Calcificações na Mama: O Que São e Quando se Preocupar

Calcificações na Mama: O Que São e Quando se Preocupar

O Que São as Calcificações na Mama?

Calcificações são pequenos depósitos de cálcio no tecido mamário, visíveis como pontos brancos na mamografia ou na tomossíntese mamária. São achados frequentes nesses exames e, na maioria das vezes, benignos. Geralmente não causam sintomas nem são percebidas ao toque.

O termo “microcalcificações” ainda aparece em artigos científicos e laudos anatomopatológicos, mas a classificação radiológica BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) utiliza atualmente o termo “calcificações”.

Tipos de Calcificações
• Oxalato de cálcio
Associado principalmente a alterações benignas da mama.
• Fosfato de cálcio (hidroxiapatita)
Tipo mais comum, podendo estar presente tanto em lesões benignas quanto malignas.

Como Surgem as Calcificações?
O mecanismo de formação das calcificações mamárias ainda não é completamente compreendido. Estudos mostram que esse processo envolve participação ativa das próprias células da mama, e não apenas um depósito passivo de cálcio.

As calcificações podem surgir em secreções dentro dos ductos mamários, áreas de necrose (morte celular), processos inflamatórios ou como parte do envelhecimento natural do tecido mamário.

Quando as Calcificações Precisam de Investigação?
Calcificações arredondadas, grosseiras ou dispersas costumam ter aspecto benigno. Já calcificações muito pequenas, irregulares, agrupadas ou distribuídas ao longo dos ductos mamários podem exigir investigação complementar.

O radiologista utiliza a classificação BI-RADS para estimar a probabilidade de malignidade e definir a necessidade de acompanhamento, exames adicionais ou biópsia.

Levar exames antigos é muito importante, pois mudanças no padrão ou na quantidade das calcificações ao longo do tempo podem justificar investigação adicional.

Mesmo quando a biópsia é indicada por características suspeitas, muitos resultados acabam sendo benignos. A avaliação completa e a definição do seguimento dependem da análise médica individualizada, incluindo exame físico, histórico clínico e exames de imagem.

Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. Ele interpretará seus resultados e definirá o melhor caminho para você.

Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:
• American College of Radiology (ACR). BI-RADS® Atlas, Breast Imaging Reporting and Data System. 5th Edition, 2013.
• Cox RF, Morgan MP. Microcalcifications in breast cancer: lessons from physiological mineralization. Bone. 2013;53(2):437-450.
• Sharma T, Radosevich JA, Pachori G, Mandal CC. A molecular view of pathological microcalcification in breast cancer. J Mammary Gland Biol Neoplasia. 2016;21(1-2):25-40.
• Bonfiglio R, Scimeca M, Toschi N, et al. Radiological, histological and chemical analysis of breast microcalcifications: diagnostic value and biological significance. J Mammary Gland Biol Neoplasia. 2018;23(1-2):89-104.
• Tse GM, Tan PH, Pang AL, Tang AP, Cheung HS. Calcification in breast lesions: pathologists’ perspective. J Clin Pathol. 2008;61(2):145-151.
• O’Grady S, Morgan MP. Microcalcifications in breast cancer: From pathophysiology to diagnosis and prognosis. Biochim Biophys Acta Rev Cancer. 2018;1869(2):310-320.
• Yilmaz E, Yilmaz A, Ucar AE, et al. Positive predictive value of BI-RADS 4 subcategories in mammography and ultrasound-guided breast biopsies. Am J Clin Pathol. 2023;159(3):285-291.
• Oligane HC, Berg WA, Bandos AI, et al. Grouped amorphous calcifications at mammography: frequently atypical but rarely associated with aggressive malignancy. Radiology. 2018;288(3):671-679.


Chances de Cura no Câncer de Mama

Chances de Cura no Câncer de Mama

Câncer de Mama: Entendendo Cura e Sobrevida
Com os avanços no diagnóstico e no tratamento, tornou-se cada vez mais comum que pacientes com câncer de mama vivam por muitos anos com qualidade de vida e sem sinais de doença ativa.
Atualmente, a maioria das mulheres diagnosticadas com câncer de mama permanece viva 5 anos após o diagnóstico, especialmente quando a doença é identificada precocemente.
Ainda assim, a pergunta “câncer de mama tem cura?” continua sendo mais complexa do que parece.
No câncer de mama, a palavra “cura” pode ter significados diferentes e nem sempre é utilizada da mesma forma pelos médicos. Atualmente, a oncologia frequentemente trabalha com conceitos como remissão, controle da doença e sobrevida de longo prazo.
Em geral, o objetivo do tratamento é alcançar ausência de doença detectável, reduzir o risco de recorrência e proporcionar sobrevida longa, com boa qualidade de vida.

O que significa “ausência de doença detectável”?
Após o tratamento, quando exames de imagem, laboratoriais e o exame físico não mostram sinais de câncer, dizemos que a paciente está em remissão completa — ou seja, sem evidência de doença ativa naquele momento.
Isso não significa necessariamente que o risco de recorrência — ou seja, de a doença voltar — seja zero, mas sim que o tratamento alcançou excelente controle da doença. Alguns tipos de câncer de mama podem apresentar retorno da doença anos ou até décadas após o tratamento inicial. Por isso, o acompanhamento a longo prazo continua sendo parte importante do cuidado oncológico.
As perspectivas de controle da doença e sobrevida variam de acordo com características do tumor, estágio ao diagnóstico, resposta aos tratamentos realizados e fatores individuais de cada paciente. A avaliação desses fatores compõe o que chamamos de prognóstico.

Dados de sobrevida
Nas últimas décadas, os avanços no diagnóstico e no tratamento contribuíram para aumento significativo da sobrevida no câncer de mama.
A sobrevida em 5 anos é uma medida estatística utilizada para acompanhar os resultados do tratamento. Isso não significa que a paciente viverá apenas 5 anos, mas sim que permanece viva pelo menos 5 anos após o diagnóstico — muitas vivem por décadas, especialmente quando a doença é diagnosticada precocemente.
Segundo dados do SEER (Surveillance, Epidemiology, and End Results Program), utilizado pela American Cancer Society, a sobrevida global em 5 anos para câncer de mama é superior a 90%.

Quando analisamos a extensão da doença no momento do diagnóstico:
• Doença localizada (confinada à mama): sobrevida em 5 anos superior a 99%
• Doença regional (com comprometimento de linfonodos regionais — gânglios próximos à mama — ou extensão local para pele e parede torácica): sobrevida em 5 anos de aproximadamente 87%
• Doença metastática (quando há disseminação para outros órgãos): sobrevida em 5 anos de 31–32%
Mesmo na doença metastática, o cenário mudou significativamente nas últimas décadas. Hoje, muitas pacientes conseguem viver por anos com controle da doença, qualidade de vida e acesso a tratamentos cada vez mais individualizados.

