O Que é o Grau Histológico no Câncer de Mama?

O Que é o Grau Histológico no Câncer de Mama?

O grau histológico é uma avaliação feita pelo patologista ao examinar as células do câncer de mama no microscópio. Ele indica o quanto essas células estão alteradas em relação às células normais da mama — e ajuda a entender como aquele tumor tende a se comportar.

Como o Grau Histológico é Determinado: o Sistema de Nottingham
O patologista avalia três características das células do tumor, cada uma com pontuação de 1 a 3:
• Formação de túbulos: o tumor ainda se parece com a glândula normal da mama?
• Aparência dos núcleos celulares: as células estão alteradas em tamanho e forma?
• Número de células em divisão: as células estão se multiplicando rapidamente?

A soma das três pontuações define o grau final, pelo sistema de Nottingham — um dos mais utilizados no mundo para o câncer de mama.

Os Três Graus
• Grau 1 — Baixo grau: Células ainda parecidas com as normais da mama. Tumor com comportamento menos agressivo e crescimento mais lento.
• Grau 2 — Grau moderado: As células apresentam características intermediárias entre os tumores de baixo e alto grau.
• Grau 3 — Alto grau: As células apresentam alterações mais acentuadas em relação às células normais da mama e costumam ter divisão celular mais rápida, com tendência a crescimento mais acelerado.

Como o Grau Histológico Impacta o Tratamento?
O grau histológico não é analisado isoladamente. Ele faz parte de um conjunto de informações que orienta as decisões médicas, como tamanho do tumor, acometimento dos linfonodos, receptores hormonais, HER2, Ki-67, entre outros fatores clínicos individuais.
Tumores de grau 3 podem estar associados a maior risco de recorrência e evolução mais rápida, frequentemente indicando necessidade de tratamento mais intensivo.

E no Carcinoma Ductal In Situ (CDIS)?
No carcinoma ductal in situ, as células ainda não invadiram o tecido ao redor. Por isso, o grau histológico tradicional não se aplica. Nesses casos, o patologista avalia o grau nuclear — que analisa apenas as características dos núcleos das células, classificando-os como baixo, intermediário ou alto grau. Essa informação também orienta as decisões de tratamento no CDIS.

Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. Ele interpretará todos esses resultados e definirá o melhor caminho para você.

Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:
-Elston CW, Ellis IO. Pathological prognostic factors in breast cancer. Histopathology. 1991;19(5):403-410.
-Harbeck N, et al. Breast cancer. Nat Rev Dis Primers. 2019;5(1):66.


Rastreamento mamográfico

Rastreamento mamográfico

O rastreamento mamográfico é uma ferramenta essencial na luta contra o câncer de mama. Trata-se da realização periódica de mamografias em mulheres que não apresentam sintomas da doença. O principal objetivo é identificar tumores em estágios muito iniciais, muitas vezes antes mesmo de serem palpáveis. Essa detecção precoce muda drasticamente o prognóstico e as opções de tratamento disponíveis, aumentando as chances de cura.

A mamografia é, atualmente, o único exame de imagem com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em larga escala. Ao descobrir lesões precocemente, o rastreamento permite intervenções médicas menos agressivas. Consequentemente, eleva as taxas de cura e melhora a qualidade de vida das pacientes.

Por Que o Rastreamento Mamográfico é Tão Importante?
A importância do rastreamento mamográfico se manifesta em diversos aspectos, desde o impacto direto na vida das pacientes até a otimização dos recursos de saúde. Estudos demonstram que a realização regular do exame pode reduzir a mortalidade por câncer de mama em 25% a 40% nas mulheres que seguem as recomendações.

Quando o câncer é diagnosticado em suas fases iniciais, a necessidade de cirurgias radicais, como a mastectomia total, é significativamente menor. Além disso, a detecção precoce frequentemente diminui a necessidade de tratamentos agressivos, como a quimioterapia. Isso preserva a qualidade de vida da mulher e reduz os efeitos colaterais severos. Do ponto de vista econômico e de saúde pública, o tratamento de tumores iniciais é mais eficiente, exigindo menos recursos hospitalares e medicamentosos do que o tratamento de doenças em estágios avançados.

No Brasil, o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todas as regiões. As estimativas apontam para cerca de 704 mil novos casos de câncer anualmente no triênio 2023-2025, sendo o câncer de mama o principal responsável pela morbidade oncológica feminina. Apesar dos avanços na medicina, o diagnóstico tardio ainda é um desafio considerável no país. Até 30% dos casos chegam aos serviços de saúde já em estágios avançados, o que ressalta a urgência de políticas eficazes de rastreamento.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) orienta o início do rastreamento anual a partir dos 40 anos até 74 anos, em pacientes de risco habitual. A partir dos 75 anos, recomenda-se continuar o rastreamento se não houver comorbidades que reduzam a expectativa de vida da paciente.

