SBM Mobiliza Governo e Órgãos de Classe para Garantir Aplicação de Leis no Combate ao Câncer de Mama
2 de abril de 2026Para o médico
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) apresentou formalmente ao Ministério da Saúde, ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e à Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) um conjunto de propostas estratégicas visando reverter o cenário crítico da assistência oncológica no Brasil.
O foco central da mobilização é a aplicação efetiva das legislações vigentes e a expansão do rastreamento mamográfico no Sistema Único de Saúde (SUS), onde a cobertura atual é de apenas 33%, metade do índice de 70% recomendado pela SBM para reduzir diagnósticos em estágios avançados.
Reconstrução Mamária e Valorização Profissional
Um dos pontos mais críticos apresentados ao Ministério da Saúde é o baixo índice de reconstruções mamárias no SUS: apenas 20% das mulheres submetidas à mastectomia têm acesso ao procedimento.
"Propusemos uma revisão na remuneração mínima aos especialistas para viabilizar essas cirurgias na rede pública e parcerias para cursos de aperfeiçoamento subsidiados a estudantes de medicina", destaca o Dr. Guilherme Novita, presidente da SBM.
Alianças Estratégicas: Jurídica e Acadêmica
- Conamp: A parceria com o Ministério Público será intensificada para fornecer suporte técnico-científico que embase ações judiciais em defesa do direito das pacientes ao tratamento tempestivo.
- CFM: A SBM declarou apoio oficial ao projeto de exame de proficiência obrigatório para egressos de medicina, visando elevar o padrão de qualidade no atendimento à população.
- GT Câncer de Mama (Inca): A SBM passará a integrar o Grupo de Trabalho coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer para o aprimoramento de políticas públicas de custo-efetividade.
Compromisso com o SUS
Com 75% da população brasileira dependente do sistema público, a SBM reitera que sua missão é transformar intenções em políticas práticas. “Nossos esforços são direcionados a quem mais precisa, garantindo que o diagnóstico precoce não seja apenas uma possibilidade teórica, mas um direito exercido”, conclui Novita.
Cursos de Oncoplastia e Reconstrução Mamária de Goiânia/GO 2026-2027
O Programa Teórico-Prático de Educação Continuada em Oncoplastia e Reconstrução Mamária é um curso do Araújo Jorge em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia, realizado presencialmente em 11 (onze) módulos no período de 23 de abril de 2026 a 20 de fevereiro de 2027.
O investimento para participação no Curso será de R$ 7.000,00 (sete mil reais) por módulo, perfazendo o total de 11 (onze) módulos, o que corresponde ao montante global de R$ 77.000,00 (setenta e sete mil reais) durante todo o período de realização do Curso.
Inscrições para o curso virtual no formulário abaixo. Para a modalidade virtual, é preciso acessar https://www.oncoplasticsurgerycourse.com/
Estudo inédito expõe as diferenças no enfrentamento do câncer de mama no SUS e na rede particular
2 de março de 2026Para a população,Para o médico
Investigação de grande escala, com mais de 65 mil mulheres no Estado de São Paulo, quantifica discrepâncias no diagnóstico e tratamento e indicam a urgência de políticas públicas estruturais para a equidade no cuidado mamográfico
Um estudo amplo, realizado com mais de 65 mil mulheres no Estado de São Paulo, revela a acentuada desigualdade no diagnóstico e tratamento do câncer de mama nas redes pública e privada de saúde. Por ser uma das poucas pesquisas populacionais de grande escala a quantificar rigorosamente de que forma as diferenças no sistema de saúde dual brasileiro impactam a sobrevida das pacientes no longo prazo, o estudo torna-se ainda mais relevante e sinaliza ainda a necessidade de políticas públicas estruturais para fortalecer a equidade no cuidado mamográfico não apenas no Estado, mas em todo o País.
O estudo “Determinantes relacionados à assistência médica no prognóstico do câncer de mama em São Paulo, Brasil: Uma coorte populacional”, publicado pela Clinical Breast Cancer (Elsevier), conceituada revista científica internacional, tem a coordenação de Gustavo Nader Marta, médico titular do Departamento de Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês. A investigação envolve também pesquisadores com atuação no Brasil, Canadá e nos Estados Unidos.