Contexto brasileiro
Os dados brasileiros de sobrevida ainda apresentam limitações relacionadas à disponibilidade e padronização dos registros nacionais, o que pode dificultar comparações diretas com dados internacionais.
Além disso, os resultados podem variar de acordo com fatores como região, tempo até início do tratamento e acesso aos cuidados oncológicos.

Mensagem final
O câncer de mama passou por avanços importantes nas últimas décadas, tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Hoje, é cada vez mais comum que pacientes vivam por muitos anos após o tratamento, retomando sua rotina, seus planos e projetos de vida.
Mais do que falar apenas em cura absoluta, a oncologia atual trabalha com conceitos como controle prolongado da doença, sobrevida de longo prazo e cuidado contínuo.
O acompanhamento médico e multidisciplinar permanece parte fundamental desse processo — não apenas para vigilância da doença, mas também para promoção de saúde, qualidade de vida e bem-estar ao longo do tempo.
Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. A avaliação individualizada é fundamental para interpretar cada caso e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.
Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:

- Wagle NS, Nogueira L, Devasia TP, et al. Cancer Treatment and Survivorship Statistics, 2025. CA Cancer J Clin. 2025;75(4):308-340. doi:10.3322/caac.70011.
- Giaquinto AN, Sung H, Newman LA, et al. Breast Cancer Statistics 2024. CA Cancer J Clin. 2024;74(6):477-495. doi:10.3322/caac.21863.
- Tirada N, Aujero M, Khorjekar G, et al. Breast Cancer Tissue Markers, Genomic Profiling, and Other Prognostic Factors: A Primer for Radiologists. Radiographics. 2018;38(7):1902-1920. doi:10.1148/rg.2018180047.
- Hwang KT, Kim J, Jung J, et al. Impact of Breast Cancer Subtypes on Prognosis of Women With Operable Invasive Breast Cancer: A Population-Based Study Using SEER Database. Clin Cancer Res. 2019;25(6):1970-1979. doi:10.1158/1078-0432.CCR-18-2782.
- Runowicz CD, Leach CR, Henry NL, et al. American Cancer Society/American Society of Clinical Oncology Breast Cancer Survivorship Care Guideline. J Clin Oncol. 2016;34(6):611-635. doi:10.1200/JCO.2015.64.3809.
- Valente S, Roesch E. Breast cancer survivorship. J Surg Oncol. 2024;130(1):8-15. doi:10.1002/jso.27627.


O que é BI-RADS? Entenda a Classificação dos Exames de Mama

O que é BI-RADS? Entenda a Classificação dos Exames de Mama

Desvendando o BI-RADS
Você já fez um exame de mama e se deparou com a sigla BI-RADS no laudo? É comum que surjam dúvidas sobre o que ela significa e qual a sua importância. O BI-RADS, que vem do inglês “Breast Imaging Reporting and Data System” (Sistema de Relatório de Dados de Imagens da Mama), é uma ferramenta padronizada e essencial desenvolvida pelo Colégio Americano de Radiologia. Seu principal objetivo é descrever e classificar os achados em exames de mama, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética, além de estimar o risco de malignidade. Este sistema facilita a comunicação clara e objetiva entre os profissionais de saúde, garantindo que você receba a conduta clínica mais adequada.

Quando e Como o BI-RADS é Utilizado?
O sistema BI-RADS é aplicado rotineiramente em todos os exames de imagem da mama. Ele não é um diagnóstico de câncer por si só, mas sim uma forma de padronizar a interpretação dos resultados. Ao classificar os achados em categorias específicas, o BI-RADS orienta o médico sobre os próximos passos, seja um acompanhamento de rotina, exames adicionais ou a necessidade de uma biópsia. Essa padronização é crucial para a segurança e eficácia do seu cuidado em saúde mamária.

As Categorias do BI-RADS: O Que Cada Uma Significa?
Para que você compreenda melhor o seu laudo, vamos detalhar as categorias do BI-RADS e o que cada uma delas representa em termos de probabilidade de malignidade:

• Categoria 0 – Incompleto: Indica que o exame necessita de avaliação adicional, seja por meio de outras imagens ou comparação com exames anteriores. Não é possível tirar uma conclusão definitiva ainda.
• Categoria 1 – Negativo: Excelente notícia! O exame está normal, sem alterações suspeitas. A probabilidade de malignidade é de aproximadamente 0%.
• Categoria 2 – Benigno: Foram encontrados achados que são definitivamente benignos, ou seja, não representam risco de câncer. A probabilidade de malignidade também é de aproximadamente 0%.
• Categoria 3 – Provavelmente Benigno: Existem achados com uma probabilidade muito baixa de malignidade, geralmente até 2%. Nesses casos, é comum que o médico recomende um acompanhamento mais próximo, com exames de controle em um curto período.
• Categoria 4 – Suspeito: Esta categoria indica achados que não são tipicamente malignos, mas são suficientemente suspeitos para justificar uma biópsia. A Categoria 4 é subdividida para refinar o risco:
◦ 4A: Probabilidade de malignidade entre >2% e 10%.
◦ 4B: Probabilidade de malignidade entre >10% e 50%.
◦ 4C: Probabilidade de malignidade acima de 50%.
• Categoria 5 – Altamente Sugestivo de Malignidade: Achados nesta categoria têm uma alta probabilidade de serem malignos, igual ou superior a 95%. A biópsia é fortemente recomendada para confirmação.
• Categoria 6 – Malignidade Comprovada: Esta categoria é utilizada quando já existe um diagnóstico de câncer confirmado por biópsia, antes do início do tratamento definitivo.

BI-RADS Significa Câncer? Esclarecendo Dúvidas Comuns
É fundamental entender que a presença da classificação BI-RADS em seu exame não significa, por si só, que você tem câncer. Como vimos, ela é uma classificação obrigatória que abrange desde exames completamente normais (Categorias 1 e 2) até aqueles com malignidade já comprovada (Categoria 6). O objetivo do sistema é justamente guiar a investigação e o acompanhamento, evitando preocupações desnecessárias e direcionando a atenção para os casos que realmente precisam de intervenção.

A Importância do Acompanhamento Médico
O sistema BI-RADS é uma ferramenta valiosa na saúde da mulher, padronizando a comunicação e otimizando o diagnóstico e tratamento de doenças mamárias. No entanto, a interpretação do seu laudo e a definição da melhor conduta sempre devem ser feitas por um médico especialista. Se você tem dúvidas sobre o seu resultado BI-RADS ou precisa de orientação sobre a saúde das suas mamas, não hesite em procurar um mastologista. A prevenção e o diagnóstico precoce são seus maiores aliados.

Este artigo foi escrito por Dra Alice Castro Silva, médica mastologista associada à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Com ampla experiência clínica no diagnóstico e tratamento de doenças da mama, o autor dedica-se a oferecer informações seguras, atualizadas e acolhedoras para promover a saúde e o bem-estar das mulheres.


Core biopsy mamária: quando a biópsia da mama é necessária?

Core biopsy mamária: quando a biópsia da mama é necessária?

