Sociedade Brasileira de Mastologia organiza Semanas Temáticas e consolida em seus canais de comunicação um guia de buscas sobre saúde
Além de informações sobre câncer de mama, SBM destaca no novo conteúdo assuntos relacionados à prevenção e aos cuidados que mais interessam à população brasileira
Assuntos relacionados ao câncer de mama e diversas questões importantes sobre saúde que dialogam com os interesses da população passam a ser oferecidos nas Semanas Temáticas da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Segundo o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da SBM, o conteúdo vem para consolidar as plataformas e o site de uma das mais respeitadas entidades médicas do País como um guia de buscas que reúne abordagens corretas sobre temas de grande relevância para a saúde do brasileiro.
Com a perspectiva de entregar informações cada vez mais diretas para impactar as mulheres brasileiras sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento do câncer de mama, o projeto de comunicação da SBM amplia seu alcance com as Semanas Temáticas. “Alinhamos a proposta, focada inicialmente no câncer de mama, a um esforço de educação continuada para falar de diversos assuntos sobre saúde que são igualmente relevantes e merecem uma abordagem clara, acessível, repleta de detalhes que fazem a diferença para o conhecimento da população”, afirma Daniel Buttros.
Como primeiro tema, a “Semana do Amigo” organiza entre os dias 20 e 24 de julho conteúdos que destacam a importância da atuação do especialista, do apoio da família e do círculo de amizade durante o tratamento de câncer de mama.
“Tanto a abordagem do mastologista quanto a presença de uma rede de apoio, seja ela formada por parentes, amigos e colegas de trabalho, fazem a diferença na vida da mulher que recebe o diagnóstico de câncer de mama e toma conhecimento dos desafios que virão pela frente durante o tratamento”, destaca o representante da SBM.
A falta de suporte no dia a dia das pacientes com câncer de mama afeta as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos, configurando em muitos casos abandono emocional. Levantamento realizado pela Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) indica que uma em cada dez mulheres diagnosticadas com a doença é deixada pelo parceiro. A pesquisa mostra também que 40% das pacientes enfrentam demissões durante o tratamento.
De acordo com Daniel Buttros, o apoio de pessoas próximas e a noção de que não está sozinha ajuda a mulher a se sentir mais segura e disposta, física, mental e emocionalmente, a seguir com o tratamento de câncer de mama. “Da mesma forma, o acolhimento do especialista e da equipe médica que vão acompanhá-la é fundamental. Precisamos investir de forma sistemática em um atendimento mais humanizado, seja na rede pública ou privada de saúde”, diz.
As próximas Semanas Temáticas da Sociedade Brasileira de Mastologia já estão programadas. De 27 a 31 de julho, a entidade realiza a Semana do Diagnóstico. Em agosto, o calendário segue com a Semana da Amamentação (3 a 7), Semana do Sono (10 a 14) e Semana dos Pais (17 a 21).
Edital abre vagas para médicos especialistas em Mastologia atuarem no SUS
Estão abertas, de 3 a 16 de julho de 2026, as inscrições para o Edital de Provimento de Médicos Especialistas, iniciativa do Ministério da Saúde destinada ao fortalecimento da atenção especializada no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as especialidades contempladas está a Mastologia, oferecendo aos especialistas a oportunidade de atuar na assistência à população por meio da rede pública de saúde.
Os médicos interessados podem consultar o edital completo, verificar os requisitos para participação e realizar a inscrição diretamente pelo Portal UNA-SUS.
A Sociedade Brasileira de Mastologia incentiva seus associados a conhecerem a iniciativa e, caso atendam aos critérios estabelecidos, participarem do processo seletivo.
Período de inscrições: de 3 a 16 de julho de 2026.
Clique aqui e acesse o Portal UNA-SUS para consultar o edital e realizar sua inscrição.
Nova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
Ainda sem data de lançamento no mercado, o medicamento fezoniletanto apresentou resultados satisfatórios em estudos clínicos realizados com mais de 3 mil mulheres
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou uma nova medicação não hormonal para controlar ondas de calor e suores noturnos, sintomas associados à menopausa que afetam cerca de 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. Segundo o mastologista João Bosco Ramos Borges, coordenador do Departamento de Ginecologia Endócrina da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o medicamento é uma alternativa para quem não pode se beneficiar ou não responde efetivamente ao tratamento de reposição hormonal. Apesar do aval da Anvisa, ainda não há definição de preço nem data oficial de lançamento da nova droga no mercado brasileiro.
