Posicionamento Estratégico da SBM: Rumo à Incorporação Essencial do Painel NGS no SUS e a Construção de uma Linha de Cuidado Integral em Mastologia
Prezados(as) Associados(as) da Sociedade Brasileira de Mastologia,
É com a convicção de que estamos na vanguarda da saúde mamária que a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) se dirige a vocês. Reafirmamos nosso compromisso inabalável com a excelência clínica e a equidade no acesso aos mais avançados recursos diagnósticos e terapêuticos. Neste contexto, a incorporação do painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para o câncer de mama hereditário no SUS não é apenas um avanço tecnológico, mas uma necessidade imperativa para a consolidação de uma política de prevenção e tratamento efetivo em nosso país. A SBM se posiciona totalmente favorável à incorporação do PAINEL NGS em mulheres com câncer de mama, um PRIMEIRO passo fundamental para transformar a realidade de milhares de pacientes.
- Reafirmação da Custo-Efetividade e Resposta às Críticas da CONITEC
Compreendemos as análises da CONITEC sobre a custo-efetividade, mas é crucial contextualizá-las. O dossiê técnico é robusto e demonstra que a incorporação da tecnologia se justifica plenamente ao considerar o próprio limiar de oncologia mais elevado previsto no relatório da CONITEC (R$120.000,00/QALY). As análises indicaram uma Razão de Custo-Efetividade Incremental (RCEI) de R$ 75.961,11/QALY (com fator de correção 2.8) e R$ 35.741,85/QALY (sem o fator de correção). Ambos os valores situam-se muito abaixo do teto deste limiar alternativo, validando a tecnologia como inovadora e de alto ganho em saúde.
É importante sublinhar que nosso relatório foi, propositalmente, conservador. A custo-efetividade da testagem é, na realidade, subestimada quando não se consideram todos os benefícios em cascata e de uma linha de cuidado. Um exemplo claro é o impacto da Mastectomia Redutora de Risco (MRR). É fundamental ressaltar que a MRR não só reduz drasticamente a incidência do câncer de mama, mas, em mulheres BRCA mutadas e com menos de 40 anos, demonstra também uma melhora significativa na sobrevida global. A otimização da custo-efetividade se amplia ainda mais se for possível testar familiares assintomáticos quando probando com teste alterado e viabilizar as cirurgias redutoras de risco de mama, trompas e ovários , além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas. Protocolos para câncer de mama hereditários são custo efetivos e salvadores de vida. Essas estratégias não estão disponíveis no SUS, o que inviabilizou inclusão no relatório de custo-efetividade para a CONITEC. De acordo com o Ministério da Saúde, a análise deve ser limitada pelas exigências metodológicas vigentes com utilização exclusiva de procedimentos oficialmente disponíveis no SUS.
Nossa defesa pela incorporação do NGS transcende a tecnologia; ela abraça a filosofia de valor em saúde, que concebe uma medicina sustentável impulsionada pela tecnologia. Ao focarmos na otimização da cadeia de valor e no aprimoramento das linhas de cuidado, buscamos não só melhorar a saúde da nossa população, mas também gerar uma significativa redução de custos – desde os diretos até os micro-custos de implementação responsável e custos sociais.
- Equidade, Ética e o Caminho da Implementação Gradual
A SBM está totalmente de acordo com a preocupação ética de testar familiares e de instituir condutas que reduzam o risco de câncer. Não aprovar a incorporação da tecnologia de NGS significa, em última instância, manter as pacientes do SUS sem informações cruciais para sua saúde e com uma inaceitável disparidade em relação ao sistema de saúde complementar.
Acreditamos que, após a incorporação da tecnologia, um Grupo de Trabalho para o enfretamento do câncer de mama criado pelo Ministério da Saúde e citado nas reuniões da CONITEC deve ser o responsável por cuidar das definições de qual teste, quais genes, aonde testar, em quem testar e qual linha de cuidado mínima estabelecida para que a implementação ocorra em larga escala, de forma ética, ordenada e sustentável. Temos bons exemplos para guiar este grupo: o projeto "Goiás Todo Rosa" e as leis municipais que já existem em seis estados brasileiros para testagem de BRCA/ painel câncer de mama hereditário no SUS. Projetos apoiados pelo governo, como o INCT Prev Onco e recente PRONON, também sustentam a importância dessa tecnologia.
