Quando ocorrem as recidivas tumorais ou metástases

Quando ocorrem as recidivas tumorais ou metástases

Quando o câncer de mama retorna
Celebridade americana volta ser diagnosticada com a doença depois de 25 anos e causa reflexão

O anúncio da atriz e cantora Olivia Newton-John, conhecida pelo filme "Grease: nos tempos da brilhantina", (1978), de que seu câncer de mama voltou e se espalhou para a parte inferior das costas traz à tona uma discussão sobre quando e porque há reincidência da doença. No caso da celebridade americana, que desde o primeiro diagnóstico, em 1992, tem levantado fundos para pesquisa e tratamento dessa patologia, se passaram mais de duas décadas, o que para muitos é algo surpreendente. No entanto, para especialistas essa possibilidade é mais comum do que se imagina e, por isso, é essencial um acompanhamento médico contínuo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, a chance de ocorrer as recidivas tumorais ou metástases depende de vários fatores. Segundo a entidade, há, atualmente, alguns tipos de câncer de mama mais agressivos (triplo negativos) e que apresentam maior possibilidade de voltar precocemente nos primeiros dois anos. Outros tumores como os ditos luminais (com forte expressão de receptores de estrogênio e progesterona – conhecidos como hormonais sensíveis) são menos agressivos e podem sim retornar mais tarde, inclusive após 10 ou 15 anos.

De acordo com o mastologista André Mattar, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, os locais mais comuns de metástase são ossos, pulmões, fígado e cérebro. A que apresenta melhor prognóstico é a metástase óssea, com sobrevida mais longa devido à resposta dessas lesões à terapia hormonal e outros tratamentos. “Muitas vezes só a biópsia poderá definir se é metástase ou um novo tumor”, afirma o doutor.

Para ele, no caso da celebridade americana não há dúvidas de que os hábitos saudáveis e exercícios físicos adotados pela atriz durante anos colaboraram para o aumento do tempo da recidiva, assim como sua sobrevida (tempo de vida após o diagnóstico do câncer). “Mas precisamos lembrar que o tipo do câncer (responsivo a hormônios, por exemplo) deve ser a principal causa deste tempo longo”, explica ele.

Para as mulheres que já tiveram câncer de mama, a SBM recomenda de acordo com estudos atuais e guidelines de todas as entidades médicas mundiais, a realização de exames clínicos periódicos (de seis em seis meses nos primeiros dois anos e depois anual) e a mamografia anual. Caso haja alguma suspeita parte-se para investigação com exames de imagem. “O essencial é o acompanhamento de um mastologista para avaliação periódica, pois simplesmente realizar exames de forma aleatória não faz sentido e, ainda, provoca ansiedade e estresse, muitas vezes desnecessários”, ressalta Mattar.

O mastologista finaliza, afirmando que em relação ao tempo que se descobre a volta do câncer, não há qualquer diferença na sobrevida se a doença metastática for descoberta cedo ou tarde. Segundo ele, o que é diferente é quando o câncer é descoberto na primeira vez em estágio inicial. “Nesse caso quanto menor o tumor e menos envolvimentos dos gânglios, maior a chance de cura”, conclui.


Menos de 40% dos brasileiros praticam esporte ou atividade física

Menos de 40% dos brasileiros praticam esporte ou atividade física

Menos de 40% dos brasileiros praticam algum tipo de esporte ou atividade física, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015. Recorte feito com pessoas de 15 anos ou mais aponta que apenas 37,9% dos entrevistados não foram sedentários no ano anterior à pesquisa, entre setembro de 2014 e setembro de 2015. A porcentagem corresponde a 61,3 milhões dos 161,8 milhões com a idade da amostra.

Os dados suplementares são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O futebol é o esporte mais praticado, com 39,3% das respostas. Entre as atividades, a caminhada é a mais praticada, por 49,1%.

Ao todo foram 71.142 pessoas com 15 anos ou mais em todos os estados e no Distrito Federal participando da pesquisa. A pergunta inicial questionava se a pessoa praticou algum esporte em tem tempo livre entre 27 de setembro de 2014 e 26 de setembro de 2015 (período de referência de 365 dias de pesquisa), e na qual a modalidade.

Livremente da resposta, os entrevistados também responderam se praticavam alguma atividade física que não consideravam como esporte, e também a modalidade.

Por último, a pesquisa mostra uma prática maior entre os homens, os mais jovens, a população com maior escolaridade e maior renda. Isso ocorre principalmente em relação às atividades classificadas como esporte.

Amazonas é o estado que tem mais “esportistas”, com 32,2% de sua população pesquisada; enquanto o Rio de Janeiro aparece percentualmente em último lugar, com 18,9%.

Entre homens e mulheres, a diferença nas atividades físicas é menor, e o Distrito Federal lidera entre as unidades da federação, com 28,5% de praticantes. Mato Grosso é o estado com a menor taxa, de 9%.

As principais motivos apontados para o sedentarismo são falta de tempo e problemas de saúde, ou até mesmo idade avançada – o que, segundo a pesquisa, indica que a falta da atividade está menos relacionada à infraestrutura disponível e à renda.