A pesquisa se baseia em dados da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP), instituição vinculada à Secretaria de Saúde do Estado. No período de 2000 a 2020, foram avaliadas 65.543 mulheres com câncer de mama. Um grupo de pacientes foi atendido no SUS (Sistema Único de Saúde); o outro, pela saúde suplementar, que contempla operadoras e planos privados. De acordo com Gustavo Marta, o registro da FOSP “é particularmente robusto e representativo em comparação com outros registros estaduais, por sua longa história, ampla cobertura populacional e práticas padronizadas de notificação”.
O levantamento identificou que mulheres assistidas pelo sistema privado foram diagnosticadas com maior frequência em estadios iniciais do câncer de mama. Na saúde suplementar, 41% das pacientes receberam diagnóstico no estadio I da doença. No SUS, foram 21%. Casos avançados (estadios III e IV) foram significativamente predominantes no sistema público.
A pesquisa também investigou a sobrevida global das mulheres no período de 10 anos, considerando os estadios I, II, III e IV da doença. No sistema privado, a sobrevida para estadio I chega a 81,6% contra 77,5% no SUS. No estadio II, são 74% contra 63,3%; 55,6% contra 39,6% (estadio III), e 7,6% contra 6,4% (estadio IV). A análise multivariada demonstrou que o tratamento no sistema privado esteve associado a uma redução de 41% no risco de morte.
“No contexto brasileiro, o estudo mostra que o sistema onde a paciente é tratada tem impacto mensurável na sobrevida, mesmo após controle para variáveis clínicas importantes”, constata Gustavo Marta, que completa: “Em oncologia, tempo é prognóstico. O diagnóstico mais tardio observado no sistema público ajuda a explicar parte das diferenças encontradas.”
Além de reforçar a extrema relevância e robustez do estudo que evidencia discrepâncias entre diagnóstico e tratamento nas redes pública e privada, o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), também participante da pesquisa, avalia que “os resultados refletem, provavelmente, o acesso à mamografia mais facilitado às mulheres atendidas por planos de saúde”.
Embora reconheça o acesso ampliado pelo SUS ao tratamento oncológico nas últimas décadas, o representante da SBM ressalta que há inúmeros desafios a serem vencidos na rede pública de saúde.
No enfrentamento do câncer de mama, neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo, a mamografia de rastreamento permanece como a estratégia de saúde pública mais eficaz para a detecção precoce da doença, permitindo tratamentos menos agressivos e melhores taxas de sobrevida.
No entanto, mesmo com o rastreamento regular a partir dos 40 anos de idade, recomendação do Ministério da Saúde, aliado aos esforços das principais associações médicas brasileiras para o enfrentamento efetivo da doença, a cobertura mamográfica pelo SUS atinge atualmente apenas 33% da população-alvo no País. “O desejável é que 70% das mulheres façam o exame todos os anos”, diz Buttros.
Para Gustavo Marta e Daniel Buttros, os resultados deste estudo de grande escala que perfila a realidade do câncer de mama no Estado de São Paulo sugerem, também em nível nacional, que diferenças estruturais no acesso ao diagnóstico precoce, organização do cuidado e infraestrutura assistencial podem influenciar diretamente os desfechos oncológicos, representando melhor qualidade de vida para as mulheres brasileiras.
Curso SBM e Redimama de Procedimentos Invasivos e Mamografia 2026
Processo seletivo aberto para o Curso de Procedimentos Invasivos e Mamografia da Redimama-SBM 2026
Prazo de inscrições: Até 08/03/2026
Resultado do processo seletivo: Até 13/03/2026
Primeira aula teórica: 26/03/2026
Inscrições e envio de currículo: [email protected]
(31) 3273-0443 Cristiane ou Priscilla
(31) 98693-3473 Cristiane
Local: Redimama – Belo Horizonte
Público Alvo: Mastologistas, Ginecologistas com área de atuação em Imagenologia Mamária e Mastologia, Radiologistas e Imagenologistas.
Clique na imagem para acessar.
