Estudo demonstra melhores resultados na biópsia de linfonodos com agulha grossa em casos de câncer de mama

Estudo demonstra melhores resultados na biópsia de linfonodos com agulha grossa em casos de câncer de mama

Com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), pesquisa avalia efetividade em diagnósticos e custos do método no âmbito do SUS

A biópsia de linfonodo, seja na presença de um tumor ou mesmo diante da suspeita de recidiva de câncer de mama, contribui para definir o estadiamento da doença, estabelecer linhas de tratamento e avaliar prognósticos. Mas a depender do tipo de agulha utilizada no método percutâneo, fina ou grossa, os resultados podem ser diferentes. Se forem inconclusivos, em geral demandam investigações complementares que expõem as pacientes a desconforto e estresse, atrasam a condução dos tratamentos e representam aumento de custos. Com a proposta de comparar a adequação diagnóstica da agulha fina e da agulha grossa em biópsias, um estudo realizado no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), buscou evidências para orientar protocolos nacionais.

O estudo “Biópsia por Agulha Grossa versus Punção Aspirativa por Agulha fina para avaliação de linfonodos no câncer de mama: precisão diagnóstica e análise de custos em um sistema de saúde público” foi publicado pela Value in Health, revista internacional que reúne pesquisas sobre políticas de saúde para auxiliar a tomada de decisões baseadas em evidências. Coordenada pela mastologista Marina Diógenes Teixeira, a investigação conta com contribuições da SBM e de importantes centros de tratamento do câncer de mama no Brasil.

Como objetivo principal, o estudo compara a adequação diagnóstica da Punção Aspirativa com Agulha Fina (PAAF) e da CORE biopsy, com agulha grossa, na avaliação de linfonodos em pacientes com câncer de mama. “Buscamos contrastar as taxas de resultados inconclusivos entre os dois métodos de biópsia, que economicamente geram informações importantes sobre custo-efetividade”, afirma. A pesquisa, segundo a mastologista, também se propõe a indicar, por meio de dados baseados em situações reais, evidências para orientar protocolos nacionais e expandir acesso equitativo ao tratamento de câncer de mama no Brasil.

A investigação envolveu 300 mulheres submetidas à biópsia de linfonodos axilares, supraclaviculares ou cervicais no Hospital da Mulher (antigo Hospital Pérola Byington), unidade pública estadual, 100% SUS, entre 2015 e 2023. Dados clínicos, radiológicos e patológicos foram extraídos retrospectivamente de prontuários eletrônicos, utilizando-se uma ferramenta de abstração padronizada.

Em 79 participantes (26,3%), a biópsia foi feita com agulha fina. Em 221 (73,7%), o procedimento foi realizado com agulha grossa. “A principal descoberta foi a taxa marcadamente maior de resultados inconclusivos com a PAAF (agulha fina), de 50,7%, em contraste com a CORE biopsy (agulha grossa), de 2,7%”, destaca Marina Diógenes.

O mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante do estudo, observa que a punção por agulha fina, conforme a pesquisa, compromete a avaliação imunohistoquímica, que permite identificar os “sobrenomes” dos tumores, entre eles o triplo-negativo.

A título de comparação, o especialista traz um dado importante a partir dos exames realizados com CORE biopsy. “Na análise imunohistoquímica, observamos uma discrepância de até 23% em um tumor considerado primário e que depois recidivou na axila”, diz. “Isso, definitivamente, muda nossa conduta de tratamento.”

O estudo indica que os custos das biópsias iniciais feitas com agulha fina atingiram US$ 7.805, enquanto a estratégia com agulha grossa totalizou US$ 9.930. “As agulhas têm custos diferentes e durante muito tempo, principalmente no SUS, utilizamos a punção por agulha fina (PAAF) porque é mais barata”, destaca Mattar.

No entanto, nas biópsias por PAAF com resultados inconclusivos, houve a necessidade de novos procedimentos, que totalizaram US$ 5.124, sendo que a maioria dos casos foi benigna. Em contrapartida, como revela o estudo, as biópsias de segunda linha após resultado de agulha grossa inconclusivo trouxeram custos significativamente menores (US$ 1.745,15) e muitas vezes evitaram a necessidade de cirurgia.

Na análise econômica, o estudo mostra que a abordagem inicial com biópsia por agulha grossa reduziu os custos de diagnóstico em até 50%. “Considerando o atendimento do SUS, a busca por eficiência e otimização de recursos, a pesquisa demonstra que como método de biópsia de primeira linha, preferencialmente para linfonodos suspeitos, a punção por agulha grossa traz resultados mais confiáveis, muitas vezes sem a necessidade de novos exames, o que representa assertividade e ganho de tempo para orientar os tratamentos, com maior conforto para as pacientes”, conclui André Mattar.


Consulta Pública nº 170 da ANS recebe contribuições sobre contratualização na saúde suplementar

Consulta Pública nº 170 da ANS recebe contribuições sobre contratualização na saúde suplementar

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu a Consulta Pública nº 170 para receber contribuições da sociedade sobre a proposta de uma nova Resolução Normativa que trata da contratualização entre operadoras de planos privados de assistência à saúde e prestadores de serviços de atenção à saúde.

A proposta tem como objetivo atualizar e consolidar regras relacionadas ao relacionamento contratual entre operadoras e prestadores, abordando aspectos como celebração de contratos, critérios de reajuste, mecanismos de negociação e demais disposições que impactam a organização da assistência na saúde suplementar.

De acordo com a ANS, a revisão normativa busca aprimorar a transparência, a previsibilidade e a segurança jurídica nas relações entre as partes envolvidas, contribuindo para o fortalecimento do setor.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) incentiva seus associados a conhecerem a proposta e participarem da consulta pública, contribuindo com sugestões e considerações sobre o tema.

Prazo para participação

📅 A Consulta Pública nº 170 permanecerá aberta até 03 de julho de 2026.

Como participar

Os interessados podem acessar a plataforma da ANS, consultar os documentos disponibilizados e registrar suas contribuições eletronicamente.

Material de referência

Segue material de referência para auxiliar na elaboração de sugestões e contribuições sobre a proposta em consulta.

