Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas

Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce

Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.

De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.

Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que possam indicar precocemente o câncer de mama.

De acordo com o mastologista Guilherme Novita, testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres. “Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da doença.”

Como método, a mamografia de rastreamento permanece como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos de idade.

O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.


Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alcança vitória inédita para incluir teste genético de câncer de mama no SUS

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alcança vitória inédita para incluir teste genético de câncer de mama no SUS

A partir da solicitação da SBM, Conitec avalia incorporar tecnologia de identificação de mutações genéticas associadas a 80% de risco de desenvolvimento da doença

A Conitec, comissão responsável por avaliar a incorporação de novos medicamentos, equipamentos, protocolos de diagnósticos e de tratamentos no SUS (Sistema Único de Saúde), acaba de aprovar a solicitação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) para incluir o Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês) para os genes BRCA1 e BRCA2 A tecnologia permite identificar mutações (variantes patogênicas) em genes selecionados associados ao risco hereditário de câncer de mama. Hoje, o exame não é ofertado regularmente pelo SUS. Alguns estados brasileiros possuem leis locais e já incorporaram no sistema público o teste genético e a linha de cuidado para mulheres com câncer de mama hereditário, como é o caso de Goiás com o projeto Goiás Todo Rosa, liderado pela mastologista Rosemar Macedo Rahal. “Este é um momento histórico para a população atendida pelo SUS”, afirma o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da SBM-Regional Minas Gerais. “Para a SBM, é o cumprimento do papel de representar as pacientes, produzir conhecimento e participar ativamente da formulação de políticas na rede pública de saúde, que assiste atualmente cerca de 80% da população brasileira”, completa.

A solicitação à Conitec foi baseada em estudo científico de avaliação econômica e impacto orçamentário liderado por Lima Couto e pela mastologista Rosemar Rahal, membro do Departamento de Saúde Pública da SBM. Na elaboração do dossiê participaram também os fármaco-economistas Ludmila Perez Gargano e Fernando Zanghelini.

As mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama.

Estudos populacionais recentes indicam que os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam cerca de 5-10% do total dos cânceres, e aproximadamente metade desses casos hereditários de mama são causados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

Presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, com atuação destacada na Consulta Pública solicitada à Conitec e também na argumentação sobre a inclusão da testagem NGS no âmbito do SUS, a mastologista Alessandra Borba afirma que pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 têm mais chances de desenvolver vários tipos de câncer, como mama e ovário, entre outros. A mutação no gene BRCA representa um risco de 60-80% para câncer de mama e 20-40% para o de ovário. “Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é plenamente disponibilizado na rede pública”, ressalta.

A partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), indicam importante impacto em redução do desenvolvimento da doença, aumentando também as chances de algumas pacientes portadoras de mutação estarem vivas e reduzindo custos de novos tratamento evitáveis.

O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avaliou, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. “Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, destaca Alessandra Borba.

A incorporação da testagem NSG no SUS, segundo Lima Couto e Alessandra Borba, deve ser realizada de forma escalonada. “A inclusão do teste, com custos e impactos orçamentários definidos para uma população-alvo inicialmente restrita é o primeiro passo”, afirmam. “O que se espera nesse processo é uma ampliação progressiva e economicamente segura de testagem que vai permitir a construção gradual de uma linha de cuidados integral.”

Em sua argumentação frente à Conitec para inclusão do teste, Alessandra Borba destacou a importância de iniciar a linha de cuidado neste momento com os genes BRCA1 e BRCA2 tanto para câncer de mama como para câncer de ovário, o qual teve medicação de alto custo aprovada vinculada à testagem genética, e ainda não implementada. A mastologista destacou também a importância da incorporação da análise do gene TP53, também associado a câncer de mama hereditário, assim como outros cânceres, como parte de um processo contínuo de expansão dessa linha de cuidado devido a uma mutação fundadora nas regiões Sul e Sudeste do país. Na segunda fase de expansão, ressaltou, também é crítico olhar para testagem de familiares e prevenção real de câncer com estratégias redutoras de risco. Para isso, aconselhamento genético, acesso a exames como ressonância e também a cirurgias redutoras de risco com reconstrução são fundamentais para ampliar a custo-efetividade, reduzir a incidência de câncer, aumentar conhecimento genético da população, entre outros benefícios.