Core biopsy mamária é uma biópsia minimamente invasiva usada para investigar alterações suspeitas na mama. Entenda como funciona.

O que é core biopsy mamária?

A core biopsy mamária é um procedimento utilizado para retirar pequenos fragmentos de uma alteração suspeita na mama para análise laboratorial.

Na prática, ela funciona como uma biópsia por agulha grossa, realizada com anestesia local e, geralmente, guiada por ultrassonografia ou mamografia.

Atualmente, a core biopsy é um dos principais métodos utilizados para investigar nódulos mamários e alterações suspeitas identificadas nos exames de imagem.

Quando a core biopsy é indicada?
A core biopsy mamária costuma ser indicada quando exames como mamografia, ultrassonografia ou ressonância identificam alterações que precisam de investigação mais detalhada.

Entre as situações mais comuns estão:
• nódulos suspeitos
• distorções arquiteturais
• microcalcificações
• assimetrias mamárias
• linfonodos suspeitos
• alterações classificadas como BI-RADS suspeitos

Nem toda alteração na mama representa câncer. Porém, a biópsia é importante para definir o diagnóstico correto e orientar o tratamento mais adequado.

Como é feita a core biopsy mamária?
O procedimento costuma ser relativamente rápido e realizado em ambiente ambulatorial.

De forma geral, as etapas incluem:
Avaliação da imagem: o médico identifica exatamente a área que será biopsiada.

Anestesia local: a mama é anestesiada para reduzir desconfortos durante o procedimento.

Introdução da agulha: uma agulha específica é introduzida na lesão para retirada dos fragmentos.

Coleta do material: são retirados pequenos fragmentos do tecido mamário.

Envio para análise: o material é encaminhado para avaliação anatomopatológica.

Na maioria das vezes, a paciente recebe alta logo após o exame.

A core biopsy dói?
Essa é uma dúvida muito frequente.

Como o procedimento é realizado com anestesia local, a maioria das pacientes relata apenas desconforto leve ou sensação de pressão durante a coleta.

Após o exame, podem ocorrer:
• leve dor local
• pequenos hematomas
• sensibilidade na mama por alguns dias

Em geral, a recuperação é rápida.

Qual a diferença entre core biopsy e punção?
Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, eles não são exatamente iguais.

Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): utiliza uma agulha fina para aspirar células.

Core biopsy: retira fragmentos maiores de tecido, permitindo análise mais completa da arquitetura da lesão.

Hoje, a core biopsy costuma fornecer informações mais detalhadas e precisas para o diagnóstico mamário.

A core biopsy pode espalhar câncer?
Não, esse é um mito muito comum entre as pacientes.

Os estudos científicos mostram que a core biopsy é um procedimento seguro e não aumenta o risco de disseminação do câncer.

Ela é amplamente utilizada no mundo inteiro e faz parte da rotina diagnóstica moderna da mastologia.

Quanto tempo demora o resultado da biópsia?
O prazo pode variar conforme o laboratório e a necessidade de exames complementares.
Na maioria dos casos, o resultado fica pronto em alguns dias.

Dependendo do achado, podem ser solicitadas análises adicionais, como a imunohistoquímica, exame importante para definir características do tumor e auxiliar no planejamento do tratamento.

Toda core biopsy com alteração significa câncer?
Não, muitas biópsias mamárias identificam alterações benignas.

Entre os diagnósticos benignos comuns estão:
• fibroadenomas
• cistos
• alterações inflamatórias
• adenose
• papilomas
• alterações fibrocísticas

Por isso, é importante aguardar o resultado completo e discutir o laudo com o mastologista.

Quais cuidados são necessários após a core biopsy?
Após o procedimento, geralmente recomenda-se:
• evitar esforço físico intenso por 24 a 48 horas
• usar sutiã firme
• aplicar gelo local
• manter o curativo conforme orientação médica

Caso ocorram dor intensa, vermelhidão importante, febre ou aumento progressivo do hematoma, a paciente deve procurar reavaliação médica.

Quando procurar um mastologista?
O mastologista deve acompanhar todo o processo diagnóstico da mama.

A avaliação especializada é importante para:
• interpretar exames de imagem
• indicar corretamente a biópsia
• correlacionar imagem e anatomopatológico
• definir necessidade de tratamento
• orientar seguimento adequado

Cada alteração mamária deve ser analisada individualmente.

Conclusão
A core biopsy mamária é um procedimento moderno, seguro e fundamental para o diagnóstico preciso das alterações da mama.

Apesar da ansiedade que a investigação costuma gerar, a maioria das pacientes realiza o exame de forma tranquila e com recuperação rápida.

O mais importante é lembrar que nem toda alteração significa câncer e que o diagnóstico precoce continua sendo um dos maiores aliados da saúde da mama.

Em caso de dúvidas ou alterações nos exames, procure avaliação com um mastologista.

Referências
AMERICAN COLLEGE OF RADIOLOGY. ACR practice parameter for the performance of ultrasound-guided percutaneous breast interventional procedures. Reston, VA: American College of Radiology, 2023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2015.

AMERICAN COLLEGE OF RADIOLOGY. Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS® Atlas). 5. ed. Reston, VA: American College of Radiology, 2013.

Autora
Dra. Jéssica Mendes é mastologista em São Luís - Maranhão. Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, membro do Núcleo Jovem da SBM, presidente da Regional Maranhão (2026–2028) e membro do Departamento de Políticas Públicas da SBM. Mestra e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão, com pós-graduação em Imagem da Mama. No Instagram, compartilha conteúdos sobre saúde mamária no perfil @jessicamasto.


Esvaziamento axilar: quando essa cirurgia é necessária?

Esvaziamento axilar: quando essa cirurgia é necessária?

Esvaziamento axilar é uma cirurgia usada no tratamento do câncer de mama. Entenda quando é indicado, riscos e recuperação.

O que é esvaziamento axilar?
O esvaziamento axilar é uma cirurgia realizada para retirada dos linfonodos da axila, geralmente como parte do tratamento do câncer de mama.

Os linfonodos funcionam como pequenos “filtros” do sistema linfático e ajudam na defesa do organismo. Na mama, a axila é uma das principais vias de drenagem linfática.

Durante muitos anos, o esvaziamento axilar foi realizado de forma rotineira em praticamente todas as pacientes com câncer de mama. Porém, com a evolução da mastologia, hoje sabemos que nem todas as mulheres precisam desse procedimento.
Atualmente, a indicação é mais individualizada e baseada em critérios clínicos, cirúrgicos e oncológicos.

Quando o esvaziamento axilar é indicado?
O esvaziamento axilar costuma ser indicado principalmente quando há comprometimento dos linfonodos da axila pelo câncer de mama.

Entre as situações mais comuns estão:
• linfonodos comprovadamente acometidos
• maior carga de doença na axila
• alguns casos após quimioterapia neoadjuvante
• situações em que não é possível preservar a axila com segurança

Nos últimos anos, diversos estudos científicos mostraram que algumas pacientes podem evitar o esvaziamento sem prejuízo oncológico, reduzindo complicações e melhorando qualidade de vida.

