Implantes mamários na reconstrução: tipos, escolha e segurança

Implantes mamários na reconstrução: tipos, escolha e segurança

Uma breve história
A história dos implantes mamários começa nos anos 1960, quando o silicone líquido era injetado diretamente na mama — com resultados problemáticos e uma série de complicações. A primeira prótese surgiu em 1962 e, desde então, diversas gerações de implantes foram desenvolvidas, cada vez mais seguras e naturais. Hoje contamos com próteses em formatos anatômicos, texturas tecnologicamente avançadas e risco de vazamento significativamente reduzido.

Quem pode fazer a reconstrução com implante?
A maioria das mulheres operadas por câncer de mama pode ser candidata à reconstrução com próteses ou expansores, desde que haja pele e tecido subcutâneo suficientes para cobrir o implante. Os melhores resultados costumam ocorrer em mamas de pequeno a médio volume, com pouca ou nenhuma ptose (queda). Mas bons resultados também são possíveis em mamas maiores e com algum grau de ptose, em casos bem selecionados.

Alguns fatores podem dificultar ou contraindicar a reconstrução:
● Radioterapia prévia ou planejada na região
● Infecção ativa no momento da cirurgia
● Pele insuficiente para cobrir o implante
● Tabagismo, diabetes descompensado, obesidade grave e doenças do colágeno (contraindicações relativas)
A decisão é sempre individualizada, tomada em conjunto pela paciente e pelo cirurgião, com base em uma avaliação detalhada do caso, do estágio da doença e do desejo da paciente.

Tipos de implantes: o que muda entre eles
Os implantes variam em superfície, conteúdo e formato.

Quanto à superfície, podem ser lisos, texturizados (com rugosidade para aderir melhor aos tecidos e reduzir a rotação do implante), microtexturizados, revestidos com poliuretano ou, mais recentemente, com titânio — estes últimos ainda com dados limitados sobre eficácia.

Quanto ao conteúdo, o gel de silicone coesivo é o mais utilizado atualmente. Ele oferece consistência próxima à do tecido natural e, em caso de ruptura, não migra para outras partes do corpo — uma das grandes vantagens em relação aos modelos mais antigos. As próteses salinas, preenchidas com solução fisiológica, permitem ajuste de volume, mas são mais suscetíveis a vazamentos e pouco usadas no Brasil. Já os expansores são preenchidos progressivamente e funcionam como etapa temporária antes da prótese definitiva.

Quanto ao formato, as próteses podem ser redondas — simétricas em todas as direções, com resultados cada vez mais naturais nas reconstruções pré-peitorais — ou anatômicas, em formato de gota, com maior volume na parte inferior, buscando replicar o contorno natural da mama.

Próteses com poliuretano e o BIA-ALCL
As próteses revestidas com espuma de poliuretano foram desenvolvidas para reduzir a contratura capsular — o endurecimento do tecido que se forma naturalmente ao redor do implante e que pode distorcer seu formato. Muitos especialistas as consideram especialmente indicadas para reconstruções pré-peitorais, em que não se utiliza músculo para cobrir a prótese.
Um ponto que merece atenção: nos últimos anos, identificou-se uma associação entre próteses macrotexturizadas e de poliuretano e o BIA-ALCL (linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários) — um tipo raro de linfoma, não um câncer de mama. Por conta disso, diversas marcas macrotexturizadas foram retiradas do mercado global. As próteses disponíveis no Brasil hoje são predominantemente redondas e lisas. O BIA-ALCL é raro e tratável quando diagnosticado precocemente — o acompanhamento regular com mastologista é suficiente para monitoramento tranquilo.

Expansores: quando a reconstrução é feita em etapas
Quando há pouca pele disponível após a cirurgia, a reconstrução é realizada em etapas. Na primeira, coloca-se um expansor — um implante especial com válvula que vai sendo preenchido progressivamente com solução fisiológica ao longo de semanas ou meses, "criando" gradualmente espaço e pele suficientes. Na segunda cirurgia, o expansor é substituído pela prótese definitiva. Etapas adicionais podem incluir procedimentos para melhorar a pele, reduzir fibrose e refinar o contorno da mama com enxerto de gordura da própria paciente (lipofilling).
Esse processo é especialmente indicado quando a mama foi retirada sem preservação de pele — como na mastectomia radical — ou quando há risco elevado de necrose dos retalhos cutâneos.
Existe também o expansor definitivo, conhecido como prótese de Becker, que combina uma câmara de gel de silicone com uma câmara ajustável de solução fisiológica. Ele pode ser mantido permanentemente, dispensando uma segunda cirurgia.

Como é escolhido o implante ideal?
Não existe uma prótese universalmente melhor — a melhor é sempre aquela que se adapta às características individuais de cada paciente. Para fazer essa escolha, o cirurgião avalia as medidas da mama, a espessura e elasticidade da pele, o tipo de cirurgia oncológica realizada (com ou sem preservação de pele e do complexo areolomamilar), o biótipo e a postura da paciente, além das suas expectativas quanto ao resultado.

O que esperar no pós-operatório
Como em qualquer cirurgia, a reconstrução com implante pode apresentar complicações. As mais comuns são:

● Infecção:
pode exigir a remoção temporária do implante
● Contratura capsular: endurecimento do tecido ao redor da prótese, causando dor e deformidade
● Animação: movimento involuntário da prótese ao contrair os músculos peitorais
● Seroma: acúmulo de líquido ao redor do implante
● Rippling: ondulações visíveis e palpáveis na superfície da pele
● Deflação ou ruptura: mais comum nas próteses salinas

Estudos mostram que a satisfação é maior quando todas as etapas da reconstrução são concluídas nos primeiros dois anos. Tabagismo, diabetes, obesidade e radioterapia são os principais fatores de risco para resultados insatisfatórios a longo prazo.

Vale destacar: as reconstruções pré-peitorais — em que o implante é posicionado na frente do músculo peitoral, e não por baixo dele — têm mostrado resultados cada vez mais promissores, com menor contratura capsular e maior naturalidade estética. É considerado um dos grandes avanços recentes da cirurgia reconstrutiva mamária.

Conclusão
A reconstrução mamária com implantes é um direito da paciente, e hoje, uma realidade segura e eficaz para a grande maioria das mulheres operadas por câncer de mama. Décadas de evolução científica trouxeram próteses mais avançadas, técnicas mais refinadas e resultados muito mais satisfatórios.

Toda escolha, porém, deve ser feita com informação qualificada e em diálogo aberto com um especialista. Cada caso é único. Cada corpo é único. E cada decisão merece o tempo e o cuidado que ela exige.

Se você está passando por um diagnóstico de câncer de mama ou já realizou tratamento, converse com seu mastologista sobre as opções de reconstrução disponíveis para o seu caso.

Sobre o autor
Dr. Eduardo Carvalho é médico titulado em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Atua em serviços de referência em câncer de mama nas áreas de cirurgia oncoplástica, reconstrutiva e conservadora da mama, e faz parte do programa de preceptoria de formação de novos mastologistas. Alia técnica cirúrgica de excelência e atualização constante à comunicação humanizada com suas pacientes.