O medicamento fezoniletanto, que chega ao mercado com o nome de Veoza, foi desenvolvido pelo laboratório Astellas Farma. A nova droga atua no sistema nervoso, limitando manifestações vasomotoras, como fogachos, em mulheres que estão na transição para a menopausa e mesmo na pós-menopausa. No Brasil, mais de um terço delas apresenta ocorrências de moderadas a intensas, justamente o alvo do novo tratamento.
Os principais incômodos do climatério, associados à paralisação na produção de hormônios femininos pelos ovários, são ondas de calor, suores frios, alterações de humor e também do sono. O declínio hormonal, como explica João Bosco Ramos Borges, tem repercussão nos circuitos cerebrais que regulam a temperatura corporal, gerando os chamados sintomas vasomotores.
As ondas de calor e/ou suores noturnos associados à menopausa têm duração mediana de 7,4 anos. Em algumas mulheres podem persistir por uma década ou mais, comprometendo atividades diárias, qualidade do sono e de vida.
De acordo com o mastologista da SBM, a aprovação da Anvisa considerou três estudos clínicos sobre o fezoniletanto que envolveram mais de 3 mil participantes. Os resultados apontam que em doses diárias de 45 mg, a medicação reduziu significativamente a frequência das ondas de calor e/ou suores noturnos.
A dosagem ministrada em 4 semanas levou à redução de 55% da frequência dos sintomas vasomotores. Em 12 semanas, o estudo revelou resultados ainda melhores: 64%. Como evidência, considerou-se que o medicamento diminuiu a intensidade média dos sintomas vasomotores para níveis leves a moderados.
Como benefícios adicionais, observados na quarta e na décima segunda semanas, mulheres que fizeram uso da nova droga apresentaram melhora na qualidade do sono, diminuição no comprometimento das atividades diárias e do trabalho e ganhos em qualidade de vida.
“O fezoniletanto desponta como alternativa para mulheres que não podem fazer reposição hormonal, devido a contraindicações como câncer de mama, infarto e histórico de trombose, e mesmo a pacientes que não obtiveram sucesso com terapia de hormônios”, conclui João Bosco Ramos Borges.
Estudo demonstra melhores resultados na biópsia de linfonodos com agulha grossa em casos de câncer de mama
Com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pesquisa avalia efetividade em diagnósticos e custos do método no âmbito do SUS
A biópsia de linfonodo, seja na presença de um tumor ou mesmo diante da suspeita de recidiva de câncer de mama, contribui para definir o estadiamento da doença, estabelecer linhas de tratamento e avaliar prognósticos. Mas a depender do tipo de agulha utilizada no método percutâneo, fina ou grossa, os resultados podem ser diferentes. Se forem inconclusivos, em geral demandam investigações complementares que expõem as pacientes a desconforto e estresse, atrasam a condução dos tratamentos e representam aumento de custos. Com a proposta de comparar a adequação diagnóstica da agulha fina e da agulha grossa em biópsias, um estudo realizado no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), buscou evidências para orientar protocolos nacionais.
O estudo “Biópsia por Agulha Grossa versus Punção Aspirativa por Agulha fina para avaliação de linfonodos no câncer de mama: precisão diagnóstica e análise de custos em um sistema de saúde público” foi publicado pela Value in Health, revista internacional que reúne pesquisas sobre políticas de saúde para auxiliar a tomada de decisões baseadas em evidências. Coordenada pela mastologista Marina Diógenes Teixeira, a investigação conta com contribuições da SBM e de importantes centros de tratamento do câncer de mama no Brasil.
Como objetivo principal, o estudo compara a adequação diagnóstica da Punção Aspirativa com Agulha Fina (PAAF) e da CORE biopsy, com agulha grossa, na avaliação de linfonodos em pacientes com câncer de mama. “Buscamos contrastar as taxas de resultados inconclusivos entre os dois métodos de biópsia, que economicamente geram informações importantes sobre custo-efetividade”, afirma. A pesquisa, segundo a mastologista, também se propõe a indicar, por meio de dados baseados em situações reais, evidências para orientar protocolos nacionais e expandir acesso equitativo ao tratamento de câncer de mama no Brasil.