Clique aqui para fazer o download

Clique aqui para acessar a consulta pública


Especialização em reconstrução mamária visa ampliar acesso à cirurgia para pacientes do SUS

Especialização em reconstrução mamária visa ampliar acesso à cirurgia para pacientes do SUS

Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) propõe ao Ministério da Saúde cursos de formação de mastologistas para realizar o procedimento no programa federal Agora Tem Especialistas

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) encaminhou ao Ministério da Saúde uma proposta para aprimoramento na formação de médicos mastologistas, especialidade responsável pelo tratamento de doenças de mama. De acordo com José Pereira Guará, coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM, a proposição passa pela formalização de um termo de cooperação técnica para cursos de especialização em reconstrução mamária. A perspectiva, segundo o mastologista, é ampliar a atuação de especialistas dentro do programa Agora Tem Especialistas, iniciativa federal voltada à diminuição das filas no Sistema Único de Saúde (SUS) por consultas, exames e cirurgias especializadas.

Em Brasília, representada por José Pereira Guará, a SBM reuniu-se com membros da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) e com Rodrigo Cariri Chalegre, secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Saúde.

De acordo com Guará, no conjunto de intenções apresentado ao Ministério da Saúde destaca-se a atualização de um documento que oriente a formação de médicos residentes em Mastologia no Brasil. Também visa à assinatura de um termo de cooperação técnica entre SBM, SGTES e Ministério da Educação para cursos de aprimoramento em reconstrução mamária. “O intuito nesse processo é contar com médicos especializados em reconstrução mamária para atuar no programa Agora Tem Especialistas”, afirma o representante da SBM.

Na área da saúde da mulher, o programa federal criado para agilizar consultas, exames e cirurgias no SUS já atua na prevenção e diagnóstico de câncer de mama, disponibilizando mamografia e ultrassonografia mamária bilateral, punção por agulha grossa, biópsia/exérese de nódulo de mama e exame anatomopatológico de mama.

Modelo brasileiro
No cenário mundial, o Brasil desponta como um modelo de formação que difere dos Estados Unidos e de países europeus. “Os mastologistas brasileiros passam por um programa específico de residência médica com duração de dois anos, projetado para profissionais que concluíram treinamento em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia”, afirma José Pereira Guará.

Para a residência em Mastologia, o currículo é abrangente e engloba habilidades clínicas, diagnóstico por imagem e, especialmente, habilidades cirúrgicas em vários níveis de complexidade. Isso inclui desde procedimentos oncológicos clássicos até cirurgias oncoplásticas com utilização de pedículos variados de mamoplastia, retalhos fásciocutâneos locais, retalhos miocutâneos, lipoenxertia, emprego de implantes etc.

Além do treinamento cirúrgico em reconstrução oferecido nos programas de residência em Mastologia, o Brasil investe em cursos especializados em cirurgia oncoplástica que expandiram significativamente as técnicas reconstrutivas em todo o território nacional. Muitos instrutores desses cursos são afiliados a programas de residência em Mastologia, o que contribui diretamente para o aumento do número de reconstruções mamárias.

“Na proposta de oferecer aprimoramento em reconstrução mamária no contexto do Agora Tem Especialistas, acreditamos ser possível oferecer um tratamento muito mais complexo e com melhores resultados do ponto de vista estético e funcional para a paciente com câncer de mama atendida pela rede pública de saúde”, conclui coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM.


Doença de Paget na mama: o que você precisa saber

Doença de Paget na mama: o que você precisa saber

Você notou alguma alteração no mamilo, como uma descamação persistente ou uma ferida que não cicatriza? Embora muitas vezes confundida com alergias simples da pele, essa alteração pode ser um sinal da doença de Paget na mama.
Apesar de ser uma condição rara - responsável por 1% a 3% de todos os casos de câncer de mama, o reconhecimento precoce é essencial para o sucesso do tratamento. Na prática clínica, é comum que essas pacientes sejam inicialmente tratadas como dermatite, o que pode atrasar o diagnóstico correto.
Entender essa condição ajuda a diminuir a ansiedade e reforça a importância do autocuidado e do acompanhamento médico regular.

O que é a Doença de Paget na mama?
A doença de Paget é uma forma específica de apresentação do câncer de mama. Geralmente a doença se manifesta inicialmente com alterações na pele do mamilo e da aréola. De forma simples, ela ocorre quando células malignas se infiltram na epiderme (a camada mais externa) do mamilo. Hoje, sabemos que a maioria dos casos está associada a um tumor maligno subjacente na mama, que pode ser in situ ou invasivo. O tratamento e o prognóstico dependem do estágio desse câncer primário.

Quais são os sinais de alerta?
Muitas pacientes chegam ao consultório após tentarem tratar o problema como uma dermatite ou alergia comum, acreditando tratar-se apenas de um ressecamento. Quando a melhora não acontece, o sinal de alerta deve ser ligado.

Os sinais mais comuns incluem:
● Vermelhidão no mamilo (eritema)
● Crostas ou “casquinhas” persistentes
● Descamação semelhante a eczema
● Ferida que não cicatriza
● Saída de líquido (exsudação)
● Presença de nódulo na mama (em até 50% dos casos)
Atenção: Se você notar qualquer um desses sinais, não tente automedicação. Procure um mastologista para uma avaliação clínica especializada.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é um processo cuidadoso que combina o exame clínico com exames de imagem e biópsia. O objetivo é identificar a doença de Paget e avaliar se existe um câncer subjacente.

Os métodos utilizados são:
● Exame físico: Avaliação detalhada das alterações na pele do mamilo.
● Exames de imagem: Mamografia e ultrassonografia são essenciais para mapear a mama. Ajuda a identificar alterações subjacentes, como microcalcificações ou distorções.
● Biópsia: É o padrão-ouro. Pode ser realizada através de uma "biópsia em cunha" (retirada de um pequeno fragmento da pele alterada) para análise em laboratório.
● Imuno-histoquímica: Exames de laboratório realizados no tecido biopsiado que confirmam a natureza das células de Paget.
Em alguns casos, os exames de imagem podem não identificar alterações, o que reforça a importância da biópsia para o diagnóstico.

Tratamento e perspectivas
O tratamento da doença de Paget é principalmente cirúrgico e individualizado, tendo como foco o manejo do câncer subjacente. Na maioria dos casos, é necessária a remoção do complexo aréolo-mamilar (CAP). A decisão entre cirurgia conservadora ou mastectomia depende da extensão da doença no parênquima mamário.
Em pacientes selecionadas, é possível realizar cirurgia conservadora da mama associada à radioterapia, com bons resultados oncológicos e cosméticos.
Com os avanços da medicina, as técnicas de reconstrução mamária permitem alcançar ótima aparência das mamas, mesmo quando a mastectomia é necessária.