Reconstrução mamária com tecido próprio: como funciona

Reconstrução mamária com tecido próprio: como funciona

A reconstrução mamária com tecido próprio é uma das alternativas mais consolidadas para mulheres que passaram por mastectomia — a cirurgia de retirada total da mama. Nessa abordagem, o cirurgião utiliza músculo, gordura e pele da própria paciente para reconstruir a mama, sem depender exclusivamente de implantes de silicone.

Por usar material do próprio corpo, essa técnica oferece resultados com aparência mais natural e menor risco de rejeição. Por ser tecido vivo, o resultado tende a ser duradouro e acompanha as mudanças naturais do corpo ao longo do tempo.

O que são os retalhos musculares na reconstrução mamária?
Os retalhos musculares — também chamados de retalhos miocutâneos — são a base da reconstrução mamária com tecido próprio. O termo se refere a um bloco de tecido formado por músculo, gordura e pele que é deslocado de uma região doadora do corpo para o local da mama, mantendo seus vasos sanguíneos e, portanto, continuando vivo após a transferência.

Essa característica é fundamental: como o tecido transferido permanece irrigado, ele se integra ao organismo de forma natural e duradoura.

As regiões doadoras mais utilizadas são as costas — por meio do músculo grande dorsal — e o abdômen — por meio do músculo reto abdominal, na técnica conhecida como TRAM. A escolha entre elas depende das características de cada paciente e é definida em conjunto com o cirurgião.

Para quem a reconstrução com retalho muscular é indicada?
A reconstrução com retalho muscular é uma opção para qualquer mulher submetida a mastectomia e que deseja reconstruir a mama, desde que tenha condições clínicas para ser operada.

Essa técnica é especialmente recomendada para mulheres que:
● Desejam evitar ou não podem usar implantes de silicone
● Receberam radioterapia prévia na região do tórax — a radioterapia aumenta o risco de complicações com implantes e os retalhos musculares respondem bem a esse cenário
● Têm indicação de radioterapia após a mastectomia
● Passaram por doença localmente avançada, com necessidade de ressecção ampla de pele
● Buscam um resultado mais natural e permanente, sem material artificial

A reconstrução pode ser realizada de forma imediata — no mesmo ato cirúrgico da mastectomia — ou tardia — em uma cirurgia posterior àquela do tratamento do câncer.

Como é feita a cirurgia?
De forma geral, o procedimento consiste em retirar um bloco de tecido de uma região doadora do corpo — costas ou abdômen — e deslocá-lo até a mama, onde é moldado para dar forma à nova mama.

O tecido é transferido mantendo sua conexão com os vasos sanguíneos originais, o que garante sua nutrição e viabilidade. Esse detalhe é o que diferencia os retalhos musculares dos enxertos.

Após a cirurgia, são mantidos drenos no local da mama e na área doadora por alguns dias, para evitar o acúmulo de líquido. O tempo de internação e de recuperação varia conforme a técnica utilizada e as características individuais de cada paciente.

Grande Dorsal ou TRAM: qual a diferença?
Embora o princípio seja o mesmo, as duas técnicas têm características distintas que influenciam a indicação.

O retalho do Grande Dorsal — que usa o músculo das costas — é conhecido pela sua versatilidade e pela excelente resistência à radioterapia. Praticamente qualquer paciente pode ser candidata a essa reconstrução. Sua principal limitação é o volume de tecido disponível, que pode ser insuficiente para reconstruir mamas maiores sem o auxílio de um implante ou de lipoenxertia — a injeção da própria gordura da paciente para complementar o volume.

O retalho TRAM — que usa o músculo do abdômen — costuma oferecer um volume maior de tecido, muitas vezes dispensando o uso de implante. É uma boa opção para pacientes com excesso de tecido abdominal e que aceitam a cicatriz nessa região. Exige, no entanto, uma avaliação cuidadosa, pois cirurgias abdominais anteriores, obesidade, tabagismo e diabetes aumentam o risco de complicações.

Em ambos os casos, a seleção criteriosa da paciente e o planejamento cirúrgico cuidadoso são fundamentais para obter bons resultados.

Quais são as possíveis complicações?
Como qualquer cirurgia de maior porte, a reconstrução com retalho muscular envolve riscos que devem ser discutidos com o cirurgião. As complicações mais comuns incluem:
● Seroma — acúmulo de líquido na área operada, comum e geralmente manejável
● Deiscência — abertura parcial da cicatriz
● Infecção
● Necrose parcial do retalho — quando parte do tecido transferido não recebe circulação suficiente

Os fatores que mais aumentam o risco de complicações são obesidade, tabagismo, diabetes e cirurgias anteriores na região doadora. Por isso, o controle desses fatores antes da cirurgia faz parte do planejamento.

Essa técnica é segura para quem já teve câncer de mama?
Sim. A reconstrução mamária com retalhos musculares é amplamente reconhecida como segura do ponto de vista oncológico. Estudos de longo prazo não demonstraram aumento no risco de recorrência do câncer de mama associado a essa abordagem.

Quando a lipoenxertia é utilizada em conjunto com o retalho — para complementar o volume — sua segurança oncológica também está bem estabelecida na literatura científica.

O que esperar dos resultados?
Os retalhos musculares oferecem resultados naturais e duradouros. Por serem feitos com tecido vivo, acompanham as mudanças do corpo ao longo do tempo — algo que implantes de silicone não fazem da mesma forma.

O resultado estético final depende de fatores como o volume de tecido disponível, a necessidade de técnicas complementares (como lipoenxertia ou implante) e a realização de radioterapia. Em alguns casos, podem ser necessários procedimentos adicionais para refinamentos ou ajustes de simetria.

De forma geral, as pacientes relatam alta satisfação com os resultados, especialmente pela naturalidade do aspecto e do toque da mama reconstruída.

Conclusão: reconstruir a mama com tecido próprio é uma escolha segura
Os retalhos musculares representam décadas de evolução na cirurgia reconstrutiva da mama e seguem sendo uma das melhores opções disponíveis — especialmente para mulheres com histórico de radioterapia ou que desejam evitar implantes.

A reconstrução mamária é parte integrante do tratamento do câncer de mama e um direito garantido por lei no Brasil. Se você passou por uma mastectomia ou está planejando seu tratamento cirúrgico, converse com seu mastologista sobre as opções de reconstrução disponíveis para o seu caso.

Sobre a autora
Dra. Thais Vicentine Xavier Terra é médica mastologista associada à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Possui formação em Mastologia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), mestrado em Ciências da Saúde pela UFRGS com foco em reconstrução mamária, e fellowship em reconstrução e plástica mamária em Strasbourg, França. Atua na avaliação, tratamento e acompanhamento de doenças mamárias, com especial interesse em oncoplastia e reconstrução da mama.


Retalhos Locorregionais: Técnicas Oncoplásticas para Tratar o Câncer Preservando a Mama

Retalhos Locorregionais: Técnicas Oncoplásticas para Tratar o Câncer Preservando a Mama

A cirurgia oncoplástica representa um dos avanços mais importantes no tratamento do câncer de mama nas últimas décadas. Em um único procedimento, ela une duas finalidades essenciais: remover o tumor com segurança e preservar a forma, o volume e a simetria da mama.