O primeiro passo é, inequivocamente, o apoio à aprovação. A "linha de cuidado" que deve vir em conjunto, a ser delineada por um Grupo de Trabalho liderado pelo Ministério da Saúde, deve ser pensada com base em custo-efetividade e responsabilidade, para não sobrecarregar o sistema. A Sociedade Brasileira de Mastologia, ciente de sua responsabilidade e expertise, deseja fazer parte da reunião desse Grupo de Trabalho.
- Proposta para um Painel Mínimo e o Foco na Prevenção Ampliada: indo além do dossiê
Diante do panorama genético brasileiro, caracterizado pela elevada incidência de mutações em TP53, e considerando a recente aprovação do Olaparibe para pacientes com câncer de ovário BRCA mutado (uma decisão que, infelizmente, não foi acompanhada de uma logística de testagem em larga escala pré-definida), torna-se evidente a necessidade de uma abordagem mais abrangente.
A SBM propõe a incorporação de um painel mínimo de genes de alto risco modificadores de condutas cirúrgicas e de rastreamento para todas as pacientes com novo diagnóstico de câncer de mama e ovário. Uma possível proposta é testar incialmente mulheres com novos diagnósticos de câncer de ovário em qualquer idade e novos diagnósticos de câncer de mama antes dos 40 anos, onde a vigilância completa da saúde mamária e ovariana pode otimizar as intervenções e impactar positivamente a sobrevida. O painel para mama seria: BRCA1, BRCA2, TP 53, PALB2. E painel mama-ovário acrescentaria: RAD51C, RAD51 D, MSH6,MLH1,MSH2,BRIP1. Sugestão de linha de cuidado mínima: aconselhamento pré e pos teste, cirurgias de mama, trompas e ovário redutoras de risco, reconstrução da mama, Rm de mama com contraste se mama remasnecente, RM de corpo inteiro se TP53, acompanhamento com equipe especializada, testagem de 4 familiares assintomáticos, expansão dos critérios gradualmente até equiparar com critérios da ANS e uso de IPARP para câncer de ovário guiados pelos critérios de aprovação dessa medicação no SUS.
4.Conclusão
Esta abordagem não só alinha o SUS às melhores práticas internacionais, mas também garante que a prevenção e o tratamento sejam verdadeiramente efetivos e equitativos para a população brasileira, cumprindo a missão fundamental da saúde pública.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Atenciosamente,
A Diretoria da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)
SBM anuncia novo processo de credenciamento para Programas de Formação/ Especialização em Mastologia
Credenciamento dos Programas de Formação/Especialização em Mastologia pela SBM e cadastro obrigatório na Plataforma AMB Títulos.
Com o propósito de aprimorar o controle e assegurar a rastreabilidade dos serviços destinados à formação de candidatos aos Exames de Título de Especialista e aos Certificados de Área de Atuação da Associação Médica Brasileira (AMB)/Sociedades de Especialidade, em consonância com as Resoluções da Comissão Mista de Especialidades (CME), comunicamos a implementação do credenciamento dos Programas de Formação/Especialização em Mastologia pela SBM e cadastro obrigatório na Plataforma AMB Títulos (AMB Títulos – ambtitulos.org.br).
Para credenciamento dos Programas de Formação/Especialização em Mastologia, juntamente à SBM, os serviços devem obrigatoriamente atender aos seguintes requisitos:
- Carga horária mínima anual de 2.880 horas;
- Matriz curricular semelhante à da Residência Médica.
Posteriormente, a SBM fará o cadastro destes Programas na Plataforma AMB Títulos (AMB Títulos – ambtitulos.org.br).
Programa de Residência Médica, reconhecido pela CNRM/MEC, não precisa fazer este credenciamento.