Sua Saúde em Primeiro Lugar
O rastreamento mamográfico é uma poderosa ferramenta de prevenção e detecção precoce do câncer de mama. Conhecer as recomendações e a importância desse exame é o primeiro passo para cuidar da sua saúde mamária. Não deixe para depois: a detecção precoce salva vidas e oferece as melhores chances de um tratamento bem-sucedido.
Converse com seu médico mastologista para definir o plano de rastreamento mais adequado para você. Sua saúde é sua prioridade!

Sobre o Autor
Este artigo foi elaborado por Rafael José Fábio Pelorca, médico mastologista associado à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Com vasta experiência clínica na área, o Dr. Rafael José Fábio Pelorca dedica-se à saúde da mulher e à prevenção e tratamento do câncer de mama, buscando sempre oferecer informações confiáveis e acessíveis à população.


Quem Tem Silicone Pode Fazer Mamografia?

Quem Tem Silicone Pode Fazer Mamografia?

Se você tem prótese de silicone (implante mamário), é muito importante saber que você pode e deve continuar fazendo mamografia normalmente, seguindo as mesmas recomendações de rastreamento do câncer de mama que as mulheres sem implantes. A presença do implante não impede a realização do exame.

A mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento para o câncer de mama, mesmo em mulheres com implantes. As diretrizes médicas são claras: mulheres com próteses mamárias devem seguir os mesmos protocolos de rastreamento do câncer de mama recomendados para sua idade e fatores de risco.

Como é feita a mamografia em quem tem implante?

Quando você tem implante mamário, a mamografia é realizada com uma técnica especial para garantir que o máximo possível de tecido mamário seja visualizado. O exame inclui:

  1. Imagens padrão (com o implante)

São feitas as imagens tradicionais da mama, nas posições craniocaudal (de cima para baixo) e médio-lateral oblíqua (diagonal). Nessas imagens, o implante aparece como uma área muito branca e densa, pois o silicone bloqueia os raios-X.

  1. Imagens com deslocamento do implante (Manobra de Eklund)

Esta é a parte mais importante do exame para quem tem implante. O técnico em radiologia empurra suavemente o implante para trás, em direção à parede torácica, e puxa o tecido mamário para frente. Isso permite visualizar melhor o tecido da mama que ficaria escondido atrás do implante nas imagens padrão.

Essa técnica é chamada de "manobra de Eklund" ou "imagens com deslocamento do implante", é o padrão de cuidado para mamografia em mulheres com implantes mamários.

No total, são feitas 8 imagens (em vez das 4 tradicionais): 4 imagens padrão e 4 imagens com deslocamento do implante, sendo 2 de cada mama em cada tipo.

O implante atrapalha a detecção do câncer de mama?

É verdade que o implante mamário pode reduzir um pouco a sensibilidade da mamografia, ou seja, a capacidade do exame de detectar um câncer quando ele está presente. Isso acontece porque o silicone é muito denso e pode obscurecer parte do tecido mamário, especialmente o tecido mais próximo da parede torácica.

Estudos mostram que:

- A sensibilidade da mamografia de rastreamento em mulheres sem implantes é de cerca de 67%.

- A sensibilidade da mamografia de rastreamento em mulheres com implantes é de cerca de 45%.

Isso significa que a mamografia pode deixar de detectar alguns cânceres em mulheres com implantes. No entanto, é importante destacar que:

- As imagens com deslocamento do implante melhoram significativamente a visualização do tecido mamário e a capacidade de detectar câncer.

- Estudos recentes mostram que as imagens com deslocamento do implante sozinhas podem ser suficientes para o rastreamento, com maior taxa de detecção de câncer do que as imagens padrão.

- Apesar da menor sensibilidade da mamografia, as características dos tumores detectados (tamanho, estágio, comprometimento de linfonodos) são semelhantes entre mulheres com e sem implantes. Isso significa que o implante não parece atrasar o diagnóstico de forma significativa quando a mamografia é feita regularmente.

- Mulheres com implantes podem detectar nódulos palpáveis em tamanhos menores do que mulheres sem implantes, possivelmente porque o implante facilita a percepção de alterações no tecido mamário.

A mamografia pode romper o implante?

Embora existam relatos raros de ruptura de implante durante a mamografia, isso é extremamente incomum. A compressão da mama durante a mamografia é necessária para obter imagens de boa qualidade e reduzir a dose de radiação.

Os técnicos em radiologia são treinados para realizar o exame com cuidado em mulheres com implantes. Se você sentir desconforto ou dor durante o exame, avise imediatamente o profissional para que a compressão seja ajustada.

É importante lembrar que os benefícios da mamografia de rastreamento superam em muito o risco mínimo de complicações com o implante.

Quando devo fazer a mamografia se tenho implante?

As recomendações de rastreamento do câncer de mama são as mesmas para mulheres com e sem implantes:

- A partir dos 40 anos: Mamografia anual ou bienal, conforme orientação médica e diretrizes locais.