Como mastologista, acompanho diariamente a transformação que essa abordagem provoca na vida das pacientes. Afinal, tratar o câncer hoje não significa, necessariamente, abrir mão da identidade corporal.

Neste artigo, você vai entender como a técnica funciona, quais são as principais opções disponíveis e por que o diagnóstico precoce continua sendo o seu maior aliado.

O que é a cirurgia oncoplástica e por que ela importa
A cirurgia oncoplástica combina, em um mesmo ato cirúrgico, dois princípios fundamentais. De um lado, segue as regras da cirurgia oncológica: remoção do tumor com margens adequadas e segurança no controle da doença. De outro, aplica os princípios da cirurgia plástica reconstrutiva, preservando a aparência natural da mama.

Mais do que uma questão estética, essa integração traz benefícios concretos para a saúde global. Estudos mostram que pacientes submetidas a essa abordagem apresentam:
● Melhores índices de qualidade de vida após o tratamento
● Menor impacto psicológico e emocional
● Recuperação física mais positiva
● Maior autoestima e bem-estar a longo prazo

Em outras palavras, cuidar da forma também é cuidar da saúde como um todo.

Como a oncoplastia reconstrói a mama após a retirada do tumor
Quando um tumor é retirado da mama, surge uma falha tridimensional no local. Essa falha pode envolver perda de pele, de tecido glandular e de volume. Sem uma reconstrução planejada, o resultado pode incluir retrações, assimetrias visíveis em relação à outra mama, distorção da aréola e cicatrizes que comprometem o resultado final.

A cirurgia oncoplástica atua exatamente nesse ponto. Por meio de técnicas específicas, o cirurgião redistribui o tecido remanescente, aproveita áreas vizinhas com excesso de pele ou traz tecido de regiões próximas para preencher o defeito. Dessa forma, devolve à mama um contorno o mais próximo possível do natural.

Os retalhos locorregionais: tecido próprio, resultado natural

Entre as técnicas oncoplásticas, os retalhos locorregionais ocupam papel central. Eles utilizam tecido da própria mama ou de áreas imediatamente adjacentes, como a parede lateral do tórax, a região abaixo da mama ou o dorso lateral.

Como esse tecido mantém sua vascularização original durante a transposição, a integração ao novo local é mais segura. Além disso, oferece três vantagens importantes:
● Aparência natural: semelhança de cor, espessura e textura com a pele da mama
● Boa tolerância à radioterapia: quando esta é necessária após a cirurgia
● Recuperação simplificada: geralmente mais rápida do que técnicas mais complexas

A seguir, apresento as quatro principais técnicas que fazem parte desse arsenal terapêutico.

As 4 principais técnicas de retalho na cirurgia oncoplástica

1. Triângulo de Burow
O triângulo de Burow é uma técnica de avanço de tecidos locais aplicada após a retirada parcial do tumor. Após a ressecção, o cirurgião prolonga a incisão lateralmente e realiza uma incisão adicional em formato triangular na região axilar.

O objetivo é eliminar redundâncias de pele e permitir a mobilização do tecido mamário remanescente. A partir dessa abordagem, o cirurgião confecciona retalhos de avanço com a pele e o tecido adjacentes, deslocando-os em direção ao defeito para preenchê-lo.

A retirada do triângulo evita a formação de "orelhas de pele" (pequenas dobras que sobram nas bordas da cicatriz), reduz a tensão nas suturas e favorece a cicatrização. Por isso, é uma técnica especialmente útil em tumores periféricos ou em áreas com maior disponibilidade de tecido.

2. Retalho bilobado
O retalho bilobado é uma técnica de transposição dupla. Ela utiliza dois retalhos de pele adjacentes, conectados por uma base vascular comum.

Funciona da seguinte forma:
● Primeiro retalho (maior): rotacionado para preencher o defeito principal
● Segundo retalho (menor): rotacionado para fechar a área doadora do primeiro
● Defeito final: ainda menor, fechado por sutura simples

Essa distribuição sequencial tem uma finalidade precisa: dividir a tensão cirúrgica entre múltiplos pontos, em vez de concentrá-la em uma única área. Como resultado, a reconstrução fica mais estável, com menor risco de abertura da ferida e menor distorção das estruturas vizinhas.

3. Retalho toracolateral
O retalho toracolateral utiliza pele e tecido subcutâneo da parede lateral do tórax, na região entre a mama e a linha da axila. Sua vascularização vem de pequenos vasos chamados ramos perfurantes, o que garante boa nutrição do tecido transposto.
Essa técnica é particularmente indicada para defeitos nos quadrantes externos da mama. Após a retirada da lesão, o retalho é mobilizado em direção ao centro, preenchendo a área e restaurando o contorno mamário.

Do ponto de vista estético, a cicatriz na área doadora fica posicionada de forma estratégica. Geralmente, ela pode ser facilmente camuflada pela linha do sutiã ou pelas dobras naturais do corpo.

4. Retalho toracoepigástrico
O retalho toracoepigástrico aproveita a pele e o tecido logo abaixo da mama, na transição com a parte superior do abdome. Essa área costuma apresentar excesso de pele e boa elasticidade, especialmente em mulheres que já tiveram filhos ou que apresentam maior volume nessa região.
Em vez de ser desprezado, esse excedente é mobilizado para cima e usado para reconstruir defeitos do polo inferior da mama. A cicatriz fica localizada no sulco inframamário (a dobra natural sob a mama), tornando-se pouco perceptível visualmente.

As principais indicações incluem:
● Defeitos no quadrante inferior da mama
● Mamas de volume médio a grande, com sulco bem definido
● Casos em que o uso de prótese ou retalhos maiores é contraindicado por questões clínicas

O que tudo isso significa para você, paciente
A existência dessas técnicas tem uma implicação direta na sua jornada. O tratamento do câncer de mama, hoje, não precisa significar perda definitiva da forma ou da identidade corporal.

A cirurgia oncoplástica integra, em um mesmo ato, a segurança oncológica (com a remoção adequada do tumor) e o cuidado com o resultado estético. No entanto, para que essas opções sejam viáveis, dois fatores são determinantes:
● Diagnóstico precoce: tumores menores permitem maior preservação de tecido e mais alternativas de reconstrução
● Profissional capacitado: acompanhamento com mastologista que tenha o repertório técnico em cirurgia oncoplástica e saiba indicar a melhor abordagem para cada caso

Por isso, alguns hábitos continuam sendo a base de tudo:
● Mamografia anual a partir dos 40 anos
● Autoexame mensal das mamas
● Acompanhamento clínico regular com mastologista
Quanto mais cedo identificamos a doença, mais possibilidades temos de oferecer um tratamento que cuide tanto da sua saúde quanto da sua integridade física e emocional.