Qual a diferença entre linfonodo sentinela e esvaziamento axilar?
Essa é uma dúvida muito comum.

Linfonodo sentinela: é um procedimento menos invasivo. O cirurgião identifica e remove apenas os primeiros linfonodos que recebem drenagem da mama. Se eles estiverem livres de doença em determinados cenários, muitas pacientes conseguem evitar cirurgias maiores na axila.

Esvaziamento axilar: consiste na retirada de vários linfonodos da axila, geralmente dos níveis I e II axilares. É uma cirurgia mais extensa e associada a maior risco de efeitos colaterais.

O esvaziamento axilar ainda é muito realizado?
Hoje, menos do que antigamente.

A mastologia moderna busca reduzir tratamentos excessivos sempre que possível, mantendo segurança oncológica.

Grandes estudos internacionais mudaram a forma como tratamos a axila no câncer de mama. Em muitos casos, é possível substituir o esvaziamento por abordagens menos agressivas.

Mesmo assim, existem situações em que ele continua sendo necessário e importante.

Quais são os riscos e efeitos colaterais?
Como toda cirurgia, o esvaziamento axilar pode apresentar complicações. Entre as principais estão:
• dor
• limitação dos movimentos do braço
• dormência
• alteração de sensibilidade
• seroma (acúmulo de líquido)
• rigidez no ombro
• linfedema

O linfedema é uma das complicações mais conhecidas e corresponde ao inchaço do braço causado pela dificuldade de drenagem linfática.

Nem todas as pacientes desenvolverão linfedema, mas o risco aumenta após cirurgias axilares mais extensas.

O que é linfedema?
O linfedema é o acúmulo de líquido linfático no braço do lado operado. Os sintomas podem incluir:
• sensação de peso
• inchaço
• desconforto
• diminuição da mobilidade
• endurecimento da pele em casos mais avançados

Atualmente, medidas preventivas, fisioterapia e acompanhamento multidisciplinar ajudam bastante no controle dessa complicação.

Como é a recuperação após o esvaziamento axilar?
A recuperação varia de paciente para paciente. Após a cirurgia, podem ser necessários:
• uso temporário de dreno
• fisioterapia
• exercícios orientados
• cuidados com o braço operado

A movimentação adequada do ombro e o acompanhamento especializado ajudam na recuperação funcional e na prevenção de sequelas.

Toda paciente com câncer de mama precisa fazer esvaziamento axilar?

Não, esse conceito mudou bastante nos últimos anos. Hoje, a decisão depende de vários fatores, como:
• tipo do tumor
• tamanho da doença
• presença de linfonodos acometidos
• resposta à quimioterapia
• tipo de cirurgia mamária
• planejamento da radioterapia

Por isso, cada caso deve ser discutido individualmente pela equipe médica.

O tratamento da axila está mudando?
Sim, e essa é uma das áreas que mais evoluíram na mastologia moderna.

Atualmente, há uma tendência mundial de descalonamento axilar, ou seja, reduzir cirurgias extensas quando isso é seguro para a paciente.

O objetivo é manter o controle do câncer com menor impacto funcional e melhor qualidade de vida.

Quando procurar um mastologista?
O mastologista é o profissional responsável por avaliar o tratamento cirúrgico mais adequado para cada paciente.

A avaliação especializada é importante para:
• interpretar exames
• definir necessidade de cirurgia axilar
• planejar tratamento individualizado
• reduzir riscos de complicações
• orientar recuperação e seguimento

Cada caso deve ser analisado de forma única.

Conclusão
O esvaziamento axilar continua sendo uma cirurgia importante no tratamento do câncer de mama em situações específicas.

Porém, a mastologia moderna evoluiu muito nas últimas décadas, permitindo tratamentos mais personalizados e menos agressivos para muitas mulheres.

Hoje, o objetivo não é apenas tratar o câncer, mas também preservar qualidade de vida, função do braço e bem-estar da paciente.

Em caso de dúvidas sobre cirurgia axilar ou tratamento do câncer de mama, procure avaliação com um mastologista.

Referências
GIULIANO, Armando E. et al. Axillary dissection vs no axillary dissection in women with invasive breast cancer and sentinel node metastasis: a randomized clinical trial. JAMA, Chicago, v. 305, n. 6, p. 569-575, 2011.

DONKER, Marloes et al. Radiotherapy or surgery of the axilla after a positive sentinel node in breast cancer (EORTC 10981-22023 AMAROS): a randomised, multicentre, open-label, phase 3 non-inferiority trial. The Lancet Oncology, London, v. 15, n. 12, p. 1303-1310, 2014.

GALIMBERTI, Viviana et al. Axillary dissection versus no axillary dissection in patients with sentinel-node micrometastases (IBCSG 23-01): 10-year follow-up of a randomised, controlled phase 3 trial. The Lancet Oncology, London, v. 19, n. 10, p. 1385-1393, 2018.

CAULA, Weliton M. et al. Consenso brasileiro sobre manejo da axila no câncer de mama. Revista Brasileira de Mastologia, São Paulo, v. 30, n. 1, p. 1-12, 2020.

NCCN. NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Breast Cancer. Plymouth Meeting: National Comprehensive Cancer Network, 2025.

VERONESI, Umberto et al. Sentinel-node biopsy to avoid axillary dissection in breast cancer with clinically negative lymph-nodes. The Lancet, London, v. 349, n. 9069, p. 1864-1867, 1997.

Autora
Dra. Jéssica Mendes é mastologista em São Luís - Maranhão. Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, membro do Núcleo Jovem da SBM, presidente da Regional Maranhão (2026–2028) e membro do Departamento de Políticas Públicas da SBM. Mestra e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão, com pós-graduação em Imagem da Mama. No Instagram, compartilha conteúdos sobre saúde mamária no perfil @jessicamasto.


Exame Anatomopatológico no Câncer de Mama: O Que É e Para Que Serve

Exame Anatomopatológico no Câncer de Mama: O Que É e Para Que Serve

O Que é o Exame Anatomopatológico?
O exame anatomopatológico é a análise de um fragmento de tecido retirado do corpo, examinado ao microscópio por um médico patologista.
No câncer de mama, é esse exame que confirma o diagnóstico, define o tipo do tumor e orienta o tratamento.
Por ser o exame mais confiável para o diagnóstico das doenças mamárias, é considerado o padrão-ouro.

Como o Material é Obtido
O fragmento de tecido pode ser obtido de duas formas:
• Biópsia com agulha — procedimento com anestesia local, geralmente guiado por ultrassom, mamografia ou ressonância. Retira uma pequena amostra para análise.
• Cirurgia — quando é necessário retirar uma área maior, seja para diagnóstico ou tratamento.