Formulário para preenchimentos das informações do Programa de Formação/Especialização em Mastologia:
Clique aqui para acessar o formulário
Conforme Ofício da AMB, OF/PRES/AMB/132/2025 de 19 de novembro de 2025, somente serão aceitos para inscrição nos Exames de Título de Especialidade e Certificado de Área de Atuação os candidatos concluintes de programas devidamente credenciados pelas Sociedades de Especialidade e cadastrados na Plataforma da AMB, assim respeitando resolução da CME - Comissão Mista de Especialidades (Portaria CME nº 01/2016 - Art. 5º, § 2º)
Projeto Itaberaí envolve agentes de saúde e reduz em 50% diagnósticos tardios de câncer de mama
Iniciativa idealizada por especialista da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) envolve capacitação de agentes para realizar exames físicos de mamas em visitas domiciliares e demonstra eficiência para agilizar os tratamentos
A capacitação de agentes de saúde para realizar exames físicos de mamas durante visitas domiciliares a mulheres assistidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em Itaberaí (GO), reduziu em 50% o diagnóstico em estadios avançados da doença. Os resultados preliminares do projeto idealizado pelo mastologista Ruffo Freitas-Junior, assessor especial da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), alcançaram repercussão no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), uma das mais respeitadas organizações médicas internacionais a orientar decisões no tratamento de pacientes com câncer em diversas partes do mundo. A experiência goiana também tem despertado o interesse de outras cidades brasileiras na implementação deste recurso de rastreamento.
Uma em cada duas brasileiras, ou 54% das mulheres atendidas pelo SUS, apresenta no diagnóstico de câncer de mama tumores maiores que cinco centímetros. Em grande medida, segundo Ruffo Freitas-Junior, a estatística evidencia o não cumprimento da Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012). Em vigor em todo o território nacional, a determinação preconiza o período máximo de 60 dias para o início do tratamento após a confirmação do diagnóstico de câncer de mama.
Inspirado por uma experiência de sucesso realizada na Índia, o mastologista da SBM, que também é professor da Universidade Federal de Goiás (UFB), uniu forças com a Promotoria de Justiça do Estado, a Prefeitura de Itaberaí e a Câmara Municipal para aprovar uma lei com dotação orçamentária que permitisse colocar em prática um projeto para reduzir os diagnósticos tardios de câncer de mama na cidade.
No município a 92 quilômetros de Goiânia, o Projeto Itaberaí, que também se prestou a reunir informações relevantes em um estudo sobre o rastreamento de câncer de mama, dividiu as agentes de saúde em dois grupos. “O grupo controle visitou as mulheres em suas residências, aplicando as recomendações do Ministério da Saúde, ou seja, orientando sobre o autoexame, a realização bienal da mamografia a partir dos 40 anos de idade e a busca espontânea pela Unidade Básica de Saúde (UBS) se percebessem alguma alteração nas mamas”, explica Freitas-Junior.
O segundo grupo, chamado grupo ativo, recebeu treinamento para realizar o exame físico da mama nas visitas domiciliares. Nos atendimentos, é utilizado um palmtop com duas ferramentas eletrônicas: os aplicativos Rosa e RosaWatch. No Rosa são inseridas informações da mulher examinada Na hipótese de detectarem alguma lesão, as agentes realizam, diretamente no aplicativo, o agendamento de consulta médica na UBS.
Freitas-Junior explica que ao chegar à UBS a paciente é integrada ao RosaWatch, que faz a navegação dentro do sistema de saúde. Se confirmado o nódulo por um mastologista, o encaminhamento prevê investigação por ultrassom, biópsia, exame anatomopatológico e mamografia.
Para o mastologista da SBM, a estratégia demonstrou eficácia por reduzir o tempo que a paciente levava para fazer a mamografia, esperar o resultado e só então ser submetida à biópsia. Em caso de confirmação do câncer de mama, a proposta é que o tratamento seja iniciado em até 30 dias.
Os três passos, treinamento das agentes de saúde, utilização do aplicativo Rosa e organização do fluxo da jornada da paciente pelo RosaWatch, segundo Freitas-Junior, permitiram nos quatro primeiros anos do projeto, uma redução no diagnóstico de câncer de mama em estadios avançados na ordem de 50%. “Inicialmente, pensávamos em ter uma redução de 20% nos estadios III e IV, o que já seria um sucesso”, diz.
Segundo o especialista, as participantes do Projeto Itaberaí conseguem, na esfera do SUS, ter a mesma possibilidade de um diagnóstico precoce que mulheres atendidas pela saúde suplementar e privada, conforme dados publicados por especialistas em clínicas privadas brasileiras.