Conclusão: cuidar de você por inteiro
A medicina avançou muito nas últimas décadas, e a cirurgia oncoplástica é uma das provas mais claras desse progresso. Hoje, é possível tratar o câncer de mama com segurança oncológica e, ao mesmo tempo, preservar a forma, a simetria e a confiança da paciente em seu próprio corpo.

Se você tem dúvidas sobre o tratamento do câncer de mama, sente alguma alteração nas mamas ou está em dúvida sobre quando iniciar o rastreamento, agende uma consulta com um mastologista. Esse é o primeiro passo para um cuidado completo, técnico e humano.

Sua saúde merece atenção integral. E quanto antes você buscar orientação especializada, maiores serão as possibilidades de tratamento à sua disposição.
Cirurgião geral, mastologista e mestre pela Unicamp. Associado à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e membro do Departamento de Oncoplastia. Especialista em reconstrução mamária e pesquisa voltada ao alto risco familiar para câncer de mama. Alia técnica cirúrgica avançada a um cuidado individualizado e humanizado, com foco em tratamento, autoestima, prevenção e acompanhamento a longo prazo.

@dr.thiagogaspar · CREMESP 196675 · RQE 124011

Referências
1. Vieira RAC, Paulinelli RR, Hassan AT, Facina G. Oncoplastia mamária: soluções em diferentes cenários clínicos. 1ª ed. Lemar & Goi; 2025.
2. Diretrizes em Mastologia. Sociedade Brasileira de Mastologia. Versão 2022.


Síndrome de Li-Fraumeni: entenda a relação do gene TP53 e o câncer hereditário

Síndrome de Li-Fraumeni: entenda a relação do gene TP53 e o câncer hereditário

O que é a Síndrome de Li-Fraumeni?
A Síndrome de Li-Fraumeni é uma condição hereditária rara que aumenta significativamente o risco de desenvolver diferentes tipos de câncer ao longo da vida. Ela está relacionada principalmente a alterações no gene TP53, um dos genes mais importantes para a proteção do organismo contra o surgimento de tumores.
Embora seja uma síndrome rara, seu reconhecimento é fundamental. Isso porque o diagnóstico precoce permite implementar estratégias de vigilância e acompanhamento capazes de aumentar as chances de detectar tumores em fases iniciais.

No Brasil, esse tema tem relevância especial devido à elevada frequência da variante R337H do TP53, encontrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

O que é o gene TP53?
O TP53 é conhecido como um gene supressor tumoral. Ele está localizado no cromossomo 17 e é responsável pela produção da proteína p53, frequentemente chamada de "guardiã do genoma".
Na prática, essa proteína funciona como um sistema de segurança das células. Quando ocorre algum dano ao DNA, ela ajuda a impedir que células alteradas continuem se multiplicando.

Entre suas principais funções estão:
● Interromper o ciclo celular diante de danos ao DNA;
● Ativar mecanismos de reparo celular;
● Induzir a morte programada de células gravemente danificadas (apoptose);
● Controlar a proliferação celular.

Quando existe uma variante no TP53, esses mecanismos de proteção podem falhar, aumentando o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

O que é a variante R337H do TP53?
A variante p.R337H (c.1010G>A) corresponde à substituição do aminoácido arginina por histidina na posição 337 da proteína p53.
Essa alteração é considerada a variante fundadora brasileira, ou seja, uma variante que se disseminou em determinadas populações ao longo das gerações.

Particularidades da variante R337H

A variante apresenta algumas características importantes:
● Maior prevalência nas regiões Sul e Sudeste do Brasil;
● Frequência estimada entre 1 a cada 300 indivíduos em algumas regiões;
● Risco de câncer dependente da idade e de outros fatores genéticos e ambientais.

A variante R337H está associada a diferentes tumores, incluindo:
● Câncer de mama precoce;
● Tumores adrenocorticais pediátricos;
● Sarcomas;
● Tumores cerebrais;
● Leucemias;
● Câncer de pulmão;
● Outros tumores relacionados à Síndrome de Li-Fraumeni.

Quais cânceres estão associados à Síndrome de Li-Fraumeni?
Pessoas portadoras de variantes patogênicas no TP53 apresentam risco elevado de desenvolver câncer ao longo da vida.
Estudos demonstram que esse risco pode ultrapassar 70% a 90%, especialmente nas mulheres devido à alta incidência de câncer de mama.

Tumores mais frequentes na infância
● Tumor adrenocortical;
● Tumores cerebrais;
● Osteossarcoma;
● Leucemias.

Tumores mais frequentes na vida adulta
● Câncer de mama;
● Sarcomas de partes moles;
● Osteossarcoma;
● Tumores do sistema nervoso central;
● Câncer de pulmão;
● Neoplasias gastrointestinais.

Além disso, é comum a ocorrência de mais de um tumor primário ao longo da vida.

Quando suspeitar da Síndrome de Li-Fraumeni?
O diagnóstico começa pela avaliação da história pessoal e familiar.
A investigação deve ser considerada especialmente em pessoas com:

História pessoal sugestiva
● Câncer de mama em pacientes jovens;
● Múltiplos tumores primários;
● Tumores raros relacionados ao TP53.

História familiar sugestiva
● Casos de sarcoma;
● Câncer de mama em idade jovem;
● Tumores cerebrais;
● Tumores adrenocorticais;
● Outros cânceres pertencentes ao espectro Li-Fraumeni.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico definitivo é realizado por meio do teste genético germinativo, que identifica variantes patogênicas germinativas no gene TP53.
A interpretação dos resultados deve ser realizada por profissionais capacitados, como geneticistas, oncogeneticista, oncologistas e mastologistas.

Qual a importância do aconselhamento genético?
O aconselhamento genético é uma etapa fundamental após a identificação de uma alteração no TP53.

Seu objetivo é ajudar o paciente e seus familiares a compreenderem:
● O padrão de herança da síndrome;
● Os riscos individuais de câncer;
● As opções de rastreamento precoce;
● A necessidade de avaliação de familiares;
● Aspectos relacionados ao planejamento reprodutivo.
Como a transmissão é autossômica dominante, cada filho de um portador possui 50% de chance de herdar a variante genética.

Como é o acompanhamento dos portadores de TP53?
O acompanhamento deve ser multidisciplinar e realizado de forma contínua.
Atualmente, um dos modelos mais utilizados é baseado no Protocolo de Toronto, que demonstrou benefícios na detecção precoce de tumores.

Vigilância em adultos
● Exame físico completo a cada seis meses;
● Ressonância magnética de corpo inteiro anual;
● Ressonância magnética cerebral anual;
● Avaliação dermatológica periódica;
● Colonoscopia conforme fatores de risco e histórico familiar.

Cuidados específicos para mulheres
Devido ao elevado risco de câncer de mama, recomenda-se:
● Ressonância magnética das mamas anual a partir dos 20 anos;
● Discussão sobre mastectomia redutora de risco.

O que muda na mastologia quando existe uma mutação no TP53?
Na prática clínica da mastologia, a identificação de uma variante patogênica no TP53 influencia diretamente as decisões terapêuticas.