A investigação envolveu 300 mulheres submetidas à biópsia de linfonodos axilares, supraclaviculares ou cervicais no Hospital da Mulher (antigo Hospital Pérola Byington), unidade pública estadual, 100% SUS, entre 2015 e 2023. Dados clínicos, radiológicos e patológicos foram extraídos retrospectivamente de prontuários eletrônicos, utilizando-se uma ferramenta de abstração padronizada.
Em 79 participantes (26,3%), a biópsia foi feita com agulha fina. Em 221 (73,7%), o procedimento foi realizado com agulha grossa. “A principal descoberta foi a taxa marcadamente maior de resultados inconclusivos com a PAAF (agulha fina), de 50,7%, em contraste com a CORE biopsy (agulha grossa), de 2,7%”, destaca Marina Diógenes.
O mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante do estudo, observa que a punção por agulha fina, conforme a pesquisa, compromete a avaliação imunohistoquímica, que permite identificar os “sobrenomes” dos tumores, entre eles o triplo-negativo.
A título de comparação, o especialista traz um dado importante a partir dos exames realizados com CORE biopsy. “Na análise imunohistoquímica, observamos uma discrepância de até 23% em um tumor considerado primário e que depois recidivou na axila”, diz. “Isso, definitivamente, muda nossa conduta de tratamento.”
O estudo indica que os custos das biópsias iniciais feitas com agulha fina atingiram US$ 7.805, enquanto a estratégia com agulha grossa totalizou US$ 9.930. “As agulhas têm custos diferentes e durante muito tempo, principalmente no SUS, utilizamos a punção por agulha fina (PAAF) porque é mais barata”, destaca Mattar.
No entanto, nas biópsias por PAAF com resultados inconclusivos, houve a necessidade de novos procedimentos, que totalizaram US$ 5.124, sendo que a maioria dos casos foi benigna. Em contrapartida, como revela o estudo, as biópsias de segunda linha após resultado de agulha grossa inconclusivo trouxeram custos significativamente menores (US$ 1.745,15) e muitas vezes evitaram a necessidade de cirurgia.
Na análise econômica, o estudo mostra que a abordagem inicial com biópsia por agulha grossa reduziu os custos de diagnóstico em até 50%. “Considerando o atendimento do SUS, a busca por eficiência e otimização de recursos, a pesquisa demonstra que como método de biópsia de primeira linha, preferencialmente para linfonodos suspeitos, a punção por agulha grossa traz resultados mais confiáveis, muitas vezes sem a necessidade de novos exames, o que representa assertividade e ganho de tempo para orientar os tratamentos, com maior conforto para as pacientes”, conclui André Mattar.
Consulta Pública nº 170 da ANS recebe contribuições sobre contratualização na saúde suplementar
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu a Consulta Pública nº 170 para receber contribuições da sociedade sobre a proposta de uma nova Resolução Normativa que trata da contratualização entre operadoras de planos privados de assistência à saúde e prestadores de serviços de atenção à saúde.
A proposta tem como objetivo atualizar e consolidar regras relacionadas ao relacionamento contratual entre operadoras e prestadores, abordando aspectos como celebração de contratos, critérios de reajuste, mecanismos de negociação e demais disposições que impactam a organização da assistência na saúde suplementar.
De acordo com a ANS, a revisão normativa busca aprimorar a transparência, a previsibilidade e a segurança jurídica nas relações entre as partes envolvidas, contribuindo para o fortalecimento do setor.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) incentiva seus associados a conhecerem a proposta e participarem da consulta pública, contribuindo com sugestões e considerações sobre o tema.
Prazo para participação
📅 A Consulta Pública nº 170 permanecerá aberta até 03 de julho de 2026.
Como participar
Os interessados podem acessar a plataforma da ANS, consultar os documentos disponibilizados e registrar suas contribuições eletronicamente.
Material de referência
Segue material de referência para auxiliar na elaboração de sugestões e contribuições sobre a proposta em consulta.
Clique aqui para fazer o download
Clique aqui para acessar a consulta pública
Especialização em reconstrução mamária visa ampliar acesso à cirurgia para pacientes do SUS
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) propõe ao Ministério da Saúde cursos de formação de mastologistas para realizar o procedimento no programa federal Agora Tem Especialistas
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) encaminhou ao Ministério da Saúde uma proposta para aprimoramento na formação de médicos mastologistas, especialidade responsável pelo tratamento de doenças de mama. De acordo com José Pereira Guará, coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM, a proposição passa pela formalização de um termo de cooperação técnica para cursos de especialização em reconstrução mamária. A perspectiva, segundo o mastologista, é ampliar a atuação de especialistas dentro do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa federal voltada à diminuição das filas no Sistema Único de Saúde (SUS) por consultas, exames e cirurgias especializadas.