Veja abaixo alguns dos resultados considerando os dados globais (esporte e atividades físicas):

Regiões e estados

O Centro-Oeste e Sul são as regiões que têm mais pessoas ativas, com 41% e 40,8% de respostas positivas. Seguidos por Sudeste (37,5%), Norte (36,6%) e Nordeste (36,3%).

Entre os estados, o Distrito Federal teve os maiores percentuais, com 50,4% de entrevistados praticamente de esporte ou atividade física. Alagoas teve a menor proporção, com 29,4% de resposta positiva.

Gênero

Os homens costumam realizar mais atividades físicas – 53,9% dos que disseram realizar alguma prática esportiva ou física foram homens, e 46,1% mulheres – apesar de elas representarem 52,2% da população com 15 anos ou mais. Isso se repete em todas as grandes regiões pesquisadas.

Idade

A pratica de esportes é maior nos grupos com menos idade. Entre as pessoas com 15 e 17 anos, 53,6% realizam atividades – a taxa fica acima de 50% em todas as regiões, sendo maior na Norte e Sul (57,8%); entre os com 60 anos ou mais, apenas 27,6% disseram fazer exercício ou atividade física. Em todos os grupos  etários, apenas a região Sul teve percentuais maiores aos registrados para todo o país.

Escolaridade

O número de praticantes de esporte ou atividade física cresce quanto maior é a escolaridade – é de 17,3% entre os sem instrução, 36,6% entre os com ensino fundamental completo, 43% entre os com ensino médio completo e 56,7% entre os que possuem ensino superior completo. A região Centro-Oeste também se destaca, desta vez entre os sem instrução – 23,6% deles fazem alguma atividade em MT, MS e GO. Na região Sul, 61,2% da população com nível superior deu resposta positiva à pesquisa.

Nível econômico

Também há uma relação positiva entre as práticas e o rendimento médio mensal per capita: 31,1% dos que recebem até meio salário mínimo realizam atividades, contra 63,9% entre quem tem rendimento superior a 5 salários mínimos. Nas classes de menor nível econômico as mulheres possuem proporções bem menores de prática esportiva, em todas as regiões.

Não praticantes

100,5 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não praticaram esporte ou atividade física no período considerado, sendo a porcentagem de 66,6% entre as mulheres e 57,3% entre os homens. O Nordeste tem as maiores taxas, com 63,7%.

Investimentos

73,3% dos homens e mulheres afirmaram que o poder público deveria investir mais no setor – sendo esta taxa maior no Centro-Oeste (75,3%) entre as regiões e no Piauí (80,3%) entre os estados.

Divisão entre esporte e atividade física

Parte da amostra declarou praticar tanto esporte quanto atividade física, e a classificação das práticas foi feita pelos entrevistados – por isso, algumas modalidades aparecem nas duas divisões. Confira abaixo os principais resultados divididos por esporte e atividade física:

Esporte

Entre os entrevistados, 24% deram resposta positiva sobre a prática de esporte – com uma diferença significativa entre os gêneros: 24,5 milhões eram homens (63,2%), e 14,3 milhões, mulheres (36,8%). Ou seja: 31,7% dos homens entrevistados responderam sim, contra apenas 16,9% das mulheres.

O Amazonas é o estado com mais praticantes de esporte – 32,2% da população com mais de 15 anos. Rio de Janeiro teve a menor taxa – 19,9%.

Na divisão por idade, 44% das pessoas com 15 a 17 anos declararam ter praticado esporte no ano anterior, contra 13,4% entre os com mais de 60 anos.

Em relação ao nível de instrução, apenas 9% dos entrevistados que não tiveram estudo formal disseram sim; entre os com ensino superior completo, a taxa sobe para 35,1%.

O futebol é o esporte mais praticado (39,3% dos entrevistados) seguido de caminhada (24,6%). O futebol foi escolhido por 94,5% dos homens – entre as mulheres, o esporte mais citado foi dança e ballet (85%).

33,7% dos praticantes pagam para realizar o esporte escolhido. Em relação à frequência, na amostra total 26,3% realizam quatro ou mais vezes por semana, e 43% por mais de uma hora.

Entre os homens, a maior prevalência é de uma vez por semana (27,7%), e 50,4% por mais de uma hora. Mais mulheres costumam praticar quatro vezes ou mais (32,7%) semanalmente, mas com uma duração menor – 47,9% praticam de 40 minutos a uma hora por vez.

A pesquisa também questionou o motivo de quem não pratica esporte – 38,2% alegaram falta de tempo, 35% disseram não gostarem ou não terem vontade, e 19% alegaram problema de saúde ou idade. O tempo foi mais agravante para a população da região Sudeste (41,5% das respostas).

Entre os que não praticaram esporte no período de referência, 25,7% disseram ter praticado anteriormente (31,7 milhões), sendo 59,6% homens e 40,4% mulheres. Falta de tempo e problemas de saúde e/ou idade também foram os motivos mais alegados para a interrupção da prática esportiva.

No total, 91,3 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais nunca praticaram esporte (56,6%) – entre as mulheres, a proporção é de 67,9%, contra 44% dos homens. A taxa de sedentários é maior no Nordeste (57,7%).