Pacientes portadoras apresentam:
● Maior risco de câncer de mama na mama contralateral;
● Maior risco de desenvolver novos tumores primários;
● Maior sensibilidade aos efeitos da radiação.

Por esse motivo, algumas situações podem exigir discussão individualizada sobre:
● Mastectomia terapêutica em vez de cirurgia conservadora;
● Mastectomia bilateral redutora de risco;
● Indicação criteriosa de radioterapia.
Cada caso deve ser avaliado por uma equipe multidisciplinar, considerando características clínicas, histórico familiar e preferências da paciente.

Conclusão
A Síndrome de Li-Fraumeni é uma importante condição hereditária associada ao gene TP53 e a um risco aumentado de diversos tipos de câncer. No Brasil, a variante R337H possui relevância especial devido à sua frequência relativamente elevada em determinadas regiões.

O reconhecimento precoce da síndrome permite a realização de testes genéticos, aconselhamento familiar e programas de vigilância capazes de aumentar as chances de diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Se você tem histórico familiar de câncer em idade jovem, múltiplos casos de câncer na família ou recebeu diagnóstico de câncer de mama em idade precoce, converse com um mastologista ou especialista em oncogenética para avaliar a necessidade de investigação.

Sobre o autor
Marina Nobrega Augusto - Médica Mastologista pelo Hospital Sírio-Libanês, doutorado em andamento em oncogenética no Hospital Sírio-Libanês, associada à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), com atuação dedicada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças mamárias, incluindo câncer de mama hereditário e síndromes genéticas de predisposição ao câncer. Sua prática clínica inclui avaliação de risco genético, aconselhamento e acompanhamento de pacientes com mutações hereditárias associadas ao câncer de mama.


Mastite granulomatosa: entenda essa inflamação rara da mama

Mastite granulomatosa: entenda essa inflamação rara da mama

Mastite granulomatosa causa dor, vermelhidão e nódulos na mama. Entenda os sintomas, diagnóstico e tratamento com mastologista.

O que é mastite granulomatosa?
A mastite granulomatosa é uma doença inflamatória rara da mama que costuma causar muita preocupação nas pacientes. Isso porque os sintomas podem se parecer com infecções mamárias comuns ou até mesmo com câncer de mama.

Apesar disso, a mastite granulomatosa é uma condição benigna. Ainda assim, ela necessita de avaliação especializada, já que o diagnóstico correto pode ser desafiador.
Na prática clínica, muitas mulheres chegam ao consultório após semanas ou meses de dor, vermelhidão e uso repetido de antibióticos sem melhora significativa.

Quais são os sintomas da mastite granulomatosa?

Os sintomas podem variar de intensidade, mas os mais comuns incluem:
• nódulo doloroso na mama
• vermelhidão na pele
• aumento da mama
• sensação de calor local
• endurecimento da região
• saída de secreção
• formação de abscessos
• feridas ou fístulas na pele

Em alguns casos, os sintomas aparecem de forma lenta e progressiva. Em outros, o quadro pode surgir rapidamente, simulando uma infecção importante.

Mastite granulomatosa é câncer?
Não, a mastite granulomatosa é uma doença benigna.

Porém, ela pode apresentar sinais muito parecidos com os do câncer de mama inflamatório, tanto no exame físico quanto nos exames de imagem.

Por isso, é fundamental que a paciente seja avaliada por um mastologista e, muitas vezes, realize biópsia da mama para confirmação diagnóstica.

O que causa a mastite granulomatosa?
A causa exata da mastite granulomatosa ainda não é totalmente conhecida.

Atualmente, acredita-se que a doença possa estar relacionada a uma reação inflamatória exagerada do organismo. Alguns fatores associados incluem:
• alterações hormonais
• gestação e amamentação prévia
• resposta autoimune
• tabagismo
• uso de anticoncepcionais hormonais
• infecções por bactérias específicas, como Corynebacterium

Na maioria das pacientes, a doença acomete mulheres jovens, geralmente em idade fértil e com história de gestação nos últimos anos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da mastite granulomatosa exige avaliação clínica, exames de imagem e confirmação por biópsia.

Os exames mais utilizados incluem:
Ultrassonografia das mamas: ajuda a identificar coleções, inflamação e áreas suspeitas.
Mamografia: pode mostrar assimetrias ou alterações inflamatórias, principalmente em mulheres acima dos 40 anos.
Ressonância magnética: em alguns casos, auxilia na avaliação da extensão da doença.
Biópsia da mama: é o exame mais importante para confirmar o diagnóstico.

A análise do tecido identifica o padrão inflamatório granulomatoso e ajuda a excluir câncer e outras doenças infecciosas.

Mastite granulomatosa tem cura?
Sim, a mastite granulomatosa pode apresentar resolução completa, embora algumas pacientes tenham evolução prolongada ou episódios de recorrência.

O tratamento depende da intensidade da doença e das características de cada caso.

Como é o tratamento da mastite granulomatosa?
O tratamento deve ser individualizado.

Entre as opções utilizadas estão:
Observação clínica: em casos leves e selecionados, a doença pode melhorar espontaneamente com acompanhamento médico.
Antibióticos: podem ser utilizados quando há suspeita de infecção associada.
Corticoides: frequentemente empregados para reduzir a inflamação e controlar os sintomas.
Imunossupressores: em casos recorrentes ou mais resistentes, alguns medicamentos específicos podem ser indicados.
Drenagem de abscessos: quando há formação de coleções de pus, pode ser necessária drenagem.
Cirurgia: atualmente, tenta-se evitar cirurgias extensas sempre que possível, pois algumas pacientes podem apresentar piora da cicatrização ou recorrência.

A mastite granulomatosa pode voltar?
Sim, algumas pacientes podem apresentar recorrência da doença mesmo após tratamento inicial.

Por isso, o acompanhamento com mastologista é importante durante toda a evolução do quadro.

O seguimento adequado ajuda a identificar sinais de atividade da doença e a ajustar o tratamento quando necessário.

Quando procurar um mastologista?
É importante procurar avaliação especializada sempre que houver:
• vermelhidão persistente na mama
• dor importante
• nódulo mamário
• secreção ou saída de pus
• feridas na mama
• sintomas que não melhoram com antibióticos comuns
Nem toda inflamação mamária é uma mastite simples da amamentação. Algumas doenças exigem investigação mais aprofundada.

Conclusão
A mastite granulomatosa é uma doença inflamatória benigna da mama, mas que pode causar sintomas importantes e gerar muita ansiedade.

Como ela pode simular infecções e até câncer de mama, a avaliação especializada é fundamental para um diagnóstico correto e um tratamento adequado.

Com acompanhamento individualizado, a maioria das pacientes consegue bom controle da doença e melhora significativa da qualidade de vida.
Se você percebeu alterações persistentes nas mamas, procure avaliação com um mastologista.

Referências
AKCAN, Arif et al. Idiopathic granulomatous mastitis: comparison of wide local excision with or without corticosteroid therapy. Breast Care, Basel, v. 9, n. 2, p. 111-115, 2014.
BOUFETTA, K. et al. Granulomatous mastitis: a review of 13 cases. Journal of Clinical Gynecology and Obstetrics, v. 5, n. 1, p. 1-4, 2016.
GOULART, Ricardo et al. Mastite granulomatosa idiopática: aspectos clínicos e terapêuticos. Revista Brasileira de Mastologia, São Paulo, v. 24, n. 4, p. 113-118, 2014.

