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Sociedade Brasileira de Mastologia participa de um dos maiores eventos de oncologia e saúde do país

Prevenção, detecção precoce e qualidade de vida compõem o painel multitemático da SBM no 11º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) participa do Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) com um painel multitemático que destaca os avanços no controle e tratamento do câncer de mama, o mais incidente entre as mulheres brasileiras, sob a perspectiva de prevenção, detecção precoce e qualidade de vida. Em 11ª edição, o TJCC, um dos maiores eventos sobre oncologia e saúde do País, conduz os debates a partir da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, instituída pela Lei nº 14.758/2023, que entrou em vigor em junho deste ano, e depende de regulamentações específicas para sua efetiva implementação.

No 11º Congresso TJCC, realizado no WTC Events Center, em São Paulo (SP), a participação da SBM está marcada para a próxima quinta-feira (19/09) e vai reunir especialistas no painel “Transformando a jornada da paciente com câncer de mama – Somos todos responsáveis”. O evento tem transmissão on-line e ao vivo para todo o Brasil.

“O câncer de mama é uma doença controlável e curável diante dos avanços da medicina. A Sociedade Brasileira de Mastologia vem mostrar neste painel como estamos melhorando e como podemos avançar nos resultados de câncer de mama no Brasil com ações voltadas para prevenção, detecção precoce, tratamento em tempo hábil e sobrevida de qualidade. Estas ações envolvem múltiplos atores e comprovam que juntos somos mais fortes”, afirma a mastologista Sandra Gioia, presidente do Departamento de Políticas Públicas da SBM e movimentadora do congresso TJCC.

Como membro da diretoria da SBM, a mastologista Rosemar Rahal destaca a relevância multitemática do painel. “Muitas discussões que envolveram SBM, universidades e outras entidades com atuações importantes estão neste painel e resultaram em documentos encaminhados ao Ministério da Saúde para implementação de procedimentos e serviços em todo o Brasil”, afirma a especialista.

Um desses encaminhamentos sugere a estruturação de testagem genética para detecção de mutações patogênicas e provavelmente patogênicas para pacientes com câncer de mama e ovário e seus familiares no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Entre os fatores aumentados de risco, especialistas destacam a mutação do gene BRCA. De acordo com a SMB, esta alteração genética representa até 80% de possibilidade de desenvolvimento de câncer de mama e de 40% para o de ovário.

O exame para Detecção de Mutação Genética dos Genes BRCA1 e BRCA2, custeado pelo SUS, afirma Rosemar Rahal, é um meio eficiente para identificar a mutação e realizar medidas profiláticas que podem salvar milhares de mulheres. Embora exista legislação que permite a realização do teste em cinco Estados brasileiros, somente Goiás, de fato, implementou o exame. A mastologista da SBM participou ativamente para que a partir da assinatura de um convênio do governo estadual, em outubro de 2023, com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o painel genético para câncer de mama herdado fosse realizado pelo Centro de Genética Humana do Instituto de Ciências Biológicas da mesma universidade.

Em audiência pública na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a SBM também defendeu a ampliação do acesso a diagnósticos e aprimoramento nos tratamentos no alcance do SUS. No período de 2015 a 2022, avaliado pelo Panorama do Câncer de Mama, na faixa etária de 30 a 49 anos somaram-se 117.984 novos casos da doença, ou 30,5% do total apurado, que inclui também mulheres de 50 a 59 anos e de 60 a 69 anos. “Quando olhamos para esta estatística, constatamos que o ‘rejuvenescimento’ do câncer de mama já é uma realidade no Brasil”, afirma Rosemar. Segundo ela, é imperativo que o Ministério da Saúde reveja o início do rastreamento da doença e considere a idade mínima a partir de 40, e não aos 50 anos.

O painel da SBM no 11º TJCC apresenta ainda contribuições sobre o impacto da nutrição e da atividade física em mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Estudos recentes indicam que a prática regular de exercícios moderados pode ter um efeito antitumoral significativo, especialmente em determinados subtipos da doença.

Sobre a adesão das pacientes com câncer de mama a recomendações de estilo de vida saudável, associando atividade física à alimentação balanceada, pesquisas revelam redução expressiva de mortalidade e de recorrência da doença.

As barreiras enfrentadas pelas pacientes para acesso a diagnóstico e tratamento também merecem o debate no painel da SBM. Um dos aspectos destacados por Rosemar Rahal faz referência à cobertura mamográfica inadequada. “No SUS, temos número suficiente de aparelhos de mamografia para atender a população-alvo. No entanto, nunca passamos de 30% do rastreamento”, afirma Rosemar. Como efeito, a especialista observa que os casos de câncer de mama em estágio avançado são maiores na rede pública em comparação com a saúde suplementar, que inclui os planos de saúde.

Desde a biópsia até o primeiro tratamento, observam-se diferenças entre o SUS e a saúde suplementar. Em até 30 dias, os atendimentos representaram, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, 21,1% no SUS e 45,4% no sistema privado. Entre 30 e 60 dias, o SUS registra 34%; a saúde suplementar, 40%. Acima de 60 dias, foram 44,9% no SUS e 14,6% no sistema privado. Neste sentido, a SBM considera fundamental a aplicação da Lei nº 12.732 de 2012, que determina o início do tratamento no prazo máximo de dois meses.

Painel SBM

Acompanhe os temas do painel, “Transformando a jornada da paciente com câncer de mama – Somos todos responsáveis”, da SBM, que será apresentado pela jornalista Lilian Ribeiro e terá como convidadas as mastologistas Annamaria Massahud Rodrigues dos Santos e Paula Cristina Saab.