Sociedade Brasileira de Mastologia muda a forma de se comunicar sobre o câncer de mama com a população
2 de fevereiro de 2026Para a população,Para o médico
No projeto que prioriza a informação clara e genuína para contemplar regionalidades e mulheres de todas as idades e classes sociais, SBM quer ampliar o alcance de informações baseadas em Ciência e conhecimento médico
No propósito de informar sobre o câncer de mama, com base em conhecimento médico e comprovações científicas, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) muda a forma de se comunicar e investe em estratégias para engajar a população. “Seja pelas mídias digitais ou por canais oficiais da entidade, nosso projeto visa entregar informações cada vez mais diretas para impactar as mulheres brasileiras sobre a prevenção, o diagnóstico e tratamento da doença”, afirma o mastologista Daniel Buttros, presidente da Comissão de Comunicação da SBM.
Na nova proposta de comunicação, a SBM traz não somente médicos e especialistas para as principais discussões da atualidade sobre câncer de mama, mas também pacientes que, segundo Buttros, têm a oportunidade conversar sobre suas dúvidas, experiências e demandas do dia a dia.
“No site e nos outros canais oficiais da SBM, assim como nas mídias digitais, nosso empenho é por uma comunicação clara, genuína, de um jeito plural que contemple mulheres de todas as idades, classes sociais e regionalidades para levar uma mensagem extremamente confiável sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de uma doença de alta incidência não só no Brasil, mas em outros países”, reforça o mastologista.
Já no primeiro projeto de 2026, que será realizado na Semana Nacional da Mamografia, a SBM traz temas discutidos sob a perspectiva de pacientes que compartilham relatos da vida real e reforçam a importância de não terem acreditado em desinformação. Elas também inspiram outras mulheres nos cuidados e na busca de orientações confiáveis.
Nos canais oficiais da entidade, vários temas serão debatidos na próxima semana, entre os quais se destacam a importância da mamografia no diagnóstico da doença e a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento a partir dos 40 anos de idade. Ainda sobre o exame, queixas comuns das mulheres, como dor no pela compressão das mamas, também entram no debate e são acompanhadas de estratégias para diminui o incômodo, como a realização após a menstruação.
“No que se refere a informações sobre câncer de mama, observo que algumas mídias e o movimento nas redes sociais estão na contramão da ciência e a favor de prejuízos”, afirma Buttros. Os “prejuízos” podem ser mensurados pelo aumento do número de casos da doença, que segundo projeção do Inca (Instituto Nacional de Câncer) chegam a 74 mil novos casos.
Para Daniel Buttros, os investimentos da Sociedade Brasileira de Mastologia em comunicação pretendem combater a desinformação ao mesmo tempo que proporcionam maior entendimento da população brasileira sobre câncer de mama. “Todos os esforços neste sentido convergem para tornar realidade um slogan que, para nós, é um princípio: ‘Na SBM você pode confiar’”, conclui.
Relatório de Gestão - Triênio 2023-2025
29 de janeiro de 2026Para o médico
A gestão 2023-2025 da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) foi marcada por um ciclo de avanços expressivos e conquistas históricas que reafirmaram o protagonismo da entidade no cenário da saúde nacional. Este relatório apresenta um balanço detalhado das ações e resultados que consolidaram a SBM como uma instituição mais forte, moderna, inclusiva e comprometida com a ciência, a valorização profissional e a vida das mulheres brasileiras.
Ao longo deste triênio, a SBM fortaleceu sua estrutura de governança com a criação do Regimento Interno e a modernização de sua plataforma digital, garantindo mais transparência e eficiência na gestão. Na frente educacional e científica, a Sociedade expandiu fronteiras com a realização de cursos internacionais, o lançamento de uma videoteca exclusiva para sócios e o reconhecimento da Oncogenética como área de atuação, um marco para a especialidade.
No campo das políticas públicas, a gestão alcançou uma vitória histórica com a ampliação da faixa etária para o rastreamento mamográfico no SUS, uma medida que impactará diretamente a saúde de milhares de mulheres. O compromisso com a equidade foi reforçado com a criação do primeiro Departamento de Saúde Inclusiva em uma sociedade médica no Brasil, uma iniciativa pioneira que busca garantir um cuidado mais justo e acessível a todas as pessoas.