Autora
Dra. Jéssica Mendes é mastologista em São Luís - Maranhão. Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, membro do Núcleo Jovem da SBM, presidente da Regional Maranhão (2026–2028) e membro do Departamento de Políticas Públicas da SBM. Mestra e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Maranhão, com pós-graduação em Imagem da Mama. No Instagram, compartilha conteúdos sobre saúde mamária no perfil @jessicamasto.


Quimioterapia Neoadjuvante: entenda o que é e como funciona

Quimioterapia Neoadjuvante: entenda o que é e como funciona

O que é o tratamento neoadjuvante?
Chamamos de “neoadjuvante” aquele tratamento que é realizado antes da cirurgia. Este termo é utilizado para diferenciar do tratamento “adjuvante”, que é aquele realizado após o tratamento cirúrgico. A definição da ordem com que estes tratamentos serão realizados deve ser feita com base em diversos critérios e de forma individualizada para cada paciente, como iremos discutir a seguir.

Em se tratando de câncer de mama, na maioria das vezes em que realizamos um tratamento neoadjuvante, a escolha é pela quimioterapia, apesar de também ser possível realizar uma “hormonioterapia neoadjuvante” em casos selecionados. Ou seja, quando realizamos um tratamento antes da cirurgia podemos utilizar remédios quimioterápicos ou remédios que promovem um bloqueio hormonal.

Por que não operar o câncer de mama pela cirurgia?
Um questionamento frequente entre as pacientes é sobre o motivo de não iniciarmos o tratamento para o câncer de mama sempre pela cirurgia. A ansiedade por querer remover logo a lesão da mama é natural e de certa forma até intuitiva, porém a história do tratamento do câncer de mama nos ensinou que em alguns casos essa não é a melhor estratégia.

Para as pacientes com tumores com tamanhos pequenos, sem evidências de doença nas axilas, e especialmente nos subtipos ditos “hormonais”, o mais frequente é de fato iniciar o tratamento com a cirurgia. Muitas destas pacientes não necessitarão de realizar quimioterapia, e o bloqueio hormonal, quando indicado, costuma ser realizado após a cirurgia, com medicamentos tomados por via oral.

Por outro lado, pacientes com características que necessitam de tratamento quimioterápico podem necessitar deste tratamento de forma mais rápida, antes mesmo da cirurgia. Esta situação é a chamada “quimioterapia neoadjuvante”.

Já foi demonstrado que realizar a quimioterapia antes da cirurgia não piora os resultados oncológicos quando comparada com a quimioterapia realizada após a cirurgia. Aliás, conhecimentos mais recentes têm evidenciado que na verdade ela traz benefícios oncológicos, consolidando cada vez mais esta abordagem em casos selecionados.

Vamos avaliar agora algumas vantagens de se iniciar o tratamento pela quimioterapia:
1. Redução do tamanho do tumor
A primeira vantagem e talvez a mais clássica, é que o tratamento medicamentoso pode diminuir a extensão da doença (tanto na mama quanto na axila), diminuindo o porte cirúrgico necessário, e potencialmente permitindo a realização de uma cirurgia menor.
2. Tratamento sistêmico precoce
Ao contrário da cirurgia, que trata apenas o local afetado, os medicamentos tratam o corpo inteiro. Se alguma célula tumoral tiver se "desprendido" da mama, ela será combatida antes que possa se estabelecer em outros órgãos (metástase).
3. Avaliação da resposta tumoral

A terapia neoadjuvante nos dá a oportunidade de avaliar a resposta daquela paciente ao tratamento, com a finalidade de guiar os próximos passos de forma individualizada. Isto significa que uma paciente que apresentou boa resposta pode não necessitar de acréscimo de novos medicamentos após a cirurgia, enquanto que as pacientes nas quais a cirurgia identificou a permanência de células tumorais na mama e/ou axila após o tratamento quimioterápico, podem se beneficiar da adição de novos tratamentos após a cirurgia. É uma forma de tentar adaptar o tratamento, e “dar mais remédio para quem precisa de mais remédio”. Somente a quimioterapia neoadjuvante nos dá a oportunidade de identificar as pacientes cuja doença não respondeu tão bem ao tratamento padrão uma vez que a peça removida na cirurgia nos mostrará como as células daquele tumor se comportaram diante do tratamento, e em caso de uma resposta insatisfatória, poderemos traçar uma nova rota de tratamento.

Ao fazer um tratamento neoadjuvante você já está em tratamento
Se o seu médico recomendou iniciar o processo pelos medicamentos, lembre-se: você já está combatendo a doença desde o primeiro dia. A cirurgia acontecerá no momento cirúrgico mais oportuno e seguro.

A estratégia do tratamento neoadjuvante é muito importante para algumas pacientes, e cada caso é único e deve ser discutido de forma multidisciplinar entre o mastologista, o oncologista e demais equipes envolvidas no cuidado oncológico. Se você tem dúvidas sobre o seu planejamento terapêutico, converse abertamente com o seu médico.

Sobre o autor: Dr. Felipe Marcondes de Oliveira Coelho é médico mastologista, possui graduação em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e é membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

CRM MG: 81925 | RQE: 61675


O Que é a Imunohistoquímica no Câncer de Mama?

O Que é a Imunohistoquímica no Câncer de Mama?

A imunohistoquímica é um exame realizado no material tumoral obtido pela biópsia. Por meio da identificação de proteínas presentes nas células do câncer de mama, ela permite uma análise mais detalhada do tumor, revelando características que não são observadas apenas no exame histopatológico convencional ao microscópio.

Essas informações funcionam como um código próprio de cada tumor, permitindo compreender o comportamento da doença e quais tratamentos podem ser mais eficazes para cada paciente.

Os 3 Marcadores Principais

  • Receptores Hormonais (RE:receptores de estrogênio e RP: receptores de progesterona) — Indicam se o tumor cresce estimulado pelos hormônios estrogênio e progesterona. Se positivos, existem tratamentos específicos para esse perfil.
  • HER2 — Proteína de Crescimento

Quando aumentada (15–20% dos casos), acelera a multiplicação das células tumorais. Existem medicamentos específicos para bloqueá-la.

  • Ki-67 — Índice de Proliferação

Mede a velocidade com que o tumor cresce. Valor alto pode indicar necessidade de tratamentos mais intensivos.

Subtipos de Câncer de Mama

  • Luminal A-like

RE positivo, RP positivo, HER2 negativo, Ki-67 baixo.

  • Luminal B-like HER2 negativo

RE positivo, RP positivo ou negativo, HER2 negativo, Ki-67 alto.

  • Luminal B-like HER2 positivo

RE positivo, RP positivo ou negativo, HER2 positivo, Ki-67 qualquer.

  • HER2-enriched

RE negativo, RP negativo, HER2 positivo, Ki-67 qualquer.