- Antes dos 40 anos: Apenas se houver fatores de risco elevados para câncer de mama (histórico familiar, mutações genéticas como BRCA1 ou BRCA2, etc.).

Essas mamografias de rastreamento são diferentes dos exames de acompanhamento do implante (que geralmente são feitos com ressonância magnética ou ultrassom para avaliar a integridade da prótese). A mamografia para rastreamento do câncer de mama deve ser feita independentemente dos exames de acompanhamento do implante.

Preciso fazer outros exames além da mamografia?

Em algumas situações, outros exames podem ser recomendados como complemento à mamografia:

Ultrassonografia (ultrassom) das mamas:

- Pode ser útil para avaliar nódulos ou áreas suspeitas identificadas na mamografia ou no exame clínico.

- É especialmente útil em mulheres com mamas densas.

- Também é usado para avaliar a integridade do implante (detectar rupturas).

Ressonância magnética (RM) das mamas:

- É o exame mais sensível para detectar câncer de mama e também para avaliar a integridade do implante.

- Pode ser recomendada para mulheres com alto risco de câncer de mama (por exemplo, com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2).

- A FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) recomenda ressonância magnética para avaliar a integridade de implantes de silicone 5 a 6 anos após a colocação e depois a cada 2 a 3 anos.

Importante: A ressonância magnética para avaliar o implante não substitui a mamografia de rastreamento do câncer de mama. São exames com finalidades diferentes e complementares.

Devo informar que tenho implante ao agendar a mamografia?

Sim, sempre informe que você tem implante mamário ao agendar o exame. Isso é importante para que:

- O serviço de radiologia reserve tempo adequado para o exame (que leva um pouco mais de tempo devido às imagens adicionais).

- O técnico em radiologia esteja preparado para realizar as imagens com deslocamento do implante.

- O radiologista que vai interpretar o exame saiba que você tem implante e possa avaliar adequadamente as imagens.

Também é útil informar:

- O tipo de implante (silicone ou solução salina).

- A localização do implante (subglandular, ou seja, acima do músculo peitoral, ou submuscular, ou seja, abaixo do músculo).

- Quando o implante foi colocado.

- Se houve alguma complicação ou cirurgia de revisão.

Mensagem importante

Ter implante mamário não é motivo para deixar de fazer mamografia. O rastreamento regular do câncer de mama continua sendo fundamental para a detecção precoce, que é a melhor forma de garantir um tratamento bem-sucedido.

Se você tem implantes mamários:

✓ Continue fazendo mamografia conforme as recomendações para sua idade e fatores de risco.

✓ Informe sempre que tem implante ao agendar o exame.

✓ Faça o autoexame das mamas mensalmente e relate qualquer alteração ao seu médico.

✓ Mantenha consultas regulares com seu médico para exame clínico das mamas.

✓ Siga as recomendações de acompanhamento do implante (geralmente com ressonância magnética ou ultrassom).

Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Ele poderá orientá-la sobre o melhor protocolo de rastreamento para o seu caso específico.

Este material tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para orientações individualizadas.

  1. ACR Appropriateness Criteria® Breast Implant Evaluation: 2023 Update. Journal of the American College of Radiology : JACR. 2023. Chetlen A, Niell BL, Brown A, et al.Guideline
  2. ACR Appropriateness Criteria® Breast Implant Evaluation: Update 2025. Journal of the American College of Radiology : JACR. 2026. Expert Panel on Breast Imaging, Bennett DL, Brown A, et al.NewGuideline
  3. Effect of Breast Augmentation on the Accuracy of Mammography and Cancer Characteristics. The Journal of the American Medical Association. 2004. Miglioretti DL, Rutter CM, Geller BM, et al.
  4. Appropriate Screening Mammography Method for Patients With Breast Implants. Scientific Reports. 2023. Park J, Ko EY, Han BK, et al.
  5. Implant-Displacement Views Alone for Breast Cancer Screening in Women With Implants: A Multicenter Retrospective Study. European Radiology. 2026. Eom HJ, Kim HH, Kim SH, et al.New
  6. Breast Cancer Following Augmentation Mammaplasty: A Case-Control Study. Plastic and Reconstructive Surgery. 2018. Sosin M, Devulapalli C, Fehring C, et al.
  7. Breast Implants: Common Questions and Answers. American Family Physician. 2021. Schrager S, Lyon SM, Poore SO.

O que é o Câncer de Mama Triplo Negativo?

O que é o Câncer de Mama Triplo Negativo?

O câncer de mama triplo negativo (CMTN) é um subtipo de câncer de mama que se caracteriza pela ausência de três receptores biológicos nas células tumorais: o receptor de estrogênio (RE), o receptor de progesterona (RP) e a proteína HER2. Quando nenhum desses três marcadores está presente, o câncer é chamado de "triplo negativo".