A experiência de Itaberaí, com dados preliminares apresentados como case brasileiro no congresso da ASCO, é um trabalho em andamento. O estudo randomizado com 3.998 mulheres e a perspectiva de chegar a 4.200 participantes, teve os dados do primeiro ciclo, realizado durante quatro anos, fechados em 30 de novembro. “Agora, serão analisados no primeiro trimestre e apresentados no segundo trimestre de 2026”, prevê.
Como projeto e estudo, a iniciativa vem despertando o interesse de outros municípios brasileiros. O mastologista destaca como primordial o trabalho de um pesquisador responsável na localidade. “E entendimento concreto e real da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Saúde e da Câmara Municipal para que o projeto seja instalado com a participação de agentes de saúde contratados para aquela cidade”, ressalta.
Nos próximos anos, o estudo realizado a partir do Projeto Itaberaí, segundo Ruffo Freitas-Junior deve trazer mais dados sobre detecção do câncer de mama, mas principalmente vai avaliar impactos do diagnóstico precoce na eficácia dos tratamentos e na redução da mortalidade pela doença.
Visibilidade nacional
O Projeto Itaberaí tem alcançado notoriedade na mídia brasileira. Além de reportagens publicadas em jornais de circulação nacional, como Folha de S.Paulo, a iniciativa foi destaque no programa Encontro com Patrícia Poeta, exibido pela Rede Globo.
O Encontro foi ao município goiano de Itaberaí para acompanhar o trabalho de agentes de saúde no projeto idealizado pelo mastologista da SBM, Ruffo Freitas-Junior.
O programa mostrou de que forma a iniciativa reduziu o diagnóstico tardio do câncer de mama e aumentou as chances de cura.
À reportagem do Encontro, Freitas-Junior destacou a importância de ampliar o projeto para outras cidades brasileiras. “Temos um projeto de baixo custo e com grande facilidade para ser trabalhado nos municípios, possibilitando alta possibilidade de cura e menos mutilação, o que me deixa extremamente feliz e confiante de que este é o melhor caminho no futuro próximo”, afirmou.
Nova Lei nº 15.267/2025 amplia direitos de pacientes submetidos à mastectomia
A Lei nº 15.267, de 21 de novembro de 2025, altera a Lei nº 9.797/1999 para garantir a inclusão da assistência fisioterapêutica no cuidado de pacientes que passaram por cirurgia de mastectomia.
A nova legislação assegura acompanhamento fisioterapêutico para reabilitação e prevenção de complicações pós-tratamento, ampliando o acesso tanto para mulheres quanto para homens submetidos ao tratamento do câncer de mama.
Clique aqui para acessar o PDF na íntegra.
Mamografia & Cuidado - Cartilhas da Oncoclínicas sobre o Câncer de Mama
A vida continua acontecendo em todas as fases. E cada uma delas merece atenção e cuidado. 💗
Com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Mastologia, a Oncoclínicas reforça a importância dos cuidados com a saúde e do diagnóstico precoce do câncer de mama, para que mais mulheres tenham bem-estar e qualidade de vida desde o diagnóstico até a reabilitação.
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Outubro Rosa tem semana dedicada a combater a desinformação
Ação coordenada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) visa alertar a população sobre a propagação de informações falsas (fake news), com prejuízos no enfrentamento do câncer de mama
As ações do Outubro Rosa, voltadas à conscientização e prevenção do câncer de mama, aumentam em cerca de 20% a realização da mamografia, principal exame para detecção precoce da doença. Este ano, com a recomendação do Ministério da Saúde para o início do rastreamento mamográfico a partir dos 40 anos de idade no Sistema Único de Saúde (SUS), a tendência é de que as estatísticas da campanha sejam ainda mais promissoras. Mas nem tudo são boas notícias. Informações falsas, compartilhadas principalmente em redes sociais, têm afastado as mulheres do diagnóstico em fase inicial que confere mais de 90% as chances de cura da doença. Com o propósito de combater a desinformação, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) coordena a partir desta semana uma ação nacional para que a população tenha a oportunidade de se beneficiar com orientações corretas que podem salvar vidas.