  • Triplo negativo

RE negativo, RP negativo, HER2 negativo, Ki-67 qualquer.

Por Que Esse Exame é Essencial?

Porque o câncer de mama não é uma doença única. A imunohistoquímica permite tratar cada caso de forma personalizada, evitando medicamentos desnecessários e aumentando a eficácia do tratamento.

Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. Ele interpretará seus resultados e definirá o melhor caminho para você.

Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).​​​​​​​​​​​​​​​​

Referências:

-Harbeck N, Gnant M. Breast Cancer. Lancet. 2017;389(10074):1134-1150.


O Que é o Grau Histológico no Câncer de Mama?

O Que é o Grau Histológico no Câncer de Mama?

O grau histológico é uma avaliação feita pelo patologista ao examinar as células do câncer de mama no microscópio. Ele indica o quanto essas células estão alteradas em relação às células normais da mama — e ajuda a entender como aquele tumor tende a se comportar.

Como o Grau Histológico é Determinado: o Sistema de Nottingham
O patologista avalia três características das células do tumor, cada uma com pontuação de 1 a 3:
• Formação de túbulos: o tumor ainda se parece com a glândula normal da mama?
• Aparência dos núcleos celulares: as células estão alteradas em tamanho e forma?
• Número de células em divisão: as células estão se multiplicando rapidamente?

A soma das três pontuações define o grau final, pelo sistema de Nottingham — um dos mais utilizados no mundo para o câncer de mama.

Os Três Graus
• Grau 1 — Baixo grau: Células ainda parecidas com as normais da mama. Tumor com comportamento menos agressivo e crescimento mais lento.
• Grau 2 — Grau moderado: As células apresentam características intermediárias entre os tumores de baixo e alto grau.
• Grau 3 — Alto grau: As células apresentam alterações mais acentuadas em relação às células normais da mama e costumam ter divisão celular mais rápida, com tendência a crescimento mais acelerado.

Como o Grau Histológico Impacta o Tratamento?
O grau histológico não é analisado isoladamente. Ele faz parte de um conjunto de informações que orienta as decisões médicas, como tamanho do tumor, acometimento dos linfonodos, receptores hormonais, HER2, Ki-67, entre outros fatores clínicos individuais.
Tumores de grau 3 podem estar associados a maior risco de recorrência e evolução mais rápida, frequentemente indicando necessidade de tratamento mais intensivo.

E no Carcinoma Ductal In Situ (CDIS)?
No carcinoma ductal in situ, as células ainda não invadiram o tecido ao redor. Por isso, o grau histológico tradicional não se aplica. Nesses casos, o patologista avalia o grau nuclear — que analisa apenas as características dos núcleos das células, classificando-os como baixo, intermediário ou alto grau. Essa informação também orienta as decisões de tratamento no CDIS.

Recebeu um diagnóstico? Consulte um mastologista. Ele interpretará todos esses resultados e definirá o melhor caminho para você.

Sobre a autora: Paula Stephanie, médica mastologista, membro associada da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Referências:
-Elston CW, Ellis IO. Pathological prognostic factors in breast cancer. Histopathology. 1991;19(5):403-410.
-Harbeck N, et al. Breast cancer. Nat Rev Dis Primers. 2019;5(1):66.


Rastreamento mamográfico

Rastreamento mamográfico

O rastreamento mamográfico é uma ferramenta essencial na luta contra o câncer de mama. Trata-se da realização periódica de mamografias em mulheres que não apresentam sintomas da doença. O principal objetivo é identificar tumores em estágios muito iniciais, muitas vezes antes mesmo de serem palpáveis. Essa detecção precoce muda drasticamente o prognóstico e as opções de tratamento disponíveis, aumentando as chances de cura.

A mamografia é, atualmente, o único exame de imagem com eficácia comprovada na redução da mortalidade por câncer de mama em larga escala. Ao descobrir lesões precocemente, o rastreamento permite intervenções médicas menos agressivas. Consequentemente, eleva as taxas de cura e melhora a qualidade de vida das pacientes.

Por Que o Rastreamento Mamográfico é Tão Importante?
A importância do rastreamento mamográfico se manifesta em diversos aspectos, desde o impacto direto na vida das pacientes até a otimização dos recursos de saúde. Estudos demonstram que a realização regular do exame pode reduzir a mortalidade por câncer de mama em 25% a 40% nas mulheres que seguem as recomendações.

Quando o câncer é diagnosticado em suas fases iniciais, a necessidade de cirurgias radicais, como a mastectomia total, é significativamente menor. Além disso, a detecção precoce frequentemente diminui a necessidade de tratamentos agressivos, como a quimioterapia. Isso preserva a qualidade de vida da mulher e reduz os efeitos colaterais severos. Do ponto de vista econômico e de saúde pública, o tratamento de tumores iniciais é mais eficiente, exigindo menos recursos hospitalares e medicamentosos do que o tratamento de doenças em estágios avançados.

No Brasil, o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todas as regiões. As estimativas apontam para cerca de 704 mil novos casos de câncer anualmente no triênio 2023-2025, sendo o câncer de mama o principal responsável pela morbidade oncológica feminina. Apesar dos avanços na medicina, o diagnóstico tardio ainda é um desafio considerável no país. Até 30% dos casos chegam aos serviços de saúde já em estágios avançados, o que ressalta a urgência de políticas eficazes de rastreamento.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) orienta o início do rastreamento anual a partir dos 40 anos até 74 anos, em pacientes de risco habitual. A partir dos 75 anos, recomenda-se continuar o rastreamento se não houver comorbidades que reduzam a expectativa de vida da paciente.

Sua Saúde em Primeiro Lugar
O rastreamento mamográfico é uma poderosa ferramenta de prevenção e detecção precoce do câncer de mama. Conhecer as recomendações e a importância desse exame é o primeiro passo para cuidar da sua saúde mamária. Não deixe para depois: a detecção precoce salva vidas e oferece as melhores chances de um tratamento bem-sucedido.
Converse com seu médico mastologista para definir o plano de rastreamento mais adequado para você. Sua saúde é sua prioridade!

Sobre o Autor
Este artigo foi elaborado por Rafael José Fábio Pelorca, médico mastologista associado à Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Com vasta experiência clínica na área, o Dr. Rafael José Fábio Pelorca dedica-se à saúde da mulher e à prevenção e tratamento do câncer de mama, buscando sempre oferecer informações confiáveis e acessíveis à população.


Quem Tem Silicone Pode Fazer Mamografia?

Quem Tem Silicone Pode Fazer Mamografia?

Se você tem prótese de silicone (implante mamário), é muito importante saber que você pode e deve continuar fazendo mamografia normalmente, seguindo as mesmas recomendações de rastreamento do câncer de mama que as mulheres sem implantes. A presença do implante não impede a realização do exame.

A mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento para o câncer de mama, mesmo em mulheres com implantes. As diretrizes médicas são claras: mulheres com próteses mamárias devem seguir os mesmos protocolos de rastreamento do câncer de mama recomendados para sua idade e fatores de risco.

Como é feita a mamografia em quem tem implante?

