Posicionamento Estratégico da SBM: Rumo à Incorporação Essencial do Painel NGS no SUS e a Construção de uma Linha de Cuidado Integral em Mastologia

Posicionamento Estratégico da SBM: Rumo à Incorporação Essencial do Painel NGS no SUS e a Construção de uma Linha de Cuidado Integral em Mastologia

Prezados(as) Associados(as) da Sociedade Brasileira de Mastologia,

É com a convicção de que estamos na vanguarda da saúde mamária que a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) se dirige a vocês. Reafirmamos nosso compromisso inabalável com a excelência clínica e a equidade no acesso aos mais avançados recursos diagnósticos e terapêuticos. Neste contexto, a incorporação do painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para o câncer de mama hereditário no SUS não é apenas um avanço tecnológico, mas uma necessidade imperativa para a consolidação de uma política de prevenção e tratamento efetivo em nosso país. A SBM se posiciona totalmente favorável à incorporação do PAINEL NGS em mulheres com câncer de mama, um PRIMEIRO passo fundamental para transformar a realidade de milhares de pacientes.

  1. Reafirmação da Custo-Efetividade e Resposta às Críticas da CONITEC

Compreendemos as análises da CONITEC sobre a custo-efetividade, mas é crucial contextualizá-las. O dossiê técnico é robusto e demonstra que a incorporação da tecnologia se justifica plenamente ao considerar o próprio limiar de oncologia mais elevado previsto no relatório da CONITEC (R$120.000,00/QALY). As análises indicaram uma Razão de Custo-Efetividade Incremental (RCEI) de R$ 75.961,11/QALY (com fator de correção 2.8) e R$ 35.741,85/QALY (sem o fator de correção). Ambos os valores situam-se muito abaixo do teto deste limiar alternativo, validando a tecnologia como inovadora e de alto ganho em saúde.

É importante sublinhar que nosso relatório foi, propositalmente, conservador. A custo-efetividade da testagem é, na realidade, subestimada quando não se consideram todos os benefícios em cascata e de uma linha de cuidado. Um exemplo claro é o impacto da Mastectomia Redutora de Risco (MRR). É fundamental ressaltar que a MRR não só reduz drasticamente a incidência do câncer de mama, mas, em mulheres BRCA mutadas e com menos de 40 anos, demonstra também uma melhora significativa na sobrevida global. A otimização da custo-efetividade se amplia ainda mais se for possível testar familiares assintomáticos quando probando com teste alterado e viabilizar as cirurgias redutoras de risco de mama, trompas e ovários , além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas. Protocolos para câncer de mama hereditários são custo efetivos e salvadores de vida. Essas estratégias  não estão disponíveis no SUS, o que inviabilizou inclusão no relatório de custo-efetividade para a CONITEC. De acordo com o Ministério da Saúde, a análise deve ser limitada pelas exigências metodológicas vigentes com utilização exclusiva de procedimentos oficialmente disponíveis no SUS.

Nossa defesa pela incorporação do NGS transcende a tecnologia; ela abraça a filosofia de valor em saúde, que concebe uma medicina sustentável impulsionada pela tecnologia. Ao focarmos na otimização da cadeia de valor e no aprimoramento das linhas de cuidado, buscamos não só melhorar a saúde da nossa população, mas também gerar uma significativa redução de custos – desde os diretos até os micro-custos de implementação responsável e custos sociais.

  1. Equidade, Ética e o Caminho da Implementação Gradual

A SBM está totalmente de acordo com a preocupação ética de testar familiares e de instituir condutas que reduzam o risco de câncer. Não aprovar a incorporação da tecnologia de NGS  significa, em última instância, manter as pacientes do SUS sem informações cruciais para sua saúde e com uma inaceitável disparidade em relação ao sistema de saúde complementar.

Acreditamos que, após a incorporação da tecnologia, um Grupo de Trabalho para o enfretamento do câncer de mama  criado pelo Ministério da Saúde e citado nas reuniões da CONITEC deve ser o responsável por cuidar das definições de qual teste, quais genes, aonde testar, em quem testar e qual linha de cuidado mínima estabelecida para que a implementação ocorra em larga escala, de forma ética, ordenada e sustentável. Temos bons exemplos para guiar este grupo: o projeto "Goiás Todo Rosa" e as leis municipais que já existem em seis estados brasileiros para testagem de BRCA/ painel câncer de mama hereditário no SUS. Projetos apoiados pelo governo, como o INCT Prev Onco e recente PRONON, também sustentam a importância dessa tecnologia.

O primeiro passo é, inequivocamente, o apoio à aprovação. A "linha de cuidado" que deve vir em conjunto, a ser delineada por um Grupo de Trabalho liderado pelo Ministério da Saúde, deve ser pensada com base em custo-efetividade e responsabilidade, para não sobrecarregar o sistema. A Sociedade Brasileira de Mastologia, ciente de sua responsabilidade e expertise, deseja fazer parte da reunião desse Grupo de Trabalho.

  1. Proposta para um Painel Mínimo e o Foco na Prevenção Ampliada: indo além do dossiê

Diante do panorama genético brasileiro, caracterizado pela elevada incidência de mutações em TP53, e considerando a recente aprovação do Olaparibe para pacientes com câncer de ovário BRCA mutado (uma decisão que, infelizmente, não foi acompanhada de uma logística de testagem em larga escala pré-definida), torna-se evidente a necessidade de uma abordagem mais abrangente.