A jornada que culminou com a aprovação na Conitec foi iniciada na gestão anterior da entidade, sob a presidência do mastologista Tuffi Hassan. Conduzida pelo atual presidente da SBM, Guilherme Novita, a estratégia contou com contribuições dos mastologistas João Henrique e Alessandra Borba, do Departamento de Oncogenética, de Carlos Ruiz, do Departamento de Saúde Pública, de Annamaria Massaud Rodrigues dos Santos, do Departamento de Acesso e Direito dos Pacientes da SBM e de Daniel de Araújo Brito Buttros à frente do Departamento de Comunicação. A Sociedade Brasileira de Mastologia destaca ainda o apoio de importantes sociedades médicas, como a Associação Médica do Brasil, o Conselho Federal de Medicina e da sociedade civil organizada, em especial a FEMAMA, presidida pela médica Maira Caleffi, e de pessoas físicas que participaram da Consulta Pública da Conitec. A participação de pacientes, familiares e mastologistas foi decisiva.

“A SBM considera que este é apenas o início da caminhada. Nos próximos passos, a expectativa é de expansão da rede de aconselhamento genético, incorporação de cirurgias redutoras de risco e ampliação de critérios de investigação e genes a serem testados”, afirma Henrique Lima Couto. “O acesso ao teste genético não deve ser um privilégio do CEP onde a mulher se trata”, destaca Alessandra Borba em sua apresentação de defesa à Conitec.


Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) reúne-se com diretor do INCA para tratar de melhorias no atendimento ao câncer de mama na rede pública

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) reúne-se com diretor do INCA para tratar de melhorias no atendimento ao câncer de mama na rede pública

O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Dr. Guilherme Novita, juntamente com a Assessora Especial da Presidência, Dra. Monica Jourdan, realizou uma reunião com o diretor do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Dr. Roberto Gil, para discutir pautas estratégicas voltadas à ampliação e qualificação do atendimento a pessoas com câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante o encontro, Dr. Guilherme Novita apresentou demandas prioritárias da especialidade, com destaque para a participação ativa da SBM no Grupo Técnico de Câncer de Mama do Ministério da Saúde. A presença da Sociedade nesse colegiado visa contribuir com diretrizes baseadas em evidências científicas e na experiência clínica para aprimorar protocolos, diagnóstico precoce e tratamento oncológico.

Outro ponto central da reunião foi o pedido formal de apoio do INCA para a defesa e o incremento da reconstrução mamária na rede pública. A SBM reforçou a importância de garantir o acesso universal e oportuno à cirurgia reconstrutiva, direito legalmente assegurado às mulheres mastectomizadas pelo SUS, mas ainda sujeito a grandes desigualdades regionais e longas filas de espera.

“Tivemos a oportunidade de levar pautas essenciais para a melhoria da assistência. A reconstrução mamária é parte fundamental da reabilitação psicossocial e da qualidade de vida das pacientes, e precisamos de medidas concretas para ampliar esse serviço no sistema público”, afirmou o presidente da SBM.

O Dr. Roberto Gil, diretor do INCA, demonstrou receptividade às demandas e sinalizou alinhamento na busca por soluções que fortaleçam a política nacional de atenção oncológica. Novos desdobramentos deverão ser discutidos em próximas reuniões técnicas entre as instituições.

Sobre a SBM
A Sociedade Brasileira de Mastologia é a entidade científica que reúne os especialistas em patologias da mama no Brasil, atuando na defesa da saúde mamária, educação médica continuada e formulação de políticas públicas para o setor.

Sobre o INCA
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é o órgão do Ministério da Saúde responsável por coordenar as ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa oncológica no país.