Quando você tem implante mamário, a mamografia é realizada com uma técnica especial para garantir que o máximo possível de tecido mamário seja visualizado. O exame inclui:

  1. Imagens padrão (com o implante)

São feitas as imagens tradicionais da mama, nas posições craniocaudal (de cima para baixo) e médio-lateral oblíqua (diagonal). Nessas imagens, o implante aparece como uma área muito branca e densa, pois o silicone bloqueia os raios-X.

  1. Imagens com deslocamento do implante (Manobra de Eklund)

Esta é a parte mais importante do exame para quem tem implante. O técnico em radiologia empurra suavemente o implante para trás, em direção à parede torácica, e puxa o tecido mamário para frente. Isso permite visualizar melhor o tecido da mama que ficaria escondido atrás do implante nas imagens padrão.

Essa técnica é chamada de "manobra de Eklund" ou "imagens com deslocamento do implante", é o padrão de cuidado para mamografia em mulheres com implantes mamários.

No total, são feitas 8 imagens (em vez das 4 tradicionais): 4 imagens padrão e 4 imagens com deslocamento do implante, sendo 2 de cada mama em cada tipo.

O implante atrapalha a detecção do câncer de mama?

É verdade que o implante mamário pode reduzir um pouco a sensibilidade da mamografia, ou seja, a capacidade do exame de detectar um câncer quando ele está presente. Isso acontece porque o silicone é muito denso e pode obscurecer parte do tecido mamário, especialmente o tecido mais próximo da parede torácica.

Estudos mostram que:

- A sensibilidade da mamografia de rastreamento em mulheres sem implantes é de cerca de 67%.

- A sensibilidade da mamografia de rastreamento em mulheres com implantes é de cerca de 45%.

Isso significa que a mamografia pode deixar de detectar alguns cânceres em mulheres com implantes. No entanto, é importante destacar que:

- As imagens com deslocamento do implante melhoram significativamente a visualização do tecido mamário e a capacidade de detectar câncer.

- Estudos recentes mostram que as imagens com deslocamento do implante sozinhas podem ser suficientes para o rastreamento, com maior taxa de detecção de câncer do que as imagens padrão.

- Apesar da menor sensibilidade da mamografia, as características dos tumores detectados (tamanho, estágio, comprometimento de linfonodos) são semelhantes entre mulheres com e sem implantes. Isso significa que o implante não parece atrasar o diagnóstico de forma significativa quando a mamografia é feita regularmente.

- Mulheres com implantes podem detectar nódulos palpáveis em tamanhos menores do que mulheres sem implantes, possivelmente porque o implante facilita a percepção de alterações no tecido mamário.

A mamografia pode romper o implante?

Embora existam relatos raros de ruptura de implante durante a mamografia, isso é extremamente incomum. A compressão da mama durante a mamografia é necessária para obter imagens de boa qualidade e reduzir a dose de radiação.

Os técnicos em radiologia são treinados para realizar o exame com cuidado em mulheres com implantes. Se você sentir desconforto ou dor durante o exame, avise imediatamente o profissional para que a compressão seja ajustada.

É importante lembrar que os benefícios da mamografia de rastreamento superam em muito o risco mínimo de complicações com o implante.

Quando devo fazer a mamografia se tenho implante?

As recomendações de rastreamento do câncer de mama são as mesmas para mulheres com e sem implantes:

- A partir dos 40 anos: Mamografia anual ou bienal, conforme orientação médica e diretrizes locais.

- Antes dos 40 anos: Apenas se houver fatores de risco elevados para câncer de mama (histórico familiar, mutações genéticas como BRCA1 ou BRCA2, etc.).

Essas mamografias de rastreamento são diferentes dos exames de acompanhamento do implante (que geralmente são feitos com ressonância magnética ou ultrassom para avaliar a integridade da prótese). A mamografia para rastreamento do câncer de mama deve ser feita independentemente dos exames de acompanhamento do implante.

Preciso fazer outros exames além da mamografia?

Em algumas situações, outros exames podem ser recomendados como complemento à mamografia:

Ultrassonografia (ultrassom) das mamas:

- Pode ser útil para avaliar nódulos ou áreas suspeitas identificadas na mamografia ou no exame clínico.

- É especialmente útil em mulheres com mamas densas.

- Também é usado para avaliar a integridade do implante (detectar rupturas).

Ressonância magnética (RM) das mamas:

- É o exame mais sensível para detectar câncer de mama e também para avaliar a integridade do implante.

- Pode ser recomendada para mulheres com alto risco de câncer de mama (por exemplo, com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2).

- A FDA (agência reguladora dos Estados Unidos) recomenda ressonância magnética para avaliar a integridade de implantes de silicone 5 a 6 anos após a colocação e depois a cada 2 a 3 anos.

Importante: A ressonância magnética para avaliar o implante não substitui a mamografia de rastreamento do câncer de mama. São exames com finalidades diferentes e complementares.

Devo informar que tenho implante ao agendar a mamografia?

Sim, sempre informe que você tem implante mamário ao agendar o exame. Isso é importante para que:

- O serviço de radiologia reserve tempo adequado para o exame (que leva um pouco mais de tempo devido às imagens adicionais).

- O técnico em radiologia esteja preparado para realizar as imagens com deslocamento do implante.

- O radiologista que vai interpretar o exame saiba que você tem implante e possa avaliar adequadamente as imagens.

Também é útil informar:

- O tipo de implante (silicone ou solução salina).

- A localização do implante (subglandular, ou seja, acima do músculo peitoral, ou submuscular, ou seja, abaixo do músculo).

- Quando o implante foi colocado.

- Se houve alguma complicação ou cirurgia de revisão.

Mensagem importante

Ter implante mamário não é motivo para deixar de fazer mamografia. O rastreamento regular do câncer de mama continua sendo fundamental para a detecção precoce, que é a melhor forma de garantir um tratamento bem-sucedido.

Se você tem implantes mamários:

✓ Continue fazendo mamografia conforme as recomendações para sua idade e fatores de risco.

✓ Informe sempre que tem implante ao agendar o exame.

✓ Faça o autoexame das mamas mensalmente e relate qualquer alteração ao seu médico.

✓ Mantenha consultas regulares com seu médico para exame clínico das mamas.

✓ Siga as recomendações de acompanhamento do implante (geralmente com ressonância magnética ou ultrassom).

Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Ele poderá orientá-la sobre o melhor protocolo de rastreamento para o seu caso específico.

Este material tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um profissional de saúde para orientações individualizadas.

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  4. Appropriate Screening Mammography Method for Patients With Breast Implants. Scientific Reports. 2023. Park J, Ko EY, Han BK, et al.
  5. Implant-Displacement Views Alone for Breast Cancer Screening in Women With Implants: A Multicenter Retrospective Study. European Radiology. 2026. Eom HJ, Kim HH, Kim SH, et al.New
  6. Breast Cancer Following Augmentation Mammaplasty: A Case-Control Study. Plastic and Reconstructive Surgery. 2018. Sosin M, Devulapalli C, Fehring C, et al.
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