As ações de comunicação e engajamento atingiram patamares recordes, com uma presença sem precedentes na mídia nacional e um forte investimento em plataformas digitais. A campanha “Outubro Rosa”, sob o lema “Juntos Somos Mais Fortes”, uniu sete importantes sociedades médicas em uma aliança inédita, amplificando a mensagem de prevenção e cuidado em todo o país.
Este documento detalha as realizações de uma gestão que, com planejamento, responsabilidade e união, entregou uma SBM mais sólida, representativa e preparada para os desafios do futuro. Convidamos você a conhecer os resultados que marcaram este triênio e que reforçam o compromisso da Sociedade Brasileira de Mastologia com a excelência na mastologia e a saúde da mulher.
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Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) pede inclusão de teste genético para câncer de mama no SUS
27 de janeiro de 2026Para a população
Por solicitação da entidade, Conitec disponibiliza até a próxima segunda-feira (02/02) Consulta Pública que avalia a inclusão de uma tecnologia de identificação de mutações genéticas associadas a 80% de risco de desenvolvimento da doença
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) solicitou à Conitec uma Consulta Pública com a finalidade de avaliar a inclusão no SUS (Sistema Único de Saúde) do Sequenciamento de Nova Geração (NGS, na sigla em inglês), tecnologia de análise genética que permite identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 associados ao risco hereditário de câncer de mama. “Há mais de dez anos, o acesso ao teste genético existe nos planos de saúde, mas ainda não é disponibilizado no SUS”, afirma a mastologista Alessandra Borba, presidente do Departamento de Oncogenética da SBM. “É muito importante que as pessoas se mobilizem e se manifestem sobre o tema para que o benefício se torne realidade também na rede pública”. Na plataforma Brasil Participativo, a Consulta Pública nº 3/2026 está aberta até a próxima segunda-feira (02/02).
As mutações genéticas BRCA1 e BRCA2 alcançaram grande visibilidade nos noticiários de todo o mundo após uma entrevista de Angelina Jolie ao The New York Times. Em 2013, a atriz declarou ter feito uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após a detecção de mutação genética no gene BRCA1, que representa um risco elevado para o desenvolvimento de câncer de mama. Na época, os médicos estimaram que Jolie teria 87% de chance de desenvolver a doença durante a vida.
De acordo com o estudos populacionais recentes, os casos da doença associados a causas hereditárias, ou seja, caracterizados por uma predisposição familiar e que podem passar de geração para geração, representam aproximadamente 5-10% do total dos cânceres.
Pessoas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, segundo Alessandra Borba, têm mais chances de desenvolver cânceres de mama e ovário. A mutação no gene BRCA representa um risco de 60-80% para câncer de mama e 20-40% para o de ovário.
O Sequenciamento de Nova Geração (NGS) avalia de forma simultânea e rápida milhões de fragmentos de DNA. No processo que envolve várias etapas, incluindo “purificação, amplificação e isolamento dos fragmentos de DNA”, são identificadas as mutações genéticas. Em seguida, as sequências desses pequenos fragmentos são lidas e transformadas em dados eletrônicos, que são comparados a um genoma ou sequência de “referência”, permitindo identificar variantes ou mutações patogênicas (alterações genéticas que podem causar doença) em genes ou regiões-alvo.
A partir da identificação da mutação genética, medidas redutoras de risco, como mastectomia e salpingo-ooforectomia (retirada das trompas e dos ovários), indicam importante impacto em redução de chances de desenvolver a doença, aumentando também as chances de as pacientes portadoras de mutação estarem vivas.
O dossiê preparado pela SBM e encaminhado à Conitec avalia, entre vários aspectos, a análise de custo-efetividade do NGS. “Em termos de custo-efetividade da testagem, há otimização dessa efetividade quando são incluídos familiares assintomáticos por caso alterado e a viabilização de cirurgias redutoras de risco de câncer de mama, trompas e ovários, além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas”, destaca.
Embora o passo inicial seja a aprovação do NGS como benefício para pacientes do SUS, Alessandra destaca a importância de se estabelecer também uma linha de cuidado delineada por um Grupo de Trabalho multidisciplinar, sob a coordenação do Ministério da Saúde. De acordo com a mastologista, cabe ao grupo, no qual a SBM pleiteia participação, definir critérios de testagem para a aplicação do recurso tecnológico de forma ética, ordenada e sustentável em larga escala.