Atividade Física

A prática de atividade física foi realizada por 17,4% da população analisada – o que representa 28,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais. O número de homens e mulheres aqui é bem mais próximo – 15,7 milhões eram homens, enquanto 12,5 milhões mulheres.

Quatro estados tiveram taxa de atividade física maior que 25% – Rio Grande do Norte (25%), Paraíba (25,1%), Rio Grande do Sul (25,3%) e Distrito Federal (28,5%). Mato Grosso ficou em último lugar, com apenas 9% da população com resposta positiva.

Na faixa etária, os grupos entre 18 e 24 anos e 25 a 39 anos tiveram mais resultados positivos, com 18,9% e 18,2%, respectivamente.

O nível de instrução também teve influência na prática de atividade, com 28,7% dos com superior completo dando resposta positiva.

A principal atividade física praticada é caminhada (49,1%), seguida de fitness ou academia (16,8%). A caminhada aparece ainda mais entre as mulheres (63,9%). Entre os homens, a maior parte declarou o futebol também como atividade física (94,4%), seguido de corrida (79,2%) e andar de bicicleta (69,1%).

A frequência semanal das atividades físicas foi maior do que a registrada entre quem faz esporte – 37,7% praticam quatro vezes ou mais, e apenas 8,4% só uma vez por semana. Entre as mulheres, 62,9% praticam três vezes ou mais por semana, enquanto entre os homens a taxa é de 55%. A duração mais comum é de 40 minutos a uma hora.

Fonte: Jornal G1 - http://g1.globo.com/bemestar/noticia/menos-de-40-dos-brasileiros-dizem-praticar-esporte-ou-atividade-fisica-futebol-e-caminhada-lideram-praticas.ghtml


Hereditariedade não é o principal fator de risco para casos de câncer de mama

Hereditariedade não é o principal fator de risco para casos de câncer de mama

A semelhança entre mães e seus filhos na maioria das vezes é visto como algo positivo, afinal, que mãe não gosta de se ver nos traços de seus pequenos? Porém, quando essa mãe tem câncer de mama, a genética passa a assustar principalmente às filhas que acreditam que serão assombradas pela doença a qualquer momento. Por isso, neste Dia das Mães, a Sociedade Brasileira de Mastologia esclarece que é mito pensar que a hereditariedade é o principal fator de risco em casos de câncer de mama. Estudos comprovam que apenas 5% a 10% de casos têm de fato na sua base uma composição genética familiar, ou seja, em sua maioria a causa do câncer de mama é chamada de tumores esporádicos, que acontecem ao acaso.

Ainda assim, mesmo não sendo o principal fator para a doença, testes genéticos podem ser realizados em mulheres com alto risco de mutações associadas ao câncer de mama. Porém, recente estudo publicado pelo JAMA, o Jornal da Associação Americana de Medicina, revelou que médicos costumam não recomendar este tipo de exame para pacientes nestas condições. "Mulheres têm muito interesse em testes genéticos, mas muitas não recebem indicação para fazê-los", afirmou Allison Kurian, professora de Medicina na Universidade de Stanford e principal autora do estudo. "Isso é particularmente preocupante porque significa que os médicos estão perdendo a oportunidade de prevenir o câncer em portadoras de mutações e membros da família", acrescentou.

O estudo identificou que cerca de 60% das pacientes que não realizaram o teste afirmaram que não fizeram porque seus médicos não recomendaram e apenas 40% de todas as mulheres com alto risco relataram receber aconselhamento genético para ajudá-las a decidir ou entender os resultados. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antonio Luis Frasson, os resultados são preocupantes porque os testes podem ser uma ferramenta poderosa para mulheres de grupos de risco. “Por mais que a genética não seja o principal fator de risco para a doença, não podemos negar o direito da mulher de entender e decidir que tipo de cirurgia ela pode optar para tratar um câncer de mama ou tratamentos para tentar diminuir o risco de desenvolver novos cânceres no futuro.”

Segundo Frasson, o percentual de mulheres que faz o teste no Brasil é muito inferior ao que seria o recomendado. No sistema público, porque não está disponível, e fora dele, na maioria das vezes, por falta de informação e desinteresse.


SBM defende tratamento de câncer de mama metastático no SUS

SBM defende tratamento de câncer de mama metastático no SUS

Uma questão que aparece com frequência durante surtos de doenças infecciosas é: Quem está em tratamento contra o câncer, ou quem já tratou, pode ser vacinado? Esta questão já apareceu anteriormente com o surto de gripe H1N1 e agora volta com o novo surto de febre amarela.

A resposta rápida é NÃO, quem está em tratamento que possa causar baixa da imunidade não deve receber a vacina contra a febre amarela.

Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da febre amarela, dengue, zika e chikungunya.

Para entender porque são necessários alguns conhecimentos sobre a imunidade, o tratamento do câncer e sobre a composição das vacinas.