BI-RADS 0: o que significa esse resultado na mamografia?

BI-RADS 0: o que significa esse resultado na mamografia?

BI-RADS 0 significa exame inconclusivo e necessidade de avaliação complementar. Entenda quando se preocupar e o que fazer.

O que é BI-RADS 0?
Receber um resultado de mamografia com a expressão “BI-RADS 0” costuma gerar ansiedade. Muitas mulheres associam imediatamente o termo a câncer de mama. Porém, na maioria das vezes, esse resultado não significa diagnóstico de câncer.

O BI-RADS 0 indica apenas que o exame ainda está inconclusivo e que são necessárias imagens complementares para uma avaliação mais precisa.

O sistema BI-RADS foi criado pelo Colégio Americano de Radiologia para padronizar os laudos dos exames das mamas, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética. Ele ajuda médicos e pacientes a entenderem melhor o grau de suspeição dos achados.

O que significa um exame inconclusivo?
Quando o laudo vem como BI-RADS 0, isso quer dizer que o radiologista não conseguiu concluir a análise apenas com as imagens disponíveis naquele momento.

Isso pode acontecer por diversos motivos, como:
• necessidade de imagens adicionais
• comparação com exames antigos
• mama muito densa
• achados parcialmente visualizados
• pequenas assimetrias que precisam ser estudadas melhor
• dúvidas técnicas relacionadas à imagem

Na prática, o BI-RADS 0 significa “precisamos investigar um pouco mais antes de definir o resultado.”

BI-RADS 0 significa câncer?
Não. E isso é muito importante.
A grande maioria das mulheres com BI-RADS 0 não terá câncer de mama após a investigação complementar.
Na rotina clínica, muitas alterações inicialmente classificadas como BI-RADS 0 acabam sendo consideradas benignas após exames adicionais.
Por isso, o resultado não deve ser interpretado de forma alarmista.
Ao mesmo tempo, também não deve ser ignorado. O ideal é realizar a complementação solicitada pelo médico ou pelo serviço de imagem.

Quais exames podem ser solicitados depois do BI-RADS 0?
Os exames complementares dependem do tipo de achado encontrado na mamografia.

Os mais comuns são:
Ultrassonografia das mamas: muito utilizada para avaliar nódulos, cistos e áreas de dúvida, especialmente em mulheres com mamas densas.
Novas incidências mamográficas: são imagens adicionais feitas com outros ângulos ou técnicas de compressão localizada.
Comparação com exames anteriores: às vezes, um achado já existia há anos e permanece estável. Por isso, levar exames antigos pode evitar preocupações desnecessárias.
Ressonância magnética: em casos específicos, o mastologista pode solicitar uma ressonância para complementar a investigação.

Mama densa aumenta a chance de BI-RADS 0?
Sim, mulheres com mamas densas têm maior chance de receber um resultado BI-RADS 0 porque o tecido mamário mais denso pode dificultar a visualização completa da mamografia.
É como tentar enxergar um detalhe através de uma imagem mais “branca” e menos transparente.
Isso não significa necessariamente doença. Apenas pode tornar a análise mais desafiadora.

Quanto tempo demora para esclarecer um BI-RADS 0?
Na maioria dos casos, a investigação é rápida.
Após os exames complementares, o radiologista costuma redefinir a classificação do exame, que pode variar desde categorias benignas até categorias que necessitem investigação adicional.
Por isso, o mais importante é não abandonar o seguimento.

Quando procurar um mastologista?

O ideal é procurar um mastologista sempre que houver:
• dúvidas sobre o resultado do exame
• necessidade de interpretar o laudo
• histórico familiar importante
• alterações nas mamas
• necessidade de acompanhamento especializado

O mastologista é o médico especializado nas doenças da mama e poderá orientar quais são os próximos passos mais adequados para cada caso.

O que fazer ao receber um BI-RADS 0?

Algumas orientações importantes:
• mantenha a calma
• leve exames antigos na consulta
• realize os exames complementares solicitados
• evite buscar conclusões precipitadas na internet
• converse com um mastologista de confiança

Informação correta reduz ansiedade e ajuda na tomada de decisões com mais segurança.

Conclusão
Receber um resultado BI-RADS 0 pode assustar inicialmente, mas esse termo não representa um diagnóstico de câncer de mama.
Na verdade, ele indica apenas que a avaliação ainda precisa ser complementada.
Hoje, com os avanços dos exames de imagem e o acompanhamento especializado, é possível esclarecer a maioria desses casos de forma segura e precisa.
Se você recebeu um BI-RADS 0, procure avaliação com um mastologista para entender melhor o seu caso e definir os próximos passos com tranquilidade e segurança.

Referência
AMERICAN COLLEGE OF RADIOLOGY. Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS® Atlas). 5. ed. Reston, VA: American College of Radiology, 2013.

Autora
Dra. Jéssica Mendes é mastologista em São Luís - Maranhão. Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, membro do Núcleo Jovem da SBM, presidente da Regional Maranhão (2026–2028) e membro do Departamento de Políticas Públicas da SBM. Mestra e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão, com pós-graduação em Imagem da Mama. No Instagram, compartilha conteúdos sobre saúde mamária no perfil @jessicamasto.


Adenomastectomia: o que é e quando ela é indicada

Adenomastectomia: o que é e quando ela é indicada

A adenomastectomia é uma cirurgia que retira a glândula mamária preservando a pele, a aréola e o mamilo da paciente. Também conhecida como mastectomia com preservação de pele e mamilo, ela representa um avanço importante no tratamento e na prevenção do câncer de mama. Neste artigo, vou explicar de forma simples o que é esse procedimento, quem pode fazê-lo e por que ele tem mudado a relação das mulheres com a cirurgia mamária.

Vou conversar com você como se estivéssemos no consultório, sem aquele "medicalês" que mais confunde do que explica.

O que significa a palavra "adenomastectomia"?
Vamos começar quebrando o nome, que assusta só de olhar:
● Adeno = glândula
● Mast = mama
● Ectomia = retirada
Ou seja: trata-se da retirada da glândula mamária, o tecido produtor de leite que fica dentro da mama. A grande sacada dessa cirurgia, porém, é o que ela preserva.