Como o Tecido é Analisado
No laboratório, o material passa por etapas técnicas de fixação, processamento e inclusão em parafina, depois é cortado em fatias finíssimas e corado para análise ao microscópio.
Quando necessário, são realizados testes adicionais no mesmo tecido — como a imunohistoquímica — para avaliar características que orientam o tratamento.

Tipos de Resultado
O laudo anatomopatológico classifica o resultado em uma das seguintes categorias:
• Material insatisfatório ou normal — amostra insuficiente para análise ou sem alterações
• Benigno — alterações que não são câncer, como cistos, inflamações ou tumores benignos
• Lesão de potencial maligno incerto — alterações que não são câncer, mas que estão associadas a maior risco ou não podem ser definitivamente classificadas na biópsia
• Suspeito de malignidade — achados que sugerem câncer, mas sem confirmação definitiva na amostra analisada
• Maligno — confirmação de câncer

Dependendo do tipo de biópsia e do resultado, o laudo pode incluir outras informações importantes, como tipo histológico do tumor, grau histológico, tamanho da lesão, margens cirúrgicas e invasão angiolinfática (presença de células tumorais em vasos linfáticos ou sanguíneos próximos ao tumor), entre outros.
Receber o resultado de uma biópsia pode gerar ansiedade e muitas dúvidas. O exame anatomopatológico, no entanto, é uma etapa fundamental para compreender o diagnóstico e planejar os próximos passos com segurança.

As informações obtidas por meio desse exame ajudam a confirmar diagnósticos, orientar tratamentos e fornecer dados importantes para a tomada de decisões médicas. A qualidade da análise e a correta interpretação do laudo são partes essenciais desse processo.
Os resultados devem sempre ser avaliados pelo médico assistente, considerando o contexto clínico e os demais exames de cada paciente.

Em caso de dúvidas, converse com seu médico.
Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. Ele interpretará seus resultados e definirá o melhor caminho para você.

Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:
• Quinn C, Tan PH, Allison KH, et al. World Health Organization classification of tumours of the breast 6th edition 2026. Histopathology. 2026. doi:10.1111/his.70149.
• Lee AHS, Pinder SE. An overview of B coding of breast core biopsy categorisation and management implications. Diagnostic Histopathology. 2024;30(2):132-140. doi:10.1016/j.mpdhp.2023.11.004.


Direitos da Paciente com Câncer de Mama

Direitos da Paciente com Câncer de Mama

Receber o diagnóstico de câncer de mama é um momento de grande impacto físico e emocional. Além do cuidado médico, existem direitos garantidos por lei que ajudam a garantir maior proteção, acesso ao tratamento e suporte durante essa fase — tanto no SUS quanto nos planos de saúde.

Direitos Relacionados à Saúde

Direito à informação e participação nas decisões terapêuticas
A paciente tem direito a receber informações claras sobre o diagnóstico e as opções terapêuticas, participando das decisões relacionadas ao seu tratamento em conjunto com sua equipe médica. (Lei nº 14.238/2021 e Lei nº 15.378/2026)

Direito ao acompanhante
Todo paciente tem direito à presença de acompanhante em consultas e internações, salvo em situações com justificativa técnica. A legislação brasileira também garante proteção específica às mulheres em serviços de saúde públicos e privados. (Lei nº 15.378/2026 e Lei nº 14.737/2023)

Exames diagnósticos em até 30 dias
Nos casos em que houver suspeita de neoplasia maligna, os exames necessários para elucidação do diagnóstico devem ser realizados em até 30 dias, mediante solicitação fundamentada do médico responsável. (Lei nº 13.896/2019)

Início do tratamento em até 60 dias
Toda paciente com diagnóstico confirmado tem direito a iniciar o tratamento no SUS em até 60 dias após o laudo patológico. (Lei nº 12.732/2012)

Tratamento gratuito pelo SUS
O SUS oferece cirurgia oncológica, radioterapia e tratamentos sistêmicos sem custo para a paciente. Medicamentos incorporados aos protocolos do SUS também podem ser fornecidos gratuitamente. (Lei nº 8.080/1990)

Reconstrução mamária
A paciente submetida à mastectomia tem direito à cirurgia de reconstrução mamária — imediata ou tardia — tanto pelo SUS quanto pelos planos de saúde. A legislação também assegura a simetrização da mama contralateral, a reconstrução do complexo aréolo-mamilar e a substituição do implante mamário em caso de complicações. (Lei nº 9.797/1999, atualizada pelas Leis nº 13.770/2018 e nº 14.538/2023)

Teste genético
O SUS incorporou o sequenciamento de nova geração (NGS) para identificação de mutações nos genes BRCA1/2 em mulheres com câncer de mama. A oferta do exame deverá seguir os critérios, protocolos e prazos definidos pelo Ministério da Saúde. (Portaria SCTIE/MS nº 25/2026)

Cuidado multidisciplinar
Toda paciente com câncer tem direito ao atendimento multidisciplinar na atenção especializada, incluindo psicologia, serviço social, nutrição, fisioterapia, entre outros profissionais e modalidades assistenciais, conforme indicação clínica. (Lei nº 14.758/2023, Art. 8º)

Cuidados paliativos
Pacientes com câncer têm direito aos cuidados paliativos integrados ao tratamento, com foco no alívio de sintomas, qualidade de vida e respeito à dignidade humana, conforme indicação clínica. (Lei nº 14.758/2023 e Lei nº 15.378/2026)

Direitos Trabalhistas e Previdenciários

Ausência justificada para exames preventivos
O trabalhador pode se ausentar por até 3 dias a cada 12 meses para realização de exames preventivos de câncer, sem desconto no salário. (Lei nº 13.767/2018)

Benefício por incapacidade temporária
Segurados da Previdência Social que precisem se afastar do trabalho por mais de 15 dias consecutivos podem ter direito ao benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), mediante perícia médica e preenchimento dos requisitos previdenciários. (Lei nº 8.213/1991, Art. 59)

Outros Direitos Sociais e Administrativos

Programa de Tratamento Fora do Domicílio
Caso o município de origem não ofereça o tratamento necessário, o SUS pode garantir transporte e ajuda de custo para o deslocamento da paciente e, quando indicado, do acompanhante. (Portaria SAS/MS nº 55/1999)

Benefícios previdenciários e assistenciais
Pacientes com câncer podem ter acesso a benefícios previdenciários, assistenciais e sociais previstos na legislação brasileira, como FGTS, isenção de Imposto de Renda e direitos relacionados a financiamentos, entre outros, conforme avaliação individual e critérios legais vigentes. (Lei nº 14.238/2021)

Tramitação prioritária
Pacientes com neoplasia maligna podem ter direito à tramitação prioritária em processos judiciais e administrativos, mediante comprovação da doença. (Lei nº 13.105/2015)

Direitos nos Planos de Saúde

Os planos de saúde devem garantir cobertura dos tratamentos oncológicos previstos no rol obrigatório da ANS, incluindo exames, cirurgias, quimioterapia, radioterapia e terapias correlatas. A cobertura também inclui terapias antineoplásicas orais de uso domiciliar. (Lei nº 9.656/1998, Lei nº 12.880/2013 e RN ANS nº 465/2021)

A ANS estabelece prazos máximos para realização de consultas, exames e procedimentos pelos planos de saúde, previstos na RN ANS nº 566/2022. Alguns exemplos incluem:

• Consultas com especialistas: até 14 dias úteis
• Exames de imagem ambulatoriais: até 10 dias úteis
• Procedimentos de alta complexidade e cirurgias eletivas: até 21 dias úteis

A RN ANS nº 623/2024 também reforça a transparência e a rastreabilidade no atendimento pelas operadoras, garantindo à paciente acesso ao número de protocolo e à justificativa por escrito em casos de negativa de cobertura.