Se por um lado a SBM vê contemplados seus esforços junto ao Ministério da Saúde para o início do rastreamento mamográfico no SUS aos 40 anos de idade, e não mais a partir dos 50, como recomendado anteriormente pelas diretrizes públicas, por outro, a entidade expressa uma grande preocupação com a desinformação que interfere no diagnóstico precoce e, consequentemente, no enfrentamento da doença no Brasil.
“A desinformação, propagada principalmente em redes sociais, tem sido um grande entrave para que a conscientização e a prevenção do câncer de mama propostas pelo Outubro Rosa faça total sentido na vida das pessoas”, afirma Tufi Hassan, presidente da SBM.
Com o objetivo de combater informações equivocadas, a SBM dedica uma semana especial no Outubro Rosa para orientar a população. “A campanha vai ressoar em todo o Brasil, com mastologistas compartilhando vídeos e replicando, sistematicamente, informações corretas e baseadas em evidências”, ressalta Tufi Hassan. “É fundamental mostrar à população que a ciência salva vidas.”
Em seus canais oficiais, a SBM divulga esta semana um vídeo informativo sobre os prejuízos causados pelas fake news, ao mesmo tempo que reforça a importância do conhecimento verdadeiro como aliado da saúde das mulheres.
No vídeo, o mastologista Daniel Buttros, do Departamento de Políticas Públicas da SBM, aborda de maneira didática e objetiva a gravidade da propagação informações falsas no contexto do diagnóstico e tratamento do câncer de mama.
“No que se refere ao câncer de mama, tenho certeza absoluta que o movimento nas redes sociais está na contramão da ciência e a favor de prejuízos”, afirma Buttros. Os “prejuízos” podem ser mensurados pelo aumento do número de casos da doença. Estudo recente apresentado pela SBM, com base no banco de dados do SUS (DataSUS), destaca que no grupo de mulheres com 40 a 49 anos, a média de exames realizados chegou a 22% entre 2013 a 2022. No mesmo período, 54% dos casos diagnosticados são dos estadios III e IV, os mais avançados da doença. De acordo com projeção do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o País deve registrar 74 mil novos casos no encerramento do triênio 2023-2025.
No ambiente das redes sociais, a desinformação ganha visibilidade a partir de leigos e também de profissionais da área da saúde. “Em busca de engajamento ou fama, essas pessoas utilizam a comunicação para trazer discussões polêmicas que vão confundir a população e viralizar”, observa Buttros.
Os efeitos da viralização de informações incorretas são preocupantes, na visão do mastologista. “Uma mulher que tem medo de fazer mamografia, e isso é muito comum, vai se valer dessa informação como verdade porque, para ela, isso se torna conveniente. Ela não vai fazer o exame e talvez um dia descubra ter perdido a oportunidade de receber o diagnóstico de um câncer de mama pequeno e mais fácil de tratar.”
Entre as fake news mais comumente propagadas em redes sociais, o mastologista da SBM elenca a falsa informação de que “a mamografia causa câncer de mama por conta da radiação”. Há também a crença de que “a biópsia de mama alastra a doença”. Para o especialista, quem propaga este tipo de desinformação, assim como convicções equivocadas de que a doença pode ser tratada com “soroterapia ou chás” está tirando a oportunidade de uma mulher de se tratar de maneira digna, amparada pela ciência.
No vídeo da SBM, ainda há orientações de como se precaver contra as fake news. Uma das sugestões é para que em caso de dúvida se busquem informações idôneas. Saber quem está falando, se tem formação específica na área, é outra forma de checar a veracidade do que está sendo propagado.
“As fake news prejudicam a vida de muita gente. É muito importante não fazer parte do compartilhamento, não comentar e não dar ibope, porque é isso que essas pessoas querem”, finaliza Daniel Buttros.
Ministério da Saúde amplia acesso à mamografia a partir dos 40 anos
Sociedade Brasileira de Mastologia comemora decisão histórica, reforça importância do diagnóstico precoce e explica o que muda para as mulheres brasileiras
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (23) uma mudança histórica na política nacional de rastreamento do câncer de mama: a partir de agora, mulheres de 40 a 49 anos poderão realizar mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo sem sinais ou sintomas da doença, mediante decisão conjunta com o profissional de saúde. A medida revoga as barreiras que dificultavam o acesso desse grupo etário ao exame e aproxima o Brasil das recomendações das principais sociedades médicas do mundo.