A pele da mama, a aréola e o mamilo permanecem todos no lugar. É como se esvaziássemos uma almofada por dentro, mantendo a capa intacta. Por esse motivo, a cirurgia também é chamada de mastectomia com preservação de pele e mamilo (ou nipple-sparing mastectomy, em inglês).

Por que a adenomastectomia é uma revolução silenciosa?
Por décadas, a palavra "mastectomia" carregou um peso enorme. Ela trazia a imagem de uma mama amputada, uma cicatriz transversal grande e a sensação de perda de feminilidade.
E eu não vou minimizar isso. Mexer com a mama mexe com identidade, com autoestima, com o modo como a mulher se enxerga no espelho.

A adenomastectomia mudou esse cenário de forma significativa. Hoje, conseguimos retirar o tecido doente (ou com alto risco de adoecer) e, na mesma cirurgia, colocar uma prótese ou fazer uma reconstrução com tecido da própria paciente.

O resultado costuma ser bastante diferente do antigo modelo:
● A mama continua "ali", com volume e contorno preservados.
● A aréola e o mamilo são mantidos.
● A cicatriz fica discreta, geralmente escondida no sulco abaixo da mama ou na borda da aréola.

Quem pode fazer a adenomastectomia?
Existem dois grandes grupos de pacientes que podem se beneficiar deste procedimento. Vou detalhar cada um deles.

1. Mulheres com câncer de mama em estágios iniciais
Nesses casos, o tumor está longe da pele e do mamilo, mas a paciente não tem indicação de fazer uma cirurgia conservadora (a chamada quadrantectomia, em que se retira apenas o "pedaço" doente da mama).

Algumas situações que podem levar a essa indicação:
● Tumor pequeno em uma mama também pequena.
● Múltiplos focos de câncer espalhados pela mama.
● Paciente que já fez radioterapia naquela mama anteriormente.
● Microcalcificações suspeitas e extensas na mamografia.

Sobre as microcalcificações, vale um esclarecimento importante. Elas não são necessariamente câncer. Porém, quando apresentam características suspeitas e ocupam uma área extensa da mama, retirar apenas um pedaço não resolve. Nesses casos, é preciso retirar toda a glândula.

Existem ainda situações em que o câncer está colado na aréola ou na pele. Infelizmente, nesses cenários, a preservação do mamilo não é possível. Por isso, o exame detalhado, o estadiamento correto e uma conversa franca com seu mastologista fazem toda a diferença.

2. Mulheres com alto risco genético
Aqui eu quero chamar sua atenção de verdade. Você já ouviu falar nas mutações BRCA1 e BRCA2?
São alterações genéticas que aumentam muito o risco de câncer de mama e de ovário ao longo da vida. Foi por causa dessa condição que a atriz Angelina Jolie realizou sua cirurgia preventiva em 2013, mudando para sempre a conversa pública sobre o tema.
Para essas mulheres, a adenomastectomia redutora de risco pode diminuir a chance de desenvolver câncer em mais de 90%.

Além disso, é importante saber que BRCA1 e BRCA2 são os mais conhecidos, mas não são os únicos. Outras alterações genéticas também elevam o risco de câncer de mama, como:
● TP53
● PALB2
● CHEK2, entre outras.

Hoje, todas essas mutações podem ser identificadas em painéis genéticos mais amplos, solicitados pelo seu médico quando há histórico familiar relevante.

"Mas então o risco de câncer some?"
Não. E essa é uma honestidade que faço questão de ter com minhas pacientes.
Por mais que a cirurgia retire a maior parte da glândula, é impossível garantir 100% de retirada. Sempre permanece alguma célula glandular microscópica, especialmente perto da pele e do mamilo.

Por esse motivo, mesmo após a cirurgia, essas mulheres continuam fazendo acompanhamento médico regular. O risco cai drasticamente, mas não chega a zero.
"Doutor, se eu já tenho câncer em uma mama, não é melhor tirar as duas?"
Essa pergunta aparece bastante no consultório, e ela faz sentido à primeira vista. No entanto, operar a mama saudável "por garantia" tem consequências que precisam ser cuidadosamente pesadas.

Quando operamos os dois lados em vez de apenas um, alguns pontos importantes entram em jogo:
● Possível atraso no tratamento, caso ocorra alguma complicação cirúrgica.
● Risco de perda da sensibilidade do mamilo nos dois lados.
● Aumento do tempo cirúrgico e da anestesia, o que por si só eleva os riscos.
● Riscos próprios do procedimento dobrados, já que cada mama operada representa uma nova exposição cirúrgica.

Estudos sobre adenomastectomia mostram uma taxa global de complicações de cerca de 22% e uma taxa de necrose do mamilo próxima de 6%. Não se trata, portanto, de uma cirurgia sem risco.
Por isso, fora dos casos com indicação clara, retirar a mama saudável não deixa a paciente mais segura. Apenas adiciona riscos a uma cirurgia que já é grande por si só.

O que levar dessa conversa sobre adenomastectomia
A adenomastectomia simboliza algo maior que está acontecendo na mastologia moderna. Não tratamos mais apenas "o tumor". Tratamos a mulher inteira: o corpo dela, a história dela, a autoestima dela, o medo dela e os planos dela.

Se você se identificou com alguma das situações descritas neste artigo, agende uma consulta com um mastologista de confiança. Cada caso é único, e somente uma avaliação individualizada pode indicar a melhor conduta para você.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dúvidas sobre sua saúde mamária, procure um mastologista.

Sobre o autor
Dr. Thiago Gaspar
Cirurgião geral, mastologista e mestre pela Unicamp. Associado à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e membro do Departamento de Oncoplastia. Especialista em reconstrução mamária e pesquisa voltada ao alto risco familiar para câncer de mama. Alia técnica cirúrgica avançada a um cuidado individualizado e humanizado, com foco em tratamento, autoestima, prevenção e acompanhamento a longo prazo.
@dr.thiagogaspar · CREMESP 196675 · RQE 124011

Referências
1. Vieira RAC, Paulinelli RR, Hassan AT, Facina G. Oncoplastia mamária: soluções em diferentes cenários clínicos. 1ª ed. Lemar & Goi; 2025.
2. Galimberti V, Vicini E, Corso G, Fontana S, Morigi C, Sacchini V, Veronesi P. Nipple-sparing and skin-sparing mastectomy: review of aims, oncological safety and contraindications. Breast. 2017 Aug;34 Suppl 1:S82–S84. doi:10.1016/j.breast.2017.06.034.