Os vírus e bactérias que atacam nosso corpo possuem uma composição de moléculas diferentes das nossas. Nossa imunidade natural funciona identificando essas partes das bactérias ou dos vírus, e assim criando anticorpos capazes de identificar essas substâncias. Os anticorpos, por sua vez, são moléculas produzidas pelas nossas células de defesa, direcionadas contra essas substâncias dos agentes invasores, como uma bala teleguiada. Os anticorpos são produzidos por uma célula de defesa, conhecida como linfócito B, e em seguida despejados no sangue. O anticorpo então circula pelo corpo e, assim que encontra o agente invasor, se gruda a ele. Isto faz com que este agente invasor se torne visível para as demais células de defesa, que então destroem o vírus ou bactéria que está grudado ao anticorpo.

Este processo de identificação da bactéria ou vírus até a produção dos anticorpos leva alguns dias para se completar. Por isso que, em geral, demoramos entre 3 a 7 dias para ficar curados de um resfriado. Os anticorpos feitos desta maneira geram o que chamamos de memória imunológica. Sempre que o mesmo agente invasor tentar entrar no corpo novamente nós já teremos os anticorpos e o sistema imunológico irá destruir o agente invasor antes que ele possa nos fazer ficar doentes por uma segunda vez.

É por causa desta característica da memória imunológica que as vacinas são tão eficazes na prevenção de doenças infecciosas. A ideia é “treinar” as células de defesa com as vacinas para que elas aprendam a combater a doença, sem precisar que nós fiquemos doentes.

Existem tipos diferentes de vacinas. Algumas são feitas com vírus ou bactérias mortas. Quando são injetados em uma pessoa, o sistema imunológico consegue reconhecer as partes das bactérias e vírus mortos e fazer anticorpos que ficam “guardados”. Se por acaso a pessoa entrar em contato com o vírus vivo ela já terá as armas para combater a doença, e não ficará doente. Este é o caso das vacinas da gripe, do tétano, da meningite, do pneumococo, da hepatite e do HPV.

Um outro tipo de vacina é feita com vírus ou bactérias vivas atenuadas. Neste tipo de vacina o vírus ou bactéria é modificado em laboratório para ficar bem mais fraco, com pouca capacidade de causar qualquer tipo de doença. Assim quando é injetado o agente invasor não consegue se espalhar no corpo e a imunidade rapidamente consegue destruí-lo, fazendo também anticorpos. Estes anticorpos funcionarão caso a pessoa entre em contato com o vírus ou bactéria normal, impedindo que a pessoa fique doente. Este é o caso das vacinas com BCG, sarampo, caxumba, catapora, poliomielite (gotinha, Sabin), febre amarela e rubéola.

Em geral essa imunidade é permanente, quem já teve uma doença não tem a mesma doença de novo. O que acontece com o caso da gripe é que o vírus muda muito rapidamente, de um ano para o outro. Ele muda tanto que consegue escapar dos anticorpos que nós possamos já ter. Por isso é importante se vacinar todos os anos. Todos os anos é feita uma nova vacina, para atacar essas novas partes do vírus que mudam com o tempo.

Qual é o problema de tomar a vacina durante um tratamento contra o câncer?

A pessoa que está em tratamento pode estar usando medicamentos, como a quimioterapia, que reduzem a imunidade e a capacidade de lutar contra bactérias e vírus. Para estas pessoas, mesmo o vírus ou bactéria atenuado e enfraquecido pode ser um problema. A pessoa sem imunidade pode ficar doente se entrar em contato com as bactérias ou vírus atenuados destas vacinas. Logo, pessoas em tratamento contra o câncer, que estejam com imunidade baixa, não podem de nenhuma maneira tomar vacinas com vírus ou bactérias vivos e atenuados.

Já as vacinas de vírus ou bactérias mortos não são capazes de causar nenhum problema para a pessoa em tratamento. A questão aqui é que talvez essas vacinas não sejam eficazes. Como a imunidade está baixa pelo tratamento, é possível que o corpo não consiga produzir os anticorpos. A pessoa então teria tomado a vacina “à toa”. Para saber se a vacina funcionou a única maneira é fazer um exame de sangue, depois de algumas semanas, e medir a quantidade de anticorpos.

Depois de 3 a 6 meses do fim do tratamento a imunidade volta completamente ao normal. Qualquer pessoa que esteja nessa situação pode fazer qualquer vacina sem nenhum problema.

E o que fazer agora durante o surto de febre amarela?

Esta vacina é feita de vírus vivo atenuado. Caso a pessoa esteja em tratamento, e este tratamento cause a baixa de sua imunidade, pode ser que pessoa venha a desenvolver a doença pela vacina. Com a imunidade baixa, mesmo os vírus mais fracos das vacinas podem ser capazes de deixar a pessoa doente. A recomendação é fazer a vacina antes de se iniciar o tratamento com quimioterapia.

Não são todos os tratamentos contra o câncer que baixam a imunidade, para saber a recomendação ideal para cada pessoa é necessário uma conversa com o oncologista.

Caso a pessoa já esteja em tratamento com medicamentos que baixem a imunidade não é possível tomar a vacina contra a febre amarela, logo deve se tomar todo o cuidado para evitar as picadas de mosquitos com medidas como o uso de repelentes de insetos e instalação de telas. Obviamente, estas medidas devem ser aliadas ao combate ao mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, o mesmo mosquito da dengue, com as medidas que todos nós conhecemos. O foco é acabar como os criadouros do mosquito, evitando acúmulo de água parada.