SBM defende rastreamento desde 2008
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) considera esta medida uma vitória para a saúde da mulher brasileira. Desde 2008, a entidade recomenda que o rastreamento mamográfico seja iniciado aos 40 anos, em frequência anual, posição defendida com base em evidências científicas e na realidade epidemiológica do país.
“Há muitos anos a SBM luta para que as brasileiras tenham acesso ao rastreamento precoce a partir dos 40 anos. Cerca de 40% dos casos de câncer de mama são diagnosticados entre os 40 e 50 anos, o que mostra o quanto essa decisão pode salvar vidas. Esta é uma conquista de toda a sociedade e resultado de um trabalho persistente de sensibilização junto ao poder público”, afirma Tufi Hassan, presidente da SBM.
Entenda o que mudou
Até então, o protocolo nacional de rastreamento recomendava a mamografia apenas para mulheres de 50 a 69 anos, com repetição a cada dois anos, independentemente de histórico familiar ou sintomas. Com o novo direcionamento do Ministério da Saúde, passam a valer as seguintes diretrizes:
• Mulheres de 40 a 49 anos: passam a ter direito ao exame, a partir de decisão conjunta com profissional de saúde, mesmo sem sinais ou sintomas.
• Faixa de 50 a 74 anos: segue com rastreamento regular a cada dois anos, mas agora com a faixa etária estendida até os 74 anos.
• Acima de 74 anos: a indicação será personalizada, considerando histórico clínico e expectativa de vida.
Segundo o Ministério, a ampliação de acesso para a faixa de 40 a 49 anos e a extensão até os 74 representam um convite para que mais mulheres realizem o exame regularmente, fortalecendo o diagnóstico precoce.
Ministério da Saúde destaca impacto
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a medida é uma prioridade para reduzir o número de diagnósticos tardios.
“Garantir a mamografia a partir dos 40 anos no SUS é uma decisão histórica. Estamos ampliando o acesso ao diagnóstico precoce em uma faixa etária que concentra quase um quarto dos casos de câncer de mama. Enquanto alguns países erguem barreiras e restringem direitos, o Brasil dá o exemplo ao priorizar a saúde das mulheres e fortalecer o sistema público”, destacou.
Compromisso contínuo da SBM
A SBM celebra o avanço, mas lembra que ainda existem desafios importantes, como ampliação do alcance, garantia de tecnologia de ponta e acesso universal aos medicamentos estratégicos.
“Comemoramos esta conquista, mas nosso compromisso é permanente. Seguiremos acompanhando de perto a implementação dessas políticas públicas, monitorando os indicadores de saúde mamária e cobrando sua efetiva regulamentação e inclusão no orçamento. Em saúde, não basta estar no papel, é preciso garantir que o acesso aconteça na prática, com qualidade e equidade para todas as mulheres brasileiras”, conclui Tufi Hassan.
Board discute cuidados para câncer e obesidade
Nesta semana, o Instituto Oncoguia realizou mais uma edição do Board de Câncer e Obesidade. A iniciativa, cuja primeira reunião ocorreu em 2024, tem como objetivo reunir especialistas de diversas áreas da saúde para aprofundar a discussão sobre a relação entre câncer e obesidade e desenvolver estratégias que aprimorem o cuidado aos pacientes.
O Board é atualmente composto por 13 entidades atuantes em diferentes áreas da saúde: Febrasgo, Grupo Eva, Obesidade Brasil, Painel Brasileiro de Obesidade (PBO), Oncoguia, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Nutrição Oncológica (SBNO), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO) e Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Durante esta edição, os participantes destacaram a importância de ampliar o conhecimento sobre a relação entre as duas doenças, reforçando a necessidade de mais pesquisas e estudos, além da capacitação de profissionais de saúde para garantir um cuidado mais qualificado e humanizado.
O grupo avança agora na elaboração de iniciativas conjuntas para orientar profissionais de saúde em todo o país e fortalecer a qualidade e a integralidade do atendimento às pessoas que convivem com essas duas condições.