O CMTN representa aproximadamente 10% a 20% de todos os cânceres de mama. Ele é mais frequente em mulheres jovens (antes dos 50 anos)e também está associado a mutações genéticas ligadas ao risco hereditário de câncer de mama, principalmente o gene BRCA1.

Esse subtipo tende a ser mais agressivo do que outros tipos de câncer de mama, com maior risco de crescimento rápido, metástases (disseminação para outros órgãos) e recorrência, especialmente nos primeiros 3 a 5 anos após o diagnóstico. No entanto, é importante saber que muitas pacientes são curadas, especialmente quando o diagnóstico é feito em estágio inicial.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do câncer de mama triplo negativo segue as mesmas etapas iniciais de qualquer câncer de mama:

  1. Detecção inicial

- Mamografia;

- Ultrassonografia mamária (especialmente útil em mulheres jovens com mamas densas);

- Ressonância magnética das mamas (o exame mais sensível para detectar o CMTN);

- Autoexame e exame clínico das mamas.

É importante saber que o CMTN pode não apresentar as características típicas de malignidade nos exames de imagem, podendo parecer um nódulo benigno. Por isso, qualquer nódulo novo deve ser investigado.

  1. Biópsia

Quando um nódulo suspeito é identificado, é realizada uma biópsia — a retirada de uma pequena amostra do tecido para análise em laboratório.

  1. Exame anatomopatológico e imuno-histoquímico

A amostra da biópsia é analisada ao microscópio e submetida a testes especiais chamados de imuno-histoquímica (IHQ), que avaliam a presença dos receptores de estrogênio, progesterona e HER2. Quando todos os três são negativos, confirma-se o diagnóstico de câncer de mama triplo negativo. Em alguns casos, pode ser necessário um teste adicional chamado FISH (hibridização in situ por fluorescência) para confirmar o status do HER2.

  1. Exames complementares

Após o diagnóstico, são realizados exames para avaliar a extensão da doença (estadiamento), que podem incluir:

- Exames de sangue;

- Tomografia de tórax e abdômen;

- Cintilografia óssea;

- PET-CT (em casos selecionados);

- Aconselhamento e teste genético.

Como é o tratamento?

O tratamento do CMTN evoluiu muito nos últimos anos. Embora não responda a terapias hormonais nem a medicamentos anti-HER2, existem hoje diversas opções eficazes:

Doença em estágio inicial

- Quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia): É o tratamento mais comum para tumores maiores ou com linfonodos comprometidos. Utiliza-se geralmente uma combinação de medicamentos como antraciclinas (doxorrubicina), taxanos (paclitaxel) e, em muitos casos, carboplatina.

- Imunoterapia: O pembrolizumabe (Keytruda), um medicamento que ajuda o sistema imunológico a combater o câncer, é hoje parte do tratamento padrão em combinação com a quimioterapia para tumores em estágio II ou III. Estudos mostraram que essa combinação aumenta significativamente as chances de resposta completa e de sobrevida livre de eventos.

- Cirurgia: Pode ser conservadora (retirada apenas do tumor) ou mastectomia (retirada da mama), dependendo do tamanho e localização do tumor.

- Radioterapia: Geralmente indicada após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência local.

- Tratamento pós-cirúrgico: Se após a quimioterapia e cirurgia ainda houver doença residual, pode ser indicada capecitabina ou, em pacientes com mutação BRCA, o olaparibe.

Doença avançada ou metastática

Para pacientes com doença que se espalhou para outros órgãos, as opções incluem:

- Imunoterapia + quimioterapia: Para tumores com expressão de PD-L1 positiva (um marcador que indica maior chance de resposta à imunoterapia).

- Sacituzumabe govitecana (Trodelvy): Um medicamento inovador chamado conjugado anticorpo-droga, aprovado para CMTN avançado.

- Inibidores de PARP (olaparibe ou talazoparibe): Para pacientes com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2.

- Quimioterapia: Diversas opções de medicamentos isolados ou em combinação.

- Outros medicamentos direcionados: Como o fam-trastuzumabe deruxtecana, para tumores com baixa expressão de HER2.

Qual é a expectativa de vida?

A expectativa de vida no CMTN varia muito conforme o estágio no momento do diagnóstico e a resposta ao tratamento:

Doença localizada (apenas na mama):

- Sobrevida em 5 anos: aproximadamente 89% a 91%

- Com os tratamentos modernos, incluindo imunoterapia, as perspectivas estão melhorando significativamente.

Doença regional (com envolvimento de linfonodos):

- Sobrevida em 5 anos: aproximadamente 65% a 80%

- Pacientes que alcançam resposta patológica completa (desaparecimento total do tumor após a quimioterapia) têm prognóstico muito melhor.

Doença metastática (espalhada para outros órgãos):

- Sobrevida em 5 anos: aproximadamente 12% a 15%

- A sobrevida mediana é de cerca de 1 a 2 anos, mas novos tratamentos estão ampliando esse tempo.