- “Nutrição e atividade física estão revolucionando os cuidados médicos”, com Daniel Cady, nutricionista, empresário e TEDx speaker.
- “Impacto da mudança de estilo de vida nas sobreviventes do câncer”, com Daniel Buttros, professor do programa de pós-graduação em Tocoginecologia da Unesp e membro da SBM.
- “Medicina de precisão para todos: é possível?”, com Rosemar Rahal, professora do Programa de Mastologia UFG (Universidade Federal de Goiás) e membro da diretoria da SBM.
- “Barreiras e oportunidades na jornada da paciente: quais as necessidades a serem atendidas?”, com Carlos Ruiz, mastologista no HC FMUSP/ICESP e do Centro de Oncologia Hospital Alemão.

Mais informações sobre o 11º TJCC: www.congresso.tjcc.com.br


Amamentação é fator de igualdade social que merece atenção individualizada de especialistas

Amamentação é fator de igualdade social que merece atenção individualizada de especialistas

Período de lactação exige orientação personalizada por parte de mastologistas e tratamento diante de problemas como a mastite, que atinge até 20% das mães que amamentam

A Semana Mundial de Aleitamento Materno, realizada entre 1º e 7 de agosto, destaca na campanha deste ano que “o aleitamento deve ser fator de igualdade na sociedade, e esforços precisam ser feitos para garantir que todos tenham apoio e oportunidade para amamentar”. Apesar da ação abrangente, a amamentação envolve questões individuais, segundo a mastologista Mayka Volpato, responsável pelo Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “É preciso olhar para o aleitamento como algo personalizado, que requer orientação por parte de especialistas. Em alguns casos, é necessária uma equipe multidisciplinar para tratamentos das dores e lesões mamilares crônicas, além da mastite, que é fator do desmame precoce de bebês”, afirma.

O leite materno é rico em vitaminas e minerais, carboidratos, ferro, gorduras, hormônios, enzimas e anticorpos que atuam contra microorganismos e agentes infecciosos, garantindo proteção à criança. Entre os nutrientes também estão proteínas como a lactoalbumina. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida.

Apesar de fundamental para a saúde do bebê, muitas mulheres interrompem a amamentação diante de intercorrências, como a mastite, processo inflamatório associado à dor que dificulta o aleitamento. “Este é um problema que atinge de 3% a 20% das lactantes”, destaca a mastologista Mayka Volpato, da SBM.

Desde 2022, no entanto, a partir da mudança de entendimento sobre os fatores que causam a mastite, os especialistas podem proporcionar tratamentos mais adequados às pacientes. “Até esta data, acreditávamos que a mastite era causada pela entrada de bactérias por fissuras na mama”, lembra. “Hoje a fisiopatologia entende como causa o estreitamento do ducto da mama, por onde passa o leite. Esse estreitamento pode ser fruto do excesso de leite tanto na produção quanto no armazenamento.”

No caso de hiperlactação, a especialista sugere o manejo, que pode ser orientado para que a paciente faça a livre demanda, em que o bebê regula as mamadas de acordo com sua necessidade, evitando ordenhas desnecessárias, que contribuem para o aumento da produção. Casos menos comuns necessitam de tratamento medicamentoso.

“Cada dia mais também temos novas evidências sobre a disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota intestinal), que tem potencial para desencadear doenças sistêmicas e impactar outros órgãos como mama, pele, vagina, cérebro, fígado entre outras. Diante disso, os probióticos estão ganhando mais espaço em todas as áreas da medicina”, observa Mayka.

A disbiose mamária é outro fator predisponente para mastite e se caracteriza pelo desequilíbrio no crescimento de microrganismos que naturalmente são encontrados na mama.

De acordo com a mastologista, o ducto de leite normal apresenta várias bactérias heterogêneas e que vivem em equilíbrio. “Em caso de disbiose, existe um aumento de uma população de bactérias específicas, promovendo um estreitamento ductal e menor fluxo de leite”, explica. “E quando temos uma obstrução ductal mais significativa ocorre a galactocele (acúmulo de leite), com possibilidade de infecção associada, que é a mastite lactacional.”

No tratamento da disbiose, que deve ser individualizado, as primeiras recomendações são alimentação equilibrada, hidratação, higiene do sono, manejo do estresse e atividade física. “Como forma de aumentar as bactérias benéficas da mama também podemos prescrever o probiótico Lactobacillusfermentum, que será lançado comercialmente em outubro no Brasil pela Nestlé”, diz. A mastologista explica que no caso brasileiro a opção ainda é a importação ou a prescrição manipulada do probiótico. Como indicação terapêutica e preventiva da mastite, já é disponibilizado de forma comercial em vários países.

Ao reforçar a importância do apoio à amamentação em todas as situações, como preconiza a campanha da Semana Mundial de Aleitamento Materno, Mayka Volpato afirma que o aleitamento materno é a forma natural de estabelecimento de vínculo e afeto entre mãe e bebê. “Como estratégia de nutrição, contribui para a saúde da criança e da lactante e a redução da mortalidade infantil no Brasil”, finaliza a mastologista da SBM.