Além dos direitos descritos acima, pacientes com câncer podem ter acesso a outras garantias previstas na legislação brasileira, conforme a situação clínica e regulamentações estaduais ou municipais. Questões relacionadas à incapacidade, benefícios específicos, cuidados paliativos, isenções fiscais, direitos previdenciários e sociais, entre outros, devem ser avaliadas individualmente por profissionais de saúde e, quando necessário, por orientação jurídica especializada.

Conhecer seus direitos é parte do tratamento.

Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. Ele interpretará seus resultados e definirá o melhor caminho para você.

Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:
• Lei nº 13.896/2019 — Exames diagnósticos em 30 dias
• Lei nº 12.732/2012 — Início do tratamento em 60 dias
• Lei nº 8.080/1990 — Lei Orgânica da Saúde
• Lei nº 14.758/2023 — Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer
• Lei nº 14.238/2021 — Estatuto da Pessoa com Câncer
• Lei nº 15.378/2026 — Estatuto dos Direitos do Paciente
• Lei nº 9.797/1999 — Reconstrução mamária
• Lei nº 13.770/2018 — Simetrização e reconstrução do complexo aréolo-mamilar
• Lei nº 14.538/2023 — Substituição de implante mamário em caso de complicações
• Lei nº 13.767/2018 — Ausência para exames preventivos de câncer
• Lei nº 8.213/1991 — Benefício por incapacidade temporária (INSS)
• Lei nº 14.737/2023 — Direito ao acompanhante
• Lei nº 9.656/1998 — Lei dos Planos de Saúde
• Lei nº 12.880/2013 — Cobertura de terapias antineoplásicas orais
• RN ANS nº 465/2021 — Rol de cobertura obrigatória
• RN ANS nº 566/2022 — Prazos máximos de atendimento pelos planos de saúde
• RN ANS nº 623/2024 — Regras de atendimento e resposta das operadoras
• Portaria SCTIE/MS nº 25/2026 — Incorporação do sequenciamento de nova geração (NGS) para BRCA1/2 no SUS
• Portaria SAS/MS nº 55/1999 — Tratamento Fora do Domicílio (TFD)
• Lei nº 13.105/2015 (CPC) — Tramitação prioritária em processos judiciais


O que é o fluxo papilar?

O que é o fluxo papilar?

Fluxo ou descarga papilar é a saída de líquido pelo mamilo (bico do seio). É um sintoma comum e, na maioria dos casos, não indica nenhum problema grave. Muitas mulheres apresentam algum tipo de secreção mamária ao longo da vida e é a terceira queixa mais comum do consultório do mastologista.

Quando o fluxo papilar é normal?
O fluxo papilar é completamente normal nas seguintes situações:
- Durante a gravidez e amamentação: A produção de leite é esperada
- Até 1 ano após parar de amamentar: Pode haver saída de leite residual
- Pequena quantidade de líquido claro quando se aperta o mamilo: Isso é fisiologicamente normal

Quais os tipos de fluxo papilar?
A secreção pode ter diferentes características:
Fluxo benigno (geralmente sem preocupação):
- Sai dos dois seios (bilateral)
- Aparece apenas quando se aperta o mamilo (não espontânea)
- Cor leitosa, verde, amarelada ou marrom
- Sai de vários ductos (canais) do mamilo

Fluxo que precisa de avaliação médica:
- Sai espontaneamente (sem apertar)
- Afeta apenas um seio (unilateral)
- Sai de um único ducto
- Cor clara, transparente ou com sangue
- Pode ser acompanhado de nódulo na mama

Quais são as causas do fluxo papilar?

Galactorréia:
- Aumento da prolactina, um hormônio produzido pelo corpo que leva a descarga papilar de uma secreção leitosa
- Não é causada por doença da mama
- Pode ser provocada por medicamentos (antipsicóticos, alguns remédios para pressão alta, anticoncepcionais)
- Alterações hormonais (problemas na tireoide, aumento de prolactina)
- Estimulação frequente das mamas

Outras causas
-Papiloma intraductal (crescimento benigno dentro do ducto)
-Ectasia ductal (dilatação dos ductos da mama que pode resultar na saída de secreção esverdeada/amarronzada)

Câncer de mama
- Mais raro
- Secreção espontânea (que sai sozinha, sem apertar)
- Secreção com sangue ou transparente
- Secreção que afeta apenas um seio
- Presença de nódulo na mama
- Alterações na pele do mamilo

Como é feita a avaliação?

O médico fará:
1. Perguntas sobre a secreção: quando começou, características, se sai sozinha ou apenas quando aperta, apenas um lado ou ambos
2. Exame físico das mamas: para verificar nódulos ou alterações

3. Exames de imagem (se necessário):
- Mamografia (geralmente para mulheres acima de 40 anos)
- Ultrassom das mamas
- Ressonância magnética (em casos selecionados)

4. Exames de sangue (se houver suspeita de galactorreia):
- Teste de gravidez
- Dosagem de prolactina
- Função da tireoide

Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da causa.
Nos quadros benignos orientação e observação. Se diagnosticada galactorréia, investigar a causa do aumento da prolactina e fazer a correção hormonal.
Em quadros de descarga papilar suspeita, realizar investigação com exames de imagem e, se necessário, complementar com biópsia.

Pontos chave
-Maioria dos casos de fluxo papilar é benigna;
-Evite ficar apertando a aréola e/ou mamilo para verificar a secreção pois isso pode piorar o problema;
-Sempre procurar um especialista para avaliação, especialmente se a descarga papilar for espontânea, unilateral e/ou com sangue/transparente;

Está com algum sintoma? Cuidar de você é o seu compromisso mais importante. Agende sua consulta com o mastologista e mantenha sua saúde em dia

Sobre a autora:
Dra Aline Prado de Almeida é Ginecologista, Obstetra e Mastologista pela Santa Casa de São Paulo com pós em reconstrução mamária. Mestre em cirurgia da mama pela FCMSCSP e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)

Bibliografia
1- Practice Bulletin No. 164: Diagnosis and Management of Benign Breast Disorders. Obstetrics & Gynecology 127(6):p e141-e156, June 2016
2- National Comprehensive Cancer Network. Updated 2026-03-05
3- Boyle M, Selfridge J, Sargent R, et al.Society of surgical oncology medical student & trainee primer for breast surgical oncology Surgical Oncology Insight, 2025; 2
4- Salzman B, Collins E, Hersh L. Common Breast Problems. Am Fam Physician. 2019 Apr 15;99(8):505-514. PMID: 30990294.