É fundamental destacar que esses números são médias populacionais e que cada caso é único. Os avanços recentes no tratamento — especialmente a imunoterapia, os conjugados anticorpo-droga e os inibidores de PARP — estão mudando positivamente o cenário do CMTN.

Embora o câncer de mama triplo negativo seja considerado mais agressivo, a ciência tem avançado rapidamente. Novos medicamentos e estratégias de tratamento estão sendo desenvolvidos e aprovados, oferecendo mais opções e melhores resultados para as pacientes. O diagnóstico precoce continua sendo a melhor arma: quanto antes o câncer for detectado, maiores são as chances de cura.

Se você tem dúvidas ou preocupações, converse com seu médico. Ele poderá orientá-la sobre os exames de rastreamento adequados para o seu perfil de risco e sobre as melhores opções de tratamento disponíveis.

Este material tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para orientações individualizadas.

  1. Immune Checkpoint Inhibitors and Chemotherapy Versus Chemotherapy for Early Triple-Negative Breast Cancer. The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2026. Gao Y, Liu M, Li L, et al.New
  2. Sacituzumab Govitecan in Untreated, Advanced Triple-Negative Breast Cancer. The New England Journal of Medicine. 2025. Cortés J, Punie K, Barrios C, et al.New
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Nota de pesar – Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti

Nota de pesar – Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) manifesta em nome de seus membros o mais profundo pesar pelo falecimento do Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti. Exemplo raro de competência e habilidade aliadas à humanidade, Petti exercia a medicina com alma, propósito e profundo respeito pelas pessoas.

Em 1964, Domingos Petti graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Na construção de uma trajetória ímpar, norteada pela excelência acadêmica e dedicação à pesquisa científica, exerceu com extremo compromisso a formação de novas gerações de médicos, destacando-se como professor titular e chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), professor associado da FMUSP e integrante do corpo clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Reconhecido nacional e internacionalmente, com uma extensa produção científica e contribuições fundamentais à evolução da Mastologia no País, Dr. Domingos Petti acrescenta à sua atuação transformadora a fundação do Instituto de Ginecologia e Mastologia (IGM) da Beneficência Portuguesa de São Paulo, serviço-escola que formou inúmeros mastologistas em todo o Brasil.

Aos familiares, amigos, colegas, alunos e admiradores do Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti, a SBM expressa sua mais sincera solidariedade, desejando que alcancem conforto em face de tão irreparável perda.

A atuação transformadora de Domingos Petti, que contribuiu para o modelo de cuidado integrado em Mastologia que hoje praticamos, permanecerá como um legado indissolúvel que se alinha ao seu grande exemplo de vida.

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)


Consulta Pública da Conitec mobiliza mastologistas em defesa da incorporação do pembrolizumabe no SUS para câncer de mama triplo-negativo

Prazo para contribuições da Consulta Pública nº 39/2026 segue até 8 de junho e participação técnica da comunidade médica pode influenciar decisão sobre acesso à imunoterapia no cenário perioperatório

Clique aqui para participar - prazo até 8 de junho

A comunidade brasileira de mastologia e oncologia acompanha uma das discussões mais relevantes do ano no campo da incorporação de tecnologias em saúde pública. Está aberta, até o dia 8 de junho de 2026, a Consulta Pública nº 39/2026 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a incorporação do pembrolizumabe para pacientes com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) de alto risco em estágio inicial.

A proposta contempla o uso do pembrolizumabe em combinação com quimioterapia no cenário neoadjuvante, seguido de manutenção adjuvante em monoterapia após a cirurgia, estratégia que vem consolidando resultados importantes em desfechos clínicos, especialmente em redução de recorrência e aumento de sobrevida livre de eventos.

O câncer de mama triplo-negativo representa um dos subtipos biologicamente mais agressivos da doença, associado a maior risco de recidiva precoce, pior prognóstico e impacto significativo em mulheres frequentemente jovens e em idade produtiva. Historicamente, o arsenal terapêutico disponível para essas pacientes sempre foi mais limitado quando comparado a outros subtipos de câncer de mama.

Nesse contexto, a eventual incorporação da imunoterapia perioperatória ao SUS é considerada por especialistas uma possível mudança de paradigma no tratamento do CMTN inicial de alto risco, aproximando o sistema público brasileiro de práticas já consolidadas em importantes diretrizes e centros internacionais.

Participação médica é considerada estratégica

A fase de consulta pública é uma etapa decisiva dentro do processo de avaliação da Conitec. Embora o órgão já tenha emitido recomendação preliminar sobre o tema, o período de contribuições permite que médicos especialistas, sociedades científicas, pacientes e demais atores do sistema de saúde apresentem manifestações técnicas, evidências clínicas, experiências práticas e análises de impacto assistencial.