Em Brasília, representada por José Pereira Guará, a SBM reuniu-se com membros da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e com Rodrigo Cariri Chalegre, secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Saúde.
De acordo com Guará, no conjunto de intenções apresentado ao Ministério da Saúde destaca-se a atualização de um documento que oriente a formação de médicos residentes em Mastologia no Brasil. Também visa à assinatura de um termo de cooperação técnica entre SBM, SGTES e Ministério da Educação para cursos de aprimoramento em reconstrução mamária. “O intuito nesse processo é contar com médicos especializados em reconstrução mamária para atuar no programa Agora Tem Especialistas”, afirma o representante da SBM.
Na área da saúde da mulher, o programa federal criado para agilizar consultas, exames e cirurgias no SUS já atua na prevenção e diagnóstico de câncer de mama, disponibilizando mamografia e ultrassonografia mamária bilateral, punção por agulha grossa, biópsia/exérese de nódulo de mama e exame anatomopatológico de mama.
Modelo brasileiro
No cenário mundial, o Brasil desponta como um modelo de formação que difere dos Estados Unidos e de países europeus. “Os mastologistas brasileiros passam por um programa específico de residência médica com duração de dois anos, projetado para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia”, afirma José Pereira Guará.
Para a residência em Mastologia, o currículo é abrangente e engloba habilidades clínicas, diagnóstico por imagem e, especialmente, habilidades cirúrgicas em vários níveis de complexidade. Isso inclui desde procedimentos oncológicos clássicos até cirurgias oncoplásticas com utilização de pedículos variados de mamoplastia, retalhos fásciocutâneos locais, retalhos miocutâneos, lipoenxertia, emprego de implantes etc.
Além do treinamento cirúrgico em reconstrução oferecido nos programas de residência em Mastologia, o Brasil investe em cursos especializados em cirurgia oncoplástica que expandiram significativamente as técnicas reconstrutivas em todo o território nacional. Muitos instrutores desses cursos são afiliados a programas de residência em Mastologia, o que contribui diretamente para o aumento do número de reconstruções mamárias.
“Na proposta de oferecer aprimoramento em reconstrução mamária no contexto do Agora Tem Especialistas, acreditamos ser possível oferecer um tratamento muito mais complexo e com melhores resultados do ponto de vista estético e funcional para a paciente com câncer de mama atendida pela rede pública de saúde”, conclui coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM.
Nota de pesar – Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) manifesta em nome de seus membros o mais profundo pesar pelo falecimento do Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti. Exemplo raro de competência e habilidade aliadas à humanidade, Petti exercia a medicina com alma, propósito e profundo respeito pelas pessoas.
Em 1964, Domingos Petti graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Na construção de uma trajetória ímpar, norteada pela excelência acadêmica e dedicação à pesquisa científica, exerceu com extremo compromisso a formação de novas gerações de médicos, destacando-se como professor titular e chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau), professor associado da FMUSP e integrante do corpo clínico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Reconhecido nacional e internacionalmente, com uma extensa produção científica e contribuições fundamentais à evolução da Mastologia no País, Dr. Domingos Petti acrescenta à sua atuação transformadora a fundação do Instituto de Ginecologia e Mastologia (IGM) da Beneficência Portuguesa de São Paulo, serviço-escola que formou inúmeros mastologistas em todo o Brasil.
Aos familiares, amigos, colegas, alunos e admiradores do Prof. Dr. Domingos Auricchio Petti, a SBM expressa sua mais sincera solidariedade, desejando que alcancem conforto em face de tão irreparável perda.
A atuação transformadora de Domingos Petti, que contribuiu para o modelo de cuidado integrado em Mastologia que hoje praticamos, permanecerá como um legado indissolúvel que se alinha ao seu grande exemplo de vida.