Fonte: Dr. Felipe Ades, do Blog Oncologia de hoje e amanhã
http://drfelipeades.com/2017/01/18/cancer-e-vacinacao-contra-a-febre-amarela-quem-ja-teve-cancer-ou-esta-em-tratamento-pode-ser-vacinado/


Pacientes de câncer podem ser vacinados contra febre amarela?

Pacientes de câncer podem ser vacinados contra febre amarela?

Uma questão que aparece com frequência durante surtos de doenças infecciosas é: Quem está em tratamento contra o câncer, ou quem já tratou, pode ser vacinado? Esta questão já apareceu anteriormente com o surto de gripe H1N1 e agora volta com o novo surto de febre amarela.

A resposta rápida é NÃO, quem está em tratamento que possa causar baixa da imunidade não deve receber a vacina contra a febre amarela.

Aedes Aegypti, o mosquito transmissor da febre amarela, dengue, zika e chikungunya.

Para entender porque são necessários alguns conhecimentos sobre a imunidade, o tratamento do câncer e sobre a composição das vacinas.

Os vírus e bactérias que atacam nosso corpo possuem uma composição de moléculas diferentes das nossas. Nossa imunidade natural funciona identificando essas partes das bactérias ou dos vírus, e assim criando anticorpos capazes de identificar essas substâncias. Os anticorpos, por sua vez, são moléculas produzidas pelas nossas células de defesa, direcionadas contra essas substâncias dos agentes invasores, como uma bala teleguiada. Os anticorpos são produzidos por uma célula de defesa, conhecida como linfócito B, e em seguida despejados no sangue. O anticorpo então circula pelo corpo e, assim que encontra o agente invasor, se gruda a ele. Isto faz com que este agente invasor se torne visível para as demais células de defesa, que então destroem o vírus ou bactéria que está grudado ao anticorpo.

Este processo de identificação da bactéria ou vírus até a produção dos anticorpos leva alguns dias para se completar. Por isso que, em geral, demoramos entre 3 a 7 dias para ficar curados de um resfriado. Os anticorpos feitos desta maneira geram o que chamamos de memória imunológica. Sempre que o mesmo agente invasor tentar entrar no corpo novamente nós já teremos os anticorpos e o sistema imunológico irá destruir o agente invasor antes que ele possa nos fazer ficar doentes por uma segunda vez.

É por causa desta característica da memória imunológica que as vacinas são tão eficazes na prevenção de doenças infecciosas. A ideia é “treinar” as células de defesa com as vacinas para que elas aprendam a combater a doença, sem precisar que nós fiquemos doentes.

Existem tipos diferentes de vacinas. Algumas são feitas com vírus ou bactérias mortas. Quando são injetados em uma pessoa, o sistema imunológico consegue reconhecer as partes das bactérias e vírus mortos e fazer anticorpos que ficam “guardados”. Se por acaso a pessoa entrar em contato com o vírus vivo ela já terá as armas para combater a doença, e não ficará doente. Este é o caso das vacinas da gripe, do tétano, da meningite, do pneumococo, da hepatite e do HPV.

Um outro tipo de vacina é feita com vírus ou bactérias vivas atenuadas. Neste tipo de vacina o vírus ou bactéria é modificado em laboratório para ficar bem mais fraco, com pouca capacidade de causar qualquer tipo de doença. Assim quando é injetado o agente invasor não consegue se espalhar no corpo e a imunidade rapidamente consegue destruí-lo, fazendo também anticorpos. Estes anticorpos funcionarão caso a pessoa entre em contato com o vírus ou bactéria normal, impedindo que a pessoa fique doente. Este é o caso das vacinas com BCG, sarampo, caxumba, catapora, poliomielite (gotinha, Sabin), febre amarela e rubéola.

Em geral essa imunidade é permanente, quem já teve uma doença não tem a mesma doença de novo. O que acontece com o caso da gripe é que o vírus muda muito rapidamente, de um ano para o outro. Ele muda tanto que consegue escapar dos anticorpos que nós possamos já ter. Por isso é importante se vacinar todos os anos. Todos os anos é feita uma nova vacina, para atacar essas novas partes do vírus que mudam com o tempo.

Qual é o problema de tomar a vacina durante um tratamento contra o câncer?

A pessoa que está em tratamento pode estar usando medicamentos, como a quimioterapia, que reduzem a imunidade e a capacidade de lutar contra bactérias e vírus. Para estas pessoas, mesmo o vírus ou bactéria atenuado e enfraquecido pode ser um problema. A pessoa sem imunidade pode ficar doente se entrar em contato com as bactérias ou vírus atenuados destas vacinas. Logo, pessoas em tratamento contra o câncer, que estejam com imunidade baixa, não podem de nenhuma maneira tomar vacinas com vírus ou bactérias vivos e atenuados.