Lipoenxertia na mama: o que é e para quem é indicada

Lipoenxertia na mama: o que é e para quem é indicada

A lipoenxertia na mama é uma técnica cirúrgica que utiliza a própria gordura da paciente para corrigir defeitos, preencher volume ou melhorar o contorno da mama. Por ser feita com material do próprio corpo, é considerada uma opção natural, segura e bem tolerada pelo organismo.

Nos últimos anos, esse procedimento ganhou espaço crescente na oncoplastia mamária — a especialidade que une o tratamento do câncer de mama com resultados estéticos satisfatórios. Ele tem sido especialmente indicado para mulheres que passaram por cirurgia de câncer de mama e desejam recuperar a aparência natural da mama.

O que é a lipoenxertia na mama?
A lipoenxertia — também chamada de enxerto de gordura na mama ou lipofilling — consiste em retirar gordura de uma região do corpo, como abdômen, flancos ou coxas, e reinjetá-la na mama, onde há necessidade de volume ou correção.

Diferente dos implantes de silicone, esse procedimento não usa nenhum material artificial. Todo o processo é feito com tecido da própria paciente, o que reduz o risco de rejeição e oferece resultados mais naturais.

Para que situações é indicada?
A lipoenxertia pode ser indicada para mulheres que desejam ou precisam:
● Corrigir assimetrias ou irregularidades após cirurgias na mama
● Preencher o defeito deixado pela retirada de um tumor
● Melhorar o contorno da mama reconstruída com implante ou retalho
● Tratar cicatrizes e áreas com pele danificada pela radioterapia
● Reconstruir a mama após mastectomia (retirada total da mama)
● Realizar ajustes finos e refinamentos estéticos após outros procedimentos

Como funciona o procedimento de enxerto de gordura na mama?
O procedimento é realizado em centro cirúrgico e acontece em três etapas principais.

1. Coleta da gordura
A gordura é aspirada com uma cânula — uma espécie de vareta — a partir de regiões doadoras como abdômen, flancos ou culotes. A aspiração é feita com baixa pressão, o que preserva as células de gordura e aumenta as chances de sucesso do enxerto.

2. Preparação da gordura
O material coletado passa por um processo de preparação e apenas a gordura purificada é aproveitada, o que garante mais qualidade e segurança ao procedimento.

3. Injeção na mama
A gordura purificada é injetada em pequenas quantidades e em diversas direções dentro da mama. Essa técnica de múltiplas passagens garante que cada célula de gordura tenha contato suficiente com o tecido ao redor para se nutrir e se incorporar.
Injetar grandes volumes em um único ponto seria arriscado: sem circulação suficiente, as células morrem e podem formar nódulos de gordura. Por isso, o procedimento exige precisão e experiência cirúrgica.

A gordura injetada permanece para sempre?
Não totalmente. Uma parte da gordura transferida é reabsorvida naturalmente pelo organismo ao longo do tempo. Em média, cerca de 75% do volume injetado se incorpora de forma definitiva.
Mulheres que realizaram radioterapia podem ter taxas de incorporação diferentes, dependendo das condições do tecido local.
Por esse motivo, quando o procedimento é feito imediatamente após a cirurgia conservadora, o médico injeta uma quantidade maior do que o defeito original — já prevendo essa perda natural.

Lipoenxertia na mama é segura para quem já teve câncer?
Essa é, sem dúvida, a dúvida mais frequente entre as pacientes — e também a mais estudada.
Ao longo dos últimos anos, diversos estudos acompanharam mulheres submetidas à lipoenxertia após o tratamento do câncer de mama. Os resultados foram consistentes: a técnica não aumenta o risco de recorrência (retorno) do câncer de mama.
Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foram pioneiros ao avaliar o uso da lipoenxertia imediatamente após a cirurgia conservadora — ou seja, no mesmo ato cirúrgico da retirada do tumor. Os resultados mostraram que o procedimento é seguro, esteticamente satisfatório e não compromete o acompanhamento oncológico das pacientes.
Hoje, a lipoenxertia é reconhecida como uma opção segura e eficaz, tanto para reconstrução imediata quanto para reconstrução tardia da mama, em mulheres com histórico de câncer.

A lipoenxertia compromete a mamografia?
Essa preocupação existiu no passado e é totalmente compreensível.
As alterações que o enxerto de gordura pode causar nas mamografias — como pequenas calcificações ou cistos de gordura — são semelhantes às que ocorrem após qualquer outra cirurgia mamária. Em geral, essas alterações são facilmente identificadas pelo radiologista como benignas.
Estudos confirmam que a lipoenxertia não compromete a qualidade nem a sensibilidade dos exames de imagem utilizados no acompanhamento das pacientes.

Quem pode realizar a lipoenxertia na mama?
A indicação do procedimento depende da avaliação individualizada de cada caso. De forma geral, a lipoenxertia pode ser uma opção para mulheres que:
● Passaram por cirurgia conservadora da mama e têm alteração de contorno ou assimetria
● Tem relação tumor/mama desfavorável e irão passar por cirurgia conservadora da mama
● Foram submetidas à mastectomia e estão em processo de reconstrução mamária
● Têm deformidades após reconstrução com prótese ou retalho
● Apresentam cicatrizes ou sequelas de radioterapia na mama
● Buscam refinamentos estéticos após outros procedimentos mamários
Cada caso deve ser avaliado individualmente por um mastologista com experiência em oncoplastia mamária, considerando o histórico clínico, o tipo de cirurgia e as expectativas da paciente.

Conclusão: a lipoenxertia como parte da recuperação integral da paciente
A lipoenxertia na mama é uma técnica consolidada, segura e versátil. Por utilizar a própria gordura da paciente, evita o uso de materiais artificiais e oferece resultados com aparência natural.
Para mulheres que passaram por cirurgia de câncer de mama, esse recurso vai além da estética: representa uma parte importante da recuperação da autoimagem, da autoestima e da qualidade de vida.
Se você realizou uma cirurgia de mama e tem dúvidas sobre reconstrução ou melhora estética, converse com seu mastologista. Juntos, vocês podem avaliar se a lipoenxertia é a opção mais adequada para o seu caso.

Sobre a autora
Dra. Thais Vicentine Xavier Terra é médica mastologista associada à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Possui formação em Mastologia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), mestrado em Ciências da Saúde pela UFRGS com foco em reconstrução mamária e fellowship em reconstrução e plástica mamária em Strasbourg, França. Atua na avaliação, tratamento e acompanhamento de doenças mamárias, com especial interesse em oncoplastia e reconstrução da mama.