A implementação em fases é uma das estratégias a ser considerada para o NGS. A prioridade inicial seriam mulheres com câncer de mama e alto risco genético e, posteriormente, a ampliação do acesso a parentes de primeiro grau de pacientes com mutação identificada e inclusão de outros cânceres que fazem parte da síndrome genética, como ovário, próstata e pâncreas.
Até agora, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Amazonas dispõem de legislações específicas para Detecção de Mutação Genética dos Genes BRCA1 e BRCA2 custeada pelo SUS. “Mas ainda é preciso muito empenho para que este direito não seja apenas uma lei no papel”, afirma.
Na avaliação da presidente do Departamento de Oncogenética da SBM, a incorporação da tecnologia NGS vai colocar em curso uma estratégia para diminuir as disparidades no acesso ao cuidado entre pacientes do SUS e do sistema complementar. “Protocolos para câncer de mama hereditário são comprovadamente salvadores de vidas”, conclui Alessandra Borba.
Como participar
- Acesse o link da Consulta Pública: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/2789/
- Faça o login no site gov.br.
- Responda ao questionário.
- Opine se é favorável ou não à incorporação do teste genético germinativo NGS para mulheres com câncer de mama.
- É possível comentar a opinião com base em vivência pessoal, familiar, de trabalho ou experiência técnica.
- A plataforma permite adicionar contribuições técnicas ou documentos.
- O Relatório Técnico e o Relatório para a Sociedade estão disponíveis com informações complementares.
Posicionamento Estratégico da SBM: Rumo à Incorporação Essencial do Painel NGS no SUS e a Construção de uma Linha de Cuidado Integral em Mastologia
27 de janeiro de 2026Para o médico
Prezados(as) Associados(as) da Sociedade Brasileira de Mastologia,
É com a convicção de que estamos na vanguarda da saúde mamária que a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) se dirige a vocês. Reafirmamos nosso compromisso inabalável com a excelência clínica e a equidade no acesso aos mais avançados recursos diagnósticos e terapêuticos. Neste contexto, a incorporação do painel de Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para o câncer de mama hereditário no SUS não é apenas um avanço tecnológico, mas uma necessidade imperativa para a consolidação de uma política de prevenção e tratamento efetivo em nosso país. A SBM se posiciona totalmente favorável à incorporação do PAINEL NGS em mulheres com câncer de mama, um PRIMEIRO passo fundamental para transformar a realidade de milhares de pacientes.
- Reafirmação da Custo-Efetividade e Resposta às Críticas da CONITEC
Compreendemos as análises da CONITEC sobre a custo-efetividade, mas é crucial contextualizá-las. O dossiê técnico é robusto e demonstra que a incorporação da tecnologia se justifica plenamente ao considerar o próprio limiar de oncologia mais elevado previsto no relatório da CONITEC (R$120.000,00/QALY). As análises indicaram uma Razão de Custo-Efetividade Incremental (RCEI) de R$ 75.961,11/QALY (com fator de correção 2.8) e R$ 35.741,85/QALY (sem o fator de correção). Ambos os valores situam-se muito abaixo do teto deste limiar alternativo, validando a tecnologia como inovadora e de alto ganho em saúde.
É importante sublinhar que nosso relatório foi, propositalmente, conservador. A custo-efetividade da testagem é, na realidade, subestimada quando não se consideram todos os benefícios em cascata e de uma linha de cuidado. Um exemplo claro é o impacto da Mastectomia Redutora de Risco (MRR). É fundamental ressaltar que a MRR não só reduz drasticamente a incidência do câncer de mama, mas, em mulheres BRCA mutadas e com menos de 40 anos, demonstra também uma melhora significativa na sobrevida global. A otimização da custo-efetividade se amplia ainda mais se for possível testar familiares assintomáticos quando probando com teste alterado e viabilizar as cirurgias redutoras de risco de mama, trompas e ovários , além de exames de imagem personalizados para detecção precoce de outros cânceres, mitigando custos futuros com tratamentos de doenças avançadas. Protocolos para câncer de mama hereditários são custo efetivos e salvadores de vida. Essas estratégias não estão disponíveis no SUS, o que inviabilizou inclusão no relatório de custo-efetividade para a CONITEC. De acordo com o Ministério da Saúde, a análise deve ser limitada pelas exigências metodológicas vigentes com utilização exclusiva de procedimentos oficialmente disponíveis no SUS.