Na avaliação de lideranças da mastologia, a participação ativa da classe médica é fundamental para demonstrar, de forma qualificada, o impacto clínico da tecnologia na prática assistencial brasileira, especialmente diante da elevada agressividade do CMTN e da necessidade de ampliação do acesso terapêutico no SUS.

Além da literatura científica, contribuições baseadas em experiência clínica e realidade assistencial podem fortalecer o entendimento sobre benefícios relacionados à resposta patológica completa, redução do risco de recorrência e potencial impacto em sobrevida.

Outro ponto considerado relevante é a possibilidade de qualificar tecnicamente o debate sobre equidade no acesso à inovação em oncologia dentro do sistema público de saúde.

Como participar da Consulta Pública nº 39/2026

O envio das contribuições é realizado de forma digital e exige autenticação no portal Gov.br para validação da participação.

Clique aqui para participar - prazo até 8 de junho

Passo a passo:

  1. ⁠Acessar o portal da Conitec e localizar a área de Consultas Públicas em andamento;
  2. Buscar pela Consulta Pública nº 39/2026;
  3. Ler o Relatório Técnico disponibilizado pela Conitec;
  4. Realizar login com conta Gov.br;
  5. Preencher o formulário de contribuição, preferencialmente na categoria de especialista/profissional de saúde, apresentando fundamentação técnica baseada em evidências científicas e prática clínica.

Cronograma da consulta pública

  • ⁠ ⁠Início: começou no dia 18 de maio de 2026
  • ⁠ ⁠Encerramento: 8 de junho de 2026

Especialistas envolvidos na mobilização destacam que o período atual representa uma oportunidade importante para que a mastologia brasileira participe ativamente da construção das políticas públicas relacionadas ao tratamento do câncer de mama no país.

“A discussão sobre incorporação tecnológica no SUS transcende a inovação. Trata-se também de ampliar equidade, oportunidade terapêutica e impacto real em sobrevida para pacientes com câncer de mama triplo-negativo atendidas na rede pública”, ressaltam lideranças médicas envolvidas na mobilização nacional.


Faça sua voz valer na Consulta Pública nº 172

Você pode contribuir para a avaliação da incorporação no sistema privado de saúde (Rol da ANS) de capivasertibe em combinação com fulvestranto para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático RH+/HER2- com alteração detectada em PІKЗCА/AKT/PTEN.

Faça Sua Voz Valer na Consulta Pública n° 172 (UAT 198) até 02 de junho!

Clique aqui para participar - até 2 de Junho de 2026

Está aberta até o dia 02/06/2026 a Consulta Pública nº 172 (UAT 198), para avaliar a incorporação de capivasertibe em combinação com fulvestranto para o tratamento do câncer de mama avançado, RH+ e HER2-, com uma ou mais alterações em PIK3CA/AKT/PTEN detectada, como tratamento de segunda linha após progressão a um inibidor de CDK4/6, no sistema privado de saúde (Rol da ANS).

Por que essa Consulta Pública é importante?

No cenário avançado ou metastático, o câncer de mama está associado a um impacto clínico significativo, com necessidade de tratamento contínuo, uma vez que apenas 1 em cada 5 pacientes tem sobrevida maior que 5 anos.
O subtipo RH+/HER2- (~ 65% dos casos) tem como tratamento inicial recomendado a associação de terapia endócrina com inibidores de CDK4/6.
Após a progressão, impõe-se o desafio da definição do tratamento mais adequado. A pesquisa do perfil molecular, como as alterações na via PIK3CA/AKT/PTEN, é recomendada em diretrizes nacionais e internacionais, e auxilia na definição da estratégia terapêutica.
As opções terapêuticas previstas pelo rol da ANS podem apresentar eficácia reduzida em alguns cenários, e por isso, são periodicamente revistas, com a finalidade de avaliar o impacto da incorporação de novos tratamentos.

Por que contribuir?
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) considera todas as contribuições fornecidas durante a consulta pública (pacientes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde)
Essa é a oportunidade que profissionais de saúde tem para manifestar sua experiência clínica no tratamento de pacientes no cenário proposto e ajudar a embasar a decisão da ANS a respeito da incorporação da tecnologia avaliada.

Como participar da Consulta Pública (CP):

  1. Realize seu cadastro ou login na plataforma (seu usuário gov.br)
  2. Na página estarão disponíveis documentos relacionados à CP, como a recomendação preliminar e relatórios técnicos. Selecione a recomendação preliminar que deseja contribuir e responda às perguntas com a sua opinião sobre a avaliação da incorporação de capivasertibe em combinação com fulvestranto para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático RH+/HER2- com alteração detectada em PIK3CA/AKT/PTEN na saúde suplementar.
  3. Retorne à página da "Consulta Pública nº 172 (UAT 198)" e clique em "Contribuir".
  4. Clique em enviar para registrar sua participação.