Atividade física regular tem efeitos positivos no câncer de mama

Atividade física regular tem efeitos positivos no câncer de mama

Para especialista da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), estudos realizados por importantes centros de referência nos Estados Unidos revelam resultados promissores associados ao estilo de vida das pacientes

Novo estudo publicado pela conceituada revista da Sociedade Americana de Oncologia Clínica destaca a importância da atividade física no prognóstico do câncer de mama. A pesquisa revela reduções significativas na taxa de mortalidade e na recorrência da doença em mulheres que mantiveram um estilo de vida saudável antes, durante e após o tratamento. “Os resultados são de fato surpreendentes e é possível afirmar que a prática regular de exercícios, dentro das recomendações estabelecidas, reverte-se em benefícios importantes para a saúde e o bem-estar das pacientes”, afirma o mastologista Silvio Bromberg, membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

O estudo multicêntrico, publicado na Journal of Clinical Oncology e liderado pelo oncologista Davide Soldato envolveu 10.359 mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágio I a III. No acompanhamento por aproximadamente 6 anos, os pesquisadores constataram que a atividade física moderada entre 90 minutos a cerca de 5 horas por semana foi associada a uma redução no risco de recorrência da doença.

“Os dados indicam que a atividade física regular pode ter um efeito antitumoral significativo, especialmente em determinados subtipos”, afirma Bromberg. Em pacientes com câncer de mama triplo-negativo, agressivo e de rápida evolução, “a taxa de sobrevivência livre de recorrência a distância (DRFS)” foi de 86% para praticantes de exercícios semanais por menos 90 minutos e de 91,6% para as mulheres que se dedicaram a um período igual ou maior a 90 minutos por semana. “Em pacientes HER2-positivas, a DRFS foi de 90% em menos de 90 minutos, e 96% em mais de 90 minutos semanais”, destaca o mastologista.

Outro estudo, também recente, envolveu 1.340 mulheres com câncer de alto risco. Conduzido por pesquisadores do Roswell Park Comprehensive Cancer Center, que desde 1898 se dedica, especificamente, a pesquisar a doença, analisou a adesão das pacientes a recomendações de estilo de vida saudável, incluindo atividade física, consumo de frutas, vegetais, carne vermelha e embutidos, bebidas adoçadas, ingestão de álcool, tabagismo e índice de massa corporal.

Nas investigações lideradas pela epidemiologista Rikk Cannioto, os resultados foram surpreendentes. “Mulheres que mantiveram um alto índice de estilo de vida saudável antes, durante e até dois anos após o tratamento da doença apresentaram uma redução de 58% em mortalidade e 37% na recorrência do câncer de mama”, ressalta Bromberg.

De forma generalizada, o tempo de atividade física definida para mulheres com câncer de mama equivale a cerca de 75 minutos por semana. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda entre 150 e 300 minutos de exercício moderado ou 75 a 150 minutos para atividade intensa por semana.

“Os dois estudos reforçam a importância de um estilo de vida ativo para pacientes com câncer de mama, com destaque para a atividade física como uma ferramenta crucial na redução da mortalidade e recorrência da doença”, conclui o médico Silvio Bromberg, da Sociedade Brasileira de Mastologia.


Mulheres com câncer de mama têm risco de desenvolver formas graves da dengue

Mulheres com câncer de mama têm risco de desenvolver formas graves da dengue

De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a baixa imunidade decorrente de quimioterapia e radioterapia pode agravar a infecção pela doença

Com cerca de 1 milhão de casos de dengue nos dois primeiros meses do ano, mais da metade do total registrado em 2023, e com a perspectiva de crescimento em março e abril, o Ministério da Saúde estima em 4,2 milhões os diagnósticos da doença em 2024. Diante deste panorama, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alerta para a infecção em mulheres com câncer de mama. “Nestas pacientes, a imunidade tende a ser mais baixa e configura fator de risco para o desenvolvimento das formas mais graves da dengue, principalmente entre as que estão em tratamento oncológico”, afirma o mastologista André Mattar, tesoureiro adjunto e membro do Departamento de Tratamento Sistêmico da SBM.

“Nós temos hoje uma epidemia de dengue no Brasil”, afirma Mattar. “Mas para a SBM, a possibilidade de infecção da doença em mulheres com câncer de mama é motivo de grande preocupação.” Nestas pacientes, o tratamento da dengue, segundo o mastologista, é basicamente direcionado aos sintomas, com melhora da dor, hidratação adequada via oral e mesmo aplicação de soro. “No entanto, há uma atenção redobrada com o grupo que se submete à quimio e à radioterapia”, diz.

Nos dois procedimentos prescritos para o tratamento de câncer de mama, o organismo se ressente com a baixa imunidade. “Nestes casos, o quadro de dengue pode ser mais grave e, eventualmente, temos mesmo que suspender as medidas contra o câncer, algo que não apenas atrasa o tratamento, mas compromete a saúde geral da paciente”, destaca.

Eventualmente, a quimioterapia ataca o fígado da paciente com câncer de mama. “A dengue também tem potencial para afetar as células do órgão e provocar lesões. Os efeitos que advêm da combinação das duas doenças podem ser severos”, alerta o especialista da SBM.

Por conter o vírus vivo atenuado, a vacina da dengue é contra-indicada para pessoas imunossuprimidas. “E aqui nós incluímos as pacientes com câncer de mama”, afirma. “Mesmo para o grupo de mulheres que se submete somente à radioterapia, a vacina não é recomendada”, completa. Segundo Mattar, mulheres que passam por quimio ou radioterapia devem esperar seis meses após o tratamento para se vacinarem.

O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Atualmente, há quatro sorotipos diferentes circulando no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença. No entanto, idosos, pessoas com doenças crônicas e mulheres diagnosticadas com câncer de mama têm maior risco de evolução para casos graves da dengue.