Nossa defesa pela incorporação do NGS transcende a tecnologia; ela abraça a filosofia de valor em saúde, que concebe uma medicina sustentável impulsionada pela tecnologia. Ao focarmos na otimização da cadeia de valor e no aprimoramento das linhas de cuidado, buscamos não só melhorar a saúde da nossa população, mas também gerar uma significativa redução de custos – desde os diretos até os micro-custos de implementação responsável e custos sociais.
- Equidade, Ética e o Caminho da Implementação Gradual
A SBM está totalmente de acordo com a preocupação ética de testar familiares e de instituir condutas que reduzam o risco de câncer. Não aprovar a incorporação da tecnologia de NGS significa, em última instância, manter as pacientes do SUS sem informações cruciais para sua saúde e com uma inaceitável disparidade em relação ao sistema de saúde complementar.
Acreditamos que, após a incorporação da tecnologia, um Grupo de Trabalho para o enfretamento do câncer de mama criado pelo Ministério da Saúde e citado nas reuniões da CONITEC deve ser o responsável por cuidar das definições de qual teste, quais genes, aonde testar, em quem testar e qual linha de cuidado mínima estabelecida para que a implementação ocorra em larga escala, de forma ética, ordenada e sustentável. Temos bons exemplos para guiar este grupo: o projeto "Goiás Todo Rosa" e as leis municipais que já existem em seis estados brasileiros para testagem de BRCA/ painel câncer de mama hereditário no SUS. Projetos apoiados pelo governo, como o INCT Prev Onco e recente PRONON, também sustentam a importância dessa tecnologia.
O primeiro passo é, inequivocamente, o apoio à aprovação. A "linha de cuidado" que deve vir em conjunto, a ser delineada por um Grupo de Trabalho liderado pelo Ministério da Saúde, deve ser pensada com base em custo-efetividade e responsabilidade, para não sobrecarregar o sistema. A Sociedade Brasileira de Mastologia, ciente de sua responsabilidade e expertise, deseja fazer parte da reunião desse Grupo de Trabalho.
- Proposta para um Painel Mínimo e o Foco na Prevenção Ampliada: indo além do dossiê
Diante do panorama genético brasileiro, caracterizado pela elevada incidência de mutações em TP53, e considerando a recente aprovação do Olaparibe para pacientes com câncer de ovário BRCA mutado (uma decisão que, infelizmente, não foi acompanhada de uma logística de testagem em larga escala pré-definida), torna-se evidente a necessidade de uma abordagem mais abrangente.
A SBM propõe a incorporação de um painel mínimo de genes de alto risco modificadores de condutas cirúrgicas e de rastreamento para todas as pacientes com novo diagnóstico de câncer de mama e ovário. Uma possível proposta é testar incialmente mulheres com novos diagnósticos de câncer de ovário em qualquer idade e novos diagnósticos de câncer de mama antes dos 40 anos, onde a vigilância completa da saúde mamária e ovariana pode otimizar as intervenções e impactar positivamente a sobrevida. O painel para mama seria: BRCA1, BRCA2, TP 53, PALB2. E painel mama-ovário acrescentaria: RAD51C, RAD51 D, MSH6,MLH1,MSH2,BRIP1. Sugestão de linha de cuidado mínima: aconselhamento pré e pos teste, cirurgias de mama, trompas e ovário redutoras de risco, reconstrução da mama, Rm de mama com contraste se mama remasnecente, RM de corpo inteiro se TP53, acompanhamento com equipe especializada, testagem de 4 familiares assintomáticos, expansão dos critérios gradualmente até equiparar com critérios da ANS e uso de IPARP para câncer de ovário guiados pelos critérios de aprovação dessa medicação no SUS.