Exame de Proficiência para obtenção do certificado de área de atuação em Oncogenética - 2026

Exame de Proficiência para obtenção do certificado de área de atuação em Oncogenética - 2026

Estão abertas as inscrições para o Exame de Proficiência para obtenção do Certificado de Área de Atuação em Oncogenética.

Participam do Exame as entidades: Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC), Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
O processo é conduzido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Representando um marco para a oncogenética no Brasil, essa etapa aprimora a prática clínica e traz mais segurança no manejo de pacientes com predisposição hereditária.

Confira o edital no site da AMB: https://amb.org.br/provas/


SBM Alerta: Apenas 20% das Pacientes do SUS Têm Acesso à Reconstrução Mamária Pós-Mastectomia

SBM Alerta: Apenas 20% das Pacientes do SUS Têm Acesso à Reconstrução Mamária Pós-Mastectomia

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) manifesta profunda preocupação com o abismo entre o direito garantido por lei e a realidade assistencial no Brasil. Levantamento recente revela que 80% das mulheres submetidas à mastectomia no Sistema Único de Saúde (SUS) não realizam a cirurgia reconstrutiva, comprometendo a saúde física, psíquica e social de milhares de pacientes.

Enquanto na rede suplementar (planos de saúde) cerca de 75% das pacientes conseguem a reconstrução, no setor público a realidade é invertida. "Estamos falando de mulheres, muitas com menos de 50 anos, que têm suas vidas conjugais e profissionais impactadas pela não realização de um procedimento que é um direito assegurado", afirma o Dr. Guilherme Novita, presidente da SBM.

Barreiras Financeiras e Operacionais

A SBM identifica que o principal entrave para a universalização do acesso não é a falta de norma legal, mas a insuficiência do repasse financeiro. Atualmente, o SUS paga em média R$ 500 por uma reconstrução, valor que não cobre sequer o custo de uma prótese, que raramente é encontrada por menos de R$ 1.000 no mercado.

Como consequência direta:

  • A maioria dos hospitais públicos não realiza o procedimento por incapacidade de absorver o prejuízo financeiro.
  • Formam-se extensas filas de reconstrução tardia, que geram custos maiores ao sistema devido a novas internações e levam muitas pacientes à desistência.

Evolução Legislativa: A Lei nº 15.171/2025

A SBM destaca a importância da Lei nº 15.171/2025, em vigor desde o ano passado, que ampliou o escopo da legislação anterior (Lei nº 9.797/1999). O novo dispositivo garante a reconstrução não apenas em casos de câncer, mas também para:

  • Malformações e mamas tuberosas.
  • Grandes assimetrias e gigantismo.
  • Simetrização da mama contralateral, etapa crucial para o equilíbrio estético e funcional.

O Posicionamento da SBM

A Sociedade Brasileira de Mastologia defende que a reconstrução mamária deve ser compreendida como etapa indissociável do tratamento oncológico, e não como um procedimento eletivo ou estético.

A entidade urge por um aprimoramento urgente nas políticas públicas e no reajuste da tabela de procedimentos para que a Lei seja cumprida de forma imediata na rede pública. “Nossa perspectiva é curar não apenas o câncer, mas a pessoa que passa pela doença”, conclui Novita.


Diretriz de Câncer e Obesidade

É com grande satisfação que compartilhamos com você a nova Diretriz de Câncer e Obesidade, um documento técnico inédito desenvolvido para qualificar e orientar o cuidado de pacientes que enfrentam ambas as condições.

Sabemos que a associação entre obesidade e câncer apresenta desafios complexos no manejo clínico. Por isso, este material foi construído de forma colaborativa por 13 organizações de referência, unindo expertises multidisciplinares para oferecer parâmetros claros e adaptações necessárias ao tratamento.