BIA-ALCL: o que é o linfoma associado à prótese mamária

BIA-ALCL: o que é o linfoma associado à prótese mamária

Se você tem próteses de silicone ou está considerando uma cirurgia de reconstrução ou aumento mamário, é natural que surjam dúvidas sobre a segurança dos implantes. Um tema que tem ganhado destaque nos consultórios de mastologia é o BIA-ALCL (linfoma anaplásico de grandes células associado à prótese mamária), um tipo raro de linfoma associado ao implante de mama.

O que é BIA-ALCL?
O BIA-ALCL é um tipo raro de câncer do sistema imunológico que pode surgir ao redor de implantes mamários. Diferente do câncer de mama tradicional, ele não se origina no tecido mamário, mas sim na cápsula (tecido cicatricial) que se forma ao redor da prótese.
Na prática clínica, é uma condição incomum, mas importante de reconhecer, especialmente em pacientes com implantes de superfície texturizada.

Qual o risco de desenvolver BIA-ALCL?
Estimativas mostram que o risco ao longo da vida para mulheres com implantes texturizados (aqueles com superfície mais rugosa) varia de aproximadamente 1 em 2.200 a 1 em 86.000 casos.
Atualmente, não existe exame capaz de prever quem irá desenvolver a doença.

Quais são os principais sintomas?
Os sintomas costumam aparecer anos após a colocação da prótese, geralmente entre 8 a 10 anos após a cirurgia. Não confundir com o inchaço esperado logo após a cirurgia, que é normal no pós-operatório.

Os principais sinais de alerta incluem:
● Aumento do volume da mama (inchaço)
● Assimetria entre as mamas
● Acúmulo de líquido ao redor da prótese (seroma tardio)
● Dor ou desconforto
● Presença de nódulo na mama ou axila
● Endurecimento da mama
● Alterações na pele (vermelhidão ou rash)
Na prática clínica, o seroma tardio é o achado mais comum.
Se você notar algum desses sintomas, o primeiro passo é manter a calma e agendar uma consulta. É importante lembrar que a maioria dessas alterações não está relacionada ao BIA-ALCL. Na maioria das vezes, o acúmulo de líquido é benigno, mas a investigação é essencial para sua segurança.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico do BIA-ALCL começa com avaliação clínica e exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, que ajudam a identificar líquido ou massas ao redor da prótese.
Caso seja detectada alguma alteração, realiza-se uma punção com agulha para coleta do material, que será analisado por um patologista.
Nesse exame, utilizamos a imuno-histoquímica, que identifica marcadores específicos das células tumorais. O padrão típico do BIA-ALCL é:
● CD30 positivo (CD30+)
● ALK negativo (ALK−)
Esses achados são fundamentais para confirmar ou descartar o diagnóstico.

O BIA-ALCL tem cura? O tratamento é eficaz?
Sim. A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o BIA-ALCL tem cura na grande maioria dos casos.
O tratamento principal consiste na retirada cirúrgica do implante associada à remoção completa da cápsula que o envolve (capsulectomia total). Na prática clínica, essa abordagem costuma ser suficiente nos estágios iniciais.
Em situações mais avançadas ou específicas, pode ser necessário complementar o tratamento com quimioterapia, de forma individualizada.

Devo me preocupar com minha prótese?
Se você tem prótese mamária e não apresenta sintomas, não há indicação de retirada preventiva.
O mais importante é manter acompanhamento médico regular, estar atenta a mudanças nas mamas e procurar avaliação especializada ao notar qualquer alteração.

Informação e acompanhamento são fundamentais
A decisão de colocar ou manter um implante deve ser baseada em informação e confiança. Se você já tem próteses, o acompanhamento regular com um mastologista é a melhor forma de garantir que tudo esteja bem.
O BIA-ALCL é uma condição rara, com bom prognóstico quando diagnosticada precocemente. Por isso, estar atenta aos sinais do seu corpo faz toda a diferença.
Se você percebeu qualquer alteração ou tem dúvidas sobre seus implantes, procure um mastologista. A avaliação especializada é o caminho mais seguro.

Sobre a autora: Dra. Anne Dominique Lima é médica mastologista, formada e mestre pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), integra a Comissão Científica e o Departamento de Cirurgia da SBM. Atua como mastologista no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ), com experiência no diagnóstico e tratamento do câncer de mama, com foco em diagnóstico precoce, cirurgia mamária e cuidado humanizado baseado em evidências.