A SBM propõe a incorporação de um painel mínimo de genes de alto risco modificadores de condutas cirúrgicas e de rastreamento para todas as pacientes com novo diagnóstico de câncer de mama e ovário. Uma possível proposta é testar incialmente mulheres com novos diagnósticos de câncer de ovário em qualquer idade e novos diagnósticos de câncer de mama antes dos 40 anos, onde a vigilância completa da saúde mamária e ovariana pode otimizar as intervenções e impactar positivamente a sobrevida. O painel para mama seria: BRCA1, BRCA2, TP 53, PALB2. E painel mama-ovário acrescentaria: RAD51C, RAD51 D, MSH6,MLH1,MSH2,BRIP1. Sugestão de linha de cuidado mínima: aconselhamento pré e pos teste, cirurgias de mama, trompas e ovário redutoras de risco, reconstrução da mama, Rm de mama com contraste se mama remasnecente, RM de corpo inteiro se TP53, acompanhamento com equipe especializada, testagem de 4 familiares assintomáticos, expansão dos critérios gradualmente até equiparar com critérios da ANS e uso de IPARP para câncer de ovário guiados pelos critérios de aprovação dessa medicação no SUS.

4.Conclusão

Esta abordagem não só alinha o SUS às melhores práticas internacionais, mas também garante que a prevenção e o tratamento sejam verdadeiramente efetivos e equitativos para a população brasileira, cumprindo a missão fundamental da saúde pública.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Atenciosamente,

A Diretoria da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)


Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pede inclusão de teste genético para câncer de mama no SUS

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pede inclusão de teste genético para câncer de mama no SUS

Por solicitação da entidade, Conitec disponibiliza até a próxima segunda-feira (02/02) Consulta Pública que avalia a inclusão de uma tecnologia de identificação de mutações genéticas associadas a 80% de risco de desenvolvimento da doença

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) solicitou à Conitec uma Consulta Pública com a finalidade de avaliar a inclusão no SUS (Sistema Único de Saúde) do Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês), tecnologia de análise genética que permite identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 associados ao risco hereditário de câncer de mama. “Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é disponibilizado no SUS”, afirma a mastologista Alessandra Borba, presidente do Departamento de Oncogenética da SBM. “É muito importante que as pessoas se mobilizem e se manifestem sobre o tema para que o benefício se torne realidade também na rede pública”. Na plataforma Brasil Participativo, a Consulta Pública nº 3/2026 está aberta até a próxima segunda-feira (02/02).

As mutações genéticas BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama. Na época, os médicos estimaram que Jolie teria 87% de chance de desenvolver a doença durante a vida.

De acordo com o estudos populacionais recentes, os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam aproximadamente 5-10% do total dos cânceres.

Pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, segundo Alessandra Borba, têm mais chances de desenvolver cânceres de mama e ovário. A mutação no gene BRCA representa um risco de 60-80% para câncer de mama e 20-40% para o de ovário.

O Sequenciamento de Nova Geração (NGS) avalia de forma simultânea e rápida milhões de fragmentos de DNA. No processo que envolve várias etapas, incluindo “purificação, amplificação e isolamento dos fragmentos de DNA”, são identificadas as mutações genéticas. Em seguida, as sequências desses pequenos fragmentos são lidas e transformadas em dados eletrônicos, que são comparados a um genoma ou sequência de “referência”, permitindo identificar variantes ou mutações patogênicas (alterações genéticas que podem causar doença) em genes ou regiões-alvo.

A partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), indicam importante impacto em redução de chances de desenvolver a doença, aumentando também as chances de as pacientes portadoras de mutação estarem vivas.

O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avalia, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. “Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos  familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, destaca.

Embora o passo inicial seja a aprovação do NGS como benefício para pacientes do SUS, Alessandra destaca a importância de se estabelecer também uma linha de cuidado delineada por um Grupo de Trabalho multidisciplinar, sob a coordenação do Ministério da Saúde. De acordo com a mastologista, cabe ao grupo, no qual a SBM pleiteia participação, definir critérios de testagem para a aplicação do recurso tecnológico de forma ética, ordenada e sustentável em larga escala.

A implementação em fases é uma das estratégias a ser considerada para o NGS. A prioridade inicial seriam mulheres com câncer de mama e alto risco genético e, posteriormente, a ampliação do acesso a parentes de primeiro grau de pacientes com mutação identificada e inclusão de outros cânceres que fazem parte da síndrome genética, como ovário, próstata e pâncreas.

Até agora, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Amazonas dispõem de legislações específicas para Detecção de Mutação Genética dos Genes BRCA1 e BRCA2 custeada pelo SUS. “Mas ainda é preciso muito empenho para que este direito não seja apenas uma lei no papel”, afirma.

Na avaliação da presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, a incorporação da tecnologia NGS vai colocar em curso uma estratégia para diminuir as disparidades no acesso ao cuidado entre pacientes do SUS e do sistema complementar. “Protocolos para câncer de mama hereditário são comprovadamente salvadores de vidas”, conclui Alessandra Borba.

Como participar

- Acesse o link da Consulta Pública: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/2789/
- Faça o login no site gov.br.
- Responda ao questionário.
- Opine se é favorável ou não à incorporação do teste genético germinativo NGS para mulheres com câncer de mama.
- É possível comentar a opinião com base em vivência pessoal, familiar, de trabalho ou experiência técnica.
- A plataforma permite adicionar contribuições técnicas ou documentos.
- O Relatório Técnico e o Relatório para a Sociedade estão disponíveis com informações complementares.