O que você encontrará nesta diretriz:

  • Orientações para o manejo clínico e de suporte assertivo de pacientes com ambas as condições
  • Apontamento de adaptações técnicas e estruturais necessárias para o tratamento de pacientes.
  • Estratégias para aprimoramento do cuidado dos pacientes

Reforçamos nosso compromisso em fornecer ferramentas que elevem o padrão do cuidado oncológico no Brasil. O documento completo está disponível no link abaixo:

https://www.oncoguia.org.br/conteudo/board-de-cancer-e-obesidade/18094/1428/

Esperamos que este material seja de grande valia para sua atuação.


SBM Mobiliza Governo e Órgãos de Classe para Garantir Aplicação de Leis no Combate ao Câncer de Mama

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) apresentou formalmente ao Ministério da Saúde, ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e à Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) um conjunto de propostas estratégicas visando reverter o cenário crítico da assistência oncológica no Brasil.

O foco central da mobilização é a aplicação efetiva das legislações vigentes e a expansão do rastreamento mamográfico no Sistema Único de Saúde (SUS), onde a cobertura atual é de apenas 33%, metade do índice de 70% recomendado pela SBM para reduzir diagnósticos em estágios avançados.

Reconstrução Mamária e Valorização Profissional

Um dos pontos mais críticos apresentados ao Ministério da Saúde é o baixo índice de reconstruções mamárias no SUS: apenas 20% das mulheres submetidas à mastectomia têm acesso ao procedimento.

"Propusemos uma revisão na remuneração mínima aos especialistas para viabilizar essas cirurgias na rede pública e parcerias para cursos de aperfeiçoamento subsidiados a estudantes de medicina", destaca o Dr. Guilherme Novita, presidente da SBM.

Alianças Estratégicas: Jurídica e Acadêmica

  • Conamp: A parceria com o Ministério Público será intensificada para fornecer suporte técnico-científico que embase ações judiciais em defesa do direito das pacientes ao tratamento tempestivo.
  • CFM: A SBM declarou apoio oficial ao projeto de exame de proficiência obrigatório para egressos de medicina, visando elevar o padrão de qualidade no atendimento à população.
  • GT Câncer de Mama (Inca): A SBM passará a integrar o Grupo de Trabalho coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer para o aprimoramento de políticas públicas de custo-efetividade.

Compromisso com o SUS

Com 75% da população brasileira dependente do sistema público, a SBM reitera que sua missão é transformar intenções em políticas práticas. “Nossos esforços são direcionados a quem mais precisa, garantindo que o diagnóstico precoce não seja apenas uma possibilidade teórica, mas um direito exercido”, conclui Novita.


Estudo inédito expõe as diferenças no enfrentamento do câncer de mama no SUS e na rede particular

Estudo inédito expõe as diferenças no enfrentamento do câncer de mama no SUS e na rede particular

Investigação de grande escala, com mais de 65 mil mulheres no Estado de São Paulo, quantifica discrepâncias no diagnóstico e tratamento e indicam a urgência de políticas públicas estruturais para a equidade no cuidado mamográfico

Um estudo amplo, realizado com mais de 65 mil mulheres no Estado de São Paulo, revela a acentuada desigualdade no diagnóstico e tratamento do câncer de mama nas redes pública e privada de saúde. Por ser uma das poucas pesquisas populacionais de grande escala a quantificar rigorosamente de que forma as diferenças no sistema de saúde dual brasileiro impactam a sobrevida das pacientes no longo prazo, o estudo torna-se ainda mais relevante e sinaliza ainda a necessidade de políticas públicas estruturais para fortalecer a equidade no cuidado mamográfico não apenas no Estado, mas em todo o País.

O estudo “Determinantes relacionados à assistência médica no prognóstico do câncer de mama em São Paulo, Brasil: Uma coorte populacional”, publicado pela Clinical Breast Cancer (Elsevier), conceituada revista científica internacional, tem a coordenação de Gustavo Nader Marta, médico titular do Departamento de Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês. A investigação envolve também pesquisadores com atuação no Brasil, Canadá e nos Estados Unidos.