Conteúdo produzido pela equipe do Instituto Oncoguia - Acesse o site em www.oncoguia.org.br
Brasil se destaca no cenário mundial pelos bons resultados dos programas de residência médica em Mastologia
Estudo publicado pela revista ‘Educación Médica’, com a participação da SBM,traz dados e reflexões sobre esse importante modelo de formação.
O estudo “From mastectomy to reconstruction: Medical residency programs transforming breast cancer care”, coordenado pelo mastologista José Pereira Guará, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Maranhão, traz uma importante contribuição sobre os programas de residência em Mastologia no Brasil.
Publicado pela Educación Médica, revista dedicada à divulgação de iniciativas e experiências educacionais inovadoras, com o propósito de aprimorar o progresso científico e a qualidade em educação médica, o estudo conta também com a participação das pesquisadoras Alcione Miranda dos Santos e Rosângela Fernandes Lucena Batista, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
O estudo ecológico retrospectivo, realizado a partir de dados do SIH/SUS, analisou 244.538 procedimentos em 943 hospitais, dos quais 48 dispõem de programas de residência em Mastologia. Foram avaliadas internações hospitalares para tratamento cirúrgico de câncer de mama nos anos de 2014 a 2024.
A crescente demanda global por terapias especializadas para câncer de mama impulsionou a evolução do tratamento cirúrgico, tornando-o mais eficaz e diversificado, com diferentes níveis de complexidade, desde procedimentos conservadores até estratégias combinadas de reconstrução mamária. No entanto, o treinamento em cirurgia mamária é altamente heterogêneo em todo o mundo, com programas distintos de formação e níveis variados de proficiência.
No Brasil, a Mastologia é reconhecida como especialidade médica responsável pelo tratamento de doenças da mama. “Dentro do cenário mundial, o País desponta como um modelo de formação que difere dos Estados Unidos e de países europeus”, afirma o especialista José Pereira Guará. “Os mastologistas brasileiros passam por um programa específico de residência médica com duração de dois anos, projetado para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia”, completa.
Como os programas de residência médica no País são regulamentados pelo Ministério da Educação, hospitais com programas de residência médica geralmente oferecem condições de saúde superiores, que refletem melhores prognósticos para diversas doenças.
Para a residência em Mastologia, o currículo é abrangente e engloba habilidades clínicas, diagnóstico por imagem e, especialmente, habilidades cirúrgicas em vários níveis de complexidade. Isso inclui desde procedimentos oncológicos clássicos até cirurgias oncoplásticas com utilização de pedículos variados de mamoplastia, retalhos fásciocutâneos locais, retalhos miocutâneos, lipoenxertia, emprego de implantes etc.
No estudo publicado pela Educación Médica, as curvas de tendência temporal das cirurgias conservadoras nos hospitais com e sem programas de residência médica apresentaram uma propensão de crescimento ao longo de todo o período. Quanto às mastectomias, houve tendência decrescente de 2014 a 2018, seguida por um aumento em 2020 e um declínio subsequente. Em 2024, hospitais com programas de residência mostraram uma proporção menor de mastectomias em comparação com aqueles sem programas. Para cirurgias reconstrutivas, nos anos de 2014 a 2017, as curvas de tendência temporal são sobrepostas para hospitais com e sem residência médica. Entretando, a partir de 2018, hospitais com residência médica performaram significativamente mais cirurgias reconstrutivas que hospitais sem residência médica, mesmo durante o período pandêmico e pós-pandêmico da Covid-19.
Pare medir se essas diferenças foram estatisticamente significativas, os autores utilizaram um Modelo Linear Generalizado Misto com os efeitos fixos e aleatórios, revelando que hospitais com residência médica foram responsáveis por executar cirurgias reconstrutivas da mama na ordem de pelo menos 80% a mais do que hospitais sem residência médica no âmbito do SUS a partir de 2018.
O estudo coordenado por Guará constata que hospitais com programas de residência em Mastologia representam menos de 5% de todas as instituições que realizam cirurgias de mama no Brasil. Porém, esses mesmos hospitais foram responsáveis por pelo menos um quarto de todas as cirurgias de mama em todo o País entre 2014 e 2024.