Clique aqui para participar - até 2 de Junho de 2026

Referências

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  2. Cardoso F, Paluch-Shimon S, Schumacher-Wulf E, Matos L, Gelmon K, Aapro MS, et al. 6th and 7th International consensus guidelines for the management of advanced breast cancer (ABC guidelines 6 and 7). The Breast. agosto de 2024;76:103756. doi:10.1016/j.breast.2024.103756
  3. Huppert LA, Gumusay O, Idossa D, Rugo HS. Systemic therapy for hormone receptor‐positive/human epidermal growth factor receptor 2‐negative early stage and metastatic breast cancer. CA A Cancer J Clinicians. setembro de 2023;73(5):480–515. doi:10.3322/caac.21777
  4. Diretrizes de tratamentos oncológicos 2025. SBOC 2025. Mama avançado. [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://sboc.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Mama-doenca-metastatica-3.pdf
  5. ESMO Metastatic Breast Cancer Living Guideline. v1.2 April 2025. [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://www.esmo.org/guidelines/living-guidelines/esmo-metastatic-breast-cancer-living-guideline-duplicated/hr-positive-her2-negative-metastatic-breast-cancer/hr-her2-de-novo-mbc-or-recurrence-12-months-after-the-end-of-adjuvant-et-et-sensitive-naive/hr-her2-mbc-progressive-disease-candidate-for-endocrine-therapy-targeted-therapy
  6. NCI Cancer Stat Facts: Female Breast Cancer Subtype 2026 [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://seer.cancer.gov/statfacts/html/breast-subtypes.html

Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas

Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce

Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.

De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.

Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que possam indicar precocemente o câncer de mama.

De acordo com o mastologista Guilherme Novita, testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres. “Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da doença.”

Como método, a mamografia de rastreamento permanece como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos de idade.

O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.


Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alcança vitória inédita para incluir teste genético de câncer de mama no SUS

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alcança vitória inédita para incluir teste genético de câncer de mama no SUS

A partir da solicitação da SBM, Conitec avalia incorporar tecnologia de identificação de mutações genéticas associadas a 80% de risco de desenvolvimento da doença

A Conitec, comissão responsável por avaliar a incorporação de novos medicamentos, equipamentos, protocolos de diagnósticos e de tratamentos no SUS (Sistema Único de Saúde), acaba de aprovar a solicitação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) para incluir o Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês) para os genes BRCA1 e BRCA2 A tecnologia permite identificar mutações (variantes patogênicas) em genes selecionados associados ao risco hereditário de câncer de mama. Hoje, o exame não é ofertado regularmente pelo SUS. Alguns estados brasileiros possuem leis locais e já incorporaram no sistema público o teste genético e a linha de cuidado para mulheres com câncer de mama hereditário, como é o caso de Goiás com o projeto Goiás Todo Rosa, liderado pela mastologista Rosemar Macedo Rahal. “Este é um momento histórico para a população atendida pelo SUS”, afirma o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da SBM-Regional Minas Gerais. “Para a SBM, é o cumprimento do papel de representar as pacientes, produzir conhecimento e participar ativamente da formulação de políticas na rede pública de saúde, que assiste atualmente cerca de 80% da população brasileira”, completa.

A solicitação à Conitec foi baseada em estudo científico de avaliação econômica e impacto orçamentário liderado por Lima Couto e pela mastologista Rosemar Rahal, membro do Departamento de Saúde Pública da SBM. Na elaboração do dossiê participaram também os fármaco-economistas Ludmila Perez Gargano e Fernando Zanghelini.

As mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama.

Estudos populacionais recentes indicam que os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam cerca de 5-10% do total dos cânceres, e aproximadamente metade desses casos hereditários de mama são causados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

Presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, com atuação destacada na Consulta Pública solicitada à Conitec e também na argumentação sobre a inclusão da testagem NGS no âmbito do SUS, a mastologista Alessandra Borba afirma que pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 têm mais chances de desenvolver vários tipos de câncer, como mama e ovário, entre outros. A mutação no gene BRCA representa um risco de 60-80% para câncer de mama e 20-40% para o de ovário. “Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é plenamente disponibilizado na rede pública”, ressalta.

A partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), indicam importante impacto em redução do desenvolvimento da doença, aumentando também as chances de algumas pacientes portadoras de mutação estarem vivas e reduzindo custos de novos tratamento evitáveis.

O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avaliou, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. “Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, destaca Alessandra Borba.

A incorporação da testagem NSG no SUS, segundo Lima Couto e Alessandra Borba, deve ser realizada de forma escalonada. “A inclusão do teste, com custos e impactos orçamentários definidos para uma população-alvo inicialmente restrita é o primeiro passo”, afirmam. “O que se espera nesse processo é uma ampliação progressiva e economicamente segura de testagem que vai permitir a construção gradual de uma linha de cuidados integral.”