Já as vacinas de vírus ou bactérias mortos não são capazes de causar nenhum problema para a pessoa em tratamento. A questão aqui é que talvez essas vacinas não sejam eficazes. Como a imunidade está baixa pelo tratamento, é possível que o corpo não consiga produzir os anticorpos. A pessoa então teria tomado a vacina “à toa”. Para saber se a vacina funcionou a única maneira é fazer um exame de sangue, depois de algumas semanas, e medir a quantidade de anticorpos.

Depois de 3 a 6 meses do fim do tratamento a imunidade volta completamente ao normal. Qualquer pessoa que esteja nessa situação pode fazer qualquer vacina sem nenhum problema.

E o que fazer agora durante o surto de febre amarela?

Esta vacina é feita de vírus vivo atenuado. Caso a pessoa esteja em tratamento, e este tratamento cause a baixa de sua imunidade, pode ser que pessoa venha a desenvolver a doença pela vacina. Com a imunidade baixa, mesmo os vírus mais fracos das vacinas podem ser capazes de deixar a pessoa doente. A recomendação é fazer a vacina antes de se iniciar o tratamento com quimioterapia.

Não são todos os tratamentos contra o câncer que baixam a imunidade, para saber a recomendação ideal para cada pessoa é necessário uma conversa com o oncologista.

Caso a pessoa já esteja em tratamento com medicamentos que baixem a imunidade não é possível tomar a vacina contra a febre amarela, logo deve se tomar todo o cuidado para evitar as picadas de mosquitos com medidas como o uso de repelentes de insetos e instalação de telas. Obviamente, estas medidas devem ser aliadas ao combate ao mosquito transmissor, o Aedes Aegypti, o mesmo mosquito da dengue, com as medidas que todos nós conhecemos. O foco é acabar como os criadouros do mosquito, evitando acúmulo de água parada.

Fonte: Dr. Felipe Ades, do Blog Oncologia de hoje e amanhã
http://drfelipeades.com/2017/01/18/cancer-e-vacinacao-contra-a-febre-amarela-quem-ja-teve-cancer-ou-esta-em-tratamento-pode-ser-vacinado/


Brasileiras têm dificuldades para fazer a mamografia na rede pública de saúde

Brasileiras têm dificuldades para fazer a mamografia na rede pública de saúde

O Bom Dia Brasil, da Rede Globo, fez um alerta sobre a queda acentuada do número de mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em vários estados do Brasil e em mulheres da faixa etária entre 50 e 69 anos. O levantamento foi realizado por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia em parceria com a Rede Goiana de Pesquisa. A matéria contou com a participação da Dra. Fernanda Salum, membro da SBM.

Confira a matéria na íntegra em Bom Dia Brasil


SBM alerta que “rosa” é o ano todo e prevenção é fundamental

SBM alerta que “rosa” é o ano todo e prevenção é fundamental

Na semana em que celebramos o Dia Nacional da Mamografia (05/02), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) faz um alerta às mulheres para que fiquem atentas o ano todo quanto à questão da prevenção e diagnóstico precoce. Embora, a entidade reconheça e valorize a importância do Outubro Rosa, ela lembra que o engajamento deve ser constante, pois o câncer de mama segue como a segunda maior causa de morte das mulheres no Brasil e esse quadro está longe de ser revertido. O câncer de mama acomete homens e mulheres, sendo 100 vezes mais frequente nas mulheres.

Diversos estudos questionam a idade e periodicidade ideal para realização do exame de mamografia rotineiro para as mulheres. Por isso, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), preocupada com o alto índice de tumores avançados que atinge nossa população, recomenda que a mamografia seja realizada anualmente nas mulheres a partir dos 40 anos para detecção do diagnóstico precoce. Esta recomendação deve-se a diversos fatores, incluindo a evidência de redução de 15 % de mortalidade em mulheres na faixa etária de 40 a 49 anos e cerca de 30% a partir dos 50 anos.

Soma-se aos dados acima, características próprias da população brasileira, com pirâmide etária mais jovem do que nos países europeus, dos quais foram realizados os maiores estudos, assim como incidência de cerca 20% a 40% dos casos de câncer de mama em mulheres entre 40 e 49 anos. Destaca-se que não existe exame perfeito. A realização da mamografia como um teste diagnóstico pode apresentar resultados falsos positivos (descrever uma alteração que não existe), assim como falsos negativos (existir um tumor e não aparecer no exame).

Desta forma, a SBM recomenda que as mulheres procurem o mastologista uma vez por ano para realizarem o exame clínico minucioso das mamas. Defende ainda, em conjunto com o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), um programa rigoroso de controle de qualidade das mamografias, já que um exame de maior qualidade permite melhor acerto diagnóstico, menos resultados falsos positivos, como consequente menor taxa de realização de biópsias, e menores resultados falsos negativos.

A Sociedade Brasileira de Mastologia também chama atenção para o acesso das mulheres com alterações clínicas ou radiológicas para que seja facilitado no Brasil, já que muitas vezes, entre o início dos sintomas e/ou percepção da alteração no exame, elas levem de 6 a 12 meses para procurar o especialista por falta de disponibilidade, sobretudo no serviço público. Este quadro drástico é lamentável e precisa ser modificado com urgência. Os cerca de dois mil mastologistas distribuídos por todo o Brasil estão mobilizados nesta causa, que é um problema de todos.