Além do treinamento cirúrgico em reconstrução oferecido nos programas de residência em Mastologia, o Brasil investe em cursos especializados em cirurgia oncoplástica que expandiram significativamente as técnicas reconstrutivas em todo o território nacional. “Muitos instrutores desses cursos são afiliados a programas de residência em Mastologia, o que contribui diretamente para o aumento do número de reconstruções realizadas nesses hospitais”, avalia.
Por fim, o estudo que tem a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) demonstra, nas palavras de José Pereira Guará, “que a residência médica em Mastologia no cenário nacional é capaz de oferecer um tratamento muito mais complexo e com melhores resultados do ponto de vista estético e funcional para a paciente com câncer de mama”.
Maioria das gestantes brasileiras recebe orientações superficiais sobre amamentação, aumentando riscos à saúde de mães e bebês
Alerta da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) aponta para a necessidade de incluir informações aprofundadas sobre lactação na rotina de pré-natal
Embora as estatísticas mostrem que entre 60% e 84% das gestantes brasileiras recebem informações sobre amamentação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alerta que estas orientações têm sido superficiais e insuficientes. De acordo com Mayka Volpato, responsável pelo Departamento de Aleitamento Materno da SBM, são muitas as mulheres que chegam ao consultório de mastologia com complicações mais graves relacionadas à amamentação, como mastite, formação de abscessos, fissuras que não cicatrizam e dor crônica, justamente pela falta de orientação adequada no pré-natal sobre as peculiaridades e implicações do aleitamento materno.
“Costumo dizer que toda paciente grávida precisa de um pré-natal de amamentação”, ressalta. A ponderação da mastologista da SBM tem uma razão: sem a preparação adequada, as mulheres acabam vivenciando experiências negativas durante a lactação, com grande prejuízo nutricional para o recém-nascido, com impacto direto em sua saúde, além de aumentar o impacto emocional do puerpério.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. O leite materno é rico em vitaminas e minerais, carboidratos, ferro, gorduras, hormônios, enzimas e anticorpos que atuam contra microorganismos e agentes infecciosos, garantindo proteção à criança. Entre os nutrientes também estão proteínas como a lactoalbumina.
Mesmo com um alto índice de mulheres informadas mulheres informadas sobre amamentação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a representante da SBM pontua que esta orientação é realizada de forma superficial.
A gravidade da situação é exemplificada por um estudo realizado com mulheres com diabetes gestacional em que o acesso à informação foi reduzido. “Até 25% não recebe qualquer orientação”, enfatiza dra Maika. A médica destaca ainda as disparidades regionais. Em municípios menores, a situação é ainda mais grave, com levantamentos indicando que a falta de informações pode atingir até 22% das gestantes.
Todas as mulheres que passam pelo pré-natal, na visão de Mayka Volpato, deveriam questionar ativamente seus médicos sobre amamentação, procurar orientações com o pediatra que vai acompanhar o bebê e buscar informações em grupos de apoio de amamentação do SUS (Sistema Único de Saúde). “Na falta dessas instruções no pré-natal, é importante que elas recebam, antes da alta hospitalar, orientações sobre a ‘pega’ correta para alimentação do bebê, o melhor posicionamento do recém-nascido e o que está por vir em casa na rotina de amamentação”, complementa a médica.
É no ambiente doméstico que dificuldade e complicações surgem, impactando na jornada da amamentação. Entre elas, a mastologista destaca o ingurgitamento mamário (“leite empedrado”) e a mastite, que atinge de 3% a 20% das lactantes. Fissuras que não cicatrizam e dores crônicas também são relatadas com frequência. “Quando orientadas previamente a manejar essas situações, as mulheres tendem a passar pelo período de amamentação com mais tranquilidade”, afirma Maika.
Ao reforçar a importância da amamentação, Mayka Volpato reitera que o aleitamento materno é a forma natural de estabelecimento de vínculo e afeto entre mãe e bebê. “Como estratégia de nutrição, contribui para a saúde da criança e da lactante e a redução da mortalidade infantil no Brasil”. A SBM defende, portanto, que a qualidade e aprofundamento das orientações sobre lactação e amamentação no pré-natal são essenciais para garantir um futuro mais saudável para os brasileiros.