1. Noels EC, Lapid O, Lindeman JH, Bastiaannet E. Breast implants and the risk of breast cancer: a meta-analysis of cohort studies. Aesthet Surg J. 2015;35:55–62.
2. U.S. Food and Drug Administration. Breast implants: reports of squamous cell carcinoma and various lymphomas in capsule around implants. Available from: https://www.fda.gov/medical-devices/safety-communications/breastimplants-reports-squamous-cell-carcinoma-and-various-lymphomas-capsule-around-implants-fda (accessed 23 Mar 2024).
3. Keech JA Jr, Creech BJ. Anaplastic T-cell lymphoma in proximity to a saline-filled breast implant. Plast Reconstr Surg. 1997;100:554–555.
4. Kitchen SB, Paletta CE, Shehadi SI, Bauer WC. Epithelialization of the lining of a breast implant capsule: possible origins of squamous cell carcinoma associated with a breast implant capsule. Cancer. 1994;73:1449–1452.
5. U.S. Food and Drug Administration. Medical device reports of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma. Available from: https://www.fda.gov/medical-devices/breast-implants/medical-device-reports-breast-implant-associated-anaplastic-large-cell-lymphoma (accessed 23 Mar 2024).
6. Von Fritschen U, Kremer T, Prantl L, Fricke A. Breast implant-associated tumors. Geburtshilfe Frauenheilkd. 2023;83:686–693.
7. Campanale A, Di Napoli A, Ventimiglia M, et al. Chest wall infiltration is a critical prognostic factor in breast implant-associated anaplastic large-cell lymphoma. Eur J Cancer. 2021;148:277–286.
8. Campanale A, Spagnoli A, Lispi L, et al. The crucial role of surgical treatment in BIA-ALCL prognosis in early- and advanced-stage patients. Plast Reconstr Surg. 2020;146:530e–538e.
9. Deapen DM, Hirsch EM, Brody GS. Cancer risk among Los Angeles women with cosmetic breast implants. Plast Reconstr Surg. 2007;119:1987–1992.
10. DeCoster RCM, Clemens MW, Di Napoli AM, et al. Cellular and molecular mechanisms of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma. Plast Reconstr Surg. 2021;147:30e–41e.
11. Doren EL, Miranda RN, Selber JC, et al. U.S. epidemiology of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma. Plast Reconstr Surg. 2017;139:1042–1050.
12. Feldman AL, Harris NL, Stein H, et al. Breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma. In: Swerdlow SH, Campo E, Harris NL, et al., editors. WHO classification of tumours of haematopoietic and lymphoid tissues. Lyon: IARC; 2017. p. 421–422.
13. Brondeel S, Rogge F, De Wolf E, et al. EBV-positive diffuse large B-cell lymphoma in association with polyurethane textured breast implants: case report and literature overview. Aesthetic Plast Surg. 2023;47:1274–1278.
14. Oishi N, Brody GS, Ketterling RP, et al. Genetic subtyping of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma. Blood. 2018;132:544–547.
15. De Jong WH, Panagiotakos D, Proykova A, et al. Final opinion on the safety of breast implants in relation to anaplastic large cell lymphoma: report of the scientific committee on health, emerging and environmental risks (SCHEER). Regul Toxicol Pharmacol. 2021;125:104982.
16. Deva AK, Turner SD, Kadin ME, et al. Etiology of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma (BIA-ALCL): current directions in research. Cancers (Basel). 2020;12:3861.
17. Mempin M, Hu H, Vickery K, et al. Gram-negative bacterial lipopolysaccharide promotes tumor cell proliferation in breast implant-associated anaplastic large-cell lymphoma. Cancers (Basel). 2021;13:5298.
18. Hu H, Johani K, Almatroudi A, et al. Bacterial biofilm infection detected in breast implant-associated anaplastic large-cell lymphoma. Plast Reconstr Surg. 2016;137:1659–1669.
19. Walker JN, Hanson BM, Pinkner CL, et al. Insights into the microbiome of breast implants and periprosthetic tissue in breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma. Sci Rep. 2019;9:10393.
20. Vets J, Marcelis L, Schepers C, et al. Breast implant-associated EBV-positive diffuse large B-cell lymphoma: an underrecognized entity? Diagn Pathol. 2023;18:52.
21. Rondón-Lagos M, Rangel N, Camargo-Villalba G, et al. Biological and genetic landscape of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma (BIA-ALCL). Eur J Surg Oncol. 2021;47:942–951.
22. Fleming D, Stone J, Tansley P. Spontaneous regression and resolution of breast implant-associated anaplastic large cell lymphoma: implications for research, diagnosis and clinical management. Aesthetic Plast Surg. 2018;42:672–678.
23. Lechner MG, Megiel C, Church CH, et al. Survival signals and targets for therapy in breast implant-associated ALK-negative anaplastic large cell lymphoma. Clin Cancer Res. 2012;18:4549–4559.


BIRADS 4: O que significa no exame da mama e o que fazer?

BIRADS 4: O que significa no exame da mama e o que fazer?

É muito comum que uma mulher se assuste ao receber o resultado de BIRADS 4 no exame de imagem da mama. A primeira reação, quase sempre, é correr para a internet em busca de respostas. Se este é o seu caso, respire fundo. Neste artigo, vou explicar tudo sobre essa classificação com informações médicas de qualidade, para que você entenda exatamente o que está acontecendo e quais são os próximos passos.

O que é a classificação BIRADS?

Para começar, é importante entender que o BIRADS é uma classificação numérica internacional. Ele funciona como uma linguagem universal entre os médicos. Quando o radiologista avalia o seu exame de imagem — seja uma mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética —, ele descreve o que encontrou e conclui o laudo com um número que vai de zero a seis.

Essa nota final serve para indicar a qualquer outro especialista, como o seu mastologista, o grau de suspeita dos achados e qual deve ser a conduta médica a partir dali.

Por que o meu exame deu BIRADS 4?

Quando o laudo traz a conclusão de BIRADS 4, isso traduz que os achados daquele exame da mama possuem características que necessitam de mais investigação. O médico que laudou o exame está indicando que a imagem não é claramente benigna e, portanto, merece uma atenção especial para que se tenha certeza do que se trata.

Essa investigação adicional normalmente requer a análise de pequenos fragmentos de tecido do local alterado. É exatamente por isso que, na grande maioria das vezes, o próximo passo recomendado é a realização de uma biópsia.

O papel fundamental da biópsia

A biópsia é o procedimento que informará qual é o tipo exato de lesão que causou a alteração na imagem. A biópsia permite identificar se a alteração é:

    • Benigna (não cancerosa)
    • Pré-maligna
    • Maligna (câncer de mama)

A partir dessa informação detalhada (o resultado anatomopatológico), o mastologista conseguirá definir a conduta mais segura e o tratamento adequado, se for necessário.

Portanto, se há uma classificação de BIRADS 4 no seu exame da mama, é extremamente necessário que você procure um especialista para avaliar a imagem e solicitar a investigação complementar.

BIRADS 4 significa câncer de mama?

Antes que você fique apavorada, é fundamental esclarecer um ponto: ler uma classificação de BIRADS 4 não necessariamente quer dizer que se trata de um câncer de mama.

Calma. Neste momento, o exame está apenas sinalizando que aquela imagem específica precisa ser investigada mais a fundo. Existem diversas alterações benignas que podem gerar imagens suspeitas e receber essa mesma classificação.

Entendendo as subcategorias: 4A, 4B e 4C

Para refinar ainda mais a comunicação médica, existem três subclassificações dentro da categoria 4. Elas ajudam a estimar o risco de malignidade:

Subcategoria Nível de Suspeita Chance estimada de câncer de mama
BIRADS 4A Baixa suspeita de malignidade Varia entre 2% e 10%
BIRADS 4B Moderada suspeita de malignidade Varia entre 10% e 50%
BIRADS 4C Alta suspeita de malignidade Varia entre 50% e 95%

Independentemente da subcategoria, a conduta padrão continua sendo a investigação com biópsia para confirmar o diagnóstico com segurança.

Meu exame era BIRADS 2 e evoluiu para BIRADS 4. O que houve?