A pesquisa se baseia em dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP), instituição vinculada à Secretaria de Saúde do Estado. No período de 2000 a 2020, foram avaliadas 65.543 mulheres com câncer de mama. Um grupo de pacientes foi atendido no SUS (Sistema Único de Saúde); o outro, pela saúde suplementar, que contempla operadoras e planos privados. De acordo com Gustavo Marta, o registro da FOSP “é particularmente robusto e representativo em comparação com outros registros estaduais, por sua longa história, ampla cobertura populacional e práticas padronizadas de notificação”.

O levantamento identificou que mulheres assistidas pelo sistema privado foram diagnosticadas com maior frequência em estadios iniciais do câncer de mama. Na saúde suplementar, 41% das pacientes receberam diagnóstico no estadio I da doença. No SUS, foram 21%. Casos avançados (estadios III e IV) foram significativamente predominantes no sistema público.

A pesquisa também investigou a sobrevida global das mulheres no período de 10 anos, considerando os estadios I, II, III e IV da doença. No sistema privado, a sobrevida para estadio I chega a 81,6% contra 77,5% no SUS. No estadio II, são 74% contra 63,3%; 55,6% contra 39,6% (estadio III), e 7,6% contra 6,4% (estadio IV). A análise multivariada demonstrou que o tratamento no sistema privado esteve associado a uma redução de 41% no risco de morte.

“No contexto brasileiro, o estudo mostra que o sistema onde a paciente é tratada tem impacto mensurável na sobrevida, mesmo após controle para variáveis clínicas importantes”, constata Gustavo Marta, que completa: “Em oncologia, tempo é prognóstico. O diagnóstico mais tardio observado no sistema público ajuda a explicar parte das diferenças encontradas.”

Além de reforçar a extrema relevância e robustez do estudo que evidencia discrepâncias entre diagnóstico e tratamento nas redes pública e privada, o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), também participante da pesquisa, avalia que “os resultados refletem, provavelmente, o acesso à mamografia mais facilitado às mulheres atendidas por planos de saúde”.

Embora reconheça o acesso ampliado pelo SUS ao tratamento oncológico nas últimas décadas, o representante da SBM ressalta que há inúmeros desafios a serem vencidos na rede pública de saúde.

No enfrentamento do câncer de mama, neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo, a mamografia de rastreamento permanece como a estratégia de saúde pública mais eficaz para a detecção precoce da doença, permitindo tratamentos menos agressivos e melhores taxas de sobrevida.

No entanto, mesmo com o rastreamento regular a partir dos 40 anos de idade, recomendação do Ministério da Saúde, aliado aos esforços das principais associações médicas brasileiras para o enfrentamento efetivo da doença, a cobertura mamográfica pelo SUS atinge atualmente apenas 33% da população-alvo no País. “O desejável é que 70% das mulheres façam o exame todos os anos”, diz Buttros.

Para Gustavo Marta e Daniel Buttros, os resultados deste estudo de grande escala que perfila a realidade do câncer de mama no Estado de São Paulo sugerem, também em nível nacional, que diferenças estruturais no acesso ao diagnóstico precoce, organização do cuidado e infraestrutura assistencial podem influenciar diretamente os desfechos oncológicos, representando melhor qualidade de vida para as mulheres brasileiras.


Release - Câncer de Mama SBM

Sociedade Brasileira de Mastologia muda a forma de se comunicar sobre o câncer de mama com a população

No projeto que prioriza a informação clara e genuína para contemplar regionalidades e mulheres de todas as idades e classes sociais, SBM quer ampliar o alcance de informações baseadas em Ciência e conhecimento médico

No propósito de informar sobre o câncer de mama, com base em conhecimento médico e comprovações científicas, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) muda a forma de se comunicar e investe em estratégias para engajar a população. “Seja pelas mídias digitais ou por canais oficiais da entidade, nosso projeto visa entregar informações cada vez mais diretas para impactar as mulheres brasileiras sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento da doença”, afirma o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da SBM.

Na nova proposta de comunicação, a SBM traz não somente médicos e especialistas para as principais discussões da atualidade sobre câncer de mama, mas também pacientes que, segundo Buttros, têm a oportunidade conversar sobre suas dúvidas, experiências e demandas do dia a dia.

