Consulta Pública da Conitec mobiliza mastologistas em defesa da incorporação do pembrolizumabe no SUS para câncer de mama triplo-negativo
Prazo para contribuições da Consulta Pública nº 39/2026 segue até 8 de junho e participação técnica da comunidade médica pode influenciar decisão sobre acesso à imunoterapia no cenário perioperatório
Clique aqui para participar - prazo até 8 de junho
A comunidade brasileira de mastologia e oncologia acompanha uma das discussões mais relevantes do ano no campo da incorporação de tecnologias em saúde pública. Está aberta, até o dia 8 de junho de 2026, a Consulta Pública nº 39/2026 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que avalia a incorporação do pembrolizumabe para pacientes com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) de alto risco em estágio inicial.
A proposta contempla o uso do pembrolizumabe em combinação com quimioterapia no cenário neoadjuvante, seguido de manutenção adjuvante em monoterapia após a cirurgia, estratégia que vem consolidando resultados importantes em desfechos clínicos, especialmente em redução de recorrência e aumento de sobrevida livre de eventos.
O câncer de mama triplo-negativo representa um dos subtipos biologicamente mais agressivos da doença, associado a maior risco de recidiva precoce, pior prognóstico e impacto significativo em mulheres frequentemente jovens e em idade produtiva. Historicamente, o arsenal terapêutico disponível para essas pacientes sempre foi mais limitado quando comparado a outros subtipos de câncer de mama.
Nesse contexto, a eventual incorporação da imunoterapia perioperatória ao SUS é considerada por especialistas uma possível mudança de paradigma no tratamento do CMTN inicial de alto risco, aproximando o sistema público brasileiro de práticas já consolidadas em importantes diretrizes e centros internacionais.
Participação médica é considerada estratégica
A fase de consulta pública é uma etapa decisiva dentro do processo de avaliação da Conitec. Embora o órgão já tenha emitido recomendação preliminar sobre o tema, o período de contribuições permite que médicos especialistas, sociedades científicas, pacientes e demais atores do sistema de saúde apresentem manifestações técnicas, evidências clínicas, experiências práticas e análises de impacto assistencial.
Na avaliação de lideranças da mastologia, a participação ativa da classe médica é fundamental para demonstrar, de forma qualificada, o impacto clínico da tecnologia na prática assistencial brasileira, especialmente diante da elevada agressividade do CMTN e da necessidade de ampliação do acesso terapêutico no SUS.
Além da literatura científica, contribuições baseadas em experiência clínica e realidade assistencial podem fortalecer o entendimento sobre benefícios relacionados à resposta patológica completa, redução do risco de recorrência e potencial impacto em sobrevida.
Outro ponto considerado relevante é a possibilidade de qualificar tecnicamente o debate sobre equidade no acesso à inovação em oncologia dentro do sistema público de saúde.
Como participar da Consulta Pública nº 39/2026
O envio das contribuições é realizado de forma digital e exige autenticação no portal Gov.br para validação da participação.
Clique aqui para participar - prazo até 8 de junho
Passo a passo:
- Acessar o portal da Conitec e localizar a área de Consultas Públicas em andamento;
- Buscar pela Consulta Pública nº 39/2026;
- Ler o Relatório Técnico disponibilizado pela Conitec;
- Realizar login com conta Gov.br;
- Preencher o formulário de contribuição, preferencialmente na categoria de especialista/profissional de saúde, apresentando fundamentação técnica baseada em evidências científicas e prática clínica.
Cronograma da consulta pública
- Início: começou no dia 18 de maio de 2026
- Encerramento: 8 de junho de 2026
Especialistas envolvidos na mobilização destacam que o período atual representa uma oportunidade importante para que a mastologia brasileira participe ativamente da construção das políticas públicas relacionadas ao tratamento do câncer de mama no país.
“A discussão sobre incorporação tecnológica no SUS transcende a inovação. Trata-se também de ampliar equidade, oportunidade terapêutica e impacto real em sobrevida para pacientes com câncer de mama triplo-negativo atendidas na rede pública”, ressaltam lideranças médicas envolvidas na mobilização nacional.
Faça sua voz valer na Consulta Pública nº 172
Você pode contribuir para a avaliação da incorporação no sistema privado de saúde (Rol da ANS) de capivasertibe em combinação com fulvestranto para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático RH+/HER2- com alteração detectada em PІKЗCА/AKT/PTEN.
Faça Sua Voz Valer na Consulta Pública n° 172 (UAT 198) até 02 de junho!
Clique aqui para participar - até 2 de Junho de 2026
Está aberta até o dia 02/06/2026 a Consulta Pública nº 172 (UAT 198), para avaliar a incorporação de capivasertibe em combinação com fulvestranto para o tratamento do câncer de mama avançado, RH+ e HER2-, com uma ou mais alterações em PIK3CA/AKT/PTEN detectada, como tratamento de segunda linha após progressão a um inibidor de CDK4/6, no sistema privado de saúde (Rol da ANS).
Por que essa Consulta Pública é importante?
No cenário avançado ou metastático, o câncer de mama está associado a um impacto clínico significativo, com necessidade de tratamento contínuo, uma vez que apenas 1 em cada 5 pacientes tem sobrevida maior que 5 anos.
O subtipo RH+/HER2- (~ 65% dos casos) tem como tratamento inicial recomendado a associação de terapia endócrina com inibidores de CDK4/6.
Após a progressão, impõe-se o desafio da definição do tratamento mais adequado. A pesquisa do perfil molecular, como as alterações na via PIK3CA/AKT/PTEN, é recomendada em diretrizes nacionais e internacionais, e auxilia na definição da estratégia terapêutica.
As opções terapêuticas previstas pelo rol da ANS podem apresentar eficácia reduzida em alguns cenários, e por isso, são periodicamente revistas, com a finalidade de avaliar o impacto da incorporação de novos tratamentos.
Por que contribuir?
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) considera todas as contribuições fornecidas durante a consulta pública (pacientes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde)
Essa é a oportunidade que profissionais de saúde tem para manifestar sua experiência clínica no tratamento de pacientes no cenário proposto e ajudar a embasar a decisão da ANS a respeito da incorporação da tecnologia avaliada.
Como participar da Consulta Pública (CP):
- Realize seu cadastro ou login na plataforma (seu usuário gov.br)
- Na página estarão disponíveis documentos relacionados à CP, como a recomendação preliminar e relatórios técnicos. Selecione a recomendação preliminar que deseja contribuir e responda às perguntas com a sua opinião sobre a avaliação da incorporação de capivasertibe em combinação com fulvestranto para pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático RH+/HER2- com alteração detectada em PIK3CA/AKT/PTEN na saúde suplementar.
- Retorne à página da "Consulta Pública nº 172 (UAT 198)" e clique em "Contribuir".
- Clique em enviar para registrar sua participação.
Clique aqui para participar - até 2 de Junho de 2026
Referências
- Alves CG, Pimentel BN, Machado BX, Berce GR, Bezerra JDS, Durães MS, et al. Subtipos moleculares do carcinoma de mama: como diferem do ponto de vista prognóstico? Braz J Hea Rev. 13 de março de 2024;7(2):e68034. doi:10.34119/bjhrv7n2-098
- Cardoso F, Paluch-Shimon S, Schumacher-Wulf E, Matos L, Gelmon K, Aapro MS, et al. 6th and 7th International consensus guidelines for the management of advanced breast cancer (ABC guidelines 6 and 7). The Breast. agosto de 2024;76:103756. doi:10.1016/j.breast.2024.103756
- Huppert LA, Gumusay O, Idossa D, Rugo HS. Systemic therapy for hormone receptor‐positive/human epidermal growth factor receptor 2‐negative early stage and metastatic breast cancer. CA A Cancer J Clinicians. setembro de 2023;73(5):480–515. doi:10.3322/caac.21777
- Diretrizes de tratamentos oncológicos 2025. SBOC 2025. Mama avançado. [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://sboc.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Mama-doenca-metastatica-3.pdf
- ESMO Metastatic Breast Cancer Living Guideline. v1.2 April 2025. [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://www.esmo.org/guidelines/living-guidelines/esmo-metastatic-breast-cancer-living-guideline-duplicated/hr-positive-her2-negative-metastatic-breast-cancer/hr-her2-de-novo-mbc-or-recurrence-12-months-after-the-end-of-adjuvant-et-et-sensitive-naive/hr-her2-mbc-progressive-disease-candidate-for-endocrine-therapy-targeted-therapy
- NCI Cancer Stat Facts: Female Breast Cancer Subtype 2026 [Internet]. [citado 21 de maio de 2026]. Disponível em: https://seer.cancer.gov/statfacts/html/breast-subtypes.html
Exame de sangue para diagnóstico de câncer de mama preocupa sociedades médicas
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) destaca a falta de validação científica para uma tecnologia que se propõe a detectar a doença de forma precoce
Testes chamados de “biópsias líquidas” ou “testes genéticos” têm alcançado ampla visibilidade a partir de órgãos de imprensa e redes sociais. Por meio de exame de sangue, a tecnologia se propõe a auxiliar no rastreamento precoce do câncer de mama. Ao mesmo tempo, divulgações sobre o método vêm mobilizando as mais importantes entidades médicas do País, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). “Na realidade, não existem exames de sangue validados pela prática médica e por verificação científica como métodos de detecção precoce da doença”, afirma Guilherme Novita, presidente da SBM. A mamografia, ressalta o mastologista, é o único exame de rastreamento com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em mulheres.
De acordo com o levantamento divulgado pelo INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028. Diante de uma perspectiva desafiadora não apenas na rede pública, mas também para a saúde suplementar que contempla planos e seguros particulares, a SBM vê com preocupação a veiculação de informações sobre testes conhecidos como “biópsia líquida” ou “testes genéticos”.
Por meio de exame de sangue, e sem a necessidade de solicitação médica para a realização, a tecnologia que não tem validação se propõe a detectar alterações ligadas ao crescimento de células tumorais que possam indicar precocemente o câncer de mama.
De acordo com o mastologista Guilherme Novita, testes não validados podem causar uma falsa sensação de segurança nas mulheres. “Outro aspecto igualmente preocupante é a diminuição da adesão das pacientes às formas consagradas pela ciência e prática médica para diagnóstico precoce da doença.”
Como método, a mamografia de rastreamento permanece como estratégia de saúde mais eficaz para a detecção do câncer de mama em estágio inicial. Desde o ano passado, a recomendação do Ministério da Saúde para a realização regular do exame foi ampliada com a inclusão de mulheres a partir dos 40 anos de idade.
O diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, está associado a tratamentos cirúrgicos menos extensos, muitas vezes sem necessidade de quimioterapia, maiores taxas de cirurgias conservadoras da mama e melhores resultados estéticos, aspecto de extrema relevância, considerando que a mama é um símbolo importante da feminilidade e da identidade corporal da mulher. “Diante de tantos benefícios, ao invés de recorrer a testes sem validação, é fundamental que as mulheres consultem um mastologista e sigam realizando a mamografia de forma frequente e regular”, conclui Guilherme Novita.
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) alcança vitória inédita para incluir teste genético de câncer de mama no SUS
A partir da solicitação da SBM, Conitec avalia incorporar tecnologia de identificação de mutações genéticas associadas a 80% de risco de desenvolvimento da doença
A Conitec, comissão responsável por avaliar a incorporação de novos medicamentos, equipamentos, protocolos de diagnósticos e de tratamentos no SUS (Sistema Único de Saúde), acaba de aprovar a solicitação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) para incluir o Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês) para os genes BRCA1 e BRCA2 A tecnologia permite identificar mutações (variantes patogênicas) em genes selecionados associados ao risco hereditário de câncer de mama. Hoje, o exame não é ofertado regularmente pelo SUS. Alguns estados brasileiros possuem leis locais e já incorporaram no sistema público o teste genético e a linha de cuidado para mulheres com câncer de mama hereditário, como é o caso de Goiás com o projeto Goiás Todo Rosa, liderado pela mastologista Rosemar Macedo Rahal. “Este é um momento histórico para a população atendida pelo SUS”, afirma o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da SBM-Regional Minas Gerais. “Para a SBM, é o cumprimento do papel de representar as pacientes, produzir conhecimento e participar ativamente da formulação de políticas na rede pública de saúde, que assiste atualmente cerca de 80% da população brasileira”, completa.
A solicitação à Conitec foi baseada em estudo científico de avaliação econômica e impacto orçamentário liderado por Lima Couto e pela mastologista Rosemar Rahal, membro do Departamento de Saúde Pública da SBM. Na elaboração do dossiê participaram também os fármaco-economistas Ludmila Perez Gargano e Fernando Zanghelini.
As mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama.
Estudos populacionais recentes indicam que os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam cerca de 5-10% do total dos cânceres, e aproximadamente metade desses casos hereditários de mama são causados por alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, com atuação destacada na Consulta Pública solicitada à Conitec e também na argumentação sobre a inclusão da testagem NGS no âmbito do SUS, a mastologista Alessandra Borba afirma que pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 têm mais chances de desenvolver vários tipos de câncer, como mama e ovário, entre outros. A mutação no gene BRCA representa um risco de 60-80% para câncer de mama e 20-40% para o de ovário. “Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é plenamente disponibilizado na rede pública”, ressalta.
A partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), indicam importante impacto em redução do desenvolvimento da doença, aumentando também as chances de algumas pacientes portadoras de mutação estarem vivas e reduzindo custos de novos tratamento evitáveis.
O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avaliou, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. “Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, destaca Alessandra Borba.
A incorporação da testagem NSG no SUS, segundo Lima Couto e Alessandra Borba, deve ser realizada de forma escalonada. “A inclusão do teste, com custos e impactos orçamentários definidos para uma população-alvo inicialmente restrita é o primeiro passo”, afirmam. “O que se espera nesse processo é uma ampliação progressiva e economicamente segura de testagem que vai permitir a construção gradual de uma linha de cuidados integral.”
Em sua argumentação frente à Conitec para inclusão do teste, Alessandra Borba destacou a importância de iniciar a linha de cuidado neste momento com os genes BRCA1 e BRCA2 tanto para câncer de mama como para câncer de ovário, o qual teve medicação de alto custo aprovada vinculada à testagem genética, e ainda não implementada. A mastologista destacou também a importância da incorporação da análise do gene TP53, também associado a câncer de mama hereditário, assim como outros cânceres, como parte de um processo contínuo de expansão dessa linha de cuidado devido a uma mutação fundadora nas regiões Sul e Sudeste do país. Na segunda fase de expansão, ressaltou, também é crítico olhar para testagem de familiares e prevenção real de câncer com estratégias redutoras de risco. Para isso, aconselhamento genético, acesso a exames como ressonância e também a cirurgias redutoras de risco com reconstrução são fundamentais para ampliar a custo-efetividade, reduzir a incidência de câncer, aumentar conhecimento genético da população, entre outros benefícios.
A jornada que culminou com a aprovação na Conitec foi iniciada na gestão anterior da entidade, sob a presidência do mastologista Tuffi Hassan. Conduzida pelo atual presidente da SBM, Guilherme Novita, a estratégia contou com contribuições dos mastologistas João Henrique e Alessandra Borba, do Departamento de Oncogenética, de Carlos Ruiz, do Departamento de Saúde Pública, de Annamaria Massaud Rodrigues dos Santos, do Departamento de Acesso e Direito dos Pacientes da SBM e de Daniel de Araújo Brito Buttros à frente do Departamento de Comunicação. A Sociedade Brasileira de Mastologia destaca ainda o apoio de importantes sociedades médicas, como a Associação Médica do Brasil, o Conselho Federal de Medicina e da sociedade civil organizada, em especial a FEMAMA, presidida pela médica Maira Caleffi, e de pessoas físicas que participaram da Consulta Pública da Conitec. A participação de pacientes, familiares e mastologistas foi decisiva.
“A SBM considera que este é apenas o início da caminhada. Nos próximos passos, a expectativa é de expansão da rede de aconselhamento genético, incorporação de cirurgias redutoras de risco e ampliação de critérios de investigação e genes a serem testados”, afirma Henrique Lima Couto. “O acesso ao teste genético não deve ser um privilégio do CEP onde a mulher se trata”, destaca Alessandra Borba em sua apresentação de defesa à Conitec.
Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) reúne-se com diretor do INCA para tratar de melhorias no atendimento ao câncer de mama na rede pública
O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Dr. Guilherme Novita, juntamente com a Assessora Especial da Presidência, Dra. Monica Jourdan, realizou uma reunião com o diretor do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Dr. Roberto Gil, para discutir pautas estratégicas voltadas à ampliação e qualificação do atendimento a pessoas com câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante o encontro, Dr. Guilherme Novita apresentou demandas prioritárias da especialidade, com destaque para a participação ativa da SBM no Grupo Técnico de Câncer de Mama do Ministério da Saúde. A presença da Sociedade nesse colegiado visa contribuir com diretrizes baseadas em evidências científicas e na experiência clínica para aprimorar protocolos, diagnóstico precoce e tratamento oncológico.
Outro ponto central da reunião foi o pedido formal de apoio do INCA para a defesa e o incremento da reconstrução mamária na rede pública. A SBM reforçou a importância de garantir o acesso universal e oportuno à cirurgia reconstrutiva, direito legalmente assegurado às mulheres mastectomizadas pelo SUS, mas ainda sujeito a grandes desigualdades regionais e longas filas de espera.
“Tivemos a oportunidade de levar pautas essenciais para a melhoria da assistência. A reconstrução mamária é parte fundamental da reabilitação psicossocial e da qualidade de vida das pacientes, e precisamos de medidas concretas para ampliar esse serviço no sistema público”, afirmou o presidente da SBM.
O Dr. Roberto Gil, diretor do INCA, demonstrou receptividade às demandas e sinalizou alinhamento na busca por soluções que fortaleçam a política nacional de atenção oncológica. Novos desdobramentos deverão ser discutidos em próximas reuniões técnicas entre as instituições.
Sobre a SBM
A Sociedade Brasileira de Mastologia é a entidade científica que reúne os especialistas em patologias da mama no Brasil, atuando na defesa da saúde mamária, educação médica continuada e formulação de políticas públicas para o setor.
Sobre o INCA
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) é o órgão do Ministério da Saúde responsável por coordenar as ações de prevenção, diagnóstico, tratamento e pesquisa oncológica no país.
Exame de Proficiência para obtenção do certificado de área de atuação em Oncogenética - 2026
Estão abertas as inscrições para o Exame de Proficiência para obtenção do Certificado de Área de Atuação em Oncogenética.
Participam do Exame as entidades: Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC), Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).
O processo é conduzido pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Representando um marco para a oncogenética no Brasil, essa etapa aprimora a prática clínica e traz mais segurança no manejo de pacientes com predisposição hereditária.
Confira o edital no site da AMB: https://amb.org.br/provas/
SBM Alerta: Apenas 20% das Pacientes do SUS Têm Acesso à Reconstrução Mamária Pós-Mastectomia
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) manifesta profunda preocupação com o abismo entre o direito garantido por lei e a realidade assistencial no Brasil. Levantamento recente revela que 80% das mulheres submetidas à mastectomia no Sistema Único de Saúde (SUS) não realizam a cirurgia reconstrutiva, comprometendo a saúde física, psíquica e social de milhares de pacientes.
Enquanto na rede suplementar (planos de saúde) cerca de 75% das pacientes conseguem a reconstrução, no setor público a realidade é invertida. "Estamos falando de mulheres, muitas com menos de 50 anos, que têm suas vidas conjugais e profissionais impactadas pela não realização de um procedimento que é um direito assegurado", afirma o Dr. Guilherme Novita, presidente da SBM.
Barreiras Financeiras e Operacionais
A SBM identifica que o principal entrave para a universalização do acesso não é a falta de norma legal, mas a insuficiência do repasse financeiro. Atualmente, o SUS paga em média R$ 500 por uma reconstrução, valor que não cobre sequer o custo de uma prótese, que raramente é encontrada por menos de R$ 1.000 no mercado.
Como consequência direta:
- A maioria dos hospitais públicos não realiza o procedimento por incapacidade de absorver o prejuízo financeiro.
- Formam-se extensas filas de reconstrução tardia, que geram custos maiores ao sistema devido a novas internações e levam muitas pacientes à desistência.
Evolução Legislativa: A Lei nº 15.171/2025
A SBM destaca a importância da Lei nº 15.171/2025, em vigor desde o ano passado, que ampliou o escopo da legislação anterior (Lei nº 9.797/1999). O novo dispositivo garante a reconstrução não apenas em casos de câncer, mas também para:
- Malformações e mamas tuberosas.
- Grandes assimetrias e gigantismo.
- Simetrização da mama contralateral, etapa crucial para o equilíbrio estético e funcional.
O Posicionamento da SBM
A Sociedade Brasileira de Mastologia defende que a reconstrução mamária deve ser compreendida como etapa indissociável do tratamento oncológico, e não como um procedimento eletivo ou estético.
A entidade urge por um aprimoramento urgente nas políticas públicas e no reajuste da tabela de procedimentos para que a Lei seja cumprida de forma imediata na rede pública. “Nossa perspectiva é curar não apenas o câncer, mas a pessoa que passa pela doença”, conclui Novita.
Diretriz de Câncer e Obesidade
É com grande satisfação que compartilhamos com você a nova Diretriz de Câncer e Obesidade, um documento técnico inédito desenvolvido para qualificar e orientar o cuidado de pacientes que enfrentam ambas as condições.
Sabemos que a associação entre obesidade e câncer apresenta desafios complexos no manejo clínico. Por isso, este material foi construído de forma colaborativa por 13 organizações de referência, unindo expertises multidisciplinares para oferecer parâmetros claros e adaptações necessárias ao tratamento.
O que você encontrará nesta diretriz:
- Orientações para o manejo clínico e de suporte assertivo de pacientes com ambas as condições
- Apontamento de adaptações técnicas e estruturais necessárias para o tratamento de pacientes.
- Estratégias para aprimoramento do cuidado dos pacientes
Reforçamos nosso compromisso em fornecer ferramentas que elevem o padrão do cuidado oncológico no Brasil. O documento completo está disponível no link abaixo:
https://www.oncoguia.org.br/conteudo/board-de-cancer-e-obesidade/18094/1428/
Esperamos que este material seja de grande valia para sua atuação.
SBM Mobiliza Governo e Órgãos de Classe para Garantir Aplicação de Leis no Combate ao Câncer de Mama
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) apresentou formalmente ao Ministério da Saúde, ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e à Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) um conjunto de propostas estratégicas visando reverter o cenário crítico da assistência oncológica no Brasil.
O foco central da mobilização é a aplicação efetiva das legislações vigentes e a expansão do rastreamento mamográfico no Sistema Único de Saúde (SUS), onde a cobertura atual é de apenas 33%, metade do índice de 70% recomendado pela SBM para reduzir diagnósticos em estágios avançados.
Reconstrução Mamária e Valorização Profissional
Um dos pontos mais críticos apresentados ao Ministério da Saúde é o baixo índice de reconstruções mamárias no SUS: apenas 20% das mulheres submetidas à mastectomia têm acesso ao procedimento.
"Propusemos uma revisão na remuneração mínima aos especialistas para viabilizar essas cirurgias na rede pública e parcerias para cursos de aperfeiçoamento subsidiados a estudantes de medicina", destaca o Dr. Guilherme Novita, presidente da SBM.
Alianças Estratégicas: Jurídica e Acadêmica
- Conamp: A parceria com o Ministério Público será intensificada para fornecer suporte técnico-científico que embase ações judiciais em defesa do direito das pacientes ao tratamento tempestivo.
- CFM: A SBM declarou apoio oficial ao projeto de exame de proficiência obrigatório para egressos de medicina, visando elevar o padrão de qualidade no atendimento à população.
- GT Câncer de Mama (Inca): A SBM passará a integrar o Grupo de Trabalho coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer para o aprimoramento de políticas públicas de custo-efetividade.
Compromisso com o SUS
Com 75% da população brasileira dependente do sistema público, a SBM reitera que sua missão é transformar intenções em políticas práticas. “Nossos esforços são direcionados a quem mais precisa, garantindo que o diagnóstico precoce não seja apenas uma possibilidade teórica, mas um direito exercido”, conclui Novita.
Estudo inédito expõe as diferenças no enfrentamento do câncer de mama no SUS e na rede particular
Investigação de grande escala, com mais de 65 mil mulheres no Estado de São Paulo, quantifica discrepâncias no diagnóstico e tratamento e indicam a urgência de políticas públicas estruturais para a equidade no cuidado mamográfico
Um estudo amplo, realizado com mais de 65 mil mulheres no Estado de São Paulo, revela a acentuada desigualdade no diagnóstico e tratamento do câncer de mama nas redes pública e privada de saúde. Por ser uma das poucas pesquisas populacionais de grande escala a quantificar rigorosamente de que forma as diferenças no sistema de saúde dual brasileiro impactam a sobrevida das pacientes no longo prazo, o estudo torna-se ainda mais relevante e sinaliza ainda a necessidade de políticas públicas estruturais para fortalecer a equidade no cuidado mamográfico não apenas no Estado, mas em todo o País.
O estudo “Determinantes relacionados à assistência médica no prognóstico do câncer de mama em São Paulo, Brasil: Uma coorte populacional”, publicado pela Clinical Breast Cancer (Elsevier), conceituada revista científica internacional, tem a coordenação de Gustavo Nader Marta, médico titular do Departamento de Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês. A investigação envolve também pesquisadores com atuação no Brasil, Canadá e nos Estados Unidos.
A pesquisa se baseia em dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP), instituição vinculada à Secretaria de Saúde do Estado. No período de 2000 a 2020, foram avaliadas 65.543 mulheres com câncer de mama. Um grupo de pacientes foi atendido no SUS (Sistema Único de Saúde); o outro, pela saúde suplementar, que contempla operadoras e planos privados. De acordo com Gustavo Marta, o registro da FOSP “é particularmente robusto e representativo em comparação com outros registros estaduais, por sua longa história, ampla cobertura populacional e práticas padronizadas de notificação”.
O levantamento identificou que mulheres assistidas pelo sistema privado foram diagnosticadas com maior frequência em estadios iniciais do câncer de mama. Na saúde suplementar, 41% das pacientes receberam diagnóstico no estadio I da doença. No SUS, foram 21%. Casos avançados (estadios III e IV) foram significativamente predominantes no sistema público.
A pesquisa também investigou a sobrevida global das mulheres no período de 10 anos, considerando os estadios I, II, III e IV da doença. No sistema privado, a sobrevida para estadio I chega a 81,6% contra 77,5% no SUS. No estadio II, são 74% contra 63,3%; 55,6% contra 39,6% (estadio III), e 7,6% contra 6,4% (estadio IV). A análise multivariada demonstrou que o tratamento no sistema privado esteve associado a uma redução de 41% no risco de morte.
“No contexto brasileiro, o estudo mostra que o sistema onde a paciente é tratada tem impacto mensurável na sobrevida, mesmo após controle para variáveis clínicas importantes”, constata Gustavo Marta, que completa: “Em oncologia, tempo é prognóstico. O diagnóstico mais tardio observado no sistema público ajuda a explicar parte das diferenças encontradas.”
Além de reforçar a extrema relevância e robustez do estudo que evidencia discrepâncias entre diagnóstico e tratamento nas redes pública e privada, o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), também participante da pesquisa, avalia que “os resultados refletem, provavelmente, o acesso à mamografia mais facilitado às mulheres atendidas por planos de saúde”.
Embora reconheça o acesso ampliado pelo SUS ao tratamento oncológico nas últimas décadas, o representante da SBM ressalta que há inúmeros desafios a serem vencidos na rede pública de saúde.
No enfrentamento do câncer de mama, neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo, a mamografia de rastreamento permanece como a estratégia de saúde pública mais eficaz para a detecção precoce da doença, permitindo tratamentos menos agressivos e melhores taxas de sobrevida.
No entanto, mesmo com o rastreamento regular a partir dos 40 anos de idade, recomendação do Ministério da Saúde, aliado aos esforços das principais associações médicas brasileiras para o enfrentamento efetivo da doença, a cobertura mamográfica pelo SUS atinge atualmente apenas 33% da população-alvo no País. “O desejável é que 70% das mulheres façam o exame todos os anos”, diz Buttros.
Para Gustavo Marta e Daniel Buttros, os resultados deste estudo de grande escala que perfila a realidade do câncer de mama no Estado de São Paulo sugerem, também em nível nacional, que diferenças estruturais no acesso ao diagnóstico precoce, organização do cuidado e infraestrutura assistencial podem influenciar diretamente os desfechos oncológicos, representando melhor qualidade de vida para as mulheres brasileiras.