Na chamada dengue clássica, os sintomas mais comuns são febre súbita, entre 39oC e 40oC, dores de cabeça, no corpo, nas articulações e atrás dos olhos. “Estas dores não melhoram e é essencial que a pessoa procure ajuda médica quanto antes”, afirma Mattar.

Nos casos de dengue grave, também conhecida como dengue hemorrágica, há queda acentuada da pressão arterial seguida de insuficiência circulatória severa, que pode levar à falência de múltiplos órgãos e ate à morte.

Como forma de evitar a dengue, o especialista da SBM recomenda a prevenção. Segundo o Ministério da Saúde, 74% das larvas do mosquito Aedes aegypti são encontradas próximas às residências e no entorno das casas. “Como se reproduzem em qualquer reservatório sem proteção com água limpa, desde uma simples tampinha de garrafa a uma piscina sem cloro, é importante manter a limpeza de quintais e terrenos, não se descuidando nem mesmo dos vasos de plantas.”

O uso de repelente, especialmente no final da tarde, quando há maior circulação do mosquito, também é indicado pelo especialista. “Deve-se observar a frequência recomendada para as aplicações e utilizar produtos com pelo menos 20% de icaridina”, diz. Este princípio ativo é eficaz contra mosquitos provenientes de climas úmidos e tropicais.

“Nunca é demais ressaltar que a infecção por dengue entre pessoas saudáveis já é extremamente preocupante. Mas em mulheres com câncer de mama, a doença deve ter a prevenção elevada ao máximo de rigor”, finaliza André Mattar.


Crioablação é terapia promissora para câncer de mama em estágio inicial

Crioablação é terapia promissora para câncer de mama em estágio inicial

Estudo revela que esta é uma alternativa às cirurgias e tem taxa de sucesso de 100% para tumores menores que um centímetro

A crioablação se mostra como alternativa às cirurgias de câncer de mama em estágio inicial. A taxa de sucesso com esta terapia promissora é de 100% para tumores menores que um centímetro. Os resultados, obtidos a partir de um ensaio clínico multicêntrico que envolveu Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Hospital Israelita Albert Einstein e HCor (Hospital do Coração), preenchem uma lacuna sobre a efetividade do procedimento para o câncer de mama. O tratamento já é amplamente aplicado a neoplasias malignas de fígado, rins e próstata.

Os dados da investigação “Crioablação no tratamento de câncer de mama inicial: Resultados do estudo FIRST (FreezIng bReaST câncer in Brazil)”, segundo a mastologista Vanessa Monteiro Sanvido, professora adjunta e vice-chefe da Mastologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), lançam luz sobre a potencialidade do tratamento para pacientes diagnosticadas em estágio inicial da doença.

“Os resultados que obtivemos sugerem a alta eficácia da crioablação no combate a tumores pequenos, com pouca chance de recorrência”, afirma Vanessa, que também é uma das coordenadoras da pesquisa.

Na crioablação para câncer de mama, uma agulha de pequeno calibre é introduzida no interior do tumor. Através desta agulha, o carcinoma mamário recebe gás argônio e hélio. Entre ciclos de frio, com temperaturas muito baixas, entre -140oC e -160oC, as células tumorais são congeladas. Posteriormente, a agulha é aquecida, e novamente resfriada, até que o tumor seja completamente congelado. Os especialistas acompanham todo o processo por ultrassom.

O estudo multicêntrico envolveu 34 pacientes, com idade média de 60 anos. As participantes apresentavam tumores de 0,5 cm a 1,9 cm. “Todas foram submetidas a dois ciclos de congelamento de 6 minutos, e descongelamento de 4 minutos”, explica a mastologista.

No estudo brasileiro a taxa de ablação completa, casos em que o tumor foi inteiramente destruído, foi de 88%. “Para tumores menores que um centímetro, a taxa de sucesso alcançou 100%”, comemora Vanessa.

Nos Estados Unidos e no Japão, pesquisas similares já demonstraram bons resultados com a técnica aplicada ao câncer de mama. Alguns experimentos sugerem a não necessidade de cirurgia para retirada do neoplasma maligno após a crioablação, uma vez que as células tumorais tornam-se inativas e o câncer não evolui.

Além de se mostrar uma terapia promissora, a crioablação oferece vantagens significativas. “Há vários pontos a considerar. A natureza minimamente invasiva do procedimento, a ausência de dor para a paciente e a possibilidade de realizá-lo de forma ambulatorial são aspectos muito positivos”, destaca.

De acordo com Vanessa Sanvido, a crioablação nos casos de câncer de mama em estágio inicial representa uma redução de custos associados ao tratamento. “Para as pacientes, oferece conforto e segurança, uma vez que contribui para evitar complicações associadas à hospitalização e à administração de anestesia geral”, conclui a mastologista.


Vitamina D no tratamento de câncer de mama traz resultados promissores

Vitamina D no tratamento de câncer de mama traz resultados promissores

Estudo apresentado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) avalia boas respostas a partir da suplementação de vitamina D em pacientes submetidas à quimioterapia neoadjuvante

Medicamento acessível e de baixo custo, a vitamina D é associada a respostas promissoras no tratamento de câncer de mama. É o que demonstra estudo da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (SP) apresentado no Brazilian Breast Cancer Symposium (BBCS), em Brasília (DF). A pesquisa envolveu 80 mulheres a partir de 45 anos, diagnosticadas com câncer de mama. Metade das pacientes foi suplementada com vitamina D. As demais receberam placebo. “O grupo que obteve suplementação vitamínica apresentou uma resposta brilhante, em comparação ao que não recebeu”, afirma o mastologista Eduardo Carvalho Pessoa, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) Regional São Paulo.

