente durante o tratamento”, destaca o representante da SBM.

A falta de suporte no dia a dia das pacientes com câncer de mama afeta as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos, configurando em muitos casos abandono emocional. Levantamento realizado pela Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) indica que uma em cada dez mulheres diagnosticadas com a doença é deixada pelo parceiro. A pesquisa mostra também que 40% das pacientes enfrentam demissões durante o tratamento.

De acordo com Daniel Buttros, o apoio de pessoas próximas e a noção de que não está sozinha ajuda a mulher a se sentir mais segura e disposta, física, mental e emocionalmente, a seguir com o tratamento de câncer de mama. “Da mesma forma, o acolhimento do especialista e da equipe médica que vão acompanhá-la é fundamental. Precisamos investir de forma sistemática em um atendimento mais humanizado, seja na rede pública ou privada de saúde”, diz.

As próximas Semanas Temáticas da Sociedade Brasileira de Mastologia já estão programadas. De 27 a 31 de julho, a entidade realiza a Semana do Diagnóstico. Em agosto, o calendário segue com a Semana da Amamentação (3 a 7), Semana do Sono (10 a 14) e Semana dos Pais (17 a 21).


Edital abre vagas para médicos especialistas em Mastologia atuarem no SUS

Edital abre vagas para médicos especialistas em Mastologia atuarem no SUS

Estão abertas, de 3 a 16 de julho de 2026, as inscrições para o Edital de Provimento de Médicos Especialistas, iniciativa do Ministério da Saúde destinada ao fortalecimento da atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre as especialidades contempladas está a Mastologia, oferecendo aos especialistas a oportunidade de atuar na assistência à população por meio da rede pública de saúde.

Os médicos interessados podem consultar o edital completo, verificar os requisitos para participação e realizar a inscrição diretamente pelo Portal UNA-SUS.

A Sociedade Brasileira de Mastologia incentiva seus associados a conhecerem a iniciativa e, caso atendam aos critérios estabelecidos, participarem do processo seletivo.

Período de inscrições: de 3 a 16 de julho de 2026.

Clique aqui e acesse o Portal UNA-SUS para consultar o edital e realizar sua inscrição.


Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa

Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa

Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. Segundo o mastologista João Bosco Ramos Borges, coordenador do Departamento de Ginecologia Endócrina da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.

O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.

Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal, como explica João Bosco Ramos Borges, tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.

As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.

De acordo com o mastologista da SBM, a aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. Os resultados apontam que em doses diárias de 45 mg, a medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.

A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.

Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.

“O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios”, conclui João Bosco Ramos Borges.


Estudo demonstra melhores resultados na biópsia de linfonodos com agulha grossa em casos de câncer de mama

Estudo demonstra melhores resultados na biópsia de linfonodos com agulha grossa em casos de câncer de mama

Com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pesquisa avalia efetividade em diagnósticos e custos do método no âmbito do SUS

A biópsia de linfonodo, seja na presença de um tumor ou mesmo diante da suspeita de recidiva de câncer de mama, contribui para definir o estadiamento da doença, estabelecer linhas de tratamento e avaliar prognósticos. Mas a depender do tipo de agulha utilizada no método percutâneo, fina ou grossa, os resultados podem ser diferentes. Se forem inconclusivos, em geral demandam investigações complementares que expõem as pacientes a desconforto e estresse, atrasam a condução dos tratamentos e representam aumento de custos. Com a proposta de comparar a adequação diagnóstica da agulha fina e da agulha grossa em biópsias, um estudo realizado no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), buscou evidências para orientar protocolos nacionais.

O estudo “Biópsia por Agulha Grossa versus Punção Aspirativa por Agulha fina para avaliação de linfonodos no câncer de mama: precisão diagnóstica e análise de custos em um sistema de saúde público” foi publicado pela Value in Health, revista internacional que reúne pesquisas sobre políticas de saúde para auxiliar a tomada de decisões baseadas em evidências. Coordenada pela mastologista Marina Diógenes Teixeira, a investigação conta com contribuições da SBM e de importantes centros de tratamento do câncer de mama no Brasil.

Como objetivo principal, o estudo compara a adequação diagnóstica da Punção Aspirativa com Agulha Fina (PAAF) e da CORE biopsy, com agulha grossa, na avaliação de linfonodos em pacientes com câncer de mama. “Buscamos contrastar as taxas de resultados inconclusivos entre os dois métodos de biópsia, que economicamente geram informações importantes sobre custo-efetividade”, afirma. A pesquisa, segundo a mastologista, também se propõe a indicar, por meio de dados baseados em situações reais, evidências para orientar protocolos nacionais e expandir acesso equitativo ao tratamento de câncer de mama no Brasil.