Além da realização de consultas e exames periódicos, a SBM reforça a necessidade da busca por hábitos saudáveis de vida, com prática regular de exercícios, dietas pobres em gordura, combate a obesidade e aumento da cintura abdominal, sabidamente relacionadas com o aumento do risco de desenvolver câncer de mama, sobretudo nas mulheres após a menopausa, como demonstram diversos estudos realizados.

Desta forma, salientamos os principais sintomas relacionados ao câncer de mama e orientamos as mulheres a procurarem o mastologista, o quanto antes na presença de um destes sintomas a saber:

Caroço nos seios
O nódulo pode ter o conteúdo líquido, conhecido como cisto, e geralmente é regular, móvel e não está relacionado a câncer. Nódulos sólidos, endurecidos e fixos geram uma maior preocupação.

Alergia nos mamilos
Traços vermelhos semelhantes à picada de inseto, erupção cutânea ou reação alérgica podem ser um aviso de doença grave e até mesmo câncer de mama.

Pele retraída
Alguns tumores podem crescer dentro da mama e repuxar a pele perto dele. Uma entrada na pele que não existia deve chamar a atenção.

Inchaço e sensação de calor
O inchaço do seio com a sensação de calor e peso pode ser um sinal de câncer de mama, principalmente quando for de um lado só.

Ferida nos seios
Aparição de ferida ou úlcera que não cicatriza.

Mudança na pele ao redor do mamilo
A pele que fica ao redor do peito fica mais quente, escamosa, vermelha ou inchada.

Saída de Secreção pelo mamilo (papila ou bico)
A aparição de secreção do tipo sangue ou água ou no bico do seio deve sempre ser investigada.

A Sociedade Brasileira de Mastologia é solidária com todas as famílias que sofrem com o diagnostico do câncer de mama. A entidade deseja que as pessoas acometidas por esta doença tenham rápido acesso aos meios diagnósticos e de tratamento, revertendo o triste quadro de lentidão e morosidade observado atualmente. Para a SBM, o seu direito é a nossa luta!


Nota oficial sobre o estudo Terapia de Conservação da Mama

Nota oficial sobre o estudo Terapia de Conservação da Mama

Em relação ao resultado do estudo divulgado no Congresso Europeu de Câncer 2017, na última segunda-feira (30/01/2017), que revelou que a terapia de conservação da mama tem, por diversas vezes, resultados superiores aos da mastectomia, a Sociedade Brasileira de Mastologia esclarece que:

  • A escolha da técnica cirúrgica para o tratamento do câncer de mama, seja para a retirada de todo o tecido mamário, que denominamos mastectomia, ou a retirada parcial, que recebe o nome de quadrantectomia, dependerá de uma série de fatores relacionados às características da paciente, da doença e até mesmo da disponibilidade de acesso a diferentes tratamentos. Essas diversidades tornam o assunto um pouco mais complexo do que simplesmente a definição de superioridade de uma ou outra técnica cirúrgica.
  • Fatores vinculados à paciente como a presença de outras doenças, além do câncer de mama, podem por vezes definir a necessidade de uma técnica em detrimento da outra. Pacientes portadoras de algumas doenças reumatológicas tornam a opção da mastectomia a melhor escolha, em decorrência da contra-indicação de radioterapia, que seria mandatória naquelas pacientes que são submetidas a quadrantectomia.
  • Além dos aspectos relacionados a cada paciente com câncer de mama, a decisão na escolha da técnica cirúrgica também está relacionada com a forma como o tumor se apresenta, e suas características. Por exemplo, tumores únicos e pequenos podem ser tratados com cirurgia conservadora da mama, mas tumores múltiplos na mama ou em diferentes focos, necessariamente implicam na realização de mastectomia porque todas as áreas de tumor devem ser retiradas com margem de segurança.
  • O tratamento que conserva a mama implica necessariamente na possibilidade de usar a radioterapia após a cirurgia. Então, este é um fator de extrema relevância e o acesso à radioterapia é imprescindível para que esta opção seja possível. Questões como a distância entre a moradia da paciente e o serviço de radioterapia, bem como a necessidade de permanência em até cinco semanas fora do seu domicílio podem definir a escolha de uma mastectomia em detrimento da quadrantectomia.
  • O que este estudo holandês, além de outros que vêm sendo publicados desde 2013 têm mostrado, é que os dois tratamentos podem ser escolhidos. A conservação da mama é tão eficaz quanto a mastectomia e, em algumas circunstâncias, pode ser melhor. A situação da paciente é que irá dizer qual é o melhor para o seu caso.
  • No Brasil, esta técnica é adotada desde que esses critérios sejam seguidos.
  • Estas análises estão sendo muito importantes porque desmistificam a idéia muitas vezes dominante na população de que ser radical é melhor. E reforçam também o conceito presente na cirurgia do câncer de mama de que muitas vezes menos é mais.