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)
Consulta Pública da Conitec mobiliza mastologistas em defesa da incorporação do pembrolizumabe no SUS para câncer de mama triplo-negativo
Prazo para contribuições da Consulta Pública nº 39/2026 segue até 8 de junho e participação técnica da comunidade médica pode influenciar decisão sobre acesso à imunoterapia no cenário perioperatório
Clique aqui para participar - prazo até 8 de junho
A comunidade brasileira de mastologia e oncologia acompanha uma das discussões mais relevantes do ano no campo da incorporação de tecnologias em saúde pública. Está aberta, até o dia 8 de junho de 2026, a Consulta Pública nº 39/2026 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a incorporação do pembrolizumabe para pacientes com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) de alto risco em estágio inicial.
A proposta contempla o uso do pembrolizumabe em combinação com quimioterapia no cenário neoadjuvante, seguido de manutenção adjuvante em monoterapia após a cirurgia, estratégia que vem consolidando resultados importantes em desfechos clínicos, especialmente em redução de recorrência e aumento de sobrevida livre de eventos.
O câncer de mama triplo-negativo representa um dos subtipos biologicamente mais agressivos da doença, associado a maior risco de recidiva precoce, pior prognóstico e impacto significativo em mulheres frequentemente jovens e em idade produtiva. Historicamente, o arsenal terapêutico disponível para essas pacientes sempre foi mais limitado quando comparado a outros subtipos de câncer de mama.
Nesse contexto, a eventual incorporação da imunoterapia perioperatória ao SUS é considerada por especialistas uma possível mudança de paradigma no tratamento do CMTN inicial de alto risco, aproximando o sistema público brasileiro de práticas já consolidadas em importantes diretrizes e centros internacionais.
Participação médica é considerada estratégica
A fase de consulta pública é uma etapa decisiva dentro do processo de avaliação da Conitec. Embora o órgão já tenha emitido recomendação preliminar sobre o tema, o período de contribuições permite que médicos especialistas, sociedades científicas, pacientes e demais atores do sistema de saúde apresentem manifestações técnicas, evidências clínicas, experiências práticas e análises de impacto assistencial.
Na avaliação de lideranças da mastologia, a participação ativa da classe médica é fundamental para demonstrar, de forma qualificada, o impacto clínico da tecnologia na prática assistencial brasileira, especialmente diante da elevada agressividade do CMTN e da necessidade de ampliação do acesso terapêutico no SUS.
Além da literatura científica, contribuições baseadas em experiência clínica e realidade assistencial podem fortalecer o entendimento sobre benefícios relacionados à resposta patológica completa, redução do risco de recorrência e potencial impacto em sobrevida.
Outro ponto considerado relevante é a possibilidade de qualificar tecnicamente o debate sobre equidade no acesso à inovação em oncologia dentro do sistema público de saúde.
Como participar da Consulta Pública nº 39/2026
O envio das contribuições é realizado de forma digital e exige autenticação no portal Gov.br para validação da participação.
Clique aqui para participar - prazo até 8 de junho
Passo a passo:
- Acessar o portal da Conitec e localizar a área de Consultas Públicas em andamento;
- Buscar pela Consulta Pública nº 39/2026;
- Ler o Relatório Técnico disponibilizado pela Conitec;
- Realizar login com conta Gov.br;
- Preencher o formulário de contribuição, preferencialmente na categoria de especialista/profissional de saúde, apresentando fundamentação técnica baseada em evidências científicas e prática clínica.
Cronograma da consulta pública
- Início: começou no dia 18 de maio de 2026
- Encerramento: 8 de junho de 2026
Especialistas envolvidos na mobilização destacam que o período atual representa uma oportunidade importante para que a mastologia brasileira participe ativamente da construção das políticas públicas relacionadas ao tratamento do câncer de mama no país.
“A discussão sobre incorporação tecnológica no SUS transcende a inovação. Trata-se também de ampliar equidade, oportunidade terapêutica e impacto real em sobrevida para pacientes com câncer de mama triplo-negativo atendidas na rede pública”, ressaltam lideranças médicas envolvidas na mobilização nacional.
Faça sua voz valer na Consulta Pública nº 172
Você pode contribuir para a avaliação da incorporação no sistema privado de saúde (Rol da ANS) de capivasertibe em combinação com fulvestranto para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático RH+/HER2- com alteração detectada em PІKЗCА/AKT/PTEN.
Faça Sua Voz Valer na Consulta Pública n° 172 (UAT 198) até 02 de junho!
Clique aqui para participar - até 2 de Junho de 2026
Está aberta até o dia 02/06/2026 a Consulta Pública nº 172 (UAT 198), para avaliar a incorporação de capivasertibe em combinação com fulvestranto para o tratamento do câncer de mama avançado, RH+ e HER2-, com uma ou mais alterações em PIK3CA/AKT/PTEN detectada, como tratamento de segunda linha após progressão a um inibidor de CDK4/6, no sistema privado de saúde (Rol da ANS).
Por que essa Consulta Pública é importante?
No cenário avançado ou metastático, o câncer de mama está associado a um impacto clínico significativo, com necessidade de tratamento contínuo, uma vez que apenas 1 em cada 5 pacientes tem sobrevida maior que 5 anos.
O subtipo RH+/HER2- (~ 65% dos casos) tem como tratamento inicial recomendado a associação de terapia endócrina com inibidores de CDK4/6.
Após a progressão, impõe-se o desafio da definição do tratamento mais adequado. A pesquisa do perfil molecular, como as alterações na via PIK3CA/AKT/PTEN, é recomendada em diretrizes nacionais e internacionais, e auxilia na definição da estratégia terapêutica.
As opções terapêuticas previstas pelo rol da ANS podem apresentar eficácia reduzida em alguns cenários, e por isso, são periodicamente revistas, com a finalidade de avaliar o impacto da incorporação de novos tratamentos.
Por que contribuir?
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) considera todas as contribuições fornecidas durante a consulta pública (pacientes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde)
Essa é a oportunidade que profissionais de saúde tem para manifestar sua experiência clínica no tratamento de pacientes no cenário proposto e ajudar a embasar a decisão da ANS a respeito da incorporação da tecnologia avaliada.
Como participar da Consulta Pública (CP):
- Realize seu cadastro ou login na plataforma (seu usuário gov.br)
- Na página estarão disponíveis documentos relacionados à CP, como a recomendação preliminar e relatórios técnicos. Selecione a recomendação preliminar que deseja contribuir e responda às perguntas com a sua opinião sobre a avaliação da incorporação de capivasertibe em combinação com fulvestranto para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático RH+/HER2- com alteração detectada em PIK3CA/AKT/PTEN na saúde suplementar.
- Retorne à página da "Consulta Pública nº 172 (UAT 198)" e clique em "Contribuir".
- Clique em enviar para registrar sua participação.
Clique aqui para participar - até 2 de Junho de 2026
Referências
- Alves CG, Pimentel BN, Machado BX, Berce GR, Bezerra JDS, Durães MS, et al. Subtipos moleculares do carcinoma de mama: como diferem do ponto de vista prognóstico? Braz J Hea Rev. 13 de março de 2024;7(2):e68034. doi:10.34119/bjhrv7n2-098
- Cardoso F, Paluch-Shimon S, Schumacher-Wulf E, Matos L, Gelmon K, Aapro MS, et al. 6th and 7th International consensus guidelines for the management of advanced breast cancer (ABC guidelines 6 and 7). The Breast. agosto de 2024;76:103756. doi:10.1016/j.breast.2024.103756
- Huppert LA, Gumusay O, Idossa D, Rugo HS. Systemic therapy for hormone receptor‐positive/human epidermal growth factor receptor 2‐negative early stage and metastatic breast cancer. CA A Cancer J Clinicians. setembro de 2023;73(5):480–515. doi:10.3322/caac.21777
- Diretrizes de tratamentos oncológicos 2025. SBOC 2025. Mama avançado. [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://sboc.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Mama-doenca-metastatica-3.pdf
- ESMO Metastatic Breast Cancer Living Guideline. v1.2 April 2025. [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://www.esmo.org/guidelines/living-guidelines/esmo-metastatic-breast-cancer-living-guideline-duplicated/hr-positive-her2-negative-metastatic-breast-cancer/hr-her2-de-novo-mbc-or-recurrence-12-months-after-the-end-of-adjuvant-et-et-sensitive-naive/hr-her2-mbc-progressive-disease-candidate-for-endocrine-therapy-targeted-therapy
- NCI Cancer Stat Facts: Female Breast Cancer Subtype 2026 [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://seer.cancer.gov/statfacts/html/breast-subtypes.html
Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce
Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.
De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.
Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que possam indicar precocemente o câncer de mama.
De acordo com o mastologista Guilherme Novita, testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres. “Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da doença.”
Como método, a mamografia de rastreamento permanece como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos de idade.
O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.