4.Conclusão
Esta abordagem não só alinha o SUS às melhores práticas internacionais, mas também garante que a prevenção e o tratamento sejam verdadeiramente efetivos e equitativos para a população brasileira, cumprindo a missão fundamental da saúde pública.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Atenciosamente,
A Diretoria da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)
SBM anuncia novo processo de credenciamento para Programas de Formação/ Especialização em Mastologia
19 de dezembro de 2025Para o médico
Credenciamento dos Programas de Formação/Especialização em Mastologia pela SBM e cadastro obrigatório na Plataforma AMB Títulos.
Com o propósito de aprimorar o controle e assegurar a rastreabilidade dos serviços destinados à formação de candidatos aos Exames de Título de Especialista e aos Certificados de Área de Atuação da Associação Médica Brasileira (AMB)/Sociedades de Especialidade, em consonância com as Resoluções da Comissão Mista de Especialidades (CME), comunicamos a implementação do credenciamento dos Programas de Formação/Especialização em Mastologia pela SBM e cadastro obrigatório na Plataforma AMB Títulos (AMB Títulos – ambtitulos.org.br).
Para credenciamento dos Programas de Formação/Especialização em Mastologia, juntamente à SBM, os serviços devem obrigatoriamente atender aos seguintes requisitos:
- Carga horária mínima anual de 2.880 horas;
- Matriz curricular semelhante à da Residência Médica.
Posteriormente, a SBM fará o cadastro destes Programas na Plataforma AMB Títulos (AMB Títulos – ambtitulos.org.br).
Programa de Residência Médica, reconhecido pela CNRM/MEC, não precisa fazer este credenciamento.
Formulário para preenchimentos das informações do Programa de Formação/Especialização em Mastologia:
Clique aqui para acessar o formulário
Conforme Ofício da AMB, OF/PRES/AMB/132/2025 de 19 de novembro de 2025, somente serão aceitos para inscrição nos Exames de Título de Especialidade e Certificado de Área de Atuação os candidatos concluintes de programas devidamente credenciados pelas Sociedades de Especialidade e cadastrados na Plataforma da AMB, assim respeitando resolução da CME - Comissão Mista de Especialidades (Portaria CME nº 01/2016 - Art. 5º, § 2º)
Projeto Itaberaí envolve agentes de saúde e reduz em 50% diagnósticos tardios de câncer de mama
5 de dezembro de 2025Para a população,Para o médico
Iniciativa idealizada por especialista da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) envolve capacitação de agentes para realizar exames físicos de mamas em visitas domiciliares e demonstra eficiência para agilizar os tratamentos
A capacitação de agentes de saúde para realizar exames físicos de mamas durante visitas domiciliares a mulheres assistidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em Itaberaí (GO), reduziu em 50% o diagnóstico em estadios avançados da doença. Os resultados preliminares do projeto idealizado pelo mastologista Ruffo Freitas-Junior, assessor especial da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), alcançaram repercussão no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), uma das mais respeitadas organizações médicas internacionais a orientar decisões no tratamento de pacientes com câncer em diversas partes do mundo. A experiência goiana também tem despertado o interesse de outras cidades brasileiras na implementação deste recurso de rastreamento.
Uma em cada duas brasileiras, ou 54% das mulheres atendidas pelo SUS, apresenta no diagnóstico de câncer de mama tumores maiores que cinco centímetros. Em grande medida, segundo Ruffo Freitas-Junior, a estatística evidencia o não cumprimento da Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012). Em vigor em todo o território nacional, a determinação preconiza o período máximo de 60 dias para o início do tratamento após a confirmação do diagnóstico de câncer de mama.
Inspirado por uma experiência de sucesso realizada na Índia, o mastologista da SBM, que também é professor da Universidade Federal de Goiás (UFB), uniu forças com a Promotoria de Justiça do Estado, a Prefeitura de Itaberaí e a Câmara Municipal para aprovar uma lei com dotação orçamentária que permitisse colocar em prática um projeto para reduzir os diagnósticos tardios de câncer de mama na cidade.