Implantes mamários na reconstrução: tipos, escolha e segurança

Implantes mamários na reconstrução: tipos, escolha e segurança

Uma breve história
A história dos implantes mamários começa nos anos 1960, quando o silicone líquido era injetado diretamente na mama — com resultados problemáticos e uma série de complicações. A primeira prótese surgiu em 1962 e, desde então, diversas gerações de implantes foram desenvolvidas, cada vez mais seguras e naturais. Hoje contamos com próteses em formatos anatômicos, texturas tecnologicamente avançadas e risco de vazamento significativamente reduzido.

Quem pode fazer a reconstrução com implante?
A maioria das mulheres operadas por câncer de mama pode ser candidata à reconstrução com próteses ou expansores, desde que haja pele e tecido subcutâneo suficientes para cobrir o implante. Os melhores resultados costumam ocorrer em mamas de pequeno a médio volume, com pouca ou nenhuma ptose (queda). Mas bons resultados também são possíveis em mamas maiores e com algum grau de ptose, em casos bem selecionados.

Alguns fatores podem dificultar ou contraindicar a reconstrução:
● Radioterapia prévia ou planejada na região
● Infecção ativa no momento da cirurgia
● Pele insuficiente para cobrir o implante
● Tabagismo, diabetes descompensado, obesidade grave e doenças do colágeno (contraindicações relativas)
A decisão é sempre individualizada, tomada em conjunto pela paciente e pelo cirurgião, com base em uma avaliação detalhada do caso, do estágio da doença e do desejo da paciente.

Tipos de implantes: o que muda entre eles
Os implantes variam em superfície, conteúdo e formato.

Quanto à superfície, podem ser lisos, texturizados (com rugosidade para aderir melhor aos tecidos e reduzir a rotação do implante), microtexturizados, revestidos com poliuretano ou, mais recentemente, com titânio — estes últimos ainda com dados limitados sobre eficácia.

Quanto ao conteúdo, o gel de silicone coesivo é o mais utilizado atualmente. Ele oferece consistência próxima à do tecido natural e, em caso de ruptura, não migra para outras partes do corpo — uma das grandes vantagens em relação aos modelos mais antigos. As próteses salinas, preenchidas com solução fisiológica, permitem ajuste de volume, mas são mais suscetíveis a vazamentos e pouco usadas no Brasil. Já os expansores são preenchidos progressivamente e funcionam como etapa temporária antes da prótese definitiva.

Quanto ao formato, as próteses podem ser redondas — simétricas em todas as direções, com resultados cada vez mais naturais nas reconstruções pré-peitorais — ou anatômicas, em formato de gota, com maior volume na parte inferior, buscando replicar o contorno natural da mama.

Próteses com poliuretano e o BIA-ALCL
As próteses revestidas com espuma de poliuretano foram desenvolvidas para reduzir a contratura capsular — o endurecimento do tecido que se forma naturalmente ao redor do implante e que pode distorcer seu formato. Muitos especialistas as consideram especialmente indicadas para reconstruções pré-peitorais, em que não se utiliza músculo para cobrir a prótese.
Um ponto que merece atenção: nos últimos anos, identificou-se uma associação entre próteses macrotexturizadas e de poliuretano e o BIA-ALCL (linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários) — um tipo raro de linfoma, não um câncer de mama. Por conta disso, diversas marcas macrotexturizadas foram retiradas do mercado global. As próteses disponíveis no Brasil hoje são predominantemente redondas e lisas. O BIA-ALCL é raro e tratável quando diagnosticado precocemente — o acompanhamento regular com mastologista é suficiente para monitoramento tranquilo.

Expansores: quando a reconstrução é feita em etapas
Quando há pouca pele disponível após a cirurgia, a reconstrução é realizada em etapas. Na primeira, coloca-se um expansor — um implante especial com válvula que vai sendo preenchido progressivamente com solução fisiológica ao longo de semanas ou meses, "criando" gradualmente espaço e pele suficientes. Na segunda cirurgia, o expansor é substituído pela prótese definitiva. Etapas adicionais podem incluir procedimentos para melhorar a pele, reduzir fibrose e refinar o contorno da mama com enxerto de gordura da própria paciente (lipofilling).
Esse processo é especialmente indicado quando a mama foi retirada sem preservação de pele — como na mastectomia radical — ou quando há risco elevado de necrose dos retalhos cutâneos.
Existe também o expansor definitivo, conhecido como prótese de Becker, que combina uma câmara de gel de silicone com uma câmara ajustável de solução fisiológica. Ele pode ser mantido permanentemente, dispensando uma segunda cirurgia.

Como é escolhido o implante ideal?
Não existe uma prótese universalmente melhor — a melhor é sempre aquela que se adapta às características individuais de cada paciente. Para fazer essa escolha, o cirurgião avalia as medidas da mama, a espessura e elasticidade da pele, o tipo de cirurgia oncológica realizada (com ou sem preservação de pele e do complexo areolomamilar), o biótipo e a postura da paciente, além das suas expectativas quanto ao resultado.

O que esperar no pós-operatório
Como em qualquer cirurgia, a reconstrução com implante pode apresentar complicações. As mais comuns são:

● Infecção:
pode exigir a remoção temporária do implante
● Contratura capsular: endurecimento do tecido ao redor da prótese, causando dor e deformidade
● Animação: movimento involuntário da prótese ao contrair os músculos peitorais
● Seroma: acúmulo de líquido ao redor do implante
● Rippling: ondulações visíveis e palpáveis na superfície da pele
● Deflação ou ruptura: mais comum nas próteses salinas

Estudos mostram que a satisfação é maior quando todas as etapas da reconstrução são concluídas nos primeiros dois anos. Tabagismo, diabetes, obesidade e radioterapia são os principais fatores de risco para resultados insatisfatórios a longo prazo.

Vale destacar: as reconstruções pré-peitorais — em que o implante é posicionado na frente do músculo peitoral, e não por baixo dele — têm mostrado resultados cada vez mais promissores, com menor contratura capsular e maior naturalidade estética. É considerado um dos grandes avanços recentes da cirurgia reconstrutiva mamária.

Conclusão
A reconstrução mamária com implantes é um direito da paciente, e hoje, uma realidade segura e eficaz para a grande maioria das mulheres operadas por câncer de mama. Décadas de evolução científica trouxeram próteses mais avançadas, técnicas mais refinadas e resultados muito mais satisfatórios.

Toda escolha, porém, deve ser feita com informação qualificada e em diálogo aberto com um especialista. Cada caso é único. Cada corpo é único. E cada decisão merece o tempo e o cuidado que ela exige.

Se você está passando por um diagnóstico de câncer de mama ou já realizou tratamento, converse com seu mastologista sobre as opções de reconstrução disponíveis para o seu caso.

Sobre o autor
Dr. Eduardo Carvalho é médico titulado em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Atua em serviços de referência em câncer de mama nas áreas de cirurgia oncoplástica, reconstrutiva e conservadora da mama, e faz parte do programa de preceptoria de formação de novos mastologistas. Alia técnica cirúrgica de excelência e atualização constante à comunicação humanizada com suas pacientes.