A vitamina D é um hormônio essencial para manutenção da saúde óssea, absorção de cálcio e diversas funções essenciais no organismo. Cerca de 80% da vitamina D se forma quando os raios solares entram em contato com a pele. O restante da formação vem dos alimentos. Pelo fato de o Brasil ser um país tropical e ensolarado, imaginava-se que a população não apresentasse deficiência de vitamina D. No entanto, estudos provam o contrário e a hipovitaminose afeta principalmente mulheres na pós-menopausa.

A diretriz clínica da Task Force norte-americana considera deficiência de vitamina D valores inferiores a 20 ng/mL. Acima de 30 ng/mL é indicador de melhor disponibilidade desse hormônio no organismo.

Na Faculdade de Medicina da Unesp, a partir de investigações capitaneadas por Eliana Aguiar Petri Nahas, professora titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, a correlação entre vitamina D em organismos acometidos pelo câncer de mama foram observados em um estudo anterior ao apresentado na BBCS. “Investigamos, primeiramente, os níveis desta vitamina em pacientes na pós-menopausa sem câncer de mama e comparamos com mulheres na mesma condição, porém diagnosticadas com a doença”, lembra Pessoa. “Observamos que o nível basal de vitamina D foi muito menor nas pacientes com câncer do que nas mulheres que não apresentavam este neoplasma maligno. E esta evidência nos motivou a ir além”, diz.

O avanço nas pesquisas se materializou no estudo apresentado pela Sociedade Brasileira de Mastologia à comunidade médica no BBCS. Realizada entre outubro de 2019 e agosto de 2022, a investigação envolveu 80 mulheres com câncer de mama, todas elegíveis para tratamento quimioterápico neoadjuvante, atendidas no Centro de Avaliação em Mastologia da Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu. “Progredimos nesta linha de pesquisa investigando pacientes em diferentes tipos da doença: com tumores luminais, HER2 e triplo negativo”, destaca Pessoa.

Metade das mulheres participantes do estudo recebeu suplementação de 2.000 UI de vitamina D. Em outras 40 pacientes foi ministrado placebo. “Recebendo quimioterapia neoadjuvante e suplementação de vitamina D, o primeiro grupo apresentou um retorno brilhante com o tratamento, com resposta patológica completa em comparação ao que contou apenas com a medicação placebo”, diz o especialista. “Se considerarmos que a resposta patológica completa está associada à maior sobrevida livre de doença, temos o importante impacto de uma medicação barata no cenário do câncer de mama”, ressalta.

Para Eduardo Pessoa, os resultados trazidos pela pesquisa abrem grandes possibilidades para novos estudos. “Investigações mais aprofundadas podem confirmar o papel da vitamina D no aumento da taxa de resposta patológica completa, que como sabemos se traduz em maior chance de cura do câncer de mama”, conclui o mastologista da Sociedade Brasileira de Mastologia.


Nova droga é esperança para tratamento de câncer de mama agressivo

Nova droga é esperança para tratamento de câncer de mama agressivo

Estudo realizado com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) indica bons resultados para tratar o subtipo HER2-positivo, que responde por 20% dos diagnósticos da doença no mundo

Uma droga promissora no tratamento do câncer de mama metastático HER2-positivo, subtipo agressivo responsável por 20% dos diagnósticos da doença no mundo, surpreendeu cientistas de várias nacionalidades que participaram de um estudo recém-publicado na Nature Medicine. Um dos autores da pesquisa, o mastologista José Luiz Pedrini, diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), afirma se tratar de um avanço importante. “Significa esperança para mulheres diagnosticadas com este subtipo de câncer de mama, e mesmo para as que vivenciam o retorno da doença após o tratamento inicial.”

O estudo “Trastuzumabe deruxtecan versus trastuzumabe emtansine no câncer de mama metastático HER2-positivo: Análise de sobrevida em longo prazo do estudo DESTINY-Breast03”, publicado no início de junho na renomada revista científica Nature Medicine, envolveu pesquisadores dos Estados Unidos, da Espanha, Itália, França, Austrália, China, Coreia do Sul, do Japão e Brasil. Para comprovar os resultados positivos da aplicação da nova droga T-DXd (trastuzumabe deruxtecan), as investigações foram realizadas em diferentes centros de pesquisas mundiais.

Quando em excesso, a HER2, proteína localizada na membrana das células mamárias, promove um crescimento expressivo de células cancerosas. Por esta razão, este subtipo de tumor tende a ser mais agressivo. Antes da descoberta dos subtipos da doença, incluindo HER2-positivo, os casos de câncer de mama tinham praticamente o mesmo tratamento.

Hoje, as alternativas disponíveis para o HER2-positivo preveem cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. Como avanço para tratá-lo, há a chamada terapia-alvo, que inclui o trastuzumabe emtansine (T-DM1), incorporado recentemente ao SUS (Sistema Único de Saúde). De forma geral, a droga promove o bloqueio da ação da proteína HER2, impedindo o estímulo de crescimento das células tumorais.

No estudo publicado na Nature Medicine, os pesquisadores puderam comparar a segurança e a eficácia de dois medicamentos, um deles o T-DM1, e a nova droga T-DXd no tratamento de mulheres com doença avançada do biomarcador HER2-positivo.

O T-DXd já tem aprovação nos Estados Unidos, na União Europeia e no Japão para pacientes com câncer de mama metastático HER2-positivo e é ministrado após a progressão da doença com taxano e trastuzumabe ou em pacientes que desenvolveram recorrência da doença durante o tratamento ou dentro de seis meses de conclusão da terapia neoadjuvante e/ou adjuvante, ou seja, antes ou após a cirurgia de câncer de mama.