Rosemar Macedo Sousa Rahal
Profª Adjunta da Universidade Federal de Goiás

Antonio Luiz Frasson
Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia


Análise Crítica: Uma esperança para as pacientes evitarem a quimioterapia

Análise Crítica: Uma esperança para as pacientes evitarem a quimioterapia

A grande evolução da cirurgia no tratamento do câncer de mama reduziu muito o temor da mutilação cirúrgica. As técnicas de oncoplástica, entre outros desenvolvimentos, são os responsáveis. Hoje, o temor da paciente, além do risco da doença em si, é a quimioterapia e seus efeitos adversos. Como nas últimas décadas as indicações de quimioterapia se ampliaram, esse temor é corriqueiramente concretizado em realidade.

Ao mesmo tempo em que ampliaram as indicações de quimioterapia consolidou-se a noção de que a grande maioria das pacientes (mais de 90%), que preenchem os critérios de indicação, na realidade não se beneficiam do tratamento. Ou seja, para conseguir curar uma paciente que já foi operada com quimioterapia, precisamos tratar dezenas de outras desnecessariamente. A incapacidade de identificar as pacientes que não precisam ou não se beneficiam da quimioterapia está no centro do problema.

As tecnologias de identificação de perfil genético dos tumores são a ferramenta crucial para identificar uma grande parte das pacientes que não precisam e não se beneficiam do tratamento quimioterápico. A plataforma baseada em 70 genes denominada Mamaprint comprovou ser capaz de cancelar cerca de 46% dos tratamentos de quimioterapia no estudo Mindact. Isso representa não apenas a remoção do fantasma dos efeitos adversos da quimioterapia, mas uma redução de custos. Esse tipo de tecnologia será cada vez mais incorporada na tomada de decisão sobre o tratamento. Quem ganha com essa inovação são as pacientes e o sistema de saúde pela redução de gastos.

Por isso, as pacientes podem solicitar esta técnica ao seu mastologista, que pode avaliar se, no seu caso, a quimioterapia não tenha necessidade de ser indicada.

Dr. João Henrique Penna Reis
Responsável pela Comissão de Honorários


ICESP suspende inclusão de novos pacientes nos testes da “pílula do câncer”

ICESP suspende inclusão de novos pacientes nos testes da “pílula do câncer”

SÃO PAULO – O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), ligado à Faculdade de Medicina da USP, suspendeu a inclusão de novos pacientes nos testes da fosfoetanolamina sintética, a “pílula do câncer”, no tratamento da doença. Das 72 pessoas que foram tratadas até hoje, de 10 diferentes grupos de tumores, apenas um paciente do grupo de melanoma apresentou reação ao tratamento. Ele teve mais de 30% do tumor reduzido. No total, 20 pacientes seguem em observação.

O ICESP iniciou em agosto de 2016 a primeira etapa dos testes em humanos com a fosfoetanolamina sintética, com 10 pacientes. Nela se verificou os efeitos colaterais graves da substância. Desses 10, quatro deram continuidade para a segunda etapa, em outubro, e, nesta próxima etapa, a idéia era avaliar a substância em mais de 200 pacientes. Estes seriam divididos em grupos de 10 tipos de câncer diferentes – cada um com 21 pessoas – e tomariam três doses da pílula no período de seis meses. Quando três de cada um apresentasse alguma melhora, o mesmo seria acrescido de mais pacientes. Do contrário, aquele grupo seria encerrado.

O grupo de câncer colorretal foi o primeiro a completar a inclusão de todos os 21 pacientes, e foi encerrado, pois nenhum apresentou resposta objetiva ao tratamento.

— Achamos mais prudente suspendermos a inclusão de novos pacientes no estudo porque, da maneira como está sendo colocado, não achamos que seria ético continuarmos incluindo pacientes — explica o diretor-geral do ICESP, Paulo Hoff.

O médico comunicou que estudaria com a equipe do professor de Química aposentado Gilberto Chierice, da USP de São Carlos e inventor da fórmula, a melhor maneira de continuar com as avaliações.

Sobre o único paciente que apresentou resposta positiva à substância, Hoff explicou que isso poderia acontecer por diversas razões, e que é cedo para avaliar se essa melhora está relacionada ao uso da pílula:

— Existem relatos de regressões espontâneas, efeito placebo etc. Preciso de avaliação detalhada.

Davi Uip, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, fez questão de frisar que “seguiu-se com rigor as decisões dos pesquisadores” e que “cumpriu-se o que foi combinado em todos os níveis, desde a síntese até o final da pesquisa, referindo-se à equipe de Chierice.

— Torcíamos muito pelo bom resultado. Eu, particularmente, mais que os outros, por problemas pessoais, mas o compromisso é com a ciência e esse foi cumprido — disse Davi.

Nos últimos oito meses, os pacientes inseridos passaram por avaliações periódicas, com retornos entre 15 e 30 dias, para a realização de consultas médicas e exames, uma delas a avaliação da doença por tomografia, o que permite aos médicos acompanhar de perto a evolução do câncer em relação ao uso da substância.

Os pacientes envolvidos no projeto vão dar continuidade ao tratamento no Icesp normalmente, com acompanhamento da equipe de oncologia.

Fonte: Portal Jornal O Globo

http://oglobo.globo.com/sociedade/pesquisa-com-pilula-do-cancer-suspensa-21141561