A investigação envolveu 300 mulheres submetidas à biópsia de linfonodos axilares, supraclaviculares ou cervicais no Hospital da Mulher (antigo Hospital Pérola Byington), unidade pública estadual, 100% SUS, entre 2015 e 2023. Dados clínicos, radiológicos e patológicos foram extraídos retrospectivamente de prontuários eletrônicos, utilizando-se uma ferramenta de abstração padronizada.

Em 79 participantes (26,3%), a biópsia foi feita com agulha fina. Em 221 (73,7%), o procedimento foi realizado com agulha grossa. “A principal descoberta foi a taxa marcadamente maior de resultados inconclusivos com a PAAF (agulha fina), de 50,7%, em contraste com a CORE biopsy (agulha grossa), de 2,7%”, destaca Marina Diógenes.

O mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante do estudo, observa que a punção por agulha fina, conforme a pesquisa, compromete a avaliação imunohistoquímica, que permite identificar os “sobrenomes” dos tumores, entre eles o triplo-negativo.

A título de comparação, o especialista traz um dado importante a partir dos exames realizados com CORE biopsy. “Na análise imunohistoquímica, observamos uma discrepância de até 23% em um tumor considerado primário e que depois recidivou na axila”, diz. “Isso, definitivamente, muda nossa conduta de tratamento.”

O estudo indica que os custos das biópsias iniciais feitas com agulha fina atingiram US$ 7.805, enquanto a estratégia com agulha grossa totalizou US$ 9.930. “As agulhas têm custos diferentes e durante muito tempo, principalmente no SUS, utilizamos a punção por agulha fina (PAAF) porque é mais barata”, destaca Mattar.

No entanto, nas biópsias por PAAF com resultados inconclusivos, houve a necessidade de novos procedimentos, que totalizaram US$ 5.124, sendo que a maioria dos casos foi benigna. Em contrapartida, como revela o estudo, as biópsias de segunda linha após resultado de agulha grossa inconclusivo trouxeram custos significativamente menores (US$ 1.745,15) e muitas vezes evitaram a necessidade de cirurgia.

Na análise econômica, o estudo mostra que a abordagem inicial com biópsia por agulha grossa reduziu os custos de diagnóstico em até 50%. “Considerando o atendimento do SUS, a busca por eficiência e otimização de recursos, a pesquisa demonstra que como método de biópsia de primeira linha, preferencialmente para linfonodos suspeitos, a punção por agulha grossa traz resultados mais confiáveis, muitas vezes sem a necessidade de novos exames, o que representa assertividade e ganho de tempo para orientar os tratamentos, com maior conforto para as pacientes”, conclui André Mattar.


Consulta Pública nº 170 da ANS recebe contribuições sobre contratualização na saúde suplementar

Consulta Pública nº 170 da ANS recebe contribuições sobre contratualização na saúde suplementar

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu a Consulta Pública nº 170 para receber contribuições da sociedade sobre a proposta de uma nova Resolução Normativa que trata da contratualização entre operadoras de planos privados de assistência à saúde e prestadores de serviços de atenção à saúde.

A proposta tem como objetivo atualizar e consolidar regras relacionadas ao relacionamento contratual entre operadoras e prestadores, abordando aspectos como celebração de contratos, critérios de reajuste, mecanismos de negociação e demais disposições que impactam a organização da assistência na saúde suplementar.

De acordo com a ANS, a revisão normativa busca aprimorar a transparência, a previsibilidade e a segurança jurídica nas relações entre as partes envolvidas, contribuindo para o fortalecimento do setor.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) incentiva seus associados a conhecerem a proposta e participarem da consulta pública, contribuindo com sugestões e considerações sobre o tema.

Prazo para participação

📅 A Consulta Pública nº 170 permanecerá aberta até 03 de julho de 2026.

Como participar

Os interessados podem acessar a plataforma da ANS, consultar os documentos disponibilizados e registrar suas contribuições eletronicamente.

Material de referência

Segue material de referência para auxiliar na elaboração de sugestões e contribuições sobre a proposta em consulta.

Clique aqui para fazer o download

Clique aqui para acessar a consulta pública