No Brasil, sob a condução do mastologista José Luiz Pedrini, as investigações foram realizadas no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre (RS).

“Ao todo, o estudo envolveu 261 pacientes, com idade média de 54 anos, que usaram a nova droga T-DXd, e 263, tratadas com T-DM1”, afirma Pedrini. A investigação revelou que as mulheres submetidas ao tratamento com a nova droga apresentaram maior tempo de sobrevida livre de progressão da doença quando comparadas com as pacientes tratadas com T-DM1 durante todo o período do estudo. “Com o T-DXd foram 29 meses; no T-DM1, 7,2 meses”, destaca.

Os autores também avaliaram a sobrevida livre de progressão em 24, 36 e 48 meses, e os resultados de T-DXd também se mostraram melhores. “Em 24 meses, a sobrevida livre de progressão da doença no grupo T-DXd foi de 55,8% contra 20,6% no grupo T-DM1. Em 36 meses, foram 45,7% para T-DXd e 12,4% para T-DM1. Finalmente, em 48 meses, obtivemos 41,5% com o uso de T-DXd e 9,9% com T-DM1”, compara.

Para o diretor da SBM, que tem a mesma opinião dos cientistas que participaram da investigação, os resultados são surpreendentes. “Justamente porque nunca houve uma diferença de benefício tão grande entre a melhor droga até então e uma nova droga, a T-DXd”, afirma.

As pacientes que participaram da pesquisa fazem uso da nova droga há cinco anos. “De outra forma, não teríamos alternativas de sobreviva”, diz José Luiz Pedrini, que acrescenta: “Será que entramos no caminho do controle de uma doença, que até então era impossível de curar?”


Manifesto é criado para federalização da testagem genética para câncer de mama e ovário no Brasil

Manifesto é criado para federalização da testagem genética para câncer de mama e ovário no Brasil

No Fórum de Acesso ao Painel Genético em Câncer de Mama, realizado no Brazilian Breast Cancer Symposium (BBCS), em Brasília, Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e Femama apresentam documento a ser enviado ao Ministério da Saúde com viabilidade da testagem em todo o País

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 73.610 novos casos de câncer de mama para cada ano do triênio 2023-2025. No Brasil, a doença tem sido diagnosticada em 42% das pacientes, com aproximadamente 16% de óbitos. Este tipo de neoplasma maligno é a primeira causa de mortalidade entre as mulheres brasileiras. Para o câncer de ovário, segunda neoplasia ginecológica mais comum, a estimativa é de 7.310 novos casos para cada ano do mesmo triênio. Em 2020, o câncer ovariano totalizou 3.920 óbitos, o que representa 3,62 mortes em cada 100 mil pacientes. Entre os fatores aumentados de risco, especialistas destacam a mutação do gene BRCA. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SMB), esta alteração genética representa até 80% de possibilidade de desenvolvimento de câncer de mama e de 40% para o de ovário. Diante desta realidade, SBM e Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) apresentaram no Fórum de Acesso ao Painel Genético em Câncer de Mama do Brazilian Breast Cancer Symposium (BBCS), em Brasília (DF), um manifesto a ser encaminhado ao Ministério da Saúde, acompanhado de um documento (policy paper) com todo o processo de estruturação de testagem genética para detecção de mutações patogênicas e provavelmente patogênicas para pacientes com câncer de mama e ovário e seus familiares no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde).

A testagem genética é recomendada por protocolos internacionais. No sistema suplementar brasileiro, operado pelos planos de saúde, está disponível desde 2014. “Sabemos que em boa parte das pacientes diagnosticadas com câncer de mama e ovário a origem pode ser genética”, afirma o presidente da SBM, Tufi Hassan, no Fórum de Acesso ao Painel Genético em Câncer de Mama do BBCS.

De acordo com Hassan, a testagem nestas mulheres pode beneficiá-las com exames mais precoces, quimioprevenção e cirurgias profiláticas. “É muitíssimo importante que esta testagem seja realidade em todo o País, pois diminuiria custos de tratamento adiante e daria sobrevida a essas pacientes”, diz.

O benefício de prevenção do câncer de mama e ovário hereditários pode impactar significativamente as famílias e a sociedade como um todo, evitando todo o sofrimento advindo do diagnóstico e do tratamento de um câncer.

Embora se destaque a robustez dos benefícios do acesso ao painel genético de BRCA1 e BRCA2 e esteja comprovada a efetividade da detecção de mutações patogênicas nestes genes, a testagem não está disponível no SUS em todo território nacional. Apenas Amazonas (Lei nº 5.404/2021), Goiás (Lei nº 20.707/2020), Minas Gerais (Lei nº 23.449/2019), Rio de Janeiro (Lei nº 7049/2015) e o Distrito Federal (Lei nº 6.733/2020) aprovaram leis que garantem o acesso à testagem genética por meio de seus serviços locais. Somente em Goiás o teste está disponível para toda a população desde fevereiro de 2023, por meio do programa Goiás Todo Rosa.

De acordo com a médica mastologista Rosemar Rahal, membro da diretoria da SBM, o documento (policy paper) apresentado no Fórum de Acesso ao Painel Genético em Câncer de Mama do BBCS norteia todo o processo de estruturação da testagem no Brasil. “Neste documento, que deve ser levado ao Ministério da Saúde, apresentamos números robustos sobre a importância da testagem e consideramos que já temos uma estrutura e maquinário para a realização deste procedimento”, afirma.