Em sua argumentação frente à Conitec para inclusão do teste, Alessandra Borba destacou a importância de iniciar a linha de cuidado neste momento com os genes BRCA1 e BRCA2 tanto para câncer de mama como para câncer de ovário, o qual teve medicação de alto custo aprovada vinculada à testagem genética, e ainda não implementada. A mastologista destacou também a importância da incorporação da análise do gene TP53, também associado a câncer de mama hereditário, assim como outros cânceres, como parte de um processo contínuo de expansão dessa linha de cuidado devido a uma mutação fundadora nas regiões Sul e Sudeste do país. Na segunda fase de expansão, ressaltou, também é crítico olhar para testagem de familiares e prevenção real de câncer com estratégias redutoras de risco. Para isso, aconselhamento genético, acesso a exames como ressonância e também a cirurgias redutoras de risco com reconstrução são fundamentais para ampliar a custo-efetividade, reduzir a incidência de câncer, aumentar conhecimento genético da população, entre outros benefícios.

A jornada que culminou com a aprovação na Conitec foi iniciada na gestão anterior da entidade, sob a presidência do mastologista Tuffi Hassan. Conduzida pelo atual presidente da SBM, Guilherme Novita, a estratégia contou com contribuições dos mastologistas João Henrique e Alessandra Borba, do Departamento de Oncogenética, de Carlos Ruiz, do Departamento de Saúde Pública, de Annamaria Massaud Rodrigues dos Santos, do Departamento de Acesso e Direito dos Pacientes da SBM e de Daniel de Araújo Brito Buttros à frente do Departamento de Comunicação. A Sociedade Brasileira de Mastologia destaca ainda o apoio de importantes sociedades médicas, como a Associação Médica do Brasil, o Conselho Federal de Medicina e da sociedade civil organizada, em especial a FEMAMA, presidida pela médica Maira Caleffi, e de pessoas físicas que participaram da Consulta Pública da Conitec. A participação de pacientes, familiares e mastologistas foi decisiva.

“A SBM considera que este é apenas o início da caminhada. Nos próximos passos, a expectativa é de expansão da rede de aconselhamento genético, incorporação de cirurgias redutoras de risco e ampliação de critérios de investigação e genes a serem testados”, afirma Henrique Lima Couto. “O acesso ao teste genético não deve ser um privilégio do CEP onde a mulher se trata”, destaca Alessandra Borba em sua apresentação de defesa à Conitec.


SBM Alerta: Apenas 20% das Pacientes do SUS Têm Acesso à Reconstrução Mamária Pós-Mastectomia

SBM Alerta: Apenas 20% das Pacientes do SUS Têm Acesso à Reconstrução Mamária Pós-Mastectomia

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) manifesta profunda preocupação com o abismo entre o direito garantido por lei e a realidade assistencial no Brasil. Levantamento recente revela que 80% das mulheres submetidas à mastectomia no Sistema Único de Saúde (SUS) não realizam a cirurgia reconstrutiva, comprometendo a saúde física, psíquica e social de milhares de pacientes.

Enquanto na rede suplementar (planos de saúde) cerca de 75% das pacientes conseguem a reconstrução, no setor público a realidade é invertida. "Estamos falando de mulheres, muitas com menos de 50 anos, que têm suas vidas conjugais e profissionais impactadas pela não realização de um procedimento que é um direito assegurado", afirma o Dr. Guilherme Novita, presidente da SBM.

Barreiras Financeiras e Operacionais

A SBM identifica que o principal entrave para a universalização do acesso não é a falta de norma legal, mas a insuficiência do repasse financeiro. Atualmente, o SUS paga em média R$ 500 por uma reconstrução, valor que não cobre sequer o custo de uma prótese, que raramente é encontrada por menos de R$ 1.000 no mercado.

Como consequência direta:

  • A maioria dos hospitais públicos não realiza o procedimento por incapacidade de absorver o prejuízo financeiro.
  • Formam-se extensas filas de reconstrução tardia, que geram custos maiores ao sistema devido a novas internações e levam muitas pacientes à desistência.

Evolução Legislativa: A Lei nº 15.171/2025

A SBM destaca a importância da Lei nº 15.171/2025, em vigor desde o ano passado, que ampliou o escopo da legislação anterior (Lei nº 9.797/1999). O novo dispositivo garante a reconstrução não apenas em casos de câncer, mas também para:

  • Malformações e mamas tuberosas.
  • Grandes assimetrias e gigantismo.
  • Simetrização da mama contralateral, etapa crucial para o equilíbrio estético e funcional.

O Posicionamento da SBM

A Sociedade Brasileira de Mastologia defende que a reconstrução mamária deve ser compreendida como etapa indissociável do tratamento oncológico, e não como um procedimento eletivo ou estético.

A entidade urge por um aprimoramento urgente nas políticas públicas e no reajuste da tabela de procedimentos para que a Lei seja cumprida de forma imediata na rede pública. “Nossa perspectiva é curar não apenas o câncer, mas a pessoa que passa pela doença”, conclui Novita.