Outra dúvida muito comum nos consultórios é sobre a mudança de nota entre exames. Normalmente, a classificação BIRADS 4 não traduz uma "evolução numérica" direta (como se a doença tivesse piorado do nível 2 para o 4). Na verdade, trata-se de uma reclassificação do exame atual, de acordo com novos achados que não estavam presentes ou não eram suspeitos anteriormente.

Em alguns casos, uma lesão previamente acompanhada como BIRADS 3 pode mudar de categoria se:

    • Aumentar de tamanho
    • Mudar o formato
    • Apresentar novas características suspeitas

Nessas situações, pode haver reclassificação da mesma lesão.

De qualquer forma, independente do motivo que levou à classificação de BIRADS 4, a necessidade de evoluir a investigação com biópsia se mantém.

O mastologista não pediu biópsia. O que devo fazer?

Já recebi a seguinte pergunta de uma paciente: "O mastologista não pediu biópsia diante de um exame com classificação BIRADS 4. O que devo fazer?"

Lembre-se de que a classificação é baseada na análise de um conjunto de características da imagem. Diante disso, o médico radiologista que lauda o exame pode, por precaução, superestimar determinado achado.

Quando o colega mastologista reavalia essa mesma imagem no consultório, ele pode classificá-la de forma diferente com base em sua experiência clínica. Neste caso, ele tomará a conduta baseada na sua própria análise crítica da imagem.

Isso acontece porque o radiologista descreve o exame, enquanto o mastologista analisa:

    • As imagens completas
    • O exame físico da paciente
    • O histórico clínico
    • Exames anteriores
    • O contexto individual de cada mulher

Por isso, sempre leve ao consultório:

    • O laudo escrito
    • As imagens do exame
    • Exames anteriores, se houver

Essa avaliação conjunta permite uma decisão mais precisa e personalizada.

O que fazer ao receber um resultado BIRADS 4

Se o seu exame mostrou BIRADS 4, siga estes passos:

    1. Mantenha a calma
    1. Agende consulta com mastologista
    1. Leve exames anteriores e imagens atuais
    1. Tire todas as suas dúvidas
    1. Siga a investigação recomendada

Agir com rapidez é importante. Entrar em pânico, não.

Conclusão

Receber um resultado BIRADS 4 assusta, mas é fundamental lembrar: isso não significa necessariamente câncer de mama.

Essa classificação indica apenas que existe uma alteração que precisa ser investigada, geralmente com biópsia. Em muitos casos, o resultado final mostra lesões benignas.

O melhor caminho é buscar avaliação especializada o quanto antes. Quanto mais cedo a investigação acontece, mais segurança e tranquilidade você terá.

Não adie o seu cuidado. Agende uma consulta com um mastologista de sua confiança para avaliar os seus exames e definir os próximos passos com segurança e acolhimento.

Bio do Autor

Dra. Lorena Mendonça é médica mastologista, especialista na saúde da mulher, com atuação clínica no diagnóstico e tratamento das doenças da mama, associada à Sociedade Brasileira de Mastologia. Atua orientando pacientes com base em evidências científicas, experiência clínica e cuidado humanizado.


Biópsia de mama espalha câncer? A verdade científica

Biópsia de mama espalha câncer? A verdade científica

A dúvida de que a biópsia de mama espalha câncer é uma das mais comuns entre mulheres que precisam investigar um nódulo na mama. Muitas pacientes chegam ao consultório preocupadas com a possibilidade de que o procedimento possa “levar” a doença para outras partes do corpo. A boa notícia: os estudos científicos são claros sobre isso — e a resposta é tranquilizadora.

O que é a biópsia de mama e como ela funciona?
A biópsia de mama é um procedimento no qual o médico retira pequenos fragmentos de tecido para análise laboratorial. O objetivo é simples: confirmar se uma lesão é benigna (sem risco) ou maligna (cancerígena).
O tipo mais utilizado atualmente é a core biopsy, ou biópsia com agulha grossa. Esse dispositivo moderno funciona em duas etapas:
● Uma parte da agulha avança e abre um pequeno espaço no tecido, como uma “janela”.
● Um mecanismo interno realiza um corte rápido e captura o fragmento de tecido.
● O material fica isolado dentro da própria agulha, sem contato com o trajeto de saída.
Esse sistema fechado garante uma coleta segura e adequada para análise.

Biópsia de mama espalha câncer? Entenda o que diz a ciência
A resposta, baseada em evidências científicas, é direta: a biópsia de mama não espalha o câncer de forma clinicamente relevante.
Durante o procedimento, pode ocorrer um deslocamento microscópico de algumas células tumorais na região local. Mas isso não significa que o câncer está se espalhando. Veja por quê:
● As células não sobrevivem facilmente fora do tumor — elas precisam de um ambiente específico para crescer.
● O sistema imunológico age rapidamente — o próprio corpo elimina células isoladas antes que causem dano.
● Não há circulação ativa dessas células — elas não entram na corrente sanguínea de forma significativa.
Em resumo: o deslocamento microscópico de células durante a biópsia não tem relevância clínica comprovada.

O que mostram as pesquisas científicas?
Diversos estudos acompanharam mulheres que realizaram biópsia de mama ao longo de anos. Os resultados são consistentes:
● Não há aumento do risco de metástase (quando o câncer se espalha para outros órgãos).
● Não há aumento da recidiva local (reaparecimento do tumor na mesma região).
● Não há piora da sobrevida das pacientes.
A biópsia é segura e não altera o prognóstico — ou seja, o curso esperado da doença.

O risco de não fazer a biópsia é maior
Aqui está um ponto fundamental que merece atenção: evitar a biópsia pode ser muito mais perigoso do que realizá-la.

Sem o diagnóstico correto, o tratamento pode atrasar, a doença pode evoluir sem controle e as chances de cura podem diminuir significativamente.

Por isso, a biópsia não é apenas segura — ela é uma etapa essencial para cuidar da saúde e, muitas vezes, para salvar vidas.

Por que a biópsia de mama é fundamental para o diagnóstico?
Um procedimento minimamente invasivo e preciso

A biópsia de mama é considerada um procedimento:
● Minimamente invasivo — realizado com agulha, sem necessidade de cirurgia aberta.
● Rápido — concluído em poucos minutos no consultório ou ambulatório.
● Seguro — com baixíssimo risco de complicações.
● Fundamental para o diagnóstico preciso e para definir o melhor tratamento.