No município a 92 quilômetros de Goiânia, o Projeto Itaberaí, que também se prestou a reunir informações relevantes em um estudo sobre o rastreamento de câncer de mama, dividiu as agentes de saúde em dois grupos. “O grupo controle visitou as mulheres em suas residências, aplicando as recomendações do Ministério da Saúde, ou seja, orientando sobre o autoexame, a realização bienal da mamografia a partir dos 40 anos de idade e a busca espontânea pela Unidade Básica de Saúde (UBS) se percebessem alguma alteração nas mamas”, explica Freitas-Junior.
O segundo grupo, chamado grupo ativo, recebeu treinamento para realizar o exame físico da mama nas visitas domiciliares. Nos atendimentos, é utilizado um palmtop com duas ferramentas eletrônicas: os aplicativos Rosa e RosaWatch. No Rosa são inseridas informações da mulher examinada Na hipótese de detectarem alguma lesão, as agentes realizam, diretamente no aplicativo, o agendamento de consulta médica na UBS.
Freitas-Junior explica que ao chegar à UBS a paciente é integrada ao RosaWatch, que faz a navegação dentro do sistema de saúde. Se confirmado o nódulo por um mastologista, o encaminhamento prevê investigação por ultrassom, biópsia, exame anatomopatológico e mamografia.
Para o mastologista da SBM, a estratégia demonstrou eficácia por reduzir o tempo que a paciente levava para fazer a mamografia, esperar o resultado e só então ser submetida à biópsia. Em caso de confirmação do câncer de mama, a proposta é que o tratamento seja iniciado em até 30 dias.
Os três passos, treinamento das agentes de saúde, utilização do aplicativo Rosa e organização do fluxo da jornada da paciente pelo RosaWatch, segundo Freitas-Junior, permitiram nos quatro primeiros anos do projeto, uma redução no diagnóstico de câncer de mama em estadios avançados na ordem de 50%. “Inicialmente, pensávamos em ter uma redução de 20% nos estadios III e IV, o que já seria um sucesso”, diz.
Segundo o especialista, as participantes do Projeto Itaberaí conseguem, na esfera do SUS, ter a mesma possibilidade de um diagnóstico precoce que mulheres atendidas pela saúde suplementar e privada, conforme dados publicados por especialistas em clínicas privadas brasileiras.
A experiência de Itaberaí, com dados preliminares apresentados como case brasileiro no congresso da ASCO, é um trabalho em andamento. O estudo randomizado com 3.998 mulheres e a perspectiva de chegar a 4.200 participantes, teve os dados do primeiro ciclo, realizado durante quatro anos, fechados em 30 de novembro. “Agora, serão analisados no primeiro trimestre e apresentados no segundo trimestre de 2026”, prevê.
Como projeto e estudo, a iniciativa vem despertando o interesse de outros municípios brasileiros. O mastologista destaca como primordial o trabalho de um pesquisador responsável na localidade. “E entendimento concreto e real da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Saúde e da Câmara Municipal para que o projeto seja instalado com a participação de agentes de saúde contratados para aquela cidade”, ressalta.
Nos próximos anos, o estudo realizado a partir do Projeto Itaberaí, segundo Ruffo Freitas-Junior deve trazer mais dados sobre detecção do câncer de mama, mas principalmente vai avaliar impactos do diagnóstico precoce na eficácia dos tratamentos e na redução da mortalidade pela doença.
Visibilidade nacional
O Projeto Itaberaí tem alcançado notoriedade na mídia brasileira. Além de reportagens publicadas em jornais de circulação nacional, como Folha de S.Paulo, a iniciativa foi destaque no programa Encontro com Patrícia Poeta, exibido pela Rede Globo.
O Encontro foi ao município goiano de Itaberaí para acompanhar o trabalho de agentes de saúde no projeto idealizado pelo mastologista da SBM, Ruffo Freitas-Junior.
O programa mostrou de que forma a iniciativa reduziu o diagnóstico tardio do câncer de mama e aumentou as chances de cura.
À reportagem do Encontro, Freitas-Junior destacou a importância de ampliar o projeto para outras cidades brasileiras. “Temos um projeto de baixo custo e com grande facilidade para ser trabalhado nos municípios, possibilitando alta possibilidade de cura e menos mutilação, o que me deixa extremamente feliz e confiante de que este é o melhor caminho no futuro próximo”, afirmou.