“No site e nos outros canais oficiais da SBM, assim como nas mídias digitais, nosso empenho é por uma comunicação clara, genuína, de um jeito plural que contemple mulheres de todas as idades, classes sociais e regionalidades para levar uma mensagem extremamente confiável sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de uma doença de alta incidência não só no Brasil, mas em outros países”, reforça o mastologista.

Já no primeiro projeto de 2026, que será realizado na Semana Nacional da Mamografia, a SBM traz temas discutidos sob a perspectiva de pacientes que compartilham relatos da vida real e reforçam a importância de não terem acreditado em desinformação. Elas também inspiram outras mulheres nos cuidados e na busca de orientações confiáveis.

Nos canais oficiais da entidade, vários temas serão debatidos na próxima semana, entre os quais se destacam a importância da mamografia no diagnóstico da doença e a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento a partir dos 40 anos de idade. Ainda sobre o exame, queixas comuns das mulheres, como dor no pela compressão das mamas, também entram no debate e são acompanhadas de estratégias para diminui o incômodo, como a realização após a menstruação.

“No que se refere a informações sobre câncer de mama, observo que algumas mídias e o movimento nas redes sociais estão na contramão da ciência e a favor de prejuízos”, afirma Buttros. Os “prejuízos” podem ser mensurados pelo aumento do número de casos da doença, que segundo projeção do Inca (Instituto Nacional de Câncer) chegam a 74 mil novos casos.

Para Daniel Buttros, os investimentos da Sociedade Brasileira de Mastologia em comunicação pretendem combater a desinformação ao mesmo tempo que proporcionam maior entendimento da população brasileira sobre câncer de mama. “Todos os esforços neste sentido convergem para tornar realidade um slogan que, para nós, é um princípio: ‘Na SBM você pode confiar’”, conclui.


Relatório Gestão do Triênio 2023-2025

Relatório de Gestão - Triênio 2023-2025

A gestão 2023-2025 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) foi marcada por um ciclo de avanços expressivos e conquistas históricas que reafirmaram o protagonismo da entidade no cenário da saúde nacional. Este relatório apresenta um balanço detalhado das ações e resultados que consolidaram a SBM como uma instituição mais forte, moderna, inclusiva e comprometida com a ciência, a valorização profissional e a vida das mulheres brasileiras.

Ao longo deste triênio, a SBM fortaleceu sua estrutura de governança com a criação do Regimento Interno e a modernização de sua plataforma digital, garantindo mais transparência e eficiência na gestão. Na frente educacional e científica, a Sociedade expandiu fronteiras com a realização de cursos internacionais, o lançamento de uma videoteca exclusiva para sócios e o reconhecimento da Oncogenética como área de atuação, um marco para a especialidade.

No campo das políticas públicas, a gestão alcançou uma vitória histórica com a ampliação da faixa etária para o rastreamento mamográfico no SUS, uma medida que impactará diretamente a saúde de milhares de mulheres. O compromisso com a equidade foi reforçado com a criação do primeiro Departamento de Saúde Inclusiva em uma sociedade médica no Brasil, uma iniciativa pioneira que busca garantir um cuidado mais justo e acessível a todas as pessoas.

As ações de comunicação e engajamento atingiram patamares recordes, com uma presença sem precedentes na mídia nacional e um forte investimento em plataformas digitais. A campanha “Outubro Rosa”, sob o lema “Juntos Somos Mais Fortes”, uniu sete importantes sociedades médicas em uma aliança inédita, amplificando a mensagem de prevenção e cuidado em todo o país.

Este documento detalha as realizações de uma gestão que, com planejamento, responsabilidade e união, entregou uma SBM mais sólida, representativa e preparada para os desafios do futuro. Convidamos você a conhecer os resultados que marcaram este triênio e que reforçam o compromisso da Sociedade Brasileira de Mastologia com a excelência na mastologia e a saúde da mulher.

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