Há quatro anos, a Femama trabalha com o Congresso Nacional na concretização do Projeto de Lei nº 265/2020 para incluir a testagem genética no SUS, visando o controle dos cânceres de mama e ovário. Desde o ano passado, em conjunto com a SBM, a entidade desenvolveu o documento técnico que estabelecesse diretrizes clínicas, parâmetros para a estrutura assistencial, orientações para o planejamento do processo terapêutico, entre outros itens indispensáveis.

Sobre a estruturação de centros de testagem no País, o manifesto assinado por SBM e Femama ressalta que o Ministério da Saúde adquiriu equipamentos de última geração para sequenciamento genético. Este maquinário está disponível em laboratórios centrais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também conta com duas unidades altamente especializadas de diagnóstico. O Unadig (Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19) do Rio de Janeiro e do Ceará dispõem de equipamentos de Biologia Molecular, incluindo os sequenciadores NGS necessários à execução dos testes de BRCA. Além disso, a fundação ainda conta com uma Rede de Plataformas Tecnológicas composta por equipamentos de alta complexidade, com sistemas de genômica e bioinformática capazes de atender instituições públicas e privadas, “demonstrando que o Ministério da Saúde já dispõe de recursos físicos para organizar uma rede de testagem genética em oncologia capaz de atender a demanda nacional”, destaca o manifesto.

“Nossa proposta agora é que exista a federalização da lei que já é realidade em Estados brasileiros”, diz Rosemar Rahal. “Muitas vidas podem ser salvas se a população brasileira tiver acesso ao painel genético de BRCA1 e BRCA2”, completa a mastologista da SBM.

No manifesto, SBM e Femama ressaltam o compromisso e a parceria em colaborar tecnicamente para orientar serviços de saúde em cuidados centrados nos pacientes, “de modo a garantir, efetivamente, a equidade prevista no SUS, a qualidade do percurso assistencial, de forma sustentável, para usuários do sistema público com alto risco de câncer de mama e ovário”.


Evolução do número de casos de câncer de mama exige ações coordenadas

Evolução do número de casos de câncer de mama exige ações coordenadas

Na audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, em Brasília, Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) defende ampliação do acesso a diagnósticos e aprimoramento nos tratamentos no âmbito do SUS

Para cada ano do triênio 2023-2025, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 73.610 novos casos de câncer de mama. De acordo com o Panorama do Câncer de Mama, painel interativo aberto a médicos, gestores e sociedade civil que reúne informações sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), em 2022 foram registrados mais de 19 mil óbitos por este tipo de neoplasma maligno, primeira causa de mortalidade entre as mulheres brasileiras. Entre os fatores aumentados de risco, especialistas destacam a mutação do gene BRCA. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SMB), esta alteração genética representa até 80% de possibilidade de desenvolvimento de câncer de mama e de 40% para o de ovário. Os mastologistas também veem com atenção a tendência ao “rejuvenescimento” do câncer de mama no País. Estes e outros dados, que evidenciam a preocupação com a evolução da doença, foram apresentados no dia 23 de maio, na audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Como membro da diretoria da SBM, a mastologista Rosemar Rahal participou da audiência pública para apresentar dados e sugestões no enfrentamento do câncer de mama no Brasil. Entre 2015 e 2022, período de abrangência do Panorama do Câncer de Mama, foram notificados 374.548 novos casos da doença, com os maiores números registrados no Sudeste (168.637), Nordeste (90.640) e Sul (76.834).

O Brasil dispõe de mais de 6 mil aparelhos de mamografia, número suficiente para atender a população-alvo. “No entanto, no SUS nunca passamos de 30% do rastreamento”, destaca a especialista. Como efeito da cobertura mamográfica inadequada, os casos de câncer de mama em estágio avançado são maiores na rede pública em comparação com a saúde suplementar, que inclui os planos de saúde.

Desde a biópsia até o primeiro tratamento, observam-se diferenças entre o SUS e a saúde suplementar. Em até 30 dias, os atendimentos representaram, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, 21,1% no SUS e 45,4% no sistema privado. Entre 30 e 60 dias, o SUS registra 34%; a saúde suplementar, 40%. Acima de 60 dias, foram 44,9% no SUS e 14,6% no sistema privado. Neste sentido, a SBM considera fundamental a aplicação da Lei nº 12.732 de 2012, que determina o início do tratamento no prazo máximo de dois meses.

“Rejuvenescimento”

Segundo o Panorama do Câncer de Mama, na faixa etária de 30 a 49 anos somaram-se 117.984 novos casos da doença, ou 30,5% do total apurado, que inclui também mulheres de 50 a 59 anos e de 60 a 69 anos. “Quando olhamos para esta estatística, constatamos que o ‘rejuvenescimento’ do câncer de mama já é uma realidade no Brasil”, afirma a especialista.

De acordo com Rosemar, é imperativo que o Ministério da Saúde reveja o início do rastreamento da doença e considere a idade mínima a partir de 40 anos, e não aos 50 anos. O Panorama do Câncer de Mama indica que mulheres de 40 a 49 anos tiveram diagnóstico tardio em 39,6% dos casos. A faixa etária considerada de risco (entre 50 e 69 anos) responde por 35,3%.

Testagem genética

Em boa parte das pacientes diagnosticadas com câncer de mama e ovário, a origem pode ser genética. Este grupo pode ser beneficiado com testagem para detecção de mutações patogênicas nos genes BRCA1 e BRCA2. “A partir deste teste, as mulheres poderiam se valer de exames mais precoces, quimioprevenção e cirurgias profiláticas”, afirma a mastologista.

Embora o Ministério da Saúde tenha adquirido equipamentos de última geração para sequenciamento genético, e este maquinário esteja disponível em laboratórios centrais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, a testagem não está disponível no SUS em todo território nacional. Apenas Amazonas (Lei nº 5.404/2021), Goiás (Lei nº 20.707/2020), Minas Gerais (Lei nº 23.449/2019), Rio de Janeiro (Lei nº 7049/2015) e o Distrito Federal (Lei nº 6.733/2020) aprovaram leis que garantem o acesso à testagem genética por meio de seus serviços locais. Somente em Goiás o teste está disponível para toda a população desde fevereiro de 2023, por meio do programa Goiás Todo Rosa.

“Nossa proposta é para que exista a federalização da lei”, diz Rosemar Rahal. “Muitas vidas podem ser salvas se a população brasileira tiver acesso ao painel genético de BRCA1 e BRCA2”, completa.

Equiparação

O posicionamento da SBM também é para que haja a equiparação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) nos métodos diagnósticos e tratamento dos procedimentos aprovados pela Anvisa.

Alguns exames já estão incluídos apenas no rol da ANS: painel genético germinativo, pet-ct oncológico, ressonância magnética de mamas, marcação tumoral pré-quimioterapia, uso de medicina nuclear (radiofármacos) em cirurgia (roll e ls) e biópsia percutânea assistida à vácuo (mamotomia).

Embora estejam incorporados pela Conitec, alguns medicamentos ainda não estão disponíveis no SUS. São eles: trastuzumabe entansina e abemaciclibe/ribociclibe/palbociclibe. A droga pertuzumabe está liberada apenas para doença metastática.

“O benefício da prevenção da doença pode impactar positivamente as famílias e a sociedade como um todo, com diminuição de custos de tratamento”, diz Rosemar Rahal. “A implantação de políticas eficientes, a ampliação do rastreamento, entre outras medidas, são fundamentais para evitar todo o sofrimento para as pacientes e seus familiares, advindo do diagnóstico e do tratamento de um câncer de mama”, conclui a mastologista da SBM.


Cafeína tem potencial para tratamento de câncer de mama agressivo

Cafeína tem potencial para tratamento de câncer de mama agressivo

Estudo apresentado no 26º Congresso Brasileiro de Mastologia, evento organizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), comprova em laboratório a eficácia da substância para evitar a proliferação de células cancerígenas

Estudo premiado no 26º Congresso Brasileiro de Mastologia comprova a ação antitumoral da cafeína em células de um subtipo de câncer de mama mais agressivo, o triplo-negativo. Segundo o mastologista Marcelo Moreno, que apresentou o trabalho, os resultados obtidos a partir de investigações em laboratório representam uma boa notícia em meio às estratégias de enfrentamento da doença e “autorizam o prosseguimento da pesquisa em outros modelos metodológicos”.

Intitulado “Efeito antiproliferativo da cafeína sobre uma linhagem de câncer de mama triplo-negativo”, o trabalho foi realizado no Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da Universidade Federal da Fronteira Sul, no campus Chapecó (SC) e vinculado ao Programa Multicêntrico de Pós-Graduação em Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade do Estado de Santa Catarina.

Apresentado na edição recente do Congresso Brasileiro de Mastologia, evento organizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e SBM Regional Rio Grande do Sul (SBM-RS), o estudo premiado comparou a ação da cafeína em diferentes concentrações em células de câncer de mama triplo-negativo (linhagens MDA-MD-231) e também em células saudáveis do parênquima mamário.

A classificação “triplo-negativo” define a ausência dos receptores de estrogênio, progesterona e HER2, responsáveis pelo controle do crescimento do tumor, das células mamárias e da divisão celular. Mais incidente em jovens, com menos de 40 anos, também é comum em mulheres que apresentam mutação dos genes hereditários BRCA1 e/ou BRCA2, responsáveis por proteger o corpo do aparecimento de tumores. Ao sofrerem mutação, a função destes genes diminui e as chances de desenvolvimento do câncer aumentam.

Já existe na literatura científica estudos que comprovam, in vitro, os efeitos antitumorais da cafeína. “Mas pesquisas com a metodologia que desenvolvemos e com os resultados que obtivemos ainda não tinham sido divulgadas”, destaca o mastologista.

Ao mesmo tempo em que se preocuparam em avaliar o efeito antiproliferativo da cafeína sobre uma linhagem de câncer de mama triplo-negativo, os pesquisadores, sob a coordenação de Marcelo Moreno, também investigaram o potencial tóxico da substância em células saudáveis.

No estudo in vitro, com materiais adquiridos no Banco de Células do Rio de Janeiro, a cafeína, nas concentrações de 1, 2 e 4 milimolares, “diminuiu a viabilidade das células de câncer de mama triplo-negativo”. Nas células saudáveis, a aplicação da cafeína não representou toxicidade. “Elas mantiveram o crescimento e a reprodução celular”, ressalta o pesquisador.

A aplicação da substância, comumente consumida no café, no cacau e no guaraná, entre outros alimentos, deve agora expandir seu raio de eficácia a partir de novos estudos. A perspectiva, segundo o mastologista Marcelo Moreno, é prosseguir com a pesquisa para que se comprove, também por meio de outros métodos, que a cafeína, ou moléculas similares, possa ser usada de forma combinada com as terapias existentes no tratamento desta forma agressiva de câncer de mama.