Diagnóstico precoce muda o prognóstico
Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de tratamento eficaz e de cura. A biópsia é a ferramenta que torna esse diagnóstico possível.

Informação confiável faz diferença na saúde
Sentir medo diante de um procedimento médico é natural e compreensível. No entanto, decisões baseadas em informações incorretas podem atrasar um diagnóstico importante.

A ideia de que a biópsia de mama espalha câncer é um mito amplamente estudado e esclarecido pela medicina. Com base em décadas de pesquisa, os especialistas são unânimes:
● Fazer a biópsia não espalha a doença.
● O procedimento ajuda no diagnóstico precoce.
● O diagnóstico correto aumenta as chances de tratamento eficaz.

Tem dúvidas sobre biópsia ou sobre a saúde das suas mamas?
Consulte um mastologista. Esse especialista está preparado para orientar você com segurança, acolhimento e informação baseada em evidências.

Sobre o autor
Dr. Thiago Gaspar
Cirurgião geral, mastologista e mestre pela Unicamp. Associado à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e membro do Departamento de Oncoplastia. Especialista em reconstrução mamária e pesquisa voltada ao alto risco familiar para câncer de mama. Alia técnica cirúrgica avançada a um cuidado individualizado e humanizado, com foco em tratamento, autoestima, prevenção e acompanhamento a longo prazo.
@dr.thiagogaspar · CREMESP 196675 · RQE 124011


BI-RADS 6: O Que Significa no Exame de Mama?

BI-RADS 6: O Que Significa no Exame de Mama?

Descubra o que significa a categoria BI-RADS 6 no exame de mama, quando ela é usada e tire suas dúvidas com um mastologista.

A classificação BI-RADS 6 pode gerar dúvidas e ansiedade quando aparece no laudo de um exame de mama. Se você ou alguém que você conhece recebeu esse resultado, é natural querer entender o que ele significa. Como mastologista, estou aqui para explicar de forma clara e acolhedora o que representa essa categoria e por que ela é importante no acompanhamento da saúde mamária.

O que é a classificação BI-RADS?
Antes de falarmos especificamente sobre o BI-RADS 6, é importante entender o sistema como um todo. O BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) é uma classificação desenvolvida para padronizar os laudos dos exames de mama, como mamografias, ultrassonografias e ressonâncias magnéticas.
Ele ajuda os médicos a estimar a chance de uma lesão na mama ser um câncer. As categorias vão de 0 a 6, e cada uma indica uma conduta específica a ser seguida. Para aprofundar esse assunto, recomendo a leitura do nosso artigo completo sobre a classificação do BI-RADS.

O que significa o BI-RADS 6?
A categoria BI-RADS 6, em especial, é usada exclusivamente para exames de mama realizados após a comprovação de malignidade. Isso significa que ela é aplicada quando já existe um diagnóstico confirmado de câncer de mama por meio de uma biópsia ou punção, mas antes da realização da cirurgia completa.

Em outras palavras, o BI-RADS 6 serve para documentar um câncer de mama que já é conhecido pela paciente e pela equipe médica.

Quando essa categoria é utilizada?
Existem situações específicas em que o médico radiologista utilizará a categoria 6 no seu laudo:
● Malignidade comprovada: Quando o diagnóstico já foi confirmado por biópsia (como punção por agulha grossa/corebiopsy, punção por agulha fina ou biópsia a vácuo).
● Fase pré-cirúrgica: Quando o exame é realizado antes da cirurgia definitiva para a retirada do tumor.
● Apenas a lesão conhecida: Quando o exame de imagem mostra apenas o câncer que já foi diagnosticado, sem apresentar outras alterações ou anormalidades novas.

Por que fazer novos exames se já tenho o diagnóstico?
É muito comum as pacientes questionarem: "Se eu já sei que tenho câncer de mama, por que preciso repetir os exames de imagem?". A resposta está no planejamento e no acompanhamento minucioso do seu tratamento.
Os exames complementares com laudo BI-RADS 6 são solicitados por diversos motivos fundamentais:
● Programação do tratamento: O médico pode optar por um exame complementar para planejar melhor a cirurgia ou outras terapias.
● Monitoramento/acompanhamento da doença: Para acompanhar a resposta da lesão durante o tratamento medicamentoso. Por exemplo, na quimioterapia neoadjuvante realizada antes da cirurgia ou no tratamento de doenças metastáticas (quando há acometimento de outros órgãos).
● Planejamento cirúrgico final: Para definir a melhor abordagem cirúrgica após o término do tratamento neoadjuvante.

Dúvidas frequentes sobre a categoria 6
O diagnóstico de câncer traz consigo muitas incertezas. Abaixo, esclareço duas das dúvidas mais comuns no consultório sobre essa classificação.

Classificação 6 do BI-RADS tem cura?
É fundamental compreender que a classificação do BI-RADS não tem relação com a taxa de cura. Ela é uma ferramenta utilizada apenas para descrever os achados nos exames das mamas, independentemente da presença ou não de alterações.
Após o diagnóstico do câncer de mama, a possibilidade de cura dependerá exclusivamente das características individuais do seu caso, do estágio da doença e da resposta ao tratamento proposto.

BI-RADS 6 significa que meu caso é mais grave?
Não. A classificação BI-RADS 6 não tem relação com a gravidade da doença. Se você foi diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial ou mais avançado, a categoria no seu exame será a mesma.

Lembre-se: o BI-RADS 6 é utilizado apenas para descrever casos em que a malignidade já foi confirmada. A gravidade e a chance de cura são avaliadas de forma individualizada pelo seu médico, considerando inúmeros fatores clínicos.

Conclusão
Receber um laudo com a categoria BI-RADS 6 significa que a sua equipe médica está acompanhando de perto o câncer de mama já diagnosticado, garantindo o melhor planejamento para o seu tratamento. A informação correta é uma grande aliada na jornada pela saúde.
Se você tem dúvidas sobre os seus exames ou sobre o tratamento, não hesite em buscar orientação especializada. Agende uma consulta com um mastologista para uma avaliação completa e individualizada do seu caso.

Este artigo foi escrito por Dra Alice Castro Silva, médica mastologista associada à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Com ampla experiência clínica no diagnóstico e tratamento de doenças da mama, o autor dedica-se a oferecer informações seguras, atualizadas e acolhedoras para promover a saúde e o bem-